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O objetivo do presente trabalho é verificar se existe relação entre a abnormal book-tax differences e a governança corporativa nas empresas listadas na BM&FBovespa.

Para a estimação da abnormal book-tax differences (ABTD), utilizou-se a metodologia proposta por Martinez et. al (2014), conforme equação 1 a qual é o modelo ajustado de Tang (2006). A variável LAW que no trabalho de Martinez (2014) é uma dummy indicando a vigência ou não do RTT, foi suprimida uma vez que neste trabalho toda a amostra está sujeita as mesmas regras de tributação.

BTDit = α + β1INVit + β2∆REVit + β3NOLit + β4DITit + β5(NE-NI)it + β6(DTA-DTL)it + εit

(1) Onde:

BTDit = diferença entre o resultado contábil e o resultado tributável da empresa i no ano t;

INVit = somatório das contas investimentos, imobilizado, intangível e diferido da empresa i no ano t;

∆REVit = variação da receita bruta da empresa i no ano t-1 para o ano t;

NOLit = prejuízo fiscal líquido da empresa da empresa i no ano t;

DITit = imposto de renda diferido da empresa i no ano t;

(NE-NI)it = valor do patrimônio líquido subtraído do lucro líquido da empresa i no ano t;

(DTA-DTL)it = diferença entre o ativo fiscal diferido e passivo fiscal diferido da empresa i no ano t;

εit = resíduo da regressão para a firma i no ano t;

α é a constante e β são os coeficientes estimados da regressão.

A composição do modelo leva em consideração, as contas afetadas pela diferença entre o lucro contábil e tributário, sendo sua justificativa tendo sido amplamente discutida por Martinez et. al (2014). Observa-se que o modelo apresenta-se condizente com a realidade das empresas em apresenta-se tratando do impacto trazido pelas IFRS, já que embora não sejam tratados individualmente, os mesmos fazem parte da composição do modelo.

Os resíduos estimados para a regressão 1, serão utilizados como proxy para a abnormal book-tax differences. Assim a hipótese 2 poderá ser verificada através do seguinte modelo estatístico proposto, conforme denota a equação 2.

ABTDit(abs)= α + δ1(NMit) + δ2(N2it) + δ3(N1t) + β1(SIZEt) + ∑(Sectorit ) + εit

(2) Onde:

ABTDit = parcela discricionária (em termos absolutos) da diferença entre o resultado contábil e o resultado tributável da empresa i no ano t;

NMit = variável dummy i no ano t assumindo valor 1 para as classificadas como Novo Mercado e 0 para

as não classificadas como Novo Mercado;

N1it = variável dummy i no ano t assumindo valor 1 para as classificadas como Nível 1 e 0 para as não

classificadas como Nível 1;

N2it = variável dummy i no ano t assumindo valor 1 para as classificadas como Nível 2 e 0 para as não

classificadas como Nível 2;

NTit = variável dummy i no ano t assumindo valor 1 para as classificadas como Governança Tradicional

e 0 para as não classificadas como Governança Tradicional, é a base para comparação;

SIZEt = Logaritmo Natural do Ativo Total da firma i no ano t, sendo esta uma proxy para tamanho da

firma;

Sectorit = variável dummy para setor assumindo valor 1 em seu determinado setor e 0 caso contrário;

εit = resíduo da regressão para a firma i no ano t;

α é a constante, δ e β são os coeficientes estimados da regressão.

Como o objetivo da hipótese 2 é verificar se os segmentos diferenciados de governança possuem relação com a parcela discricionária da BTD independente de para mais ou para menos, optou-se por utilizar os valores absolutos para ABTD.

Espera-se que os coeficientes δ1, δ2 e δ3 sejam significativamente relevantes.

Espera-se ainda que os coeficientes para governança corporativa diferenciada sejam crescentes em função do segmento de maior controle, ou seja, δ1 > δ2 > δ3 uma vez que os segmentos diferenciados possuem características mais expressivas no tocante a monitoramento e controle.

Após identificada a relação existente entre governança corporativa e atributos relacionados a gerenciamento de resultados por meio da ABTD, buscou-se entender a composição desta variável de interesse por meio da sua influência em indicadores de gerenciamento de resultados.

Enquanto Formigoni et al. (2009), testou a influência do gerenciamento de resultados contábeis e do gerenciamento de tributos na formação da BTD e não pode comprovar a sua relação, Tang (2011) encontrou para a realidade chinesa, que indicadores de gerenciamento de resultados explicam 7,4% da ABTD, enquanto gerenciamento de tributos 27,8% da variável. Devido a estes achados, buscou-se replicar o teste realizado pelos autores brasileiros, tendo agora como variável de interesse a abnormal book-tax differences.

Assim, para verificação da hipótese 3 utilizou-se a metodologia proposta por Tang (2011) e testada por Formigoni et al. (2009), modificando-se a variável de interesse para ABTD conforme demonstra a equação 3.

ABTDit(abs) = α + β1EMit + β2TMit + εit

(3) Onde:

ABTDit = parcela discricionária (em termos absolutos) da diferença entre o resultado contábil e o resultado tributável da empresa i no ano t;

EMit = proxy para gerenciamento de resultados contábeis calculada para a empresa i no ano t;

TMit = proxy para gerenciamento tributário calculada para a empresa i no ano t;

εit = resíduo da regressão para a firma i no ano t;

α é a constante e β são os coeficientes estimados da regressão.

