4.2 Resultados dos testes de hipóteses
4.2.1 Resultado
4.2.1.1 Matriz de correlação
Apesar de as correlações diretas terem se mostrado baixas, o sentido do relacionamento entre as variáveis leva a algumas considerações:
TABELA 3 - Correlação entre as Variáveis de Governança Corporativa
INDEP TOT DE
INDEP 1,0000 0,4280 -0,5410 TOT 0,4280 1,0000 -0,0180
DE 1,0000
As correlações acima indicam que:
1. Quanto maior a independência do conselho (INDEP), menor a probabilidade de os cargos de diretor executivo e presidente do conselho (DE) serem ocupados pela mes- ma pessoa, corroborando a hipótese de que um conselho independente tende a indicar como seu presidente um membro que não seja o diretor executivo da companhia, de forma a proporcionar o equilíbrio de poder;
2. Quanto maior a probabilidade de os cargos de presidente do conselho e diretor execu- tivo (DE) serem ocupados pela mesma pessoa, menor o tamanho do conselho (TOT). Isto reforça a hipótese de que as empresas com um forte acionista controlador (com maior probabilidade de ocupar simultaneamente os cargos de diretor executivo e pre- sidente do conselho), tendem ter conselhos menores, muitas vezes com o tamanho mínimo estabelecido por lei, com propósito meramente formal.
TABELA 4 - Correlações entre as variáveis de governança, estrutura de propriedade e valor no ano de 2011
INDEP TOT DE SHARPE FIRMVSAT INDEP 1,0000 0,4280 -0,5410 -0,192 0,154
TOT 1,0000 -0,0180 -0,198 -0,064
DE 1,0000 0,116 0,006
SHARPE 1,0000 0,239
FIRMVSAT 1,0000
As correlações do TAB. 4 indicam que:
1. Quanto maior a independência do conselho (INDEP), maior a probalidade da existência de valor da empresa (FIRMVSAT). Este resultado pode sugerir que, com uma maior par-
ticipação de Conselheiros independentes na resolução das decisões corporativas impor- tantes, os mesmos se sentiriam mais predispostos a indicar maiores investimentos em ati- vos com efeitos nos resultados de médio e longo prazo. Também pode se aferir do QUA- DRO 10 que, com uma maior independência do Conselho de Administração, há maior probalidade de redução do risco do capital (SHARPE).
2. Quando maior a unificação dos cargos de diretor executivo e presidente do conselho (DE), menor o crescimento de valor da empresa (FIRMVSAT). Apesar de uma redução do risco (SHARPE) em menor escala, esta informação corrobora a hipótese da pesquisa de que a ocupação dos dois principais cargos da companhia pela mesma pessoa não é saudável para a companhia;
3. Quanto maior a unificação dos cargos de diretor executivo e presidente do conselho (DE), o desempenho da empresa (FIRMVSAT) é bem menor do que na separação de cargos de diretor executivo e presidente do Conselho de Administração.
TABELA 5 - Correlações entre as variáveis de governança, estrutura de propriedade e desempenho no ano de 2011 Matriz de correlacionesa 1,000 ,803 -,387 -,609 ,133 -,308 -,460 ,299 ,014 -,123 ,142 ,803 1,000 -,260 -,659 ,181 -,230 -,380 ,116 ,006 -,024 ,176 -,387 -,260 1,000 ,490 -,019 ,695 ,916 -,276 -,012 ,168 ,013 -,609 -,659 ,490 1,000 -,063 ,021 ,711 -,248 ,062 ,155 ,019 ,133 ,181 -,019 -,063 1,000 -,144 ,019 ,054 -,111 -,198 ,062 -,308 -,230 ,695 ,021 -,144 1,000 ,377 -,321 ,059 ,139 -,059 -,460 -,380 ,916 ,711 ,019 ,377 1,000 -,194 -,047 ,138 ,015 ,299 ,116 -,276 -,248 ,054 -,321 -,194 1,000 ,239 -,101 -,163 ,014 ,006 -,012 ,062 -,111 ,059 -,047 ,239 1,000 ,225 ,106 -,123 -,024 ,168 ,155 -,198 ,139 ,138 -,101 ,225 1,000 -,016 ,142 ,176 ,013 ,019 ,062 -,059 ,015 -,163 ,106 -,016 1,000 ind.DE DE TAM INDEP Ind.GC DIR EXT Sharpe FIRMVSA ROA ROE Correlació
ind.DE DE TAM INDEP Ind.GC DIR EXT Sharpe IRMVSAT ROA ROE
Esta matriz no es definida positiva. a.
