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9 RESPONSABILIDADE POR ATOS ADMINISTRATIVOS

Responsabilidade Civil do Estado

9 RESPONSABILIDADE POR ATOS ADMINISTRATIVOS

A responsabilidade por atos administrativos, do ponto de vista prático, é quantitativamente, a causa mais frequente de ações de reparação de danos, dado pelo caráter imediato,

permanente e contínuo da atividade administrativa exteriorizada pelos três Poderes (DROMI, 1997, p. 774).

Cabe salientar que o Estado no exercício de suas funções, administrativas, legislativas e judiciais, deve prever suas ações. Neste sentido:

Es quizá uma de lãs cuestiones más transcendentes, pues sitúa al Estado en una actividad primordial para la organización de la vida en comunidad, ya que el individuo actual, al no aceptar como un designio divino, exige que se tomen las aciones preventivas para evitarlo, y si esto falla, que sea resarcido (CORDOBERA, 2011, f. 9).

Outra situação é a diferenciação da responsabilidade subjetiva e objetiva do Estado, e neste sentido, Dromi, com base no Código Civil argentino, descreve:

En el Código Civil se exige, em princípio, que el dano sea producido por una conducta negligente o culposa, para que pueda dar lugar a la responsabilidad. Algunos autores y fallos han sostenido a veces, que el Estado, como persona jurídica que es, no actúa con culpa, por ser ésta una característica exclusivamente reservada a las personas físicas. Sin embargo, para el derecho público el Estado actúa a través de órganos que son desempeñados por personas físicas, cuya voluntad, manifestada dentro del ámbito de sus funciones, se imputa al Estado, considerándose como suya; o sea que el Estado puede actuar culposamente a través de la conducta de sus órganos (DROMI, 1997, p. 775).

Ou seja, quando a pessoa física no exercício de funções administrativas, legislativas ou judiciais ocasionam danos por atos comissivos ou omissivos, estarão sujeitos a ressarcir os prejuízos causados a terceiros.

Relativos aos atos omissivos cabe trazer a tona acórdão do STF sobre o tema:

CONSTITUCIONAL – ADMINISTRATIVO – CIVIL – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO – ATO OMISSIVO DO PODER PÚBLICO: DETENTO MORTO POR OUTRO PRESO – RESPONSABILIDADE SUBJETIVA: CULPA PUBLICIZADA: FALTA DO SERVIÇO – CF., art. 37, § 6.º. I – Tratando-se de ato omissivo do poder público, a responsabilidade civil por esse ato é subjetiva, pelo que exige dolo ou culpa, e sentido estrito, esta numa das três vertentes – a negligência, a imperícia ou a imprudência –, não sendo, entretanto, necessário individualizá-la, dado que pode ser atribuída ao serviço público, de forma genérica, a falta de serviço. II – A falta de serviço – faute du service dos franceses – não dispensa o requisito da causalidade, vale dizer, do nexo de causalidade entre a ação omissiva atribuída ao poder público e o

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dano causado a terceiro. III – Detento assassinado por outro preso: responsabilidade civil do Estado: ocorrência da falta de serviço, com culpa genérica do serviço público, dado que o Estado deve zelar pela integridade física do preso. IV – R.E. conhecido e não provido (STF. 2.ª T., RE 372.472/ RN, Rel. Min. Carlos Velloso, DJU, 28-11-2003).

Mas, se culpa ou dolo partem exclusivamente do funcionário cabe, por parte do Estado, a ação regressiva contra o funcionário denunciando-o à lide. Assim determina o artigo 70, III, do Código de Processo Civil brasileiro que diz que aquele que estiver obrigado pela lei ou pelo contrato é obrigado a denunciar à lide o servidor para que tenha direito de regresso. 10 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Estado é pessoa jurídica de Direito Público e, como tal atua por mãos de pessoas físicas, ou seja, seres humanos. Estes estão vinculados ao princípio da legalidade, possuem suas atribuições vinculadas e individualizadas pelas leis (estão dentro de uma esfera de competências legais). No exercício destas atribuições, tais pessoas, atualmente denominadas agentes públicos, convertem-se em órgãos públicos, realizadores das vontades da comunidade. Exercendo ditas atribuições, não raras vezes, esses agentes, por ação ou omissão, causam prejuízos (danos) a terceiros.

Desta forma, ao longo do tempo, sempre aparece a questão da reparação ou não dos danos causados pelos agentes públicos do Estado, sejam eles agentes administrativos, legislativos ou judiciários.

Diante do exposto, verifica-se que o agente público, investido de atribuições legais, atua em conformidade estatal, mesmo atual em conformidade com a lei pode causar danos a terceiros.

Buscou-se expor não somente as ações do Estado que geram prejuízos, como também fazer referências às omissões prejudiciais a terceiros, especialmente quando a omissão exprime a ausência da atividade estatal, a negligência, esquecimento, inércia e desídia das obrigações do Estado de proceder em prol da coletividade.

Se existente a ação ou omissão danosa em qualquer das esferas públicas – administrativa, legislativa ou judiciária – e dessa ação ou omissão advir o dano a terceiros, o Estado está obrigado a reparar o patrimônio do ofendido, respondendo civilmente por danos morais e materiais que vier a dar causa o agente.

Cita-se aqui, como mero exemplo conclusivo: quando a municipalidade, sabedora de que repetidamente alagamentos acontecem em determinado bairro, e mesmo assim, continua autorizado construções ou não realizando nenhuma atividade para solucionar o problema, incorre em ação lesiva (autorização de construção) ou ação omissiva (deixar de tomar as devidas providências para sanar os alagamentos), estará obrigada a ressarcir os prejuízos causados. Isto porque a atividade administrativa visa, entre outros princípios, a proteção a propriedade privada, a proteção à vida e à dignidade da pessoa humana.

Por fim, vale o destaque de que a reparação pode ocorrer por via administrativa, mas quando esta se frustra, nada impede ao terceiro que sofreu o dano avançar as vias jurisdicionais para ter seu patrimônio recomposto.

REFERÊNCIAS

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