As proxies para gerenciamento contábil (EM) e gerenciamento tributário (TM) utilizaram variáveis contábeis em sua estimação. Todas as variáveis foram coletadas no Economática® in natura, ou seja, sem tratamento de dados, exceto:

• A conta disponibilidades (DpInCP|Dez 2009) é utilizada para cálculo dos accruals totais no ano de 2009. A partir de 2010 foi utilizada a conta Caixa e Equivalentes de Caixa (CaixaEEqCx|Dez 2010 a 2013), haja vista a reclassificação no balanço das empresas.

• A conta clientes (ClieCP|Dez 2009 e ClieLP|Dez 2009) é utilizada para cálculo dos accruals não discricionários no ano de 2009. A partir de 2010 foi utilizada a conta Contas a Receber (CtaRecCP|Dez 2010 e CtaRecLP|Dez 2010), devido a reclassificação no balanço das empresas.

• A conta Receita (Receita|Dez 2009 a 2013) foi utilizada no lugar de Receita Bruta, a qual não apresentava os dados a partir de 2010. Justifica-se pela mudança no conceito Receita Bruta, não levando em consideração os Impostos Substituição Tributária e as devoluções.

Como proxy a gerenciamento contábil (EM) utilizou-se a técnica de estimação dos accruals discricionários. Em se tratando da estimação dos accruals foi utilizado o modelo Jones Modificado (DECHOW, SLOAN e SWEENEY, 1995). Segundo Martinez (2001), o modelo Jones Modificado é comumente utilizado na literatura internacional, embora sua formulação não levar em consideração os acccruals operacionais.

Quanto ao modelo Jones Modificado, este busca medir o total de accruals discricionários, partindo do pressuposto que os accruals não discricionários são medidos a partir da variação das receitas líquidas e dos valores dos ativos imobilizados medidos em função dos ativos totais.

Os accruals não discricionários podem ser descritos da seguinte forma, conforme Dechow, Sloan e Sweeney (1995).

NDAit= αi[1/Ait-1] + β1i[ΔREVit - ΔRECit] + β2i[PPEit] + εit

(4) Onde:

NDAit = accruals não discricionários da firma i no ano t;

ΔREVit = variação receita bruta da firma i entre os anos t e t-1, ponderados pelos ativos totais no final do período t-1;

ΔRECit = variação das contas a receber da firma i entre os anos t e t-1, ponderados pelos ativos totais no final do período t-1;

PPEit = imobilizado da firma i no ano t, ponderados pelos ativos totais no final do período t-1;

Ait-1 = ativo total da empresa i no ano t-1;

εit= resíduo da regressão para a empresa i no ano t;

Para as estimativas α, β1 e β2, é necessário realizar o cálculo dos accruals totais, que são calculados da seguinte maneira:

TAit = [(ΔACit - ΔDispit) – (ΔPCit -ΔDivit) – Deprit] / Ait-1

(5) Onde:

ΔACit = variação do ativo corrente (circulante) da firma i no final do período t-1 para o final do período t;

ΔDispit = variação das disponibilidades da firma i no final do período t-1 para o final do período t;

ΔPCit = variação do passivo corrente (circulante) da firma i no final do período t-1 para o final do período

t;

ΔDivit = variação dos financiamentos e empréstimos de curto prazo da firma i no final do período t-1 para o final do período t;

Deprit = montante das despesas com depreciação e amortização da firma i durante o período t.

Ait-1 = ativo total da firma i no ano t-1;

Uma vez calculados os accruals totais, pode se estimar os parâmetros α, β1 e β2, que são gerados pelo seguinte modelo:

TAit/Ait-1= αi[1/Ait-1] + β1i[ΔREVit] + β2i[PPEit] + εit

(6) Onde:

TAit = accruals totais da firma i no ano t;

Ait-1 = ativo total da firma i no ano t-1;

ΔREVit = variação receita bruta firma i entre os anos t e t-1, ponderados pelos ativos totais no final do período t-1;

PPEit = imobilizado da firma i no ano t, ponderados pelos ativos totais no final do período t-1;

εit= resíduo da regressão para a firma i no ano t;

Por fim, os accruals discricionários podem ser calculados eliminando-se os accruals não discricionários dos accruals totais (JONES, 1991), sendo assim, calculados do seguinte modo:

DAt = TAt -NDAt

(7) Onde:

DAt = accruals discricionários da firma no período t;

TAit = accruals totais da firma i no ano t;

NDAit = accruals não discricionários da firma i no ano t.

Calculou-se a Effective Tax Rate (ETR) - taxa efetiva de tributação, como proxy para gerenciamento tributário (TM). Na realidade brasileira, esta pode ser encontrada pela divisão das despesas de imposto de renda e contribuição social (IR&CS) corrente pelo lucro antes dos impostos (LAIR) SHOLES et. al, (2014).

Para classificação dos segmentos de governança corporativa, utilizou-se os dados do índice IGCX - Índice de Governança Corporativa Diferenciada BM&FBOVESPA (2014), relativos às carteiras teóricas de fechamento em cada ano.

As empresas não classificadas como N1, N2 ou NM, foram classificadas como NT (Governança Tradicional).

Para tratamento dos outliers foi utilizada a técnica de Winsorização para todas as variáveis exceto as dummies, sendo utilizada a proporção de 0,05 para cada lado dos extremos.

Capítulo 4

4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Neste capítulo, apresenta-se a análise e discussão dos resultados encontrados a fim de se responder à questão de pesquisa.

4.1 ESTIMAÇÃO DA ABTD PELO MODELO TANG AJUSTADO A

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