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RESULTADOS E DISCUSSÃO

No documento DANIELA DE CARVALHO MELO (páginas 23-39)

Foram amostradas paisagens abertas localizadas ao redor de oito fragmentos totalizando 40 dias de amostragem, entre os meses de junho de 2009 a junho de 2010. O esforço total de amostragem foi de 200 horas. Foram observados 302 indivíduos de 14 espécies. O horário da manhã foi escolhido devido à maior detecção de indivíduos nesse período do que no período da tarde (SEAVY e APODACA, 2002).

Anderson (2001) utilizou um método similar de observação em Honduras, utilizando-se de cinco diferentes áreas de paisagem, com duração de quatro horas logo após o término da madrugada, observando 137 indivíduos de 18 espécies. Contudo, a área utilizada para as observações foi de 525.000 hectares de mata protegida, o que justifica o fato de terem sido encontradas mais espécies do que neste trabalho, pois em áreas protegidas as paisagens são mais conservadas e oferecem melhores condições de vida para espécies mais sensíveis.

Em nosso estudo, a espécie mais frequentemente observada foi o carcará (Caracara plancus) com 60% dos registros, seguida pelo gavião-carijó (Rupornis magnirostris) com 25% do total dos indivíduos detectados. Donázar et al. (1993) também observou o predomínio de C. plancus nas paisagens abertas da Patagonia. O gavião-carijó também foi amplamente encontrado por Anderson (2001) em paisagens abertas e de grande heterogeneidade em Honduras. Esta espécie é mais comumente observada em paisagens abertas do que em áreas de floresta (MILLSAP e LEFRANC, 1988 apud SEAVY e APODACA, 2002). Em geral, estas duas espécies tem as paisagens abertas como o seu principal tipo de habitat (SICK, 1997).

O gavião-de cabeça-cinza (Leptodon cayanensis), o gavião-pedrês (Buteo nitidus), o gavião-peneira (Elanus leucurus) e o gavião-preto (Buteogallus urubitinga) foram encontrados apenas uma vez, totalizando em 0,33% das observações.

A curva acumulativa de espécies (Fig. 3) indicou que o esforço amostral não foi suficiente, pois a mesma não alcançou uma assíntota. O Sobs foi de 14 ± 5.47, ou seja, sendo 14 o número de espécies encontradas, a curva de espécies apresentou

variância para mais e para menos de 5.47 indivíduos (desvio padrão) apresentando intervalo de confiança de 95%.

Figura 3: Curva acumulativa de espécies (Sobs, linha sólida) e o intervalo de confiança de 95% (linhas tracejadas) da assembléia de Falconiformes da planície litorânea da Paraíba, Brasil.

Esses resultados demonstram que ainda é necessário um esforço amostral maior para que possam ser detectadas todas as espécies com provável ocorrência para essas áreas. Esta curva pode ser justificada pelo fato a detecção de Falconiformes ser dificultada, já que a maioria das espécies ocorre em baixas densidades, apresentando hábitos solitários, em geral, escondendo-se em copas de árvores, ou mesmo passando muito tempo empoleiradas e em silêncio. A grande parte das espécies evita a presença humana (THIOLLAY, 1989a, 1989b).

Além disso, habitats não propícios às exigências de vida de muitos Falconiformes, somado à baixa densidade dos mesmos, dificultam muito a sua detecção (THIOLLAY, 1985a, 1985b). É provável que mais espécies possam ser

adicionadas aos registros considerando os números aqui apresentados, incluindo aquelas com potencial ocorrência para o Estado da Paraíba, tal como o sovi (Ictinia plumbea), uma espécie migratória, observada em uma ocasião na Reserva Biológica de Guaribas por Almeida e Teixeira (1995).

