CAPÍTULO III APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
3.3 Resultados dos questionários inicial e final – Instrumento 1 e 7
No início da intervenção, sete dos dez5 pibidianos responderam a um questionário (instrumento 1), o qual permitiu a compreensão das concepções sobre a aprendizagem, o ensino, a escolha pelo curso de Licenciatura em Física, os motivos para participar do Pibid, entre outros. A seguir, escolheu-se apresentar os resultados obtidos com base em algumas perguntas desse questionário, que serão fundamentais para a discussão desta investigação. O quadro 9 reúne excertos dos pibidianos retirados do instrumento 1, referentes às perguntas: “O que você entende por aprendizagem?” e “O que você entende por ensino?”.
5 Como explicado no capítulo II, alguns pibidianos entraram no Pibid Física após a intervenção ter começado, devido à rotatividade dos bolsistas do grupo, assim que os pibidianos chegavam no grupo eram convidados a responder ao questionário inicial, portanto todos os resultados apresentados são dos pibidianos que participaram de todas as etapas da intervenção, mesmo que não ao mesmo tempo.
Quadro 9 - Concepções dos pibidianos sobre o aprender e ensinar, no início da intervenção
Pibidiano O que entende por aprendizagem? O que você entende por ensino?
P1 Acumulação de conhecimentos, ingeridos
por pesquisas e interesses, debates com outras pessoas com visões diferentes e que, com o passar do tempo, esses
conhecimentos e pensamentos poderiam mudar, conforme a realidade atual e o pensamento individual.
Transmitir pensamentos e ideias para o próximo; demonstrar o seu ponto de vista e oportunizar ao outro concordar ou não. Mostrar também, o que é certo e o que é errado, para uma criança por exemplo.
P2 Aprendizagem é, na minha visão, o
entendimento de uma ou mais ideias, por uma ou mais pessoas, a partir de qualquer fonte de conhecimento
É o ato de ligar a fonte de conhecimento ao aprendiz, da forma mais eficaz possível.
P3 A aprendizagem é um processo no qual você adquire experiência e conhecimentos gerais de forma que você saiba o suficiente para explicar por si só determinada
situação.
Entendo que seja uma “transferência de conhecimentos”.
P4 A grosso modo, entendo por aprendizagem
o processo no qual o aluno está inserido, na construção do conhecimento e seu
desenvolvimento. É algo particular a cada ser humano, porque cada um irá adquirir e apropriar para si este processo, no seu tempo e da forma que achar melhor para si; tudo isso a partir das respostas que este estabelece aos estímulos do educador.
O ensino é justamente o que o educador estabelece como primordial e essencial para a construção do aprendizado de seus educandos. Ou seja, é ele quem irá enviar os estímulos a partir de conteúdos e o aluno terá de assimilar estas coisas e apropriar-se disto para
desenvolver a sua aprendizagem, junto ao educador.
P5 A aprendizagem parte de quem quer
aprender, é algo que vem de você mesmo, você precisa querer aprender, quando se quer algo, existe uma dedicação e uma concentração muito maior por parte do aluno, acho que também faz parte do papel do professor incentivar essa vontade de aprender, é um processo que precisa do funcionamento dos dois lados, tanto de quem ensina como de quem aprende, para que dessa forma se tenha sucesso na tarefa.
Ensino, antes de mais nada é uma paixão da pessoa, por mais que possa ser estressante ou frustrante em certas ocasiões, é algo que se goste de fazer, é se sentir bem ao saber que outra pessoa aprendeu com você, é algo que gera no final um resultado satisfatório, saber que ajudou alguém a realizar o que queria, se preocupar com o aprendizado do aluno.
P6 Aprendizagem é o processo de mudança
obtido através da experiência, onde o conhecimento é construído, é quando você se determina a um determinado assunto
Ensino são conhecimentos que temos para instruir outras pessoas, antes de tudo deve se ter aprendizagem para poder ter o ensino.
