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COTIDIANO DA PRÁTICA.

Este capitulo tem por objetivo refletir sobre a prática do profissional fisioterapeuta e a percepção de integralidade do sujeito-paciente a partir da relação dialógica estabelecida no contexto do atendimento clinico. Para tanto, realizamos uma pesquisa de abordagem qualitativa do tipo fenomenológica. Como instrumento de coleta de dados, utilizamos a técnica de entrevista reflexiva com oito fisioterapeutas egressos da UNIFOR que atuam na prática clínica. Os sujeitos estão assim apresentados: F1, F2, F3, F4, F5, F6, F7, F8.

Como dito anteriormente, o caminho percorrido para análise dos dados coletados foi uma adequação da técnica de análise de conteúdo de Bardin, tal procedimento exigiu uma leitura exaustiva e redução das falas dos entrevistados, com o objetivo de organizá-las em unidades de significados, identificadas por eixos e por fim, em categorias, o que facilitou a análise e o entendimento das mensagens. Importante ressaltar que no momento de organização dos dados coletados para um melhor entendimento e apreciação dos mesmos, enquanto pesquisadoras exercemos o pressuposto fenomenológico ao estabelecer os eixos.

As categorias apresentadas a seguir foram construídas à posteriori e foram oriundas da imersão no empírico. E ainda, tanto os eixos quanto as categorias foram construídos mantendo a fidelidade às ideias expressadas pelos sujeitos, resultando na construção do quadro apresentado a seguir.

QUADRO 7 – Unidades de significados, eixos e categorias gerais.

UNIDADES DE SIGNIFICADOS EIXOS CATEGORIAS GERAIS

- Experiência como ponto de partida para as ações da prática profissional; - Significados atribuídos à prática

clínica;

- Modelo biomédico de formação; - Formação pautada no tecnicismo; - Currículo prescritivo não prepara

para lidar com aspectos subjetivos; - Formação continuada; - Realização profissional. Prática profissional em Fisioterapia - Relação fisioterapeuta/ sujeito-paciente; - Racionalidade técnica no currículo - Mecanicismo - Dicotomia corpo/mente - Saberes da experiência - Sobrevivência - Categoria profissional - Limites e possibilidades do diálogo

durante o atendimento clínico; - A importância do vínculo;

- O amadurecimento e a objetividade na comunicação;

- O sucesso no tratamento a partir de uma empatia inicial.

Relação dialógica no contexto da prática clínica em Fisioterapia - Diálogo - Empatia - Vínculo - Somatização

- Compreensão das dimensões funcional, psicológica, afetiva, social e religiosa do sujeito-paciente; - Visão do paciente de forma

humanizada; - Compreensão holística. Dimensões biopsicossocial e religiosa do sujeito- paciente - Integralidade do sujeito- paciente; - Humanização

Fonte: dados trabalhados pela pesquisadora (2015).

Organizamos durante a segunda fase, as categorias e sua descrição analítica. Para tanto foi necessária a identificação das sínteses, convergências e divergências de ideias que estivessem ligadas ou não ao referencial teórico deste estudo. Assim, um novo quadro foi construído, mantendo-se os eixos temáticos que desde o primeiro momento nortearam as ideias e as mensagens, porém sintetizando as categorias (de gerais para específicas), que a partir de então embasaram a análise dos dados desta investigação.

QUADRO 8 – Unidades de significado, eixos e categorias específicas.

UNIDADES DE SIGNIFICADOS EIXOS CATEGORIAS

ESPECÍFICAS - Currículo prescritivo não prepara

para lidar com aspectos subjetivos - Modelo biomédico de formação - Formação pautada no tecnicismo - Experiência como ponto de partida

para as ações da prática profissional - Formação continuada

- Significados atribuídos à prática clínica

Prática profissional em Fisioterapia

- Racionalidade técnica - Saberes da experiência

- Limites e possibilidades do diálogo durante o atendimento clínico - A importância do vinculo

- O amadurecimento e a objetividade na comunicação

- O sucesso no tratamento a partir de uma empatia inicial

Relação dialógica no contexto da prática clinica em Fisioterapia Diálogo Vinculo

- Compreensão das dimensões funcional, psicológica, afetiva, social e religiosa do sujeito-paciente - Visão do paciente de forma

humanizada - Compreensão holística Dimensões biopsicossocial e religiosa do sujeito- paciente Integralidade do sujeito- paciente; Humanização

Fonte: dados trabalhados pela pesquisadora (2015).

