Com o intuito de caracterizar a amostra avaliada, a tabela 1, reporta os resultados descritivos relacionados dos avaliados.
Tabela 1 – Caracterização da amostra.
Variáveis N Percentual Média Desvio padrão
Mão dominante Destro 126 88,1 - -
Sinistro 17 11,9 - -
Idade (anos) 144 - 12,61 ,8994
Massa (kg) 144 49,63 15,06
Estatura (cm) 144 155,00 0,151
IMC (kg/m2) 144 20,66 4,09
IMC: índice de massa corporal; kg: quilograma; cm: centímetros.; m2: metro ao quadrado
O erro técnico de medida intra-avaliador foi verificado entre as duas avaliações realizadas para cada teste, sendo verificada diferença entre os mesmos, com resultados
36
expressivamente melhores para AATT, apesar do teste original apresentar classificação aceitável.
Tabela 2 - Erro Técnico de medida (ETM)
Validação Teste Original (EUROFIT) Teste AATT
ETM 4,8% 1,52 %
O teste de comparação de médias (t pareado), não identificou diferença significativa entre os dois métodos de avaliação (p=0,647) entre o teste original Eurofit e o aparelho AATT. A tabela 3 reporta os dados encontrado nas análises da validação.
Tabela 3 - Análises da validação.
Análise CCC
CCC ρ Cb r² CCI
VALIDAÇÃO 0,823 0,820 0,999 0,716 0,901
Legenda: CCC,coeficiente de correlação de concordância; ρ, precisão; Cb, validade; CCI, coeficiente de
correlação intraclasse.
Foi utilizado o modelo de Bland-Altman a fim de demonstrar os limites de concordância dos testes aplicados.
37 Figura 7 – Plotagem de Bland-Altman entre teste Original e AATT.
A fim de demonstrar a capacidade de aferição do aparelho, com variáveis intrínsecas ao teste, foram desenvolvidos quatro figuras que demonstram o tempo total de teste para os 50 toques, o tempo de voo e o tempo de contato com as placas. A média do tempo total do teste foi de 12,89 segundos para o teste original e de 12,77 segundos para o AATT. Foi identificado que cerca de 67,84% do tempo total é composto do tempo de voo, e 32,15% de contato com as placas metálicas.
38 Os figuras 3,4 e 5 demonstram a média do desempenho dos participantes em relação ao tempo de voo e contato com as placas. Todos as figuras ressaltam o desempenho de acordo com as fases proposta por Santos (2009).
Figura 9 - Média de tempo de voo.
39
40 5.2 Resultados do Artigo 2 - Validação cruzada de aparelho Automatizado para verificação de velocidade de membros superiores em crianças e adolescentes.
Com o intuito de caracterizar a população avaliada, a tabela 3, reporta os resultados descritivos relacionados aos avaliados.
Tabela 4 – análise descritiva dos avaliados.
Variáveis N Percentual Média Desvio padrão
Mão dominante Destro 62 82,7 - -
Sinistro 13 17,3 - -
Idade (anos) 75 - 12,34 2,18
Massa (kg) 75 - 47,43 14,19
Estatura (cm) 75 - 1,52 0,140
IMC (kg/m2) 75 - 20,40 4,17
IMC: índice de massa corporal; kg: quilograma; cm: centímetros.; m2: metro ao quadrado
O teste de comparação de médias (t pareado), não identificou diferença significativa entre os dois métodos de avaliação (p=0,128). Para os dados entre o teste original Eurofit e o aparelho AATT. A tabela 5 reporta os dados encontrado nas análises da validação cruzada e reprodutibilidade. Foi utilizado a plotagem de Bland-Altman a fim de demonstrar os limites de concordância dos testes aplicados.
Tabela 5 - Análises da validação cruzada e Reprodutibilidade.
Análise CCC
CCC ρ Cb r² CCI
VALIDAÇÃO CRUZADA 0,997 0,997 0,999 0,995 0,998
REPRODUTIBILIDADE AATT 0,825 0,839 0,967 0,728 0,920
Legenda: CCC,coeficiente de correlação de concordância; ρ, precisão; Cb, validade; CCI, coeficiente de
41 Figura 12 - Plotagem de Bland-Altman entre teste Original e AATT (validação cruzada)
42
A Figura 8, reporta a média do tempo total dos respectivos testes, sendo 13,19 segundos para o teste original e de 13,01 segundos para o AATT.
43 DISCUSSÃO
Considerando os objetivos propostos, a validação de um aparelho de avaliação da velocidade de membros superiores automatizado visa a tornar mais eficiente a aplicação do teste validado pelo EUROFIT (1990), facilitando as avaliações motoras para os profissionais da área e minimizando o erro humano. Considerando que a metodologia original aplicada pode ser aperfeiçoada e otimizada, facilitando a coleta de dados de grandes grupos na área esportiva e da saúde, o aparelho desenvolvido demonstra eficiência em seus resultados quando comparado ao teste original.