P9 Causa e efeito da evolução; percepção de padrões, derivando do mais simples ao mais complexo; descobrimento de lógicas
subsequentes acerca de um tema; sensibilidade.
Atuação direta na busca pela união; interferência construtiva; arte de acender e desenvolver curiosidade sobre algo;
transferência de conhecimento, expansão de consciência. Fonte: a autora
Três meses após o termino da intervenção, foi enviado para os pibidianos um questionário final (instrumento 7), do qual destaca-se, a seguir, os excertos das respostas para as seguintes perguntas: “Como as experiências do Pibid ajudaram na percepção de ser um futuro professor?”; “Na sua percepção, quais foram as principais mudanças pelas quais o grupo Pibid passou no ano de 2017 e a que fatores você atribui essas mudanças?”; “Você acredita necessário para o grupo Pibid trabalhar baseando-se em um referencial teórico? Por quê?”.
Quadro 10 - Respostas dos pibidianos às perguntas do questionário final -Instrumento 7
Pibidiano Como as experiências do Pibid ajudaram na percepção de ser um futuro professor?
Na sua percepção quais foram as principais mudanças pelas quais o grupo Pibid passou no ano de 2017 e a que fatores você atribui essas mudanças?
Você acredita necessário para o grupo Pibid
trabalhar baseando-se em um referencial teórico? Por quê? P4 Através da prática na construção de projetos e conhecendo a realidade de sala de aula, as mesmas foram o embasamento do meu constante aprimoramento enquanto docente e ser humano. Vejo mudanças amplamente positivas em nossos trabalhos, especialmente na organização e aplicação dos mesmos. Naturalmente elas se deram através de um recurso teórico, como referência. Anterior a este aporte, não havia um direcionamento dos trabalhos, o que causava muitos atrasos e atividades incompletas a nível teórico e também em suas apresentações nas escolas. Especialmente utilizando a
autorregulação, podemos aprimorar nossa conduta em sala de aula, e também fora dela, na construção de nossos projetos não só para o PIBID, mas para as disciplinas contidas na graduação.
Creio que o referencial
teórico é de grande
importância no
direcionamento de um
projeto, independente de
qual área estejamos
falando. No caso do PIBID, conforme respondido na pergunta anterior, vemos
uma grande diferença
quando não utilizávamos
um referencial e
posteriormente usando o
mesmo. Este tipo de
recurso é importante por dois motivos em minha opinião: 1) primeiro ao
proporcionar um
aprimoramento e reflexão
acerca dos métodos
utilizados com os
educandos e 2) ao nos
guiar para um melhor
desempenho e proveito a respeito do assunto abordado. P5 Através da prática com trabalhos realizados em escolas, com as apresentações de oficinas e aulas é As principais mudanças aconteceram com a formação de um grupo unido e disposto a trabalhar em cima de
propostas educativas para
Sim, pois os referenciais
teóricos conseguem
orientar estudantes e
professores de uma
maneira organizada,
possível notar traços relacionados sobre como se comporta nossa personalidade docente, onde conseguimos identificar como de fato nosso comportamento fica
diante dos alunos.
as escolas, conseguindo ser criativo e produzindo projetos para variados
temas. Atribuo essas
mudanças à confiança e
transparência que foi
sendo criada ao longo do ano, deixando um espaço
sem barreiras ou
obstáculos para debates a
respeito do que se
pretende colocar em
prática.
professor consiga saber exatamente aonde se quer chegar e como pretende colocar em prática métodos que possam contribuir para o alcance de seus objetivos dentro de uma sala de aula, criando um plano de ensino
de qualidade e que
consegue extrair de
maneira completa tudo o que se pode ser ensinado e debatido. A organização de
um professor é muito
importante, pois demonstra seu interesse e seriedade
com o ensino e
aprendizado de seus
alunos.
P6 O PIBID me ajudou
muito a perceber como serei uma futura professora, a relação com os alunos, com os conteúdos, tempo de um plano de aula, etc.
No início o grupo não se organizava, não dialogava um com o outro, e com o
tempo fomos nos
organizando e vimos que trabalhar em grupo rende muito mais, se cada um ajudar conseguimos atingir o objetivo, que era montar uma atividade.
