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Resultados e análise do questionário final

3 METODOLOGIA

4.9 Resultados e análise do questionário final

confiabilidade e veracidade e, não só isso, como também a relevância dessas informações frente ao proposto na tarefa e trabalhado nas aulas (ADAMS, 2015).

No quinto nível, encontra-se o verbo “avaliar”, num patamar acima da análise, no qual os alunos deveriam avaliar se as informações coletadas para o trabalho estavam de acordo com os objetivos da tarefa e adequá-las ao que estava sendo pedido, julgando-as procedentes ou não. No último patamar da pirâmide, encontra-se o verbo “criar”, referindo-se a idealização e produção de algo novo e coerente por parte dos alunos (KRATHWOHL, 2010).

Na tarefa proposta, buscou-se atingir esse patamar quando cada grupo elaborou o próprio post , partindo do que foi apreendido. Os posts dos alunos, mesmo alguns apresentando erros, demonstraram a compreensão que os alunos alcançaram de toda a metodologia trabalhada com a turma. A tarefa representou o momento em que os alunos tiveram liberdade para trabalhar sua criatividade e sua autonomia para elaboração dos posts de maneira autêntica, seguindo os objetivos determinados para a tarefa.

Vale destacar que outras atividades da Sequência Didática também foram elaboradas com base na taxonomia de Bloom, o que, provavelmente, contribuiu para que os alunos conseguissem, na última tarefa, alcançar os níveis cognitivos de maior ordem. Por exemplo, os jogos utilizados em sala, como o verdadeiro ou falso, permitiram aos alunos alcançarem o nível de lembrar dos conhecimentos obtidos em aula. O RPG contribuiu para os alunos chegarem no nível de “avaliar”, pois, frente às opções, os alunos deveriam analisar e escolher a melhor opção para aquela situação. O Estudo de Caso também pavimentou o caminho que culminou na tarefa, pois, para conseguirem responder o que era pedido no estudo, os alunos deveriam lembrar, entender e aplicar aquilo que foi discutido em sala de aula.

Por isso podemos dizer que, por mais que o perfil em si não tenha sido um sucesso com os alunos, a elaboração da tarefa possibilitou que atingissem os patamares demonstrados na pirâmide de Bloom, alcançando níveis superiores no âmbito cognitivo. O último ponto de avaliação da relevância da Sequência Didática para os alunos se deu a partir do questionário final, discutido no tópico seguinte.

Instagram , pois foi nesse dia que a pesquisadora se despediu dos alunos e saiu do grupo de WhatsApp da turma, agradecendo a participação de todos. O questionário final obteve 25 respostas dos alunos e contava com 12 perguntas abertas. Algumas perguntas eram idênticas ou similares àquelas do questionário inicial, a fim de comparar as respostas iniciais com as finais (Figura 64). As respostas do questionário final foram analisadas por meio da análise de conteúdo de Laurence Bardin (1977), e 7 perguntas foram abrigadas em 3 categorias diferentes (Apêndice S). A pergunta sobre os microplásticos estarem presentes nas teias alimentares não foi incluída na tabela por ter obtido respostas sim ou não, com algumas poucas justificativas. As perguntas conceituais - sobre biomagnificação, bioacumulação e bioconcentração - não foram incluídas por apresentar muitas respostas erradas e copiadas da internet , assim como ocorreu no questionário inicial.

Figura 64 - Algumas perguntas do questionário final.

Fonte: Elaboração Própria (2021).

A primeira pergunta questionava aos alunos “O que são microplásticos?”. Essas respostas são encontradas na categoria “Microplásticos” e na unidade de contexto “Conceito”.

A maioria das respostas (17) se encontra na unidade de registro “Partículas pequenas”, pois os alunos definiram os microplásticos como sendo partículas pequenas com menos de 5mm, assim como no questionário inicial. As respostas presentes nessa unidade de registro são praticamente idênticas, pois a maioria foi um recorte da página do Wikipédia sobre microplásticos, e também houveram recortes do site Mundo Educação. Por isso, uma das respostas que mais apareceu foi “ Os microplásticos são definidos como partículas sólidas baseadas em polímeros com comprimento menor que 5 mm ”. Em relação ao questionário inicial, os alunos mantiveram maioria de respostas que caracterizava o microplástico como uma partícula pequena, mostrando que o conceito foi compreendido. Apesar de os alunos terem feito uso da palavra “polímeros” em sua resposta, essa não foi considerada como formadora de uma unidade de registro, como visto no questionário inicial, pois foi superada pelo agrupamento feito referente ao tamanho das partículas, mencionado pelos alunos.

