No período de abril de 2009 a julho de 2009, 31 pacientes com o perfil do estudo compareceram ao Ambulatório de Fisioterapia de um hospital referência em Oncologia do Estado de Goiás e responderam ao Questionário de Qualidade de Vida da Universidade de Washington (UW-QOL- versão 4). Destes, 6 eram mulheres e 25 eram homens, sendo a média de idade de 60 anos, com desvio padrão +
- 7,98. O participante mais velho tinha 72 anos e o mais novo, 33 anos.
Todos os entrevistados eram portadores de carcinoma espinocelular de laringe em qualquer sítio anatômico e em qualquer estádio clínico (pois em 17 prontuários não havia especificação do sítio primário do tumor e em 9, do estadiamento clínico), sendo submetidos a laringectomia parcial ou total, estando invariavelmente traqueostomizados, com 5 a 7 dias de pós-operatório. Além disso, nenhum dos entrevistados havia iniciado qualquer tipo de tratamento radioterápico ou quimioterápico adjuvante.
A qualidade de vida global dos pacientes foi analisada somando-se os pontos de cada domínio do questionário da UW – QOL versão 4. Sendo assim, a média da qualidade de vida global para cada domínio realizado está especificada na tabela 2 a seguir:
Tabela 2 Escore médio em relação a cada domínio do UW-QOL versão 4
Nota-se, para esta tabela, as médias mais altas ficaram com os domínios atividade, com 82,3 pontos e recreação, com 77,4 pontos; seguidos dos domínios dor e aparência, com médias de 74,2 e 54,8 pontos, respectivamente.
Já os piores domínios considerados foram fala e deglutição, com médias de 33,2 e 41,8. respectivamente, seguidos dos domínios mastigação (50 pontos) e ansiedade (50,5 pontos). Inclusive o domínio fala apresentou maior importância. A Tabela de número 3 mostra os escores médios do Questionário UW-QOL versão 4, segundo o sexo dos pacientes.
Nesta tabela, observa-se que o domínio fala obteve a menor pontuação em relação aos homens (39) e mulheres (11) entrevistados, sendo esta diferença estatisticamente significante (p < 0,05). A maior pontuação se deu no domínio atividade: 84 nos homens e 75 nas mulheres, não sendo estatisticamente significante (p = 0,172). Portanto, tanto para os homens como para as mulheres entrevistadas, a fala é o fator mais afetado nessa patologia.
Média ± Desvio-Padrão Domínios
Escore UW-QOL versão 4 Variação Importância do domínio (%)
Dor 74,2 ± 23,7 25-100 6 Aparência 54,8 ± 24,5 0-100 6 Atividade 82,3 ± 20,6 0-100 0 Recreação 77,4 ± 27,7 0-100 0 Deglutição 41,8 ± 25,9 0-100 12 Mastigação 50 ± 34,2 0-100 18 Fala 33,2 ± 25,9 0-100 42 Humor 55,6 ± 35,8 0-100 3 Ansiedade 50,5 ± 40,3 0-100 12
Tabela 3. Escores médios do questionário UW-QOL versão 4, segundo o sexo dos pacientes, com os respectivos valores de p (Teste t de Student).
Domínios Homem Mulher P
Dor 80 67 0,0909 Aparência 57 42 0.0839 Atividade 84 75 0,1726 Recreação 79 71 0,2626 Deglutição 40 56 0,0983 Mastigação 48 58 0,2575 Fala 39 11 0,0082* Humor 58 46 0,2318 Ansiedade 53 39 0,2186 Média Geral 60 52 0,1843
* diferença significativa (p<0,05), segundo teste t de Student.
A tabela 4 apresenta os escores médios do questionário UW-QOL versão 4, segundo a idade dos pacientes (acima e abaixo dos 60 anos), segundo o teste T de Student. Foram, ao todo, 18 pacientes entrevistados que possuíam idade acima dos 60 anos e 13 entrevistados tinham menos que 60 anos.
Foi observado que entre todos pacientes, o pior escore (37) se deu no domínio deglutição para os paciente acima dos 60 anos e o domínio fala (25) para ao pacientes com idade inferior aos 60 anos.
Já o melhor escore médio foi no domínio atividade (79) para os acima de 60 anos e (87) para os entrevistados abaixo dos 60 anos, não havendo, porém diferença significativa dos escores médios para nenhum domínio (p>0,5).
Tabela 4. Escores médios do questionário UW-QOL versão 4, segundo a idade dos pacientes, com os respectivos valores de p (Teste t de Student)
As figuras de 2 a 10, à seguir, mostram as respostas dadas pelos participantes em relação a cada domínio específico do UW-QOL versão 4.
Assim em relação ao domínio dor, 35% dos entrevistados afirmaram não sentir dor, 32% afirmam possuir dor leve que não necessita de medicação, 26% possuem dor moderada, requerendo o uso de medicação regularmente e apenas 6% consideram a dor como severa , utilizando-se de medicação para controlá-la e nenhum dos pacientes que têm dor consideram-na severa e não controlada por medicação (Figura 2).