Segundo Araujo et al. 2006, o gavião-caranguejeiro (Buteogallus aequinoctialis) tem ocorrência nos estuários dos rios Paraíba e Mamanguape. Outra espécie já registrada no Estado foi a águia-pescadora (Pandion haliaetus). Possivelmente essas espécies encontradas em outras ocasiões não tenham sido detectadas neste trabalho em razão das áreas amostradas ainda não representarem a diversidade total de habitats existentes na região. Diferenças quanto à metodologia empregada neste trabalho em comparação ao realizado por outros autores podem também ser utilizadas como uma das explicações para este fato.

Baseando-se nas nossas amostragens, o estimador de riqueza Jackknife 2 (Fig. 4) indicou uma riqueza de 24 espécies para as áreas amostradas. De acordo com a lista de espécies de Falconiformes da Paraíba (ICMBIO/CEMAVE, 2000) sete outras espécies possuem ocorrência provável em nossa área de estudo, sendo elas: caranguejeiro (Buteogallus aequinoctialis), gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii), sovi (Ictinia plumbea), gavião-caramujeiro (Rosthramus sociabilis), águia-pescadora (Pandion haliaetus), cauré (Falco rufigularis), falcão-peregrino (Falco peregrinus). Algumas dessas espécies necessitam de habitats de áreas de mata contínua e pouco alterada o que é encontrado com muita dificuldade na planície litorânea. Devido à ausência dessas condições, elas não podem ser encontradas nas paisagens de entorno das matas estudadas. Já outras espécies, como a águia-pescadora (Pandion haliaetus) e o gavião-caramujeiro (Rosthramus sociabilis), necessitam de áreas de mata com curso d’água vinculado, devido ao fato de utilizarem esse curso d’água para realizarem sua atividade de caça e alimentação. Neste trabalho não foi estudada nenhuma área que possuísse um curso de água significativo. O caranguejeiro (Buteogallus aequinoctialis) é comumente encontrado em áreas de manguezais e pântanos, podendo ser observado sobrevoando manguezais em grandes alturas (SICK, 1997). Neste trabalho nenhuma das paisagens estudadas estiveram associadas ou próximas à manguezais.

Algumas espécies de Falconiformes são migratórias, como é o caso do falcão-peregrino (Falco peregrinus), do sovi (Ictinia plumbea) e do gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii). Desta forma, algumas destas espécies podem não ter sido

encontradas nas paisagens estudadas. Sua ocorrência na Paraíba pode ser incidental, com poucos indivíduos de fato permanecendo na região ou com passagem efêmera pelos ambientes da região. No nordeste do Brasil, algumas destas espécies já foram registradas (SILVA e SILVA, 1996 apud PEREIRA, 2006). Considerando a lista de espécies de aves da Paraíba, podem ser consideradas como novos registros para o Estado o gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis) e o gavião-pedrês (Buteo nitidus).

Outras três espécies que não foram encontradas nas paisagens investigadas integram a lista de espécies observadas em nosso trabalho. São elas o cauré (Falco rufigularis), visto uma vez na borda de um dos fragmentos, na primeira hora da manhã, o gavião-pernilongo (Geranospiza caerulescens), avistado algumas vezes dentro da floresta em alguns fragmentos e o gavião-relógio (Micrastur semitorquatus), ouvido na maioria das expedições enquanto vocalizava no interior dos remanescentes florestais em quase todos os fragmentos. Esta última espécie foi também comumente observada por Roda e Pereira (2005), na RPPN Gargaú, o qual foi um dos fragmentos estudados neste trabalho.

Figura 4: Estimador de riqueza Jackknife 2 para a assembléia de Falconiformes (linha sólida) com seu respectivo desvio-padrão (linhas tracejadas) obtida a partir de dados de incidência em diferentes paisagens da planície litorânea da Paraíba, Brasil.

Quando um ambiente florestal é fragmentado e transformado em paisagens abertas, espécies residentes que são tolerantes a habitats abertos substituem as espécies residentes de florestas (THIOLLAY, 1985a). A maioria das paisagens estudadas foi modificada, apresentando um alto grau de perturbação antrópica, principalmente nas áreas de plantações e lavouras.