1. Quanto maior a independência do conselho (INDEP), maior a probabilidade do retorno sobre o ativo com base no lucro operacional (ROA).
2. Quanto maior o (INDEP), maior a probabilidade de Retorno sobre o Patrimônio (ROE).
3. Quanto maior o Tamanho do conselho (TOT), maior ROA. Esta relação contraria os resultados obtidos por Yermack (1996), apud Silveira (2002, p. 134), de que empresas com conselhos menores possuem maior valor de mercado.
4. Quanto maior a unificação dos cargos de diretor executivo e presidente do conselho (DE), maior o valor da empresa (FIRMVSAT). Esta relação também contraria os re- sultados obtidos por Yermack (1996), apud Silveira (2002, p. 134), de que a empresa com conselheiro com dupla função não é saudável.
5. Quanto maior a unificação dos cargos de diretor executivo e presidente do conselho (DE), menor é o (ROA) e maior o (ROE). Esta relação contraria parcialmente os resul- tados obtidos por Silveira ( 2002, p. 134). De que empresas com Conselhos acumulan- do os cargos de diretor executivo e presidente (DE), menor a estrutura de governança e, consequentemente, menor desempenho.
A variável tamanho do Conselho de Administração (TOT) foi a variável de governança com resultados mais importantes, apresentando uma correlação negativa significativa estatistica- mente ao nível de 1% (valor probalidade associado à estatística t) contra as variáveis depen- dentes de valor da empresa sobre o ativo total (FIRMVSAT). Em ambos os casos, os resulta- dos indicam claramente que o tamanho do Conselho de Administração nas empresas do setor da indústria manufatureira obteve média maior valor de mercado, corroborando a hipótese de que a adoção das recomendações do IBGC e CVM, de que um número de conselheiro entre 5 e 9 membros é saudável para a empresa, é adequada.
Com relação ao diretor executivo assumindo cargo de presidente do Conselho de Administra- ção (DE), foi obtida uma relação quadrada positiva no nível de significância 10% contra a variável FIRMVSAT. Com relação aos sinais dos coeficientes de TOT, era esperado que o sinal do coeficiente linear fosse positivo e que o coeficiente quadrático fosse negativo (indi- cando uma concavidade para baixo da curva), de forma a corroborar recomendações do IBGC e CVM de que existe uma faixa ótima para o tamanho do conselho. Esse exatamente o resul-
tado o modelo que apresentou significância estatística contra (FIRMVSAT), com os sinais dos coeficientes de TOT indicando uma relação curvilínea negativa, com uma faixa ótima para o tamanho do conselho. No modelo original do trabalho, obteve-se uma faixa ótima de cinco a seis membros, com o valor máximo de FIRMVSAT correspondendo a um conselho de 11,58 membros. Na variância do modelo, sem a escala logarítmica para TOT, obteve-se uma faixa ótima de cinco a sete membros para o tamanho do conselho, com o valor máximo de FIRMVSAT correspondendo a um conselho com 6,16 membros. Mais importante do que o número especifico do conselho que resultou em valor máximo no período, é constatar a rela- ção quadrática significativa com a concavidade negativa da variável TOT e a presença de fai- xa ótima para tamanho do conselho, conforme as recomendações do IBGC e CVM. Por fim, em 2011 a variável independência do conselho (INDEP) apresentou relação estatística signi- ficativa contra variáveis de valor com o valor de estatística( t) de 0,411 em relação à FIR- MVSAT.
Os resultados dos principais modelos são apresentados na sequência.
TABELA 6 - Coeficientes Coeficientesa ,536 ,611 ,878 ,383 ,133 ,245 ,091 ,544 ,588 ,560 1,785 -,014 ,031 -,064 -,440 ,661 ,753 1,329 ,830 1,003 ,154 ,828 ,411 ,457 2,190 (Constante) DE TAM INDEP Modelo 1 B Error típ. Coeficientes no estandarizados Beta Coeficientes estandarizad os
t Sig. Tolerancia FIV
Estadísticos de colinealidad
Variable dependiente: FIRMVSAT a.
