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ESTADO DO CEARÁ.

3. Resultados e Discussão

A área em estudo compreende as bacias hidrográficas costeiras dos rios Catú (161,9km²), Caburé (90,6km²), Caponga Funda (61,6km²), Caponga Roseira (73,2km²) e Mal Cozinhado (414,6km²), envolvendo em todo ou em parte os municípios de Aquiraz, Cascavel, Horizonte, Pacajus e Pindoretama, totalizando um recorte territorial que compreende 801,9km², como é mostrado na Figura 1.

Na perspectiva ambiental, de acordo com Brandão et al. (1995) e Souza (2005), tem-se que a estrutura geológica da área que compreende o recorte espacial do estudo está localizada, predominantemente, em coberturas sedimentares de idade Tércio-Quartenárias, com exceção dos compartimentos de litologias do embasamento cristalino Pré-cambriano que se sobressaem nos divisores de drenagem entre o Rio Catú e o Rio Pacoti (Serrote das Mulatas), e entre o Rio Mal Cozinhado e o Rio Choró (Serrote do Bebedouro e o Serra do Mataquiri), além do Serrote da Preaoca, entre as bacias hidrográficas costeiras dos rios Mal Cozinhado e Caponga Roseira.

Dessa forma, os recursos hídricos subterrâneos são abundantes neste setor, tendo em vista a sua constituição litológica, composta principalmente de sedimentos arenosos e areno-argilosos com excelente permoporosidade, fator essencial que

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possibilita a recarga do lençol freático, que abrange os Aquíferos Barreiras e Dunas/Paleodunas. Como resultado, têm-se as áreas de ressurgências que formam as nascentes dos rios Catú, Caburé, Caponga Funda, Caponga Roseira e Mal Cozinhado, assim como na formação de fontes naturais, como é o caso da Figura 2.

Figura 1 – Recorte espacial das bacias hidrográficas costeiras do setor leste metropolitano de Fortaleza, Estado do Ceará.

Fonte: Elaborado pelo autor (2014).

Ao considerar a proximidade com Fortaleza, capital do Estado, o setor leste metropolitano vem apresentando, consequentemente, um forte incremento

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populacional (Tabela 1) e econômico (industrial, turístico e imobiliário) nos últimos anos, evidenciando novos impactos negativos sobre os recursos hídricos, já que em muitas situações as condições geoambientais não são consideradas no processo de uso e ocupação do espaço, como podem ser visualizadas no mosaico da Figura 3.

Figura 2 – Bica do Iguape. Município de Aquiraz, Estado do Ceará.

Fonte: Autor (2014). Coordenada UTM / Datum SIRGAS 2000. E=577.285; N=9.564.074.

Tabela 1 – População residente e taxa geométrica de crescimento anual.

Fonte: Censos Demográficos do IBGE.

De acordo com o mosaico fotográfico, percebe-se nitidamente o descaso por parte do poder público em relação à gestão territorial/ambiental, com destaque para

Municípios

População Residente crescimento anual (%) Taxa geométrica de

1970 1980 1991 2000 2010 1970/ 1980 1980/ 1991 1991/ 2000 2000/ 2010 Aquiraz 32.507 45.111 46.305 60.469 72.628 3,33 0,24 3,01 1,85 Cascavel 39.028 47.668 46.507 57.129 66.142 2,02 -0,22 2,31 1,48 Horizonte - - 18.283 33.790 55.187 - - 7,06 5,03 Pacajus 33.335 46.976 31.800 44.070 61.838 3,49 -3,48 3,69 3,45 Pindoretama - - 12.442 14.951 18.683 - - 2,06 2,25 RMF (total) 1.130.145 1.652.414 2.473.297 3.056.769 3.615.767 3,87 3,73 2,38 1,69 Ceará (total) 4.361.603 5.288.253 6.366.647 7.430.661 8.452.381 1,95 1,70 1,73 1,30

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os recursos hídricos quando atrelados: 1) às ocupações inadequadas nas nascentes fluviais; 2) aos lançamentos in natura de efluentes industriais e/ou residenciais nos canais de drenagem e, consequente, 3) à eutrofização dos recursos hídricos costeiros (lagoas).

Figura 3 – Mosaico fotográfico com cenários degradacionais na área em estudo.

Fonte: Autor (2014).

4. Considerações finais

Ao considerar o conhecimento integrado, sob uma perspectiva da análise geossocioeconômica, e a preocupação com a conservação e preservação dos componentes naturais, nota-se um cenário desafiador no que concerne a gestão territorial/ambiental, inerente às bacias hidrográficas costeiras dos rios Catú, Caburé, Caponga Funda, Caponga Roseira e Mal Cozinhado, cujas características físico- naturais, em consonância com as variáveis histórico-econômicas/sociais, têm-se materializado, notadamente, de maneira extremamente inadequada.

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Diante desse cenário, corrobora-se uma intensa pressão antrópica sobre os sistemas ambientais, com destaque especial para os recursos hídricos, tendo em vista que essas áreas foram apropriadas pelo modelo de desenvolvimento urbano e econômico sem levar em consideração as vulnerabilidades geoambientais presentes nas bacias hidrográficas costeiras, ocasionando a agudização de diversos problemas socioambientais.

Por conseguinte, entende-se que critérios subjetivos devem ser substituídos por análises mais abrangentes e consistentes que deem subsídios concretos ao planejamento territorial, partindo da premissa de que a etapa desenvolvimentista da sociedade deve estar atrelada aos preceitos conservacionistas da natureza, fundamentalmente, quando se analisa uma bacia hidrográfica, que é uma unidade espacial que representa a paisagem em um todo integralizado.

Referências

ALBUQUERQUE, E. L. S. Análise geoambiental como subsídio ao ordenamento territorial do município de Horizonte - Ceará. 2012. 131 p. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza. 2012.

BRANDÃO, R. L; CAVALCANTE, I. N; SOUZA, M. J. N. Diagnóstico geoambiental e os principais

problemas de ocupação do meio físico da Região Metropolitana de Fortaleza. vol. 1. Fortaleza:

Projeto SINFOR/CPRM, 1995.

CAZULA, L. P.; MIRANDOLA, P. H. Bacia Hidrográfica – conceitos e importância como unidade de planejamento: em exemplo aplicado na bacia hidrográfica do Ribeirão Lajeado/SP - Brasil. Revista

Eletrônica da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Três Lagoas/MS. Três Lagoas -

MS, n° 12, p. 101-124. 2010.

SOUZA, M. J. N. de. Bases naturais e esboço do zoneamento geoambiental do estado do Ceará. In: SOUZA, M. J. N; LIMA, L. C; MORAES, J. O. de. (orgs.). Compartimentação territorial e gestão

regional do Ceará. Fortaleza: Ed. FUNECE, 2000. p.13-98.

SOUZA, M. J. N. Compartimentação Geoambiental do Ceará. In: SILVA, José Borzacchiello da; et al. (org.). Ceará: um novo olhar geográfico. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2005. p. 127-140. ZANELLA, M.E; OLIMPIO, J. L. S; COSTA, M. C. L; DANTAS, E.W.C. Vulnerabilidade socioambiental do Baixo curso da Bacia Hidrográfica do Rio Cocó, Fortaleza-CE. Revista Sociedade e Natureza, nº 25, v. 2, p. 317-332. 2013.

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ESTUDO DOS GEOSSISTEMAS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO SÃO