O número de espécies e de indivíduos detectados entre as diferentes paisagens variou. Este fato se deve provavelmente a duas razões. A primeira delas diz respeito à detectabilidade de cada uma das espécies, já que este fator varia muito entre elas. O segundo motivo diz respeito à representatividade de cada um dos ambientes encontrados em nossa área de estudo.

Ao redor dos fragmentos, as paisagens apresentaram uma representatividade distinta, tendo prevalecido como maioria a paisagem de plantações e lavouras, com cerca de 65% de ocorrência, seguida de campos e pastagens com 15%, capoeira com 10%, lagoas e campos alagados com 5% e área urbana com 5%.

A categoria plantações e lavouras foi mais comum no entorno dos fragmentos, sendo também aquela em que foram registrados o maior número de indivíduos, totalizando 93% das detecções. Para Seavy e Apodaca (2002) no trabalho realizado em três diferentes paisagens com alto grau de perturbação em Uganda, o que compunha a maioria das paisagens eram áreas de agricultura de plantações e lavouras e igualmente o maior número de indivíduos foi detectado nessa paisagem.

A categoria lagoas e campos alagados foi a menos frequente no entorno dos fragmentos e também foi aquela em que foram observados somente 0,6% do total de aves de rapina diurnas. Essa diferença pode ser explicada por sua representatividade ao longo das localidades estudadas. Em duas paisagens, campos e pastagens e capoeira, foram detectados um número semelhante de indivíduos, 1,6% do total em cada uma. Já em áreas urbanas, 2,6% dos indivíduos foram observados nestes ambientes. A maioria dos indivíduos (71,43% do total) foi encontrada em apenas um tipo de paisagem, e 28,57% foi encontrada entre dois e três tipos de paisagens distintas. Duas espécies foram observadas em dois tipos de paisagens, tais como o gavião-carrapateiro (Milvago chimachima) e o gavião-de-cauda-curta (Buteo brachyurus). Dentre as espécies com ocorrência mais ampla, estão o gavião-carijó (Rupornis magnirostris) e o carcará (Caracara plancus), encontrados em três paisagens diferentes (Fig. 5 e Tabela 1).

Tabela 1: Espécies de Falconiformes encontradas ao longo de paisagens abertas circundantes de fragmentos de Mata Atlântica da planície litorânea do Estado da Paraíba, Brasil, Número de indivíduos, abundância relativa e total de Falconiformes detectados nos cinco tipos de paisagens.

Taxa Nome Popular N°.¹ Habitat²

(%)

Abund.³ (%)

CA LC CP PL AU

Accipitridae

Buteo albicaudatus (Vieillot, 1816) gavião-de-rabo-branco 6 - - - 100 - 1,98

Buteo albonotatus (Kaup, 1847) gavião-de-rabo-barrado 2 - - - 100 - 0,66

Buteo brachyurus (Vieillot, 1816) gavião-da-cauda-curta 3 - - - 75 25 1,32

Buteo nitidus (Latham, 1790) gavião-pedrês 1 - - - 100 - 0,33

Buteogallus urubitinga (Gmelin, 1788) gavião-preto 1 - - - 100 - 0,33

Elanus leucurus (Vieillot, 1818) gavião-peneira 1 - - - 100 - 0.33

Heterospizias meridionalis (Latham, 1790) gavião-caboclo 4 - - - 100 - 1,32

Leptodon cayanensi (Latham, 1790) gavião-de-cabeça-cinza 1 - - - 100 - 0,33

Rupornis magnirostris (Gmelin, 1788) gavião-carijó 71 2.63 2.63 - 85.52 9.21 25,1

Falconidae

Caracara plancus (Miller, 1777) carcará 187 0.54 - 2.71 96.73 - 60,9

Falco femoralis (Temminck, 1822) falcão-de-coleira 2 - - - 100 - 0,66

Falco sparverius (Linnaeus, 1758) gavião-quiriquiri 12 - - - 100 - 3,97

Herpethotheres cachinnans (Linnaeus, 1758) acauã 2 - - - 100 - 0,66

Milvago chimachima (Vieillot, 1816) gavião-carrapateiro 6 33.33 - - 66.66 - 1,98

Total 302 100

¹ N°.: Número de contatos de cada espécie e total geral.

