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Resultados e continuidades

O projeto, talvez ainda incipiente, se for levado em conta que somente dois livros interativos foram produzidos até o momento, apresenta re-sultados interessantes que não podem passar despercebidos. O primei-ro e-book, O que é o SUS, em 2019, quatprimei-ro anos após seu lançamento oficial, contabiliza uma média de 2 mil acessos/mês. Esse dado nos faz refletir a respeito do poder de alcance deste produto se compararmos à tiragem de 2 mil exemplares da sua versão impressa, que, a depender

da demanda de mercado, pode levar anos até ser reimpressa e voltar a circular. Outro dado importante, agora sobre o e-book Como e por que as desigualdades sociais fazem mal à saúde, saiu na revista Linha Direta, de comunicação interna da Fundação Oswaldo Cruz, edição nº 35.

A breve matéria acerca do engajamento da população com as redes sociais da Fiocruz evidencia a relevância do projeto:

No Facebook, o destaque absoluto foi o lançamento do segundo e-book interativo da Editora Fiocruz: Como e por que as desigualdades sociais fazem mal à saúde [...]. O post obteve um resultado histórico, atipicamente su-perior a qualquer outro, alcançando mais de 210 mil pessoas e garantindo cerca de 2.900 compartilhamen-tos (RANGEL, 2019, p. 19).

A despeito dos bons resultados, ainda há muito trabalho a ser feito, como implantar novas estratégias para divulgar essa empreitada, produ-zir mais e-books com maior regularidade (inclusive títulos nativamente digitais), realizar aprimoramentos, promover outras rodadas de avalia-ção, metrificar resultados etc. Os objetivos iniciais propostos foram al-cançados, mas as discussões podem continuar sendo aprofundadas e os resultados e produtos, aperfeiçoados, do curto ao longo prazo.

Talvez esse seja mesmo um trabalho que nunca estará totalmen-te concluído, o que não é necessariamentotalmen-te ruim. Pelo contrário: li-vros, sobretudo digitais e, de modo ainda mais especial, os digitais interativos, sempre estarão abertos a novos olhares e reformulações (ou reedições). São produtos dinâmicos – e isso é, ao mesmo tempo, uma vantagem e um desafio. De qualquer modo, considerando todo o aprendizado que já acumulamos, podemos até não estar no caminho da perfeição (se é que ele existe), mas certamente estamos seguindo por uma boa trilha.

Apesar dos ajustes a serem feitos, certamente estamos num per-curso que conduz a novas formas de fazer com que informações sobre ciência e saúde cheguem a um maior número de pessoas, em um for-mato potencialmente mais atraente e prático e, sobretudo, em acesso aberto. Isso significa oportunidade para que os conhecimentos se pro-paguem e sejam, cada vez mais, de todos e para todos.

É importante que as editoras – inclusive as universitárias – invistam nas duas frentes de trabalho (impressa e digital). Se “divul-gar é recriar, de alguma maneira, o conhecimento científico” (MORA, 2003, p. 9), a Editora Fiocruz reafirma seu compromisso com essa recriação, tanto em papel quanto em e-book, respeitando as especifi-cidades de cada meio, em um trabalho sempre aberto a novas con-tribuições, nunca completamente terminado. Esperamos que nossa experiência, com suas tentativas e erros, estimule outras editoras uni-versitárias a investirem na reelaboração e reapresentação do texto aca-dêmico, considerando as potencialidades do meio digital.

Referências

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12 ago. 2019.

O LIVRO NO SISTEMA DE AVALIAÇÃO DA CAPES12

Kátia de Oliveira Rodrigues Flávia Goulart Rosa

Marlene Oliveira Susane Barros

Introdução

Discute-se neste texto a presença do livro no Sistema de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) a partir da noção de campo científico de Bourdieu (1983). Percebe-se a Capes como agente social no campo científico, que na função de agên-cia avaliadora estabelece regras que determinam o modus operandi de diferentes áreas do conhecimento. Dessa forma, buscou-se compreender como a estrutura das relações objetivas no campo científico orienta os agentes sociais em seus posicionamentos e os efeitos gerados para o li-vro como canal de comunicação do conhecimento científico. Se o lili-vro

1 O trabalho foi apresentado na Reunião da Rede SciELO em 2018 e encontra-se dis-ponível no Repositório de Preprint: http://preprints.scielo.org/documents/article/

view/129/89.

2 O conteúdo da seção “Compreendendo a dinâmica no campo científico” é oriun-do da tese de oriun-doutoraoriun-do de Kátia de Oliveira Rodrigues, intitulada Fatores que influenciam o comportamento de citação de docentes-pesquisadores do campo da

é um canal que permite o aprofundamento de temas e a análise sobre o estado da arte de um campo científico, por que sua valorização como produção científica no sistema de avaliação da Capes difere tanto do periódico? Essa é a pergunta norteadora do trabalho.

Esse capítulo se insere no âmbito da comunicação científica, tendo no livro e nos capítulos de livros alguns dos meios formais de disseminação da produção científica, sobretudo nas áreas de Ciências Sociais e Humanas; (MUELLER, 2005; VELHO, 1997) no entanto, a sua relevância é minimizada nos sistemas de avaliação se comparada com os periódicos científicos.

Possíveis fatores que são determinantes para os pesquisadores optarem pelo periódico em vez do livro foram identificados, mas nenhum deles estão de acordo com o estabelecido pela estrutura das relações objetivas. No entanto, diante da perspectiva de novos mod-elos de negócio e de possibilidades tecnológicas que reduziriam as limitações para indexação e atribuição de impacto de livros, é inqui-etante que o livro permaneça em posição de desvantagem com relação ao periódico num cenário de mudanças. Nesse sentido, o artigo objeti-va identificar a presença do livro no Sistema de Aobjeti-valiação da Capes, no quadriênio 2013-2016, no tópico “publicações qualificadas em relação ao corpo docente permanente do Programa”, do quesito/item “Produ-ção intelectual” do documento de área, que orienta o preenchimento da ficha de avaliação.