CAPÍTULO III: PROGRAMA ACELERA BRASIL E SUAS IMPLICAÇÕES NO
3.4 RESULTADOS DO PROGRAMA ACELERA BRASIL A LONGO PRAZO EM
Conforme alega a autora Hanum (2010), “O Programa Acelera Brasil é considerado o precursor das classes de Aceleração”. Chaves (2012, p. 5), alerta que o Programa Acelera Brasil foi “pensado de forma diferenciada de programas anteriores de aceleração de aprendizagem”. Conforme informações do Instituto Ayrton Senna, diferentemente de outros programas este não possui a preocupação central na aceleração do aluno e sim na “mudança de vetor na política educacional, comprometido com resultados permanentes, e não de uma mera inovação ou intervenção pedagógica” (OLIVEIRA, 2005).
O programa possui alguns indicadores de sucesso, estando eles dispostos no Termo de Parceria assinado entre o IAS e a Prefeitura Municipal de Campo Grande. Entre eles estão o cumprimento de 100% das 800 horas mínimas de aula; 98% de frequência de professores e alunos; 95% de alfabetização ao final da 1ª série (sete anos de idade14); 95% de aprovação; somente 2% de reprovação por falta – abandono e 95% de fluxo escolar corrigido, no mínimo.
Verificamos, anteriormente, que durante a parceria com o IAS e, em especial durante o ano de funcionamento do PAB, que o programa conseguiu êxito em relação a alguns índices de rendimento escolar. Entretanto, faz-se necessário que verifiquemos como ficaram esses índices após o término da parceria. Assim, faremos as análises a seguir a partir das taxas de rendimento na cidade de Campo Grande/MS entre os anos de 2010 e 2013, analisando assim se o programa conseguiu mudar permanentemente essas estatísticas.
Tabela 12 Taxas de rendimento no Ensino Fundamental da REME - Campo Grande/MS.
Ano/ Segmento
Aprovação Reprovação Abandono
Nº % Nº % Nº % 2010 32.846 91,35% 2.446 8,25% 105 0,30% 2011 34.010 93,50% 2.123 6,20% 113 0,30% 2012 34.927 93,45% 2.248 6,20% 115 0,35% 2013 33.918 92,60% 3.041 7,10% 121 0,30%
14 Agora no 2º ano, tendo em vista a aplicação do Ensino Fundamental no Brasil para nove anos, com ingresso
Fonte: Censo Escolar 2010 - 2013, Inep. Qedu.
Na tabela acima (Tabela 12), podemos verificar as taxas de rendimento na cidade de Campo Grande/MS entre os anos de 2010 e 2013. Podemos através delas perceber que, de um modo geral, os valores de aprovação tiveram um aumento de 1,25% (1072), enquanto a reprovação teve uma queda de 1,15% (595) e o abandono manteve o mesmo índice de 0,30%, apesar de registrar 16 abandonos a mais. Isso ocorreu devido a variação no número de matrículas no Ensino Fundamental por ano que, segundo os dados dos censos escolares, teve uma redução de 3.365 matrículas entre os anos de 2010 (74.156) e 2013 (70.791). A taxa de aprovação apresentou seu maior índice no ano de 2011, com 93,50% de aprovação (34.010), enquanto seu menor índice apresentado nesses quatro anos foi em 2010, com aprovação de 91,35% (32.846). Em relação a reprovação, o menor índice apresentado foi nos anos de 2011 e de 2012 com 6,20% de reprovação, enquanto o maior valor foi de 8,25% em 2010. Entre os anos de 2012 para 2013 ocorreu um aumento de 0,90% na taxa de reprovação. Já o abandono escolar manteve-se estabilizado durante todo o período, tendo uma pequena elevação de 0,05% no ano de 2012, retornando no ano seguinte para 0,30%.
Na tabela a seguir podemos verificar os percentuais e os valores brutos de aprovação por série no Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande/MS.
Tabela 13 Taxa de aprovação por série no Ensino Fundamental da REME - Campo Grande/MS.
Ano 2010 2011 2012 2013 Nº % Nº % Nº % Nº % 1º 7.566 99,6 7.635 99,6 6.219 99,8 7.272 99,7 2º 8.063 85,3 8.416 90,3 7.909 90,9 6.556 91,2 3º 10.118 90,6 8.394 92,7 8.467 92,8 7.921 92 4º 7.527 94,1 9.902 95 8.385 94,6 8.244 92,9 5º 5.542 93,7 7.547 95,9 9.749 96,1 8.159 93,9 6º 8.828 88,9 5.967 89,6 7.549 91,7 9.365 92,5 7º 7.975 88,8 8.508 91,5 5.748 88,5 7.131 90,8 8º 6.954 91,3 7.620 92,7 7.933 93,1 4.898 87,7 9º 5.267 95,7 5.867 96,7 6.065 96 6.151 93,5
Fonte: Censo Escolar 2010 - 2013, Inep. Qedu.