² Habitat (%): (CA) capoeira; (LC) lagoas e campos alagados; (CP) campos e pastagens; (PL) plantações e lavouras; (AU) área urbana. Índice de abundância relativa de cada espécie para cada tipo de paisagem, seguindo o seguinte cálculo: n° total de indivíduos de uma espécie para uma paisagem, dividido pelo n° total geral de indivíduos dessa espécie (soma da ocorrência da espécie em todas as paisagens).

³ Abund. (%): Índice de abundância relativa das espécies no geral, seguindo o seguinte cálculo: n° total geral de indivíduos de uma espécie (somando sua ocorrência em todas as paisagens), dividido pelo n° total de indivíduos de todas as espécies (total de indivíduos observados no trabalho = 302)

Algumas espécies foram observadas menos do que o esperado para certas paisagens, como é o caso do gavião-carrapateiro (Milvago chimachima). Esta espécie pode ser vista comumente associada a bovinos, geralmente alimentando-se de carrapatos desses animais (SICK, 1997). Outra espécie observada nestas áreas é o gavião-peneira (Elanus leucurus). No caso da nossa área de estudo, a espécie pode ser vista sobrevoando plantações de cana-de-açúcar, praticando o ato de “perneirar no ar”, típico comportamento de caça da espécie (SICK, 1997).

Falconiformes são mais observados fora do fragmento florestal, ou seja, em paisagens do entorno, do que dentro da floresta (ANDERSON, 2001). Um dos motivos para isso, é que nas paisagens abertas o alimento é encontrado com maior facilidade, tanto devido á sua abundância, quanto à facilidade para detectar presas, já que o ambiente aberto proporciona um campo de visão amplo, assim como a visualização das espécies pelo observador é facilitada nesse tipo de ambiente.

A maioria das aves de rapina diurnas são solitárias. Algumas poucas espécies podem ser vistas em pares, dependendo da época do ano, como é o caso do falcão-quiriquiri (Falco sparverius) detectado na maioria das vezes em casais. Já para outras, o hábito de se agrupar em grande número de indivíduos se torna mais comum, como é o caso do gavião-carijó (Rupornis magnirostris) e do carcará (Caracara plancus). Este último pode ainda ser visto em bandos numerosos de mais de setenta indivíduos em locais que possuem abundante fonte de alimento (Hoyo et al., 1994).

Existiram variações na detectabilidade de indivíduos em uma mesma paisagem, variando de acordo com o tempo e as condições locais. Em dias de queimadas de plantações de cana-de-açúcar, a detectabilidade do carcará (Caracara plancus) aumentou muito, juntamente com a detectabilidade do gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis) visto apenas nesses dias. Isto ocorreu provavelmente como uma função da oferta oportunística de recursos, evidenciada pela fuga de invertebrados e vertebrados do solo enquanto a lavoura é queimada. Em plantações de coqueiros foi possível observar mais facilmente algumas espécies de falcões, como é o caso do falcão-quiriquiri (Falco sparverius) encontrado em casais fazendo ninho nas cavidades de troncos de coqueiro e falcão-de-coleira (Falco femoralis) encontrado em cima de um coqueiro sem folhas, caçando. A presença de postes de energia elétrica dentro de plantações e lavouras favoreceu

também a detectabilidade desses falcões, que ficavam dispostos nos fios em casais ou sozinhos.

Foi observado que a maioria das espécies esteve intimamente associada a áreas fragmentadas e paisagens abertas com perturbações, tirando muitas vezes vantagens dessas condições. Em áreas urbanas, como é o caso da Mata do Buraquinho, o entorno apresentou intensa atividade de algumas espécies que se utilizavam dela para construção de ninhos e obtenção de alimento.