4.2.1.2 Relação entre governança corporativa e valor
A variável independência do conselho (INDEP) foi a variável de governança com resultados mais importantes, apresentando uma correlação ao nível de 10% (valor da probalidade associ- ado à estatística t) contra a variável valor de empresa sobre o ativo total (FIRMVSAT). Em ambos os casos, os resultados indicam claramente que as empresas que tiveram pessoas exter- nas não ocupando os cargos de diretor da empresa obteve, em média, maior valor de mercado, corroborando a hipótese de que a adoção de recomendações do IBGC e CVM para maior pro- porção de conselheiros independentes é saudável para as empresas. Com relação às demais variáveis independentes, não foram obtidas relações quadráticas ao nível de significância con- tra a variável FIRMVSAT, observando uma ausência de relação estatística significativa. Ademais, foram construídos modelos, sem a utilização de escala logarítmica para a variável (TOT), mas os resultados foram semelhantes. Com relação aos sinais dos coeficientes de TOT, era de se esperar que o sinal do coeficiente linear fosse positivo e que o sinal do coefici- ente quadrado fosse negativo (indicando uma concavidade para baixo da curva), de forma a corroborar com as recomendações do IBGC e CVM, de que existe uma faixa ótima para o tamanho do conselho. O resultado é apresentado no modelo estatístico da tabela abaixo:
TABELA 7 - Resultado para tamanho do Conselho
Variável Coeficientes estan- dartizados
Erro Padrão Estatística t Probab. Beta (Constante) 0,467 3,063 0,153 0,879 EXT -0,539 0,84 -1,566 0,119 TOT 0,127 0,269 0,127 0,899 INDEP 0,361 0,962 1,718 0,088 DE 0,77 0,144 0,620 0,536 LOG(TOT) -0,289 3,157 -0,192 0,850 LOG(TOT)^2 0,507 1,262 0,190 0,850 IDSETOR -0,032 0,186 -0,411 0,681
R-quadrado 0,04 Critério de Durbin-
Watson
1,725 R-quadrado
Ajustado
-0,002 Probablidade F 0,953
4.2.1.3 Relação entre governança corporativa e desempenho
O retorno sobre o ativo total utilizando o lucro líquido (ROA) foi a variável de desempenho que obteve melhor resultado contra as variáveis de governança, na regressão contra ROA; a variável tamanho do conselho (TOT) apresentou um correlação ao nível de significância de 5%, indicando que as empresas que tiveram maior tamanho do Conselho de Administração obtiveram, em média, melhor ROA no período. O que pode esboçar a corroboração da hipóte- se d a adoção das recomendações do IBGC e CVM resultando em melhor estrutura de gover- nança, o que pode levar a um melhor resultado financeiro para a companhia. Ademais, não se pode aferir resultados das demais variáveis independentes, dada uma baixa significância esta- tística.
TABELA 8 - Relação entre retorno sobre o ativo (ROA) e variáveis de governança corporativa Variável Coeficientes estandarizados Erro Pa- drão Estatística t Probab. Beta (Constante) 3,715 1,325 2,804 0,006 DE -0,091 0,086 -0,406 0,686 INDEP 1,444 0,078 0,933 0,354 INDSETOR 0,068 0,047 0,932 0,354 LOGTOT -4,007 1,332 -1,919 0,058 IGC -0,255 0,055 -2,862 0,005 LOGTOT2 4,856 0,471 1,380 0,171
R-quadrado 0,577 Critério de Durbin-
Watson 1,968 R-quadrado Ajustado 0,547 Probablidade F 19,083 Equação: ROA=3,715-0,091*DE+1,444*INDEP - 4,007LOG(TOT)-4,856*LOG(TOT)^2++0,068*IDSETOR
GRÁFICO 5 - Relação entre variável valor de empresa (FIRMAVSAT) e tamanho do Conselho de Admi- nistração
Relação entre variável valor de empresa (FIRMAVSAT)
e Tamanho do Conselho de Administração
31 29 27 26 20 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 TAM 14 12 10 8 6 4 2 0 FIRMAVSAT