A segunda unidade de registro da unidade de contexto “Conceito” foi “Fragmentos de plásticos maiores”, abrigando 9 respostas. A tendência de conceituar os microplásticos como fragmentos do plástico também foi observada no questionário inicial, mas abrigada na mesma unidade de registro que as respostas que faziam referência ao tamanho diminuto das partículas, pois o critério de agrupamento referiu-se aos alunos mencionarem os microplásticos como pequenos pedaços de plástico. Nessa unidade, a referência comum entre as respostas foi a de os microplásticos serem oriundos da fragmentação de plásticos maiores e, além disso, os alunos responderam com os próprios conhecimentos, pois não se obteve respostas copiadas da internet . Destacam-se: “ é o plástico que quando desgastado vira menor ”; e “ São os restos de plástico desfeitos nos oceanos ”, conceito discutido na primeira aula, quando foi mencionado que os plásticos maiores podem se tornar microplásticos a partir da degradação e mostrado em um dos vídeos. A resposta “ São os plásticos que foram dissolvidos ” foi abrigada na unidade de registro “Fragmentos de plásticos maiores”, pois o aluno pode ter compreendido que “dissolver” e “fragmentar” fossem sinônimos, considerando que a última é um vocabulário mais difícil para um adolescente de 12 anos.

É muito importante os alunos conhecerem esses conceitos, pois vivemos em uma realidade em que os microplásticos são encontrados em diversos organismos, incluindo peixes e mexilhões argentinos, como demonstrado por Ríos e colaboradores (2020). Dessa forma, essa contaminação pode estar presente no nosso país, demonstrando a necessidade de tratar esse tema em sala de aula. Considerando que nem todas as respostas foram cópias da internet ,

apesar de essas terem aparecido em maioria, é possível dizer que os alunos aprenderam o que são microplásticos. Mesmo que sem a ajuda da internet as definições sejam simples, os educandos foram capazes de definir o microplástico e identificar essa partícula, algo também observado nas respostas para as perguntas seguintes.

As respostas da pergunta “De onde vem os microplásticos?”, podem ser encontradas na categoria “Microplásticos”, na unidade de contexto “Origem”, que abrigou quatro unidades de registro. A maioria das respostas (13 respostas), incluídas na unidade de registro “Plástico”, associou a fonte dos microplásticos ao próprio plástico. Uma das respostas foi uma cópia do site Mundo Educação, mas as outras respostas dessa unidade de registro foram elaboradas pelos alunos. A cópia desses sites estava tão enraizada nos alunos que um deles se esqueceu de copiar totalmente o trecho e entregou metade da frase, com o final cortado, por isso essa resposta não foi incluída na tabela.

Dentre as respostas dos alunos podemos destacar: “ Vem de produtos feitos de plásticos ”; “ Dos restos de materiais de plástico que vão para o lixo ”; e “ de pedaços de plásticos maiores ”. É interessante observar que no questionário final a maioria das respostas em relação à fonte dos microplásticos foi o próprio plástico, pois isso foi repetido inúmeras vezes no decorrer da Sequência Didática, ao contrário do observado no questionário inicial, em que apareceram poucas referências ao plástico como fonte de microplásticos. Assim, pôde-se notar que a Sequência Didática foi relevante para que os alunos aprendessem sobre o microplástico e suas origens, para serem capazes de associar o papel do plástico, independente do tamanho, aos problemas ambientais, pois, como demonstrado por Silva e colaboradores (2021), o período de pandemia também foi responsável pelo aumento do uso de plástico pela população, tanto por meio do uso de máscaras descartáveis como pelo uso de plásticos de uso único.

A segunda maior unidade de registro, que conteve 12 respostas, foi chamada de “Resíduos de indústrias, residenciais, e transporte marítimo” e também estava presente no questionário inicial. Neste, todas essas respostas eram cópias do site de conteúdos educativos Mundo Educação e, no questionário final, essa unidade de registro também esteve repleta de cópias, idênticas, do mesmo site . Por isso, a pesquisadora decidiu, novamente, abrigar essas respostas em uma só unidade de registro. Durante a pandemia, os aparelhos celulares e computadores dos alunos se transformaram em ferramentas de estudo, mas também, facilitaram o acesso à qualquer informação, tornando a internet referência para realização de

tarefas, trabalhos e até avaliações. A problematização e a aprendizagem dos conteúdos foram deixadas de lado, por alguns alunos, frente à facilidade nas buscas, realizadas sem criticidade e reflexão.