No desenvolvimento de protocolos unilaterias de membros é importante observar a preferência motora dos indivíduos avaliados. Observa-se de forma geral na população uma preferência pela utilização do hemicorpo direito para execução dos testes. De acordo com Gallahue e Ozmun (2003), 85% das crianças apresentam preferência manual direita e 15% preferem a mão esquerda. Outros estudos também apontam questões sociais, para escolha da preferência manual (FARIA, 2001). O presente estudo considera a dominância manual como fator importante para aplicação do teste no aparelho. Esta dominância definida por teste específico (FARIA, 2001; NEGRINE, 1986) e não por condições autorrelatada.
A aferição de variáveis específicas como velocidade e velocidade de membros superiores, é de importante significado para que treinadores e profissionais do desempenho, identifiquem avanços e falhas de aprendizagem e coordenação. Ela está presente na maioria dos esportes em que há arremessos de projéteis (tênis de mesa, tênis, vôlei), ou coordenação como natação e corrida. A velocidade é definida por Magill (2000) como uma medida cinemática que descreve como a posição do movimento varia relativamente ao tempo. É calculada, dividindo o deslocamento (alterações nas localizações espaciais de um membro ou de uma articulação durante o decorrer do movimento) pelo tempo.
De acordo com Marins; Giannichi, (1998) a velocidade de membros e considerado como o tempo gasto por um indivíduo para impulsionar seu corpo ou parte dele no espaço. Esta velocidade diferencia-se da velocidade de deslocamento porque somente uma parte do corpo está em movimento, já na velocidade de deslocamento há o deslocamento do corpo inteiro.
A observação dessa variável é importante para direcionar características de treinamento específicas em cada modalidade ou até mesmo para grupos com idade diferenciada como em um estudo realizado por Oelker, (2005) foi observado que utilizando o teste Golpeio de placas com
44 tempo fixo, a velocidade está completamente relacionada com idade cronológica na qual, quanto maior a idade maior o número de ciclos que as crianças realizam.
Dessa forma ao observar o tempo total dos testes propostos nesse estudo, verifica-se que as médias apresentadas no figura 1, (EUROFIT = 12,892 seg) e (AATT = 12,772) seg não apresentam diferença significativa e são bastante próximas às de estudos que utilizaram o mesmo protocolo. Santos (2009) apresentou médias semelhantes em seus estudos quando realizou testes pré e pós-intervenção com médias de: 12,99 seg para o grupo com três dias de treinamento, 13,73 segundos para o grupo com um dia de treinamento e 13,24 segundos, para o grupo controle em jovens com idades entre 12 e 15 anos. Dantas (2016) usando o protocolo original, em um trabalho que verificava a relação da idade óssea e cronológica com capacidades físicas na iniciação esportiva encontrou dados que variavam de 15,72 a 15,16 segundos. Para grupos entre 12 e 15 anos, essas variações podem ser explicadas com base em fatores como a coordenação motora que pode sofrer um déficit no período púbere devido ao pico de crescimento físico que não é acompanhada na mesma velocidade pelo desenvolvimento neural, se equilibrando em seguida com os aspectos somáticos (DANTAS; CABRAL, 2016) e (CABRAL et al, 2013) apresentam resultados semelhantes (13,2 s) em população na mesma faixa etária.
No teste original EUROFIT, a responsabilidade de aferição de tempo e ciclos por um ou dois avaliadores demanda um desgaste desnecessário, uma vez que o mesmo deverá contar em voz alta e estar sincronizado ao tempo/toque durante o teste. O que pode comprometer os dados em coletas para grandes grupos, podendo ainda aumentar o erro intra-avaliador (ETM) ou inter- avaliador, sendo verificada diferença de resultados entre os dois tipos de procedimento avaliados nesse estudo, sendo o ETM no procedimento original 4,8 e 1,52 no protocolo avaliado pelo aparelho AATT. Essa preocupação de se ter dois avaliadores aplicando o teste foi minimizado por Oelke, (2005), quando a mesma desenvolveu uma variação do teste com tempo pré- estabelecido. Sendo assim, a criação de um aparelho automatizado diminui as chances de erro humano, além disso permite a padronização dos processos, maior agilidade e eficiência na produção e, muitas vezes, redução dos custos e tempo (Oliveira, 2017).