Podemos verificar através da tabela acima (Tabela 13) que os índices de aprovação nesses quatro anos analisados sofreram aumentos de um modo geral. Com exceção do 4º (-
1,20%), do 8º (-3,60%) e do 9º (-2,20%), todos os outros anos tiveram aumento nos seus índices. O maior acréscimo apresentado foi no 2º, com 5,90% e o menor ficou com o 1º, com 0,10%. No ano de 2013, o menor índice de aprovação ficou com o 8º ano, com 87,70%, sendo esse o único percentual abaixo de 90%. Em 2012, o menor índice foi do 7º ano, com 87,70%, sendo o menor índice nesses quatro anos. O 7º ano foi a única série que não ficou com índice acima de 90%, enquanto o 1º, o 5º e o 9º anos tiveram taxas maiores ou iguais a 95% de aprovação. Em 2011, o menor valor foi apresentado pelo 6º com 89,60%, único abaixo de 90% enquanto o 1º, o 4º, o 5º e o 9º apresentaram taxas maiores ou iguais a 95% de aprovação. Já em 2010, mais de uma série apresentou índice abaixo de 90%, sendo elas o 2º, o 6º e o 7º anos, ficando o 2º com o menor índice, de 85,30%. Acima de 95% ficaram somente duas séries, sendo o 1º e o 8º anos. Em todos os anos, o 1º apresentou os maiores índices de aprovação, com a maior elevação no ano de 2012, de 99,80%. O 2º ano teve seu maior índice em 2013, com 91,20%; o 3º em 2012, com 92,80%; o 4º em 2011, com 95%; o 5º em 2012, com 96,10%; o 6º em 2013, com 92,50; o 7º em 2011, com 91,50%; o 8º em 2012, com 93,10% e o 9º em 2011, com 96,70% de aprovação.
Tabela 14 Taxa de reprovação por série no Ensino Fundamental da REME - Campo Grande/MS.
Ano 2010 2011 2012 2013 Nº % Nº % Nº % Nº % 1º 0 0,0 8 0,1 0 0,0 0 0,0 2º 1.362 14,4 876 9,4 775 8,9 619 8,6 3º 1.039 9,3 643 7,1 648 7,1 672 7,8 4º 456 5,7 511 4,9 461 5,2 622 7,0 5º 361 6,1 307 3,9 376 3,7 513 5,9 6º 1.063 10,7 646 9,7 651 7,9 729 7,2 7º 961 10,7 754 8,1 702 10,8 692 8,8 8º 633 8,3 576 7 537 6,3 654 11,7 9º 210 3,8 176 2,9 234 3,7 395 6,0
Fonte: Censo Escolar 2010 - 2013, Inep. Qedu.
Nessa Tabela 14, podemos verificar os índices de reprovação na cidade de Campo Grande entre os anos de 2010 e 2013. Através dela podemos notar que enquanto o 4º (1,30%), o 8º (3,40%) e o 9º (2,20%) anos apresentaram elevações neste nível, todas as outras séries tiveram reduções nas taxas de reprovação, tendo destaque o 2º ano, que teve a maior redução geral no percentual de reprovação no Ensino Fundamental, com 5,80%. No ano de 2013, todas as séries apresentaram índices acima de 5,00%, com exceção do 1º ano que, através da
Deliberação CME/MS N. 799, de 9 de outubro de 2008, ficou estabelecido que poderia ser automatizada essa passagem do 1º para o 2º ano. No ano de 2013, o menor índice apresentado foi de 5,90% no 5º ano e o maior foi de 11,70% no 8º ano. No ano de 2012, havia duas séries com taxas abaixo de 5,00%, sendo elas o 5º e o 9º ano, ambos com índice de 3,70%, enquanto o 7º possuía o maior índice de reprovação, com 10,80%. Em 2011, o 6º tinha o mais alto índice apresentado, com 9,70% e o 4º, o 5º e o 9º ano estavam abaixo de 5%, com taxas de 4,90%; 3,90% e 2,90%, respectivamente. Em 2010, o 9º ano foi a única série que teve índices abaixo de 5%, com 3,80%. Contudo, esse ano apresentou três séries com níveis de reprovação acima de 10,00%, com taxas de 14,40% no 2º ano e de 10,70% no 6º e 7º anos. Em relação ao 1º ano, somente no ano de 2011 este índice foi diferente de zero, tendo oito reprovações.
Tabela 15 Taxa de abandono por série no Ensino Fundamental da REME - Campo Grande/MS.
Ano 2010 2011 2012 2013 Nº % Nº % Nº % Nº % 1º 31 0,1 23 0,3 13 0,2 22 0,3 2º 29 9,4 28 0,3 18 0,2 15 0,2 3º 12 7,1 19 0,2 10 0,1 18 0,2 4º 16 4,9 11 0,1 18 0,2 9 0,1 5º 12 3,9 16 0,2 21 0,2 18 0,2 6º 40 9,7 47 0,7 33 0,4 31 0,3 7º 45 8,1 38 0,4 46 0,7 32 0,4 8º 31 7 25 0,3 52 0,6 34 0,6 9º 28 2,9 25 0,4 19 0,3 33 0,5
Fonte: Censo Escolar 2010 - 2013, Inep. Qedu.
Nessa tabela podemos observar que o abandono escolar na Rede Municipal de Campo Grande/MS teve reduções em praticamente todas as séries nesse período. Entre os quatro anos analisados, somente o 1º ano apresentou elevação de 0,20% nos índices de abandono escolar, apesar de no valor bruto ter reduzido. Novamente, estes valores em percentual estão ligados às alterações no número de matrículas que oscilaram entre os anos de 2010 e 2013, conforme vimos anteriormente. De um modo geral, as maiores reduções em percentual ocorreram no 6º e no 2º ano, com índices de 9,40% e de 9,00%, respectivamente. As reduções mais significativas ocorreram entre os anos de 2010 para o ano de 2011, para toda as séries. Em 2013, o maior
índice de abandono foi o do 8º, com 34 abandonos e o menor ficou com o 4º ano, com apenas 9 abandonos.
3.5 IMPLICAÇÕES DO PROGRAMA NA DIMINUIÇÃO DA DEFASAGEM IDADE-