4 A RESPONSABILIDADE POR ATOS DE GESTÃO DO ADMINISTRADOR DAS
4.1 RESPONSABILIDADE POR ATOS DO ADMINISTRADOR DENTRO DOS
Conforme já estudado, o administrador pode agir por interesse de terceiros, seja por acionistas ou sócios, mas com foco nos seus deveres e responsabilidades, com o intuito de respeitar a função social da empresa.
Logo, Brosselin (2014) confirma que:
Qualquer obrigação firmada pelo administrador, cujo conteúdo esteja ligado ao objeto social e em estrita conformidade aos negócios determinados pelas linhas gerais do Conselho de Administração, se afirma imputável à empresa. A responsabilidade do administrador na Sociedade Limitada está relacionada ao que se dispõe à sociedade simples, ou seja, por meio de seus atos vinculam a sociedade. Assim, possuem o compromisso de estar atentos aos deveres e objetivos da empresa, já que seus atos de gestão têm como objeto, manifestar a vontade da sociedade. (CHAGAS, 2016).
O artigo 1.053 e seu parágrafo único, do Código Civil, prescrevem que as normas da sociedade simples serão aplicadas subsidiariamente à sociedade limitada, salvo previsão contratual expressa de aplicação subsidiária as normas da Lei das sociedades por ações, Lei nº 6.404/1976. (BRASIL, 2002).
Então, o legislador deixou expresso a aplicação das regras da sociedade simples. Entretanto, explica Abreu (2016) que fica a critério dos sócios:
A possibilidade de contratar a regência supletiva da Lei das S/A. Portanto, tende a prevalecer o caráter personalíssimo caso silencie o contrato social. De outro modo, poderá a sociedade ter a feição mais próxima de uma sociedade de capitais caso optem os sócios no contrato social pela regência supletiva das regras da sociedade anônima.
Neste contexto, a administração é um órgão necessário para exarar a vontade da sociedade, porém agindo em nome dela, conforme explica Palma (2016): O administrador, uma vez investido, deverá: providenciar imediatamente, todas as medidas necessárias para atingir o objetivo social; respeitar as funções reservadas à outros órgãos da sociedade limitada; ter, ao exercer suas funções, o cuidado e a diligência que toda pessoa idônea, moral e profissionalmente deve empregar na gestão de seu próprio negócio; seguir os parâmetros da sociedade limitada; prestar contas de seus atos, justificando sua gestão aos sócio-quotistas; atuar na defesa dos interesses da sociedade; fornecer as informações solicitadas pelo Conselho Fiscal e pelos sócios; convocar assembleia; procurar obter um resultado positivo; assumir praticar ato irregular ou contrário à lei e ao contrato social ou ato que configure abuso de poder ou desvio de finalidade; votar matéria que não envolva interesse próprio.
Então, para a legislação civilista, Duarte (2009) esclarece que a sociedade limitada rege-se: “pelas disposições dos art. 10527 a 10868 do CC, e subsidiariamente, pelas normas da Sociedade Simples. Pode-se, entretanto, fazer a opção pela regência supletiva pelas normas das Sociedades Anônimas”.
Em relação à Lei das S.A. Brosselin (2014) pontua que:
O administrador de responsabilidade assumida em nome da empresa e no exercício regular de gestão desta, de modo que o inadimplemento voluntário de qualquer obrigação, seja esta contratual ou legal, é ônus que repousa sobre a companhia.
Nas sociedades, podem os administradores receber poderes limitados previstos no contrato social, estatuto ou a própria legislação, sendo estes, vinculados à vontade dos sócios que o elegeram para exercer o cargo. (SARAIVA, 2014).
Sobre o assunto, Mesquita (2013) explica que: “o empresariado brasileiro deve ficar atento a dois pontos: a devida cautela quando da celebração de contratos e a importância da delimitação do objeto social e dos poderes conferidos aos órgãos de administração das sociedades em seus atos constitutivos”.
Desta forma, esclarece Palma (2016) que ao administrar uma sociedade: “caberá ao responsável administrador ater-se à todos os atos por ele realizados, sendo os sócios por vezes, meros expectadores de suas ações ao depositarem e outorgarem seus poderes ao administrador”.
7 Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. (BRASIL, 2002). 8 Art. 1.086. Efetuado o registro da alteração contratual, aplicar-se-á o disposto nos arts. 1.031 e 1.032. (BRASIL, 2002).