Neste sentido, (SANTOS, 2009) apresentou um aparelho que objetiva a aferição das medidas de velocidade de membros superiores. De acordo com o mesmo a criação de um aparelho utilizado para aferir a velocidade de membros superiores mostrou-se muito eficiente pois com o instrumento desenvolvido para a pesquisa foi possível registrar curvas de desempenho do teste para cada sujeito, essas curvas puderam ser analisadas em relação ao tempo total do teste, tempo
45
de voo entre os toques nas placas e o tempo de contato da mão com cada placa. O mesmo encontrou resultados que indicam cerca de aproximadamente 22% do tempo total do teste Golpeio de Placas é composto pelo contato da mão com as placas (50 toques), e aproximadamente 78% do tempo total do teste é composto pela fase de voo entre as placas (49 voos). O presente estudo identificou que cerca de 67,84% do tempo total é composto do tempo de voo, e 32,15% de contato com as placas metálicas.
A utilização de outros aparelhos para aferição de medidas sobre velocidade de membros superiores tem se mostrado eficiente quando utilizados em coletas com crianças de diversas idades (KREBS ; LUCAS; SAENZ, 2000; SANTOS; BORGES; DIAS ; KREBS ; BORGES, 2007), comprovando a eficácia das medidas registradas.
Krebs (2008), utilizou um aparelho para aferição de velocidade de membros superiores. O mesmo aferiu seis jogadoras de basquete universitário, com um sistema de placas e conversor analógico seguindo o protocolo EUROFIT, (1990) (KREBS; BORGES; SANTOS, 2008). Apesar de não ter sido objetivo do seu trabalho o aparelho usado demonstrou ter sido bastante eficiente nas coletas, que tinha o intuito de verificar a capacidade visual proprioceptiva.
Importante enfatizar que a aplicação de ação do AATT, segue o mesmo protocolo e requisitos propostos pela comissão europeia (EUROFIT, 1990) para avaliar a velocidade de membros superiores, seguindo os ajustes de altura da mesa de apoio e com as dimensões propostas e a execução do teste idênticos ao do protocolo original. Além disso o Aparelho Automatizado Tapping Test (AATT) permite ajuste de distância entre os discos e altura da mesa, o que corrobora com os estudos de (FINAMOR, 2003) e (OELKE; KROEFF; KREBS, 2004), que analisaram aspectos do desenvolvimento físico (envergadura e estatura) relacionados as dimensões estruturais, na execução e desempenho no teste Golpeio de Placas. Oelke, (2005), avaliando a correlação das distâncias das placas em praticantes de futsal e basquete e identificou uma relação moderada negativa entre o teste de golpeio de placas original e o teste com ajuste entre as distâncias das placas nos três grupos: feminino basquete (r= -0,772); masculino basquete (r=-0,768); e masculino futsal (r= -0,712), para p< 0,01, podendo-se considerar correlação boa para validar o teste com ajuste de distância entre as placas. A correlação intra-classe analisada para a mesma população entre o teste original e o aparelho automatizado apresentada na tabela 3 revela resultados satisfatórios e significativos (0,901) para a validação do AATT.
Em relação à confiabilidade da escala de CCI, os resultados mostram que há boa consistência interna e homogeneidade dos itens. Especificamente, essa escala obteve um alto nível de
46
confiabilidade com o alfa de Cronbach para cada uma das subescalas, resultado semelhante a estudos que validam questionários e instrumentos. Maiores que 0,80, considerando estudos de (LIN, 1989) sobre reprodutibilidade. Por outro lado, equipamentos eletrônicos têm sido cada vez mais utilizados com forma de afastar as interferência que a avaliação humana pode provocar (BALSALOBRE, 2016) sendo uma importante forma de controle dos testes.
CONCLUSÃO
Podemos concluir a partir da criação do o Aparelho Automatizado Tapping Test (AATT) para avaliação de velocidade de membros superiores, que o mesmo demonstrou ser compatível com o que pretende avaliar, não havendo diferença significativa entre os resultados avaliados pelo aparelho e da forma original em uma mesma população. A validação e validação cruzada confirmam a confiabilidade do aparelho, demonstrando resultados expressivos. A utilização do Aparelho Automatizado Tapping Test (AATT) apresentou vantagens sobre a aplicação do teste original (EUROFIT, 1990) aplicado de forma manual, ao obter menor erro técnico de medida intra-avaliador, podendo ser aplicado com apenas um avaliador, reduzindo os erros de medição e aumentando a eficiência das avaliações, o que já justificaria a utilização do aparelho. Demonstrou ainda possibilidades de ser aplicado em grupos com necessidades visuais e auditivas, sendo inclusivo, considerando os aspectos sonoros e luminosos que auxiliam na execução do teste. sendo dessa forma um importante instrumento a ser utilizado pelos profissionais da área em avaliações físicas de crianças e adolescentes na iniciação esportiva.
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52 ANEXO
53 APÊNDICE
APÊNDICE 1