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RESULTADOS

A partir desta seção, busca-se exaurir a questão de pesquisa a fim de se validar ou rejeitar a hipótese proposta (H2).

Tabela 6 - Variáveis Estimadas Para o Modelo Proposto

Painel a: Modelo Puro Painel b: Inclusão de Variáveis de Controle ABTD(abs)it Coef. Std. Err t P>|t| Coef. Std. Err t P>|t|

NM -0,043 0,003 -13,02 0,000*** -0,040 0,003 -11,91 0,000***

N2 -0,047 0,004 -9,58 0,000*** -0,038 0,005 -6,80 0,000***

N1 -0,045 0,004 -9,68 0,000*** -0,032 0,005 -6,61 0,000***

SIZE -0,001 0,000 -5,85 0,000***

Const 0,077 0,002 26,06 0,000*** 0,108 0,006 17,91 0,000***

Significância : *** 1% ; **5%; *10% Significância : *** 1% ; **5%; *10%

NT é a base para comparação NT é a base para comparação

Dummy Sector = Não Dummy Sector = Sim

F( 3, 1570) = 61,86 F( 22, 1551) = 11,81

Prob > F = 0,000 Prob > F = 0,0000

R-squared = 0,0939 R-squared = 0,1658

Dos painéis A e B demonstrados na tabela 6 os coeficientes estimados para os segmentos diferenciados de governança corporativa (δ1, δ2, e δ3) podem ser interpretados como sendo a diferença esperada para a ABTD das empresas classificadas em segmentos diferenciados para as empresas listadas em governança tradicional. Para tratar o problema de heterocedasticidade as regressões foram estimadas com robustez (WOOLDRIDGE, 2005).

Sendo assim conforme pode ser observado, para o modelo puro (painel A) em que a variável dependente é regredida apenas em função dos segmentos de governança, tendo como referência a NT, os coeficientes estimados demonstram haver relação estatística significativa ao nível de 1% para todos os segmentos diferenciados, sendo os coeficientes negativos enquanto para NT este apresentar-se positivo (α = 0,077), o que induz aceitar a hipótese H2, no entanto não apresentando relação crescente para este grupo (N2>NM>N1). Por este motivo foram incluídas as variáveis de controle para o tamanho das empresas e o setor de atuação.

Os dados apresentados no painel B da tabela 6 evidenciam os coeficientes estimados para o modelo proposto, incluindo-se variáveis de controle. Conforme observado, o modelo apresenta relação estatística significativa (Prob > F = 0,0000), e este possui R2 superior ao modelo sem a inclusão de controles, além de todos os coeficientes estimados para as variáveis de governança diferenciada serem estatisticamente significantes ao nível de 1% e crescentes em função do segmento.

Utilizou-se o teste de coeficientes para verificar a igualdade dos coeficientes, foram encontrados resultados que evidenciam ao nível de significância de 1% que todos são diferentes, podendo se aderir à validade da proposição de crescimento entre os coeficientes conforme apresentado. Deste modo, a hipótese H2 (Segmentos diferenciados de governança corporativa estão negativamente relacionados com a abnormal book-tax differences) não pode ser rejeitada, sendo a mesma aceita.

A partir da tabela 7, objetiva-se entender a composição da abnormal book-tax differences conforme proposição de Tang (2011), através de modificações ao modelo apresentado por Formigoni et. al, (2009).

Tabela 7 – Variáveis Estimadas Para o Modelo Jones Modificado (1995)

TAit/Ait-1 Coef. Std. Err t P>|t|

1/Ait-1 59,396 10,31 5,76 0,000***

∆REVit 0,202 0,021 9,33 0,000***

PPEit -0,045 0,010 -4,19 0,000***

Const -0,006 0,004 -1,47 0,141

Significância : *** 1% ; **5%; *10%

F( 3, 1570) = 45,07 Prob > F = 0,0000

R-squared = 0,0775

Os dados apresentados na tabela 7 compõem os parâmetros do modelo Jones Modificado (1995), sendo este proxy para a variável gerenciamento de resultados por meio da estimação dos accruals discricionários. Os resultados encontrados são similares aos achados de Ferreira et. al, (2012) portanto, uma variável consistente.

A tabela 8 apresenta as correlações das variáveis utilizadas na equação 3 a qual busca compreender a composição da ABTD conforme proposto por Tang (2011).

Tabela 8 - Matriz de Correlação entre

Nota-se correlação significativa entre as variáveis explicativas e a variável de interesse, assim sendo relevantes para a composição da ABTD.

A seguir, os resultados estimados para os coeficientes da regressão para a equação 3 com a finalidade de se testar a hipótese H3a eH3b são expostos por meio da tabela 9.

Tabela 9 - Variáveis Estimadas Para o Modelo Tang (2011)

Painel a: Modelo Puro Painel b: Inclusão de Variáveis de Controle ABTD(abs)it Coef. Std. Err t P>|t| Coef. Std.