Porém o distúrbio causado no ambiente pode influenciar a composição da comunidade de Falconiformes. As espécies mais sensíveis podem desaparecer, causando uma grande perda na biodiversidade (THIOLLAY, 1999).

As espécies encontradas neste trabalho não fazem parte da lista de espécies ameaçadas (IUCN, 2010). Contudo, para algumas delas, torna-se necessária alguma atenção no que se refere ao critério de semi-dependência de fragmentos florestais próximos às localidades de áreas abertas onde as mesmas realizam suas atividades bióticas. Portanto, este fato não exclui nem diminui a necessidade de preservação dos fragmentos de Mata Atlântica da planície litorânea. A criação e ampliação de reservas biológicas, a diminuição da perturbação nas paisagens do entorno podem auxiliar na proteção não só das espécies de áreas abertas, mas também aquelas com requerimentos mais específicos de habitat.

Salvo algumas exceções de espécies generalistas e tolerantes como é o gavião-carijó (Rupornis magnrostris) e o carcará (Caracara plancus), poucos estudos foram feitos com os Falconiformes. Diante da importância do grupo e do relativo de grau de sensibilidade de algumas espécies, tornam-se necessárias mais investigações a fim de conhecer as ameaças que essas espécies estão sujeitas.

As espécies que apresentam maior sensibilidade, sendo considerada como sensibilidade média, são Buteo albonotatus, Buteo brachyurus, Buteo nitidus, Buteogallus urubitinga e Leptodon cayanensis.

As demais espécies apresentam sensibilidade baixa. Estes dados assim como os outros dados autoecológicos estão representados na Tabela 2.

Os dados autoecológicos reunidos sobre sensibilidade, forrageio, centro de abundância, abundância relativa, altura máxima, habitats, regiões zoogeográficas e dieta fornecem várias informações que auxiliam no conhecimento aprofundado da espécie e corroboram para o entendimento dos resultados obtidos.

O gavião-de-rabo-barrado (Buteo albonotatus) possui uma distribuição não muito bem determinada, embora seja encontrado em uma ampla gama de habitats (HOYO et al., 1994), porém ocorre com uma densidade populacional baixa, aparência críptica, área de vida ampla, afinidade por áreas remotas, muitas vezes áreas rudes (STOLESON e SADOTI, 2010), essas características dificultam a visualização da espécie e contribuem para o seu status de sensibilidade média. Estes fatos justificam a sua baixa detecção, tendo sido encontrado apenas duas vezes, sobrevoando plantações de cana-de-açúcar juntamente com urubus (Coragyps atratus).

Buteo brachyurus é considerado como uma espécie rara ou incomum para algumas localidades até razoavelmente comum em outras possuindo uma ampla distribuição (HOYO et al., 1994, FERGUSSON-LEES e CHRISTIE, 2001), para as paisagens estudadas, ele pode ser considerado como pouco comum, devido ao fato de ter sido encontrado apenas três vezes, embora tenha sido encontrado em área urbana, o que demonstra que ele possui boa tolerância à antropização junto a ambientes florestais.

O gavião-pedrês é uma espécie rara e incomum, sendo razoavelmente comum em algumas localidades (HOYO et al., 1994, FERGUSSON-LEES e CHRISTIE, 2001), tendo sido detectado apenas uma vez sobrevoando plantações de cana-de-açúcar.

O gavião carijó (Rupornis magnirostris) é a espécie de gavião mais abundante do Brasil (SICK, 1997) e habita uma grande variedade de ambientes (FERGUSSON-LEES e CHRISTIE, 2001), podendo ser encontrado em até sete tipos de habitats, tendo sido encontrado em quatro dos cinco tipos de paisagens amostradas.

Buteogallus urubitinga possui uma ampla distribuição (HOYO et al., 1994). É considerado como uma espécie pouco ativa, pois fica pousado em árvores grandes à espreita de suas presas (CARVALHO-FILHO et al., 2006), esse comportamento pouco ativo pode justificar a dificuldade em sua visualização e o fato de ter sido encontrado apenas uma vez se utilizando da área aberta.