Optamos por aprofundar nossa análise a partir das categorias específicas encontradas nesse estudo, extraídas dos discursos dos sujeitos. Apresentamos a seguir os resultados, organizados em três eixos, a saber: prática profissional; relação dialógica; e, integralidade, conforme as mensagens dos sujeitos.

I – EIXO: Prática Profissional em Fisioterapia

O primeiro eixo constitui o contexto da prática do profissional em Fisioterapia. O âmbito da prática do fisioterapeuta nos remete ao currículo em ação11 onde observamos o

cotidiano do fazer profissional. Nesse momento percebe-se formação e ação num movimento dialético, onde profissionais efetivam o aprendido através do currículo prescrito12

e a demanda da prática, ou seja, o escrito e o vivido de maneira real. Segundo Pimenta; Anastasiou (2002, p. 182): “A realidade e as práticas são sociais, construídas, recriadas individualmente e coletivamente. Na educação, a prática se constitui por meio da

11O currículo em ação perfaz-se o currículo real que emerge no cotidiano de formação profissional/educacional a

partir do que é de fato efetivado

12 O currículo prescrito caracteriza-se como currículo oficial, regulamentado pela esfera político-administrativa

continuidade proporcionada pelo diálogo entre as ações presentes e passadas dos indivíduos. A prática gera prática”.

É durante a prática que o fisioterapeuta vivencia o contato com o mundo da profissão e seus significados. É nesse contexto que a relação com o paciente acontece. Constatou-se aqui que os sujeitos ao falarem sobre a prática da profissão se remetiam a sua formação no sentido de afirmarem que a demanda exige ações especificas que a formação não deu conta. São aspectos subjetivos (relacionais) que o currículo formal não contemplou e que só emergiram quando do contato com o paciente.

Percebemos ao longo dos depoimentos que os sujeitos se referiam à sua prática como um momento de realização ou até de adequação de técnicas. E ainda ao abordarem suas experiências enquanto fisioterapeutas lembravam-se de sua formação no sentido de justificarem tal enfoque cujo conteúdo do ensino é embasado em conhecimentos científicos e tem por finalidade a transmissão de conhecimentos produzidos pela pesquisa científica.

A relação terapeuta/paciente é uma relação delicada e que não fomos preparados para isso. Não fui formada para isso. Não tive uma formação específica. Na realidade quando muito você tem algumas disciplinas que te sensibilizam. A minha formação foi muito voltada para a parte técnica e você enquanto aluno começa a valorizar a parte técnica. F1

A prática tem uma dimensão muito grande para nós que somos fisioterapeutas e viemos de uma formação extremamente tecnicista. F3 A minha formação foi voltada mais pro pragmático. Foi mais tecnicista que humanista, com certeza. F6

Remetemo-nos, portanto à concepção de racionalidade que segundo Giroux (1986), representa um conjunto específico de pressupostos e práticas dentro de um contexto social que estabelecem a relação entre o micro (indivíduo ou grupo) e o macro (sociedade), trazendo consigo um conjunto de interesses que orientam a maneira o mundo é visto e compreendido.

Lira (2010), ao basear-se na teoria crítica de Giroux, aponta que os modelos educacionais surgem permeados de três racionalidades, a saber: técnica, hermenêutica e emancipatória. Segundo o autor, a racionalidade técnica considera as dimensões controláveis assim como a perspectiva de certificação, caracterizando-se por validação empírica; pretensão de neutralidade dos valores; lógica linear dos processos; possibilidade de prognóstico do processo educativo. Assim a racionalidade técnica presente na formação conduz a práticas também que priorizam a técnica como afirma F5:

