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3. CRITÉRIOS PARA ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA

3.3. Responsabilidade tributária

3.3.1. Responsabilidade por sucessão

Seguindo o construtivismo lógico-semântico será apresentada a regra matriz de sanção apresentada nos artigos 129 à 137 do Código Tributário Nacional.

Há que se ressaltar que, em todos os casos de ampliação da sujeição passiva previstas no CTN não há hipótese de múltipla ampliação do polo passivo. O que fica claro da interpretação dos enunciados prescritivos é que mediante a prática de ato ilícito descrito na norma tributária, o consequente descrito é a ampliação da sujeição passiva.

3.3.1. Responsabilidade por sucessão

A norma tributária de responsabilidade por sucessão, em todas as suas hipóteses se igualam no propósito e justificativa de seu fazimento.

É que na responsabilidade por sucessão, sempre há uma relação jurídica de transferência da propriedade onde o bem objeto da relação encontra-se vinculado com obrigações tributárias não satisfeitas pelo contribuinte.

A responsabilidade por sucessão, nesta medida, pressupõe um negocio jurídico em que uma pessoa (terceiro) adquire de outra (contribuinte) determinado objeto gravado com débito tributário não satisfeito, recebendo, por sucessão, todos os deveres fiscais

anteriores ao ato sucessório que integram o objeto, ainda que o lançamento seja efetuado em momento posterior, conforme leciona o art. 129 do Código.54

A responsabilidade por sucessão, encontra-se prescrita nos arts. 129 à 133 do Código Tributário Nacional, e subdivide-se entre sucessão, pessoal, empresarial e imobiliária.

Antes de adentrar nas inúmeras possibilidades de responsabilidade por sucessão, necessário se faz comentar a norma que se constrói à partir do enunciado disposto no art. 129 do CTN.

Ora, o artigo 129 do CTN, grava norma geral para a sucessão, seja empresarial, pessoal ou imobiliária. A norma impõe limitação à responsabilidade tributária por sucessão.

Trata que, a sucessão somente pode operar-se com relação a obrigações tributárias que sejam anteriores à data da ocorrência atos de transferência da propriedade, com a participação do sucedido na operação do fato gerador.

Podemos dizer que os dispositivos do Código Tributário Nacional, relativos à responsabilidade dos sucessores, tem aplicação sempre que o “evento tributário”, comumente denominado “fato gerador”, tiver ocorrido antes da sucessão, com a participação, em um dos polos, da pessoa jurídica sucedida. A sucessão desta sociedade engloba, portanto, todos os créditos ou débitos em seu nome, produzidos por negócios ocorridos até a data da sucessão independentemente da data de sua conclusão.55

O art. 130 do CTN56 elenca como responsável pelos créditos tributários, o

adquirente de bem imóvel, cujo critério material da hipótese de incidência seja relacionado com a sua propriedade, posse ou domínio útil, bem como as taxas pela prestação de serviços públicos que se referem a tais bens, ou até contribuições de melhoria.

O referido dispositivo legal trata da responsabilidade por sucessão imobiliária, e prescreve exceção para o caso de constar do título de aquisição do imóvel a prova de sua quitação.

54CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2015. P. 908 - 909

55 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2015. p. 671

56 Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.

A regra insculpida nesta modalidade de atribuição de responsabilidade tributária, tem origem na regra de direito civil de que o acessório segue o principal, que já constava no código civil de 191657, vigente à época da elaboração do código tributário nacional.

Ademais, o enunciado prescritivo do art. 130 do CTN, atribui a responsabilidade em razão da negligência do adquirente de imóvel que, não obstante não ter participado do fato que deu origem à relação jurídico tributária, deixou de diligenciar, quando da aquisição do imóvel, a regularidade tributária do alienante, em relação ao objeto da aquisição.

Portanto, nestes casos em que, mesmo que o lançamento venha à dar-se em momento posterior à data da alienação, é possível que o adquirente seja responsabilizado pelos tributos que recaem sobre o imóvel.

Tem-se, portanto, a seguinte norma: dado o fato de que na alienação de imóvel, havia a relação tributária R, existente entre o município S’ e o sujeito passivo S’’, deve o sujeito passivo S’’’, adquirente do imóvel, ser responsabilizado sucessivamente pelos créditos tributários oriundos da relação R.

Já no artigo 131 do CTN, que trata da responsabilidade pessoal, encontra-se previsto que são responsáveis: (i) o adquirente ou remitente pelos bens adquiridos ou remidos; (ii) o sucessor a qualquer título ou cônjuge meeiro até a data da partilha ou adjudicação limitado ao seu quinhão; e (iii) o espólio pelos

tributos devidos pelo de cujos até a data da abertura da sucessão.

O legislador, no caso do art. 131 do CTN, usa a responsabilidade tributária como forma de facilitar o cumprimento da obrigação tributária, aplicando sanção de motivação política.

Nos três incisos, repete-se a idêntica problemática, pressupondo a lei um dever de cooperação para que as prestações tributárias venham a ser satisfeitas. Em caso contrário, atua a sanção que, por decisão política do legislador, é estipulada no valor da dívida tributária, e seu pagamento tem a virtude de extinguir aquela primeira relação.58

É notório que o mesmo sentido é dado pelo legislador para o caso da sucessão empresarial descrita no art. 132 do CTN. De acordo com o art. 132 do

57 Art. 59. Salvo disposição especial em contrário, a coisa acessória segue a principal.

58 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2015. p. 671

CTN, são responsáveis pelos tributos devidos pela sociedade a pessoa jurídica que resultar de fusão, transformação ou incorporação.

Ora, no encerramento da sociedade, é requisito a regularidade fiscal, bem como a quitação dos tributos vencidos na data do ato fundir, transformar ou incorporar uma sociedade.

Portanto, é natural que os tributos devidos na data das operações descritas no dispositivo legal, sejam assumidos pela pessoa jurídica que lhe sucedeu, sendo necessário que além dos ativos, os passivos também tenham parte na sucessão empresarial.

No caso da sucessão empresarial Marcelo da Rocha Ribeiro Dantas faz importante colocação:

Esse tipo de responsabilização tributária não se aplica ao caso das sociedades empresariais que participam de grupos econômicos. Isso se constata pelo simples fato de que nesses casos ocorre uma transferência de bens, há uma sucessão e sendo assim aquilo que pertencia a um sujeito sai de sua esfera de domínio e passa a integrar o patrimônio de outra pessoa. Nos casos de grupos econômicos, cada sociedade mantém íntegra a sua personalidade jurídica.59

Ainda, o art. 133 do CTN elenca os critérios para responsabilização pelos tributos devidos quando há aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, até a data do ato de alienação.

Nestes casos, de sucessão empresarial, está presente uma das principais características dos grupos econômicos, qual seja, a coincidência de endereço, coincidência de ramo de atuação, em muitas vezes mantém-se até alguns dos colaboradores que prestavam serviços para a anterior sociedade.

Porém, a ampliação do polo passivo da relação jurídico tributária, ainda assim não se dá de forma plural. Mesmo nos casos da responsabilidade por sucessão, é necessário que o critério material da regra matriz de sanção prescreva um ato abstrato que quando ocorrer estabelecerá uma relação jurídica com um novo sujeito de direito que não necessariamente esteve presente na relação de incidência tributária.