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USO DA TERRA E QUALIDADE DA ÁGUA NA BACIA DO RIO SÃO BARTOLOMEU, VIÇOSA/MG

3. Resultados e discussão

Segundo Alves (1993) a estrutura fundiária da região é formada por pequenos minifúndios que tem suas produções voltadas para a agropecuária como a áreas de pastagens, cultivo de arroz, feijão, frutas cítricas, hortaliças e dentre outros.

A BRSB se caracteriza com maior parte de sua área ocupada por agropecuária, e observa-se que maior parte dos agropecuaristas não respeitam áreas a legislação ambiental, pois não são observadas áreas de preservação permanentes, mata ciliar, na maior parte do curso d’água, o que influencia diretamente na redução da qualidade e quantidade de água no sistema hídrico devido aos processos de assoreamento, erosão e má conservação do solo.

As áreas de cobertura vegetal ocupam cerca de 30% da área da bacia, mas o este valor se dá devido à presença da Mata do Paraíso. Grande parte da cobertura vegetal encontra-se em topos de morros ou em áreas com alta declividade que são fatores limitantes ao avanço da agropecuária (Figura 2).

De acordo com o uso da terra da BRSB a classe agropecuária apresenta uma área de 27,35ha, que corresponde a 49,78% da área da bacia. Já a cobertura vegetal apresenta uma área de 16,30ha, que corresponde a 29,66% e a área urbana da cidade de Viçosa-MG apresenta 11,29ha, ou seja, 20,54% de área dentro da bacia.

Na Tabela 3, encontra-se os resultados das variáveis físico-químicas (pH, condutividade elétrica, sólidos totais dissolvidos, salinidade, percentual de oxigênio dissolvido, oxigênio dissolvido e temperatura) analisadas durante as seis campanhas de campo realizadas no período 28 de agosto a 19 de dezembro de 2009.

Revista Equador (UFPI), Vol. 4, Nº 3, (2015). Edição Especial XVI Simpósio Brasileiro de Geografia Física

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Tabela 3. Variáveis físico-químicas do rio São Bartolomeu, no ano de 2009. Ponto pH μS /cm* TDS mg/L Salinidade ppt OD % OD mg/l Temperatura °C 01 7,4 81,5 38,8 0,0 75,5 5,9 23,5 02 7,4 51,0 24,0 0,0 88,5 7,0 23,1 03 7,4 213,1 103,8 0,1 26,0 2,0 24,7 04 7,5 418,8 198,5 0,2 26,5 2,1 23,4 05 7,5 82,1 39,3 0,0 81,8 6,4 23,7 06 7,4 179,2 86,3 0,1 30,7 2,4 24,3 07 7,5 65,1 30,3 0,0 95,4 7,3 24,7 08 7,4 47,6 21,8 0,0 77,2 6,3 22,0 09 7,3 46,1 21,2 0,0 69,0 5,6 21,5 10 7,5 82,4 38,3 0,0 65,5 5,2 22,2

*Condutividade elétrica corrigida para 25ºC

Fonte: Coleta de campo, 2009

Figura 2. Mapa de uso da terra da bacia do rio São Bartolomeu, no município de Viçosa – MG.

Fonte: Dados da pesquisa

No rio São Bartolomeu, o pH variou de 7,3 a 7,5 estando esses valores dentro da faixa estabelecida pelo CONAMA nº 357/2005 para classificação de águas doce, onde o pH varia de 6 a 9. Nos pontos onde foram analisados apresentaram caráter

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neutro a básico. Os resultados obtidos são considerados bons se for considerar que parte da bacia o uso e ocupação do solo é pastagem e parte do rio principal adentra a área urbana.

A condutividade elétrica esta relacionada diretamente com a concentração sais no rio. Os valores de condutividade elétrica oscilaram de 46,1 μS/cm a 418,8 μS/cm. Os pontos de coletas de dados com valores mais baixo de condutividade estão antes da área urbana, ou no caso do ponto 07, localizado após as represas da Universidade Federal de Viçosa, e o ponto 05 recebe o deflúvio de uma sub-bacia do rio São Bartolomeu, menos urbanizada.

A concentração de sólidos dissolvidos totais variou de 21,2 mg/L a 198,5 mg/L. Segundo a Resolução CONAMA nº357/2005º valor máximo permitido para o abastecimento humano é de 500 mg/L. Portanto, o rio São Bartolomeu encontra-se dentro dos parâmetros exigidos pela legislação.

A salinidade variou de 0 a 0,2 nos pontos onde em campo observou-se maior contaminação do rio.

A quantidade de oxigênio dissolvido no corpo d’água tem suas variações interferidas por mudanças de estações, temperatura, pressão, turbulência da água e vazão do rio (PALMA-SILVA, 1999). O rio São Bartolomeu apresentou dados de oxigênio dissolvido que conforme a Resolução do CONAMA nº 357/2005, classifica as águas nos pontos de coleta nas seguintes classes: Classe 1- pontos 02; 05; 07 e 08; Classe 2 – pontos 01; 09 e 10; Classe 04 – pontos 03; 04 e 06. A água nos pontos 03; 04 e 06, localizados na área urbanizada e classificados na classe 04 segundo CONAMA que não pode ser destinado ao consumo humano. Os baixos valores de oxigênio dissolvido são explicados pela baixa turbulência e eutrofização em alguns pontos, que minimiza a transferência de oxigênio da atmosfera para o rio por processo de difusão ou no caso eutrofização há um consumo maior do oxigênio durante a decomposição dos compostos orgânicos lançados no rio.

A temperatura do rio São Bartolomeu variou de 21,50ºC a 24,7ºC. Arcova et al (1993) afirmam que a principal variáveis que controla a temperatura em pequenos rios é a radiação solar.

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4. Conclusões

O presente artigo avaliou a qualidade da água do deflúvio da bacia do rio São Bartolomeu onde o uso do solo é a agropecuária, área urbana e a montante área de Mata Atlântica.

A baixa declividade em alguns pontos do leito principal do rio e a contaminação do mesmo influenciou na baixa concentração de oxigênio dissolvido.

Foram encontras três classes de água doce conforme a Resolução do CONAMA nº 357/2005: Classe 1- pontos 02; 05; 07; 08; Classe 2 – pontos 01; 09; 10; Classe 04 – pontos 03; 04; 06.

Não se pode afirmar a qualidade da água no rio São Bartolomeu, mas vale ressaltar que os resultados obtidos são estudos preliminares que permitiram a identificação e avaliação da rede hidrográfica do rio São Bartolomeu que por sua vez geram a necessidade de estudos mais detalhados desta bacia.

Referências

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ANÁLISE DAS ALTERAÇÕES GEOMORFOLÓGICAS PROVOCADAS