Sim, para que o grupo tenha um referencial de determinado assunto, isso ajuda muito a desenvolver
um conhecimento do
assunto para desenvolver outros temas.
Fonte: a autora
Nos instrumentos 1 e 7, havia uma pergunta em comum: “Como você se percebe como professor?”. O quadro 11, a seguir, mostra os excertos retirados da pergunta realizada no início da intervenção (instrumento 1) e no final dela (instrumento 7). Destacou-se as respostas de P4, P5 e P6, pois somente esses pibidianos responderam ao questionário final.
Quadro 11 - Concepções dos pibidianos sobre ser professor no início e após a intervenção
Pibidiano Como você se percebe como professor? Como você se percebe como professor?
P4 Na minha personalidade, eu sou uma pessoa
que me cobro muito (em todos os aspectos). Sou muito correto e rígido. Em regime de sala de aula, tenho de ter a mesma postura, porém gosto de ter um relacionamento sadio com meus alunos; ter a amizade deles e o respeito, e não um ditador que coloca medo e impõe conteúdos, de forma dogmática. A cada dia em sala de aula, aprimoro meu
Me considero um educador que busca através da empatia e respeito pela caminhada de
cada aluno motivar os
estudantes com base no que a Física proporciona. Construir o conhecimento, baseando-se na realidade de um contexto mais generalista é também um
Fonte: a autora
Este capítulo apresentou os resultados provenientes dos diferentes instrumentos de coleta de dados desta investigação, em que se procurou evidenciar todos os achados referentes ao ocorrido ao longo da intervenção pedagógica realizada com o grupo Pibid Física. Após a leitura e interpretação destes dados coletados esses serão discutidos em dois eixos: desenvolvimento de competências autorregulatórias para a formação docente e mudanças oportunizadas pelo contexto. A figura 7, sintetiza a organização dos eixos, evidenciando as categorias que emergiram da análise dos dados.
método de passar os conteúdos e realizo uma reflexão a cada vez que fecho a porta do ambiente escolar para ver os pontos positivos e os negativos, e em ambos, melhorar.
recurso que uso, e no qual noto um retorno positivo em minhas aulas (atualmente ministradas no Desafio Pré- Universitário) quando os
alunos notavelmente
agradecem e relatam que a cada dia se sentem mais motivados para estudar física e enxergam a importância deste conhecimento. Além disso, busco sempre agregar às aulas o fator experimental e da demonstração, o qual
elucida e facilita o
aprendizado dos educandos.
P5 Sempre que vou explicar algum assunto para
a pessoa, procuro deixá-la a vontade para perguntar o que quiser, acho que isso é muito importante quando se quer ensinar ou aprender, a relação tem que ser saudável, deixar um clima desconfortável não me parece ser um bom ambiente para o aprendizado, também não gosto de assustar e nem dificultar desnecessariamente algo para os alunos, não quero provar que sei mais que alguém, e sim perceber que aquela pessoa entendeu o que falei.
Em se tratando de dar aula, gosto muito de trabalhar com o material que iriei utilizar para explicar os conteúdos,
procurando sempre a
utilização e exploração de recursos e exemplos de aplicações da física em nosso dia a dia. Procuro não deixar os alunos intimidados e deixar a sala de aula um ambiente
confortável para o
aprendizado.
P6 Me percebo como professora que vai se
dedicar muito aos alunos em sala de aula, explicar de forma clara que todos alunos entendam o que estou dizendo, espero que eu seja uma boa professora.
Eu me percebo como uma professora organizada, que não vai deixar as tarefas para a última hora e que vai fazer o máximo para ensinar os alunos.
Figura 7 - Síntese dos eixos e categorias da análise dos efeitos da intervenção no grupo Pibid Física
Fonte: a autora
No capítulo seguinte, será apresentada, a análise e discussão dos resultados descritos, os quais foram interpretadas à luz da autorregulação da aprendizagem.