Outra explicação possível para os alunos continuarem copiando as respostas da internet, mesmo a pesquisadora deixando claro que não deveriam pesquisar as respostas e sim, responder honestamente às perguntas, é o apego à necessidade de acertarem a resposta da pergunta, sem se preocuparem se refletiam ou não seu conhecimento. Isso pode ter raízes na cultura de verificação da aprendizagem que permeia o ensino brasileiro, no qual o professor mede o conhecimento do aluno por meio de uma prova ou teste e usa erros e acertos para classificar esse aluno dentro de uma nota (LUCKESI, 2014). Essa verificação da aprendizagem, que “se fundamenta na fragmentação do processo ensino/aprendizagem e na classificação das respostas [...], a partir de um padrão pré determinado, relacionando a diferença ao erro e a semelhança ao acerto” (ESTEBAN, 2003, p. 14), muda as relações que os alunos têm com atividades avaliativas, algo que não era o objetivo da pesquisadora ao aplicar os questionários.

Outras duas unidades de registro foram formadas para essa unidade de contexto. A unidade de registro “Fabricados como microplásticos” abrigou respostas que faziam referência aos microplásticos primários, ou seja, aqueles que já são produzidos como microplásticos. Essa unidade de registro possuiu 3 respostas, sendo duas um recorte do início da resposta anterior, “ Quando de origem primária (pellets) [...] ”, mencionando pellets, mas com nenhuma indicação de que os alunos sabiam o que essa resposta significava, pois foi copiada do site Mundo Educação. Uma das respostas foi original de um aluno, e fez referência ao esfoliante: “ ou das próprias fábricas, que produzem microplásticos para usar nos esfoliantes, por exemplo” . Observou-se que o aluno lembrou que cosméticos contém microplásticos e apontou isso como uma de suas origens, algo que foi discutido, por exemplo, no primeiro jogo, em que os esfoliantes aparecem como fonte de microplásticos, e num dos posts para o Instagram.

Na última unidade de registro dessa unidade de contexto, intitulada "Ambiente", foram incluídas apenas duas respostas dos alunos que indicaram o ambiente como fonte de microplásticos, como, por exemplo, a resposta “ De todos os lugares ”. Essa resposta pode ter sido uma reação à simulação feita com os alunos no site microplastic.me em que muitos ficaram chocados com as diferentes fontes de microplásticos que encontramos no ambiente e

que muitas delas fazem parte do nosso cotidiano, como de roupas feitas de fibras sintéticas, pneus de veículos, pintura de estradas, entre muitas outras (XU et al., 2020). Os alunos mencionaram, diversas vezes durante a simulação, que estavam pensando que os microplásticos estão em todos os lugares. Um aluno respondeu a pergunta com “?”, indicando que não havia entendido ou não sabia a resposta, apesar de a pesquisadora estar disponível para esclarecer dúvidas enquanto os alunos estavam respondendo o questionário. Podemos observar que os alunos melhoraram suas respostas em relação ao questionário inicial, que trazia apenas a unidade de registro que era uma cópia exata de uma pesquisa online e outra que referenciava a origem dos microplásticos nos plásticos. No questionário final, tivemos mais unidades de registro, ou seja, maior diversidade de respostas. O número de respostas para essa pergunta foi maior do que o total de respostas do questionário, pois algumas respostas foram recortadas e alocadas em mais de uma unidade de registro.

A pergunta seguinte estava relacionada ao conceito de teias tróficas, indagando aos alunos “O que são teias alimentares?”, e as respostas podem ser encontradas na categoria “Teias alimentares”, dentro da unidade de contexto “Conceito”. Essa unidade de contexto contou com duas unidades de registro e a primeira, com o maior número de respostas (15 respostas) foi nomeada “Conjunto de cadeias alimentares", pois as respostas conceituaram teias tróficas como a junção de cadeias alimentares. Assim como nas questões anteriores, os alunos fizeram cópias de sites da internet , como Brasil Escola, mesmo com a pesquisadora tendo explicitado que não era necessário fazer pesquisas. Dentre as respostas dos alunos, podemos destacar: “ As teias alimentares são um conjunto de cadeias alimentares ”; “ São conjuntos de cadeias alimentares interligadas entre si ”; e “ várias cadeias alimentares juntas ”. A maioria das respostas nessa unidade de registro podem ser encontradas em repositórios de busca, algo facilmente verificado ao se copiar a resposta do aluno e pesquisá-la no Google.