A minha pratica clinica é voltada para o tratamento de dores físicas, dores articulares na coluna. Trabalho com técnicas ditas globais que não

envolvem o psicológico. Durante a minha prática eu converso muito com pacientes e identifico muitos problemas sociais e familiares, porém as minhas técnicas, o meu atendimento é cem por cento tratamento físico me volto a tratar aquela dor que o paciente apresenta no corpo. Muitas vezes indico um psicólogo, alguém habilitado para trabalhar com esses outros problemas apesar de muita conversa e de entender que existem outros problemas associados, meu trabalho é puramente físico, cem por cento das minhas técnicas são voltadas para reabilitação do corpo. F5

Percebemos aqui a presença do modelo biomédico de formação presente no curso de Fisioterapia. Tal modelo de formação valoriza a dicotomia corpo/mente, fragmentando assim o corpo e situando o olhar para tratamento de partes específicas. O modelo biomédico encontra-se firmemente assente no pensamento cartesiano ao relacionar ainda o corpo do paciente com uma máquina. Pensamos que ao concentrar o olhar em partes cada vez menores, perde-se a visão do sujeito-paciente como um todo, ou até mesmo enquanto ser humano.

A gente via pedaços do corpo, é uma dor no ombro, é uma dor no joelho. A gente sempre via como um corpo talvez desprovido de sentimento, mas com presença de dor, de limitação. A gente botava o foco mesmo pra esse tipo de reabilitação de uma parte do corpo como se fosse separado do emocional do paciente, do ser mesmo. A gente trabalha muito pedaços de corpos e foi pra isso que a gente foi treinado, na verdade foi formado. F5 A formação que eu tive sempre me dirigiu pra um olhar muito em cima de uma patologia especifica. Um joelho doente, uma coluna doente, um ombro doente. F7

Portanto, em se tratando de modelo biomédico, tanto o sofrimento quanto o adoecimento são aspectos pouco explorados, uma vez que tal modelo e consequentemente sua forma de abordagem terapêutica reduzem o humano a parte doente, ou seja, o mais importante é a doença e não o todo. Assim, Cutolo (2006), aponta que ao comparar o homem a uma máquina, tendo a definição de saúde enquanto ausência de doença e voltando-se para a fragmentação do humano, perde-se a visão holística do homem, suas dimensões psicológicas e sociais, voltando a atenção para a doença e sua cura.

O modelo biomédico tem se caracterizado pela explicação unicausal da doença, pelo biologicismo, fragmentação, mecanicismo, nosocentrismo, recuperação e reabilitação, tecnicismo, especialização (CUTOLO, 2006, p.16)

A prática mostrou uma realidade além daquela abordada durante a formação, o que levou profissionais a ressignificarem suas ações a partir de formações continuadas e saberes que são acumulados com a experiência profissional. Diante disto, concordamos com Pimenta; Lima (2004) quando afirmam que a “dinâmica de formação contínua

pressupõe um movimento dialético, de criação constante do conhecimento, do novo, a partir da superação (negação e incorporação) do já conhecido”.

Enquanto aluna eu me vi durante uma formação inteira sabendo o que precisávamos aprender o que era necessário para melhorar a condição de dor a amplitude articular caminhada equilíbrio e coordenação enfim todas as questões que eram voltadas, o que era relacionado a sua condição física. (...) por causa de um instinto de curiosidade ou de necessidade de algo mais, a vida foi me levando por alguns caminhos onde eu entendia que eu precisava conhecer um pouquinho mais aquele individuo que não era só um paciente ele era uma pessoa (...) o que me levou a uma trajetória onde a minha formação deixou de ser só na Fisioterapia, pois não existia essa possibilidade de fazer um tratamento e cuidar só das suas limitações físicas e que ele precisava de outro suporte que era exatamente estabelecido através dessa minha relação com ele. F3

Hoje com a minha formação de mais de dez anos eu consigo ter uma relação maior com o paciente. Hoje eu sinto que eu conheço mais o corpo humano e por isso eu mostro mais segurança, eu sinto hoje o paciente se mostra mais, se entrega mais, por eu ter esse acumulo de experiência nesses anos. F5

A prática clínica em Fisioterapia é um momento de grande crescimento pra mim por que eu atendendo aquele paciente idoso queira ou não queira eu me transporto para um dia estar naquele papel de paciente, de idoso e trabalhar dentro do possível a sensibilidade de saber lidar com ele. F7

