Esta seção trata da Responsabilidade Social e da Contabilidade Ambiental, mais precisamente, uma contextualização sobre o meio ambiente, atitudes responsáveis e a necessidade da participação da sociedade nesse sentido, bem como a conceituação desses elementos.
O surgimento da Revolução Industrial marca o início de uma nova era na vida das pessoas. O homem passou a querer cada vez mais conforto, construindo moradias, criando produtos, que ao longo do tempo, tornaram-se cada vez mais obsoletos. Naturalmente, a população foi aumentando e a demanda por recursos naturais para garantir essa evolução, também. No primeiro instante, pensava-se apenas em desenvolvimento, porém as consequências foram percebidas quando fatores como aquecimento da terra e chuvas ácidas passaram a comprometer a vida na terra. Desde então, a humanidade passou a se preocupar com o ambiente em que vive.
A Lei nº 6.938/1981 define, em seu art. 3º, inciso I, o meio ambiente como sendo “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Diante de tal afirmação, pode-se concluir que proteger o meio ambiente é uma questão fundamental e indispensável para garantir a existência da vida dos seres vivos na terra.
Para reafirmar a importância da preservação ambiental, a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano de 1972 (documento também conhecido como Declaração de Estocolmo), assegura que “a proteção e o melhoramento do meio ambiente humano é uma questão fundamental que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvimento econômico do mundo inteiro, um desejo urgente dos povos de todo o mundo e um dever de todos os governos”.
Contudo, a degradação do meio ambiente é um assunto que, após a assinatura do Protocolo de Kyoto e Rio 92, vem sendo discutido pelas autoridades das nações em geral. E a principal causa disso decorre do uso inadequado dos recursos naturais que põe em risco a qualidade de vida dos seres vivos.
Ferreira (2011, p. 1) afirma que, “se o uso dos recursos naturais não afetasse as relações econômicas e, principalmente para a contabilidade, o patrimônio das organizações, não haveria necessidade de relatar e medir esses fatos e, portanto, ela não seria necessária”.
Na realidade, o avanço da tecnologia industrial, em prol do desenvolvimento econômico a todo custo, supera, demasiadamente, a prática de atitudes responsáveis da
humanidade em relação aos recursos naturais. Como resultado disso, têm-se problemas ambientais de grandes proporções, como poluição da água e do ar, efeito estufa, buraco na camada de ozônio, chuva ácida, dentre outros. Assim, se faz necessário que a Responsabilidade Social se torne cada vez mais importante na realidade das organizações contemporâneas.
Para enfatizar a participação social, Soares (2011, p. 17) afirma que:
Atualmente, a intervenção dos diversos atores sociais exige das organizações uma nova postura, calcada em valores éticos que promovam o desenvolvimento sustentado da sociedade como um todo. Significa mudança de atitude, numa perspectiva de gestão empresarial como foco na qualidade das relações e na geração de valores para todos.
É notável que as empresas possuem um papel importante na luta pelo desenvolvimento sustentável, já que a atividade industrial representa um fator que contribui intensamente no processo de degradação ambiental, mas na verdade, em se tratando de responsabilidade ambiental, não só as empresas, mas também a sociedade tem que reconhecer que precisa fazer a sua parte.
Nesse sentido, Braga et al. (2007, p. 1) considera que “para que haja um desenvolvimento local sustentável, todos os atores sociais devem participar das ações sociais e ambientais, inclusive das políticas públicas, pois o governo, individualmente, não tem condição de resolver a complexa situação social na qual o país está inserido”.
Já Ribeiro (2010, p. 44) complementa da seguinte forma:
O combate a todas as formas de poluição é uma obrigação de toda a sociedade. Visto que várias ciências e áreas do conhecimento já estão se empenhando em contribuir para essa causa, de acordo com seu campo de atuação, impõem-se também a participação da ciência contábil. Ainda porque os eventos e transações de natureza ambiental representam grandezas relevantes e, assim, causam significativo impacto na situação econômico-financeiro das empresas.
Como se percebe no texto, atualmente, a preocupação com o meio ambiente passou a ser discutido também pelas empresas, fato que contribuiu, favoravelmente, para o surgimento da Contabilidade Ambiental, cujo objetivo é oferecer informações acerca das transações envolvendo o meio ambiente no dia-a-dia das organizações. De fato, pode-se dizer que a Contabilidade Ambiental é uma contribuição da ciência contábil à sociedade.
Segundo Paiva (2006, p. 17), “a Contabilidade Ambiental pode ser entendida como a atividade de identificação de dados e registro de eventos ambientais, processamento e geração de informações que subsidiem o usuário servindo como parâmetro em suas tomadas de decisões”.
Paiva (2006, p. 13) também acrescenta que:
Cabe à Contabilidade a formulação de parâmetros de mensuração e registro que permitam o acompanhamento da convivência da empresa com o meio ambiente e a evolução econômica e patrimonial de tal relação, no decorrer do tempo. Essa afirmação é justificada pela função da Contabilidade no tempo e na história, mesmo porque é a Contabilidade quem efetua os registros dos eventos e transações das empresas através da abordagem sistêmica, gerando os relatórios onde tais informações estarão disponibilizadas.
Pode-se afirmar, no entanto, que a Contabilidade Ambiental pode interpretar, através do registro das informações nas demonstrações contábeis, qual o comportamento de determinada empresa ou mesmo sua preocupação com as questões ambientais, podendo refletir uma boa ou má imagem no contexto atual de sustentabilidade.
Segundo Ribeiro (2010, p. 45),
A Contabilidade ambiental não é uma nova ciência, mas sim, uma segmentação da tradicional já, amplamente, conhecida”. Adaptando o objetivo desta última, podemos definir como objetivo da Contabilidade ambiental: identificar, mensurar e esclarecer os eventos e transações econômico-financeiros que estejam relacionados com a proteção, preservação e recuperação ambiental, ocorridos em um determinado período, visando a evidenciação da situação patrimonial de uma entidade.
Desse modo, pode-se dizer que, através das demonstrações contábeis fornecidas pela Contabilidade Ambiental, as empresas poderão mensurar o montante dos custos ambientais gerados, além de fornecer as informações a respeito de seus programas sociais de investimento, demonstrando seu interesse não só pelo lucro, como também pelo desenvolvimento sustentável no planeta.
Portanto, a Contabilidade Ambiental assume um papel estratégico na medida em que consegue prevenir danos futuros sobre o meio ambiente através da Contabilidade, tornando-se uma ferramenta de estratégia da empresa.