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Resultados da 4ª Etapa do Programa Experimental

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.5 Resultados da 4ª Etapa do Programa Experimental

A quarta etapa do programa experimental consistiu em analisar economicamente as soluções propostas nesta dissertação. Os resultados estão

apresentados em R$/km e consideraram uma rodovia com largura de 7m (sendo 2 faixas de tráfego de 3,5m de largura cada).

As composições de custo para cada solução foram calculadas de acordo com os parâmetros de dosagem e taxas de aplicação calculados nos itens anteriores deste capítulo. Todos os preços de insumos, serviços e ainda os coeficientes de utilização tiveram como base os dados extraídos diretamente do site da Secretaria de Infraestrutura do Estado do Ceará (SEINFRA-CE). A exceção fica para os valores dos ligantes e aditivos, cujos preços foram fornecidos pelo fabricante dos mesmos.

Para a definição dos custos de aplicação, foram desconsiderados também os custos das Distâncias Médias de Transporte (DMT) e Bonificações e Despesas Indiretas (BDI), assim como eventuais impostos que possam ser incluídos a depender da região onde será realizada a obra. Baseado no que foi citado neste tópico, os preços apresentados aqui se referem somente ao custo de aplicação com base nos dados para o Estado do Ceará, podendo ocorrer variações de acordo com a Unidade Federativa (UF) onde os preços forem pesquisados. A Tabela 33 e a Figura 98 mostram o comparativo dos custos de aplicação do MRAF com as diferentes matrizes de agregados testadas.

Tabela 33 Comparativo de custos de aplicação do MRAF

TAXA / CUSTO MRAF AM (agregado tipo 01) MRAF AS MRAF (F-30) MRAF (F-70) Tx. de agregado (kg/m²) 28,0 35,9 27,5 27,5 Teor de ligante em relação ao peso do agregado (%) 10,8 10,8 8,9 8,1 Quantidade de ligante (kg/m²) 3,02 3,88 2,45 2,23 Teor de aditivo (%) - - - - Custo do ligante (R$/m²) 4,68 6,01 3,80 3,46 Custo do aditivo (R$/m²) - - - - Custo material + MO (SEINFRA-CE) 3,06 2,15 2,98 2,88 Custo final (R$/m²) 7,74 8,17 6,78 6,34 Custo final (R$/km) 54.187,00 57.179,03 47.442,50 44.355,50 Fonte: Autor (2014)

Figura 98 Comparativo de custos de aplicação do MRAF com diferentes agregados testados

Fonte: Autor (2014)

Analisando a Tabela 33 e a Figura 98, observa-se que existe uma variação no preço do ligante. A redução no caso das composições com fresado se deve ao fato dos menores teores de emulsão utilizados na execução desses revestimentos. No caso do MRAF AS, o aumento ocorreu devido ao maior consumo de ligante. Deve-se atentar para o fato de que o teor de ligante para o AS foi o mesmo utilizado para o AM, entretanto esses percentuais são em relação ao peso do agregado utilizado. Como tem-se uma maior taxa de agregado para o AS, isso acarreta em um maior consumo de ligante.

Com relação às reduções nos custos de material + MO, percebe-se uma redução maior para o caso do AS. Esse menor valor se dá pelo menor preço de aquisição deste tipo de agregado (em torno de R$ 10,20 a tonelada, enquanto a brita custa cerca de R$ 70,00), embora esse valor tenha crescido nos últimos anos. Dessa forma, a economia gerada nesse ponto é anulada pelo maior consumo de ligante quando utiliza-se o AS.

Para o caso dos custos relativos ao material fresado, a redução é menor pois neste caso foram considerados os custos de britagem desse material. Desconsiderou-se também o preço de aquisição do material fresado, pois não existe a comercialização desse material até o presente momento.

Analisando os custos finais de aplicação em R$/km, pode-se constatar que a utilização do material fresado proporciona uma economia de até 20% no custo de

aplicação do MRAF quando empregado 70% de material fresado em sua composição. Entretanto, tecnicamente apresentou o pior um comportamento no simulador, pois esta solução apresentou uma vida útil menor do pavimento.

Apesar disso, a solução com 30% de fresado apresentou um comportamento mecânico similar ao revestimento composto somente por AM, gerando uma economia de aproximadamente 13% no custo por km de MRAF aplicado. Baseado nesses resultados, tem-se essa solução como a mais viável economicamente, sem ocasionar em prejuízos no que se diz respeito à durabilidade do revestimento construído.

A aplicação de MRAF com AS mostrou-se como a opção menos viável economicamente, sendo cerca de 5% mais cara que a solução referência desta dissertação. Porém, observou-se que seu comportamento mecânico foi superior à todos os tipos de agregados testados, obtendo uma durabilidade superior. Essa tendência também é observada em outros trabalhos que utilizam o AS como agregado. Destaque- se essa maior durabilidade deve ser testada em trechos experimentais em escala real, para que possam ser analisados também outros fatores que podem alterar o desempenho de um revestimento.

4.6 Considerações Finais

Neste capítulo foram apresentados os resultados da caracterização dos agregados alternativos envolvidos na pesquisa, assim como os resultados da caracterização dos ligantes asfálticos empregados no MRAF. Em seguida foram apresentados os resultados das dosagens, onde foram definidas as quantidades de cada componente que compõe o MRAF, indicando as particularidades para cada agregado alternativo selecionado. Realizaram-se também uma análise do comportamento do revestimento em laboratório, onde foram determinados os desgastes médios sofridos pelas amostras. Foram também obtidos os tempos de liberação ao tráfego para cada material coletado.

Além disso, foi observado o comportamento do MRAF construído sobre uma base de solo-brita através de um simulador de tráfego de pequeno porte. Os resultados obtidos foram comparados com outras soluções de revestimentos esbeltos confeccionados sobre a mesma base e submetidos aos mesmos ciclos de carregamento em simulador. Esses resultados fazem parte da terceira etapa do programa experimental desta dissertação.

A quarta etapa foi composta de uma análise de custos de aplicação do MRAF com o intuito de analisar a viabilidade econômica das soluções propostas. Foram feitas composições de custo para cada solução adotada neste trabalho baseados no procedimento de dosagem e nas taxas de aplicação definidas na terceira etapa do programa experimental. Foi ainda realizado um comparativo com a solução padrão composta de agregado mineral.

No capítulo seguinte serão apresentadas as conclusões desta dissertação e algumas sugestões para estudos futuros.