Ao relatar sobre sua prática profissional, F3 mencionou o movimento que existe entre a realidade do fazer da profissão e a bagagem teórica advinda da formação. Sua fala nos remeteu ao movimento dialético presente entre teoria e prática e ainda ao papel da teoria na epistemologia da prática, o qual proporciona condições de análise dessa mesma realidade para que se possam compreender os aspectos relativos à sua prática, assim como seus determinantes, o que se configura, a nosso ver, essencial. Assim, à luz da teoria é possível desvelar o real a partir de subsídios para sua análise. Portanto, o papel da teoria é oferecer perspectivas de análise de contextos sejam eles, históricos, sociais, culturais e também àqueles próprios referentes ao como e onde se dá a efetivação do fazer profissional em Fisioterapia.

Muitas coisas que a gente percebe no dia a dia em contato com essa relação sujeito-paciente elas vão se agregando aquilo que a gente traz da teoria então essa percepção de quem é essa pessoa que a pessoa necessita, o que a pessoa precisa é algo que não vem na teoria que a gente começa a perceber a partir da fala, da escuta que a gente faz a partir dessa relação então os saberes da experiência vão se agregar a prática e a partir do momento que a gente amadurece a escuta e a leitura que gente faz dessa escuta, esse pedido que muitas vezes é um pedido de ajuda que é uma saúde mental, emocional e que às vezes o trabalho que a gente faz ajuda a condição da alma. F3

Entre os sujeitos entrevistados, apenas um se reportou à realidade da Fisioterapia enquanto categoria profissional. Seu sentimento de que a profissão não recebe a valoração que necessita ficou muito claro no seu depoimento. Expressou ainda a “subserviência” de fisioterapeutas a determinações de empresários de clínicas que não garantem o salário desses profissionais em relação ao número de horas trabalhadas.

A nossa profissão ficou muito aquém da importância dela. Eu vejo que a Fisioterapia hoje não tem uma perspectiva, talvez com nossos egressos com uma luta muito grande, mas infelizmente nossa categoria talvez pelo que ela lutou ela ganhou muito pouco do que ela deveria. Eu não vejo esse profissional com boa perspectiva. F2

Este depoimento em especial nos chamou atenção e nos fez pensar acerca da condição real de trabalho de muitos profissionais da Fisioterapia. Tal reivindicação é para nós extremamente válida. Porém vale refletir sobre o papel do fisioterapeuta e seu campo de atuação. É necessário fazer valer o reconhecimento e aqui abrimos para um questionamento sobre que atuação este profissional desempenha que o faz importante e organizado em categoria de classe que luta por seus direitos e garantias? Embora com o advento do SUS que no campo paradigmático vem reorientando as práticas de atenção à saúde, a Fisioterapia ainda concentra a grande maioria das suas ações na recuperação da saúde dos indivíduos, ou seja, na reabilitação.

Acreditamos que a Fisioterapia não se resume ao campo de atenção terciária. Apesar de somente a partir da década de 1980 a formação em Fisioterapia ter incorporado a promoção à saúde e a prevenção de agravos, e assim redefinido seu objeto de trabalho. Vale ressaltar que o que se espera é que esse profissional esteja apto a atuar nos diferentes níveis de atenção. Devemos (e aqui me incluo), romper com essa concepção de reabilitação enraizada nas nossas atuações e depoimentos advinda da própria história do surgimento da Fisioterapia e também da cultura criada e recriada a partir das práticas da profissão.

Retomando a prática enquanto momento de contato com o sujeito-paciente e pontuando a relação dialógica que ali acontece, a integralidade surge como aspecto também importante em atuações que não se restrinjam a atendimentos dos já doentes. Ao promover a saúde ou ao prevenir agravos, o fisioterapeuta aborda condições de saúde-doença relacionadas ao contexto de vida daqueles que buscam atenção e cuidado, caracterizado por Neves e Aciole (2010), enquanto uma compreensão filosófica e também uma atitude prática em relação ao sentido de uma ação integral, pautada na construção de projetos terapêuticos onde a relação profissional-paciente é dialógica, buscando ainda um tratamento que seja relevante e possível de ser viabilizado, além de compreender o indivíduo no âmbito familiar e no contexto social no qual está inserido.