Domínios Acima de 60 anos Abaixo de 60 anos p
DOR 72 77 0,2972 APARÊNCIA 51 60 0,1826 ATIVIDADE 79 87 0,1451 RECREAÇÃO 75 81 0,2877 DEGLUTIÇÃO 37 51 0.0668 MASTIGAÇÃO 50 50 0,5000 FALA 39 25 0,0798 HUMOR 53 60 0,3039 ANSIEDADE 59 38 0,0797 MÉDIA GERAL 57 59 0,4285
Figura 2. Distribuição de respostas em relação ao domínio dor
No domínio aparência, a maioria (42%) afirmou que é incomodada por causa da aparência, mas permanecem-se ativos e 32% afirmam que a mudança na aparência foi mínima. Somente 6% dos entrevistados afirmam não poder estar junto de outras pessoas em função da aparência (Figura 3)
Para o domínio atividade, 42% dos entrevistados afirmaram estar tão ativos como sempre, porém, 52% consideram que as vezes não conseguem manter o ritmo antigo, 3% afirmam estar frequentemente cansados e 3% relatam ficar apenas em casa (Figura 4).
Figura 4. Distribuição de respostas em relação ao domínio atividade
A figura 5 mostra a distribuição das respostas para o domínio recreação, onde a maioria (48%) descreve não haver limitações para tal e apenas 26% afirmam que há poucas formas de recreação, mas que ainda saem de casa para se divertirem, 16% determinam que gostariam de sair mais de casa para se divertirem, 6% consideram haver uma limitação severa para a recreação, ficando somente em casa e 3% não têm condições de fazer nada que seja agradável.
Figura 5. Distribuição de respostas em relação ao domínio recreação
O domínio deglutição apontou somente 6% dos entrevistados afirmando conseguir engolir tão bem como sempre e a maioria (55%) afirma que consegue comer apenas comidas líquidas (Figura 6).
Em relação ao domínio mastigação, 23% descrevem mastigar tão bem como sempre, 55% afirmam poder comer alimentos sólidos leves, mas não conseguem mastigar algumas comidas líquidas e 23% consideram não comer nem mesmo alimentos leves, como mostra a figura 7.
Figura 7. Distribuição de respostas em relação ao domínio mastigação
Para o domínio fala, somente 3% dos entrevistados não consideram haver alteração na sua fala, 19% têm alguma dificuldade, sendo entendidos mesmo ao telefone, porém, 52% descrevem que somente a família e amigos podem entendê-los (Figura 8).
Figura 8. Distribuição de respostas em relação ao domínio fala
No domínio humor observou-se que 23% dos participantes possuem um humor excelente e não são afetados em relação ao câncer, 29% afirmam tem um humor bom frente a doença, 13% possuem nem bom humor nem depressão em relação ao câncer, 19% consideram-se deprimidos pela doença e 16% estão extremamente deprimidos em relação ao câncer (Figura 9).
Figura 9. Distribuição de respostas em relação ao domínio Humor
No domínio ansiedade, 29% afirmam não estar ansiosos em relação ao câncer, 23% estão um pouco ansiosos, 19% consideram-se ansiosos pela doença e 29% descrevem estar muito ansiosos pelo câncer (Figura 10).
Quando foi perguntado aos pacientes sobre qual ou quais os problemas considerados os mais importantes nos últimos 7 dias, a maioria (42%) se referiu ao domínio fala, seguido da mastigação (18%) e da deglutição (12%). Nenhum dos pacientes disse ter problemas relacionados à atividade e recreação (Tabela 5).
Tabela 5. Problemas relatados pelos pacientes como os mais importantes nos últimos 7 dias. Respostas n % Dor 2 6 Aparência 2 6 Atividade 0 0 Deglutição 4 12 Mastigação 6 18 Humor 1 3 Ansiedade 4 12 Fala 14 42 Recreação 0 0 TOTAL 33 100
n= número de repostas para cada alternativa
A tabela 6 apresenta a qualidade de vida relacionada à saúde comparada com o mês antes do desenvolvimento do câncer e as respostas foram: 3% afirmaram que a qualidade de vida está muito melhor, 10% um pouco melhor, 48% afirmam que está mais ou menos a mesma, 23% um pouco pior e 16% consideram a qualidade de vida muito pior.
Tabela 6. Qualidade de vida relacionada á saúde comparada a 1 mês antes do diagnóstico do câncer
Muito melhor 1 3
Um pouco melhor 3 10
Mais ou menos o mesmo 15 48
Um pouco pior 7 23
Muito pior 5 16
TOTAL 31 100
n= número de repostas para cada alternativa
Quanto a qualidade de vida relacionada à saúde nos últimos 7 dias, a maioria (58%) consideram-na média e apenas 3% afirmam estar muito ruim, como mostra a tabela 7.
Tabela 7. Qualidade de vida relacionada à saúde nos últimos 7 dias
Respostas n % Excelente 0 0 Muito boa 1 3 Boa 9 29 Média 18 58 Ruim 2 6 Muito Ruim 1 3 TOTAL 31 100
n= número de repostas para cada alternativa
Considerando todos os fatores que contribuem para o bem estar físico e mental, como família, amigos, atividade, lazer e espiritualidade, a tabela 9 apresenta a qualidade de vida global nos últimos 7 dias. A maioria (42%) admitem estar boa, 29% consideram média e 19% acham que a qualidade de vida geral está ruim.
Tabela 8. Qualidade de vida Global nos últimos 7 dias Respostas n % Excelente 1 3 Muito Boa 2 6 Boa 13 42 Média 9 29 Ruim 6 19 Muito Ruim 0 0 TOTAL 31 100