Todavia, todo e qualquer contrato social pode conter os atos que devem ser praticados pelos administradores, da mesma forma, devem constar as obrigações para cumprimento no caso de exceder a sua considerada normal atuação dentro da sociedade. (SARAIVA, 2014).
Nos casos em que houver omissão de regras específicas no contrato social indicando poderes e atribuições dos administradores, por presunção legal, estes terão plenos poderes de gestão e representação, podendo, inclusive, praticar atos pertinentes aos objetivos sociais, respeitadas as disposições legais aplicáveis. (MAMEDE, 2012).
Prossegue ainda o mesmo autor afirmando que a relação criada entre a sociedade e o administrador consiste em uma relação jurídica representação que: “Se o administrador desempenhar suas funções, nos parâmetros legais e no poder constante no contrato social não será vinculado o patrimônio do gestor, mas o patrimônio da sociedade. (MAMEDE, 2012).
Sendo assim, destaca-se a importância do compliance desde a definição dos atos que pode ou não o administrador praticar em nome da sociedade, devendo, portanto, ter em relação aos negócios da companhia a mesma diligência e cuidado que teria nos seus próprios negócios. (SOUZA, 2016).
Complementando o raciocínio, a mesma autora assevera que:
Na medida em que reduz a incidência de não conformidades, o compliance também emerge como poderoso instrumento de preservação da integridade dos administradores, que estão expostos, pela natureza intrínseca de suas funções, à responsabilização pessoal – civil e criminal – por condutas ilegais por eles mesmos praticadas ou pelos colaboradores internos e externos da organização, ainda que sem o seu conhecimento. (SOUZA, 2016).
Isso porque, quem pratica o ato jurídico não é o administrador e sim, a sociedade. Para Duarte (2009), há três maneiras de designação do administrador nas sociedades limitadas. São elas:
a) diretamente no contrato social no ato de sua constituição;
b) posteriormente através de um aditivo ao contrato social que passa a ter a mesma natureza da modalidade anterior, sobretudo após a consolidação do contrato social;
c) através de ato separado, podendo ser, por exemplo, através de ata de reunião ou assembléia dos sócios com o respectivo termo de posse. Desta forma, seja qual for a maneira escolhida, o administrador passa a compor a diretoria que comandará os negócios sociais, tanto internamente quanto
representando a sociedade externamente, inclusive junto às questões litigiosas, administrativa ou judicialmente.
Neste sentido, Palma (2016) ensina que a organização da administração detém uma certa flexibilidade concedida pela lei. Qual seja:
Unívoca ou plúrima havendo permissão contratual para seu desempenho, contraindo obrigações e constituindo direitos, representando ativa e passivamente a sociedade perante terceiros, tornando presente a vontade da sociedade.
Por outro lado, no entendimento de Chagas (2016, p. 249): “a imunidade do administrador, pois, será mantida enquanto este não agir fora dos poderes que lhe foram conferidos, com violação à lei ou ao contrato social ou com culpa”.
Para que esta atuação seja benéfica à sociedade, vale ressaltar a importância de agir conforme o disposto na legislação e também ao exposto no contrato social que delimitará seus atos de gestão. Feito isso, o administrador não responderá pelos prejuízos que poderão ser causados a terceiros ou, à própria sociedades e seus sócios, pois agiu em concordância com os interesses da sociedade e com sua função social. (MAMEDE, 2012).
Neste contexto, Peres (2014, p. 183) destaca que: “isto a ocorre porque os administradores não agem pela sociedade, mas a sociedade age por intermédio deles”.
Os administradores não podem ser responsabilizados pelos atos regulares de gestão, mesmo assim, compete a ele agir com atenção na prática em favor do negócio e cumprimento dos deveres. Entretanto, tal imunidade decai, causando a responsabilidade civil, em situações que ultrapassarem os atos regulares de gestão ou em caso de procederem com culpa ou dolo, dentro de suas atribuições e poderes. (COELHO, 2014).
Caso isso não ocorra, haverá violação da legislação e dos poderes que a eles são conferidos, o que podem gerar consequências com sua própria responsabilização pelos atos praticados e desta maneira, eximir a responsabilidade por parte da sociedade, como serão explicados com o excesso de poder, evidenciando-se, mais uma vez, a importância do compliance na definição exata dos poderes do administrador.
4.2 RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR POR ATOS DE GESTÃO COM