O teste realizado por Formigoni et. al, (2009) não pôde comprovar a influência do gerenciamento de resultados contábeis e tributário na BTD. Utilizando como medida para EM o modelo Jones Modificado (2005), foram elaborados dois modelos para comparação. Ambos modelos buscam entender a associação entre as variáveis

de discricionariedade com a variável ABTD, sendo o segundo modelo (painel B), acrescido das variáveis tamanho e setor conforme Tang (2011).

Como observado, para os dois modelos a variável EM apresentou relação estatística significante ao nível e 1%, embora seu coeficiente seja zero, assim a hipótese H3a deve ser rejeitada.

Enquanto isso, para a variável TM os coeficientes estimados apresentaram-se significantes ao nível de 1% nos dois modelos. Os resultados da primeira regressão (painel A) revelam impacto da variável TM na variável ABTD, já quando incluídas as variáveis de controle, os resultados revelam não haver influência na ABTD para variável TM, como este modelo apresenta R2 superior ao modelo anterior, pode-se concluir que a hipótese H3b também deve ser rejeitada.

Portanto, diferentemente dos resultados encontrados por Tang (2011), a ABTD não pode ser explicada por gerenciamento de resultados contábeis e gerenciamento de tributos na realidade brasileira, sendo estes achados similares aos encontrados por Formigoni et. al, (2009).

Capítulo 5

5 CONCLUSÃO

É notório que os distintos propósitos entre o modelo contábil e o sistema tributário acarretam diferenças entre o resultado contábil e o resultado tributável, surgindo então à figura da variável de caráter contábil tida como foco desta pesquisa denotada por BTD (book-tax differences). Todavia, conforme demonstrado através da revisão de literatura realizada tanto em nível nacional quanto a internacional, sugere-se que parte desta diferença – a chamada ABTD surge pelo poder discricionário do gestor por meio de gerenciamento de resultados contábeis ou tributários.

No que tange a minimização dos chamados custos de agência, um excelente mecanismo de proteção e controle pode ser observado por meio dos princípios de governança corporativa. Portanto, alinhado as proposições de Martinez (2001) e Dechow et. al., (2010), este trabalho buscou relacionar a diferença entre o lucro contábil e tributário e a governança corporativa, medido pela segmentação proposta pela BM&FBovespa.

Em uma primeira análise conclui-se por meio do teste t de student, que as empresas listadas em segmentos diferenciados possuem ABTD’s médios diferentes daquelas listadas na governança tradicional. Sendo assim, a proposição da BM&FBovespa em segmentar as empresas estaria consistente a qualidade da informação contábil, já que este é um de seus interesses, validando a hipótese da pesquisa.

Utilizando-se por método de mínimos quadrados ordinários quando analisada a relação entre os segmentos diferenciados e a ABTD encontram-se resultados que

indicam relação estatística significativa entre as variáveis independentes e a de interesse, fazendo com que seja aceita a hipótese proposta de que segmentos diferenciados de governança corporativa estão negativamente relacionados com a ABTD, indicando haver importante significância para a inclusão dos segmentos diferenciados, sendo estes achados consistentes as proposições de Martinez (2001) e Dechow et. al., (2010).

Quando analisada derivação da ABTD para as empresas da amostra, os resultados sugeriram que não se pode inferir sobre sua relação com gerenciamento de resultados contábeis e gerenciamento de tributos para a realidade brasileira, diferentemente dos resultados encontrados por Tang (2011) no contexto chinês.

Ainda assim, os resultados vão de encontro aos achados de Larcker et al.

(2007), de Formigoni et al. (2009), e acrescentam ao estudo de Erfurth e Bezerra (2013), através da inclusão do segmento tradicional de governança para as empresas brasileiras.

Insta salientar as possíveis limitações geradas pelo trabalho. A primeira, diz respeito a proxy associada a variável abnormal book-tax differences, a qual na realidade brasileira apresenta significativo viés em se tratando de efeitos não observáveis através da coleta dos dados, cita-se o exemplo abordado por Formigoni et al., (2009) que destaca a existência de diversos benefícios fiscais concedidos a empresas não sendo possível a sua captura por dados contábeis, necessitando-se de uma abordagem na observação de eventos dispostos em notas explicativas.

Outra limitação está ligada ao fato de utilizar a própria segmentação proposta pela BM&FBovespa sem nenhuma outra análise no tocante aos construtos de governança.

A contribuição prática deste trabalho está associada à demonstração de relação entre a parte discricionária da diferença do o lucro contábil para o tributário e as melhores práticas de gestão por meio da adoção de segmentos diferenciados de governança corporativa.

Para pesquisas futuras, sugere-se buscar diferentes alternativas para se classificar a amostra em se tratando de governança corporativa, incluindo informações qualitativas a pesquisa.

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