II – EIXO: Relação Dialógica no Contexto da Prática Clínica em Fisioterapia

O diálogo no contexto da prática em Fisioterapia surge como facilitador de uma compreensão do outro para além da condição clínica. Percebemos que o romper com a distância compreendida entre a situação clínica e a condição de sujeito do paciente requisitou atitudes advindas de um conhecimento que perpassa ambiente acadêmico. É no dia a dia da profissão que o contato com o paciente acontece e com ele toda história de vida desse sujeito-paciente e sua posição e relação no mundo.

O diálogo é um dos eixos principais e fundantes da teoria de Paulo Freire. De acordo com Almeida (2008), diálogo em Freire é “nascido na prática da liberdade, enraizado na existência, comprometido com a vida que se historiciza no seu contexto”. Para Paulo Freire, o diálogo é tratado como fenômeno humano. Segundo o autor: “se nos revela como algo que já poderemos dizer ser ele mesmo: a palavra. Mas, ao encontrarmos a palavra, na análise do diálogo, como algo mais que um meio para que ele se faça, se nos impõe buscar, também seus elementos constitutivos” (FREIRE, 2005, p.89).

Almeida (2008) acrescenta que não há palavra que não seja práxis, ou que não surja dela. Na dialogicidade estão sempre presentes as dimensões da ação e da reflexão, pois ao pronunciarmos o mundo mostramos que humanamente existimos e, se existimos, agimos e modificamos o mundo dado.

A Fisioterapia apresenta uma vantagem enquanto promotora de conhecimento desse sujeito-paciente por ser uma profissão que permite na maioria das vezes, muitos encontros e um tempo prolongado de terapia. O diálogo aqui é estabelecido evidenciando a necessidade de aproximar-se com o outro e perceber o olhar que este sujeito tem em relação à sua vida e seu mundo. Considerar tal momento perfaz um conhecimento conforme expressado em falas anteriores, para além da formação acadêmica. É no ambiente da prática que a intersubjetividade acontece. De acordo com Subtil et al., (2011):

Nesse panorama, o desenvolvimento do relacionamento entre fisioterapeuta e paciente apresenta-se como algo natural e muito provável de acontecer entre essas partes, visto que o tratamento em questão apresenta fatores favoráveis ao surgimento de um relacionamento interpessoal, tais como: longo período de convivência, estímulos táteis prolongados e comunicação verbal em boa parte do atendimento fisioterapêutico (p. 747).

Sabemos, no entanto que a relação estabelecida entre fisioterapeuta e sujeito- paciente perfaz-se fator fundamental para o sucesso da reabilitação. É peça-chave para a continuidade do tratamento e ainda que a relação que se constrói entre esses sujeitos, um

na posição de quem trata e o outro na de quem é tratado, deve ser permeada por respeito, empatia, carinho atenção e capacidade de escuta.

De acordo com Freire (2005), o mundo humano, cultural e histórico, é postulado como um mundo de comunicabilidade tendo como característica principal a intercomunicação ou a intersubjetividade. Trata-se, então de uma comunicabilidade relacional dialógica que implica numa “reciprocidade que não pode ser rompida” (p.67), uma vez que não há nesta relação sujeitos passivos.

Antes havia uma barreira eu não conseguia me comunicar muito bem. A minha forma de abordar o paciente depois de toda a minha vivência e meu diálogo, é uma forma mais madura e objetiva. Então essa forma de ter um diálogo com ele eu vejo que amadureceu muito. F2

Na minha experiência ao tratar gestantes, vi que nenhum paciente deve ser tratado como outro. Uma gestante nunca é igual a outra porque traz consigo toda uma história de vida e muitas vezes eu tinha que parar o atendimento e sentar pra ouvi-la. Pra ouvir qual o problema dela, o que ela tava trazendo de casa, o que tava incomodando. Às vezes o paciente chega pra você com um histórico de muita dor e não sabe de onde é que vem e na verdade o que ele precisa é de ser escutado, de ser acarinhado com palavra. E eu já tive bons resultados. Já tratei uma paciente com síndrome do pânico e eu percebi que a grande necessidade dela era conversar, dialogar. F6

Então antes desse paciente fazer um exercício ele é questionado sobre