A segunda unidade de registro agrupou 8 respostas e foi nomeada “Relação de alimentação” pois todas as respostas faziam referência à relação que os indivíduos tinham em se alimentar um do outro, sem mencionar que teias alimentares são uma junção de cadeias alimentares. Essa unidade de registro também possuiu respostas copiadas da internet , como do site Brainly , reforçando a discussão sobre os alunos estarem presos à verificação da aprendizagem. Dentre as respostas podemos destacar “ São as relações alimentares entre os seres vivos ”; “ As teias alimentares são na verdade como uma cadeia alimentar, uma

sequência de seres vivos que alimentam os outros ”; “ Teias alimentares são seres que se alimentam de outros seres, passando seus nutrientes de um para o outro, e também, se um dos animais estiver contaminado, irá contaminar o outro que se alimentará dele, então, se um ser humano comer um peixe que está contaminado com microplásticos, o ser humano irá se contaminar também ”. É relevante um dos alunos ter mencionado os microplásticos e como sua presença atrapalha os seres vivos, algo trabalhado diversas vezes durante as aulas, mostrando o impacto positivo que a metodologia teve no conhecimento do aluno.

A resposta “ As teias são divididas em consumidores decompositores e produtores ”, não foi incluída na tabela pois não respondia à pergunta, sendo, provavelmente, mais um caso de um recorte de uma resposta encontrada na internet, feita pelo aluno. A resposta “ É o ciclo da vida: o Leão está no topo da teia alimentar ” também não foi incluída na tabela por não responder a pergunta. No questionário inicial, a questão referente às teias tróficas era fechada, perguntando se os alunos as conheciam ou não. Entretanto, mesmo com as respostas copiadas da internet , foi possível verificar que os alunos conseguiram compreender que teias alimentares referem-se à relação de alimentação entre os organismos em um ecossistema.

Em seguida, os alunos responderam sobre como o ser humano afetava as teias alimentares. As respostas foram agrupadas na categoria “Teias alimentares”, na unidade de contexto “Interferência do ser humano nas teias”. Foi possível notar que alguns alunos não compreenderam bem o que a pergunta queria dizer e, novamente, enviaram respostas confusas e copiadas da internet , como por exemplo: “Os organismos produtores que realizam fotossíntese absorvem energia solar e fixam-na em energia química. Quando os consumidores alimentam-se dos produtores, parte dessa energia segue para esses organismos, que, ao servirem de alimento para outros seres vivos, também lhes passam parte da energia”. Essa resposta não está na tabela da análise de conteúdo para essa questão pois o aluno copiou a resposta do site Brasil Escola e não se atentou que não estava respondendo a pergunta, apenas se referindo aos organismos que participam da teia alimentar. Uma outra resposta também não entrou na análise de conteúdo pois o aluno respondeu “ não poluindo o meio ambiente ”, mostrando não ter compreendido a questão. A resposta “ atrapalhando elas ” também não foi incluída na tabela, pelo mesmo motivo. Outros 3 alunos afirmaram não saber a resposta para essa pergunta.

Dentro dessa unidade de contexto, foi possível a criação de duas unidades de registro.

A primeira foi chamada de “Prejuízo aos organismos” e agrupou 12 respostas, nas quais os

alunos fizeram referência ao homem causar danos aos animais, como destacado em uma das respostas: “ Pois quando eles matam certos animais em excesso acaba que outra espécie fica sem seu alimento, deixando as teias alimentares todas desorganizadas e colocando as espécies em risco de extinção ”. Nessa unidade de registro, possivelmente devido a no enunciado da questão não haver referência ou obrigação de os alunos citarem os microplásticos, não houve nenhuma referência aos microplásticos nas respostas.

A outra unidade de registro foi nomeada “Poluição", pois os alunos relacionaram o papel do homem nas teias tróficas aos danos ambientais antrópicos, que afetam negativamente, as teias alimentares. Nessa unidade de registro foram incluídas 7 respostas, como por exemplo, “ a poluição nos mares, rios, lagos e a poluição no ar, afeta os seres vivos em um geral, afetando as teias alimentares” ; “ Matando os animais através da poluição ”; e “ Os seres humanos interferem pegando todos os alimentos e poluindo ”. Essa participação do homem e seu prejuízo as teias tróficas pode ser visto em estudos como o de Athey e colaboradores (2019), que demonstraram experimentalmente que os microplásticos que chegam em estuários passam pelos organismos da teia trófica por meio da transferência trófica e causam, por exemplo, alteração dos hábitos de natação de larvas pequenas, as tornando mais suscetíveis a predação. Novamente, não houve uma pergunta equivalente no questionário inicial para fazer a comparação entre as respostas iniciais e as respostas obtidas neste questionário, entretanto, é possível notar que os alunos estão cientes dos problemas antrópicos causados nas teias tróficas, reflexo dos temas trabalhados em sala.

Em seguida, os alunos responderam se o microplástico estava presente nas teias tróficas. 76% dos alunos (19 respostas), afirmaram que sim, enquanto 24% dos alunos (6 respostas) afirmaram que os microplásticos não estavam presentes nas teias tróficas. Apesar de a questão não exigir, alguns alunos enviaram justificativas para as suas respostas, entretanto, duas dessas justificativas foram copiadas do site Mundo Educação, mostrando novamente que os alunos continuavam a achar que deveriam sempre responder às questões com a resposta mais correta possível e por isso recorriam a pesquisas. Algumas das justificativas como “ Em virtude de seu pequeno tamanho, esses plásticos atingem a base da cadeia alimentar, afetando toda a fauna aquática ” e “Os microplásticos podem ser encontrados em forma de fragmentos, fibras e grânulos. Em virtude de seu pequeno tamanho, esses plásticos atingem a base da cadeia alimentar, afetando toda a fauna aquática ”, foram copiadas do mesmo site e coladas no questionário.

Outras justificativas para as afirmativas “sim” se referiam aos microplásticos prejudicarem os animais, destacando que esses eram ingeridos pelos animais e causavam problemas, chegando até a morte. Dentre elas, pode-se destacar “ Sim, eles estão interferindo nas teias alimentares, porque estão matando seres vivos que fazem parte das cadeias alimentares. E também alguns animais acabam comendo os microplásticos e acabam ficando doentes ou morrendo ”; e “ Sim porque os microplásticos estão presentes no mar e acabam prejudicando a fauna aquática ”. Os alunos estão corretos nessas justificativas, mostrando que, após ampla discussão nas aulas sobre os malefícios dos microplásticos aos animais, os alunos compreenderam a dimensão do problema. Essa compreensão permite que esses alunos tenham pensamento crítico quanto ao uso de plástico e colaborem para evitar situações como as que vemos atualmente, decorrência direta da poluição plástica, nas quais, por exemplo, microplásticos contaminados são ingeridos por animais, que tem seu desenvolvimento prejudicado (BIHANIC et al., 2020). No questionário inicial não haviam perguntas desse tipo em relação às teias alimentares, por isso não foi possível comparar as respostas.

Alguns alunos que responderam “não” justificaram sua resposta demonstrando não terem compreendido a presença dos microplásticos nas teias alimentares, ou a pergunta, justamente por afirmarem que o microplástico não fazia parte das teias alimentares, ao mesmo tempo em que afirmaram que os animais ingeriam o plástico. Um dos alunos respondeu que não encontravam-se microplásticos nas teias alimentares de maneira natural, o que não deixou de ser um raciocínio correto.

As três perguntas seguintes eram perguntas conceituais sobre biomagnificação, bioacumulação e bioconcentração, três conceitos que foram discutidos na primeira aula síncrona. As respostas para essas perguntas não se encontram na tabela da análise de conteúdo pois, ao verificar o que os alunos responderam, a pesquisadora notou que muitos confundiram os conceitos e responderam de maneira errada, além de copiar suas respostas da internet . Ou seja, as respostas não poderiam ser abrigadas de maneira correta pois muitas não respondiam a pergunta.

Em relação à biomagnificação, a seguinte resposta foi uma das mais referenciadas: “ A biomagnificação é um termo utilizado para se referir ao fenômeno que ocorre quando há acúmulo progressivo de substâncias ou compostos químicos ao longo de uma teia alimentar.” . Essa resposta foi copiada de um artigo provido pela Universidade de São Paulo e, apesar de estar correta, apenas demonstra que os alunos pesquisaram a resposta da pergunta