Leptodon cayanensis apesar de não ser considerado como uma espécie ameaçada possui baixa densidade populacional e é considerado como uma espécie incomum à rara (HOYO et al., 1994, FERGUSSON-LEES e CHRISTIE, 2001) com exceção da Amazônia (SICK, 1997). Todos esses fatores podem justificar o fato de

esta espécie possuir sensibilidade média e grande dificuldade de detecção, tendo sido detectado apenas uma vez neste estudo.

Tabela 2: Dados da autoecologia de cada uma das espécies de Falconiformes encontradas ao longo de paisagens abertas circundantes aos fragmentos de Mata Atlântica da planície litorânea do Estado da Paraíba, Brasil. Fonte: Stotz et al., 1996.

Nome Sensibilidade Forrageio Centro de

Abundância Abundância Relativa Altura Máxima Hab¹ Regiões Zoog.² Accipitridae

Buteo albicaudatus (Vieillot, 1816)

Baixa Terrestre Planície tropical Relativamente

Comum 2200

6 10

Buteo albonotatus (Kaup, 1847)

Média Dossel Planície tropical Incomum/

Distribuição Esparsa 2800

5 10

Buteo brachyurus (Vieillot, 1816)

Média Dossel/Ar Planície tropical Relativamente

Comum 1200

4 9

Buteo nitidus (Latham, 1790)

Média Dossel Planície tropical Relativamente

Comum 1300

4 8

Buteogallus urubitinga (Gmelin, 1788)

Média Terrestre/Dossel Planície tropical Relativamente

Comum 1600

4 10

Elanus leucurus (Vieillot, 1818)

Baixa Dossel/Ar Planície tropical Incomum/

Distribuição Esparsa 2600

5 8

Heterospizias meridionalis (Latham, 1790)

Baixa Terrestre/Dossel Planície tropical Relativamente

Comum 1200

3 6

Leptodon cayanensi (Latham, 1790) Média Dossel Planície tropical Incomum 1000 3 8

Rupornis magnirostris (Gmelin, 1788) Baixa Dossel Planície tropical Comum 2500 7 10

Falconidae Planície tropical

Caracara plancus (Miller, 1777) Baixa Terrestre Planície tropical Comum 2600 6 20

Falco femoralis (Temminck, 1822) Baixa Terrestre/Dossel Planície tropical Incomum 4400+ 6 13

Falco sparverius (Linnaeus, 1758)

Baixa Terrestre/Dossel Subtropical Baixo Razoavelmente

Comum 4400

7 21

Herpethotheres cachinnans (Linnaeus, 1758)

Baixa Dossel Planície tropical Razoavelmente

Comum 1500

5 9

Milvago chimachima (Vieillot, 1816) Baixa

Terrestre/Dossel Planície tropical Comum 1800 4 8

¹ Hab.: Número de diferentes habitats onde cada uma das espécies é encontrada.

Buteo albicaudatus consome uma relativa quantidade de itens alimentares, sendo mamíferos, répteis, insetos e anfíbios (MOTTA-JUNIOR e GRAZINOLLI, 2006) e foi encontrado também o comportamento de comer carcaças (FARQUHAR, 1992 apud GRAZINOLLI e MOTTA-JUNIOR, 2003).

Buteo albonotatus é considerado uma espécie relativamente incomum e de distribuição conhecida para os Estados Unidos e América Latina (BROWN e AMADON, 1968 apud KENNEDY et al., 1995). A diversidade da dieta dessa espécie permite com que ela procure por presas em áreas não florestadas (STOLESON e SADOTI, 2010).

Buteo brachyurus é considerado como um especialista em caçar aves, consumindo ainda outros itens como insetos, répteis, mamíferos (OGDEN, 1974), tendo sido relatado o consumo de carcaças (FISHER, 1893 apud OGDEN, 1974)

O gavião preto (Buteogallus uribitinga) possui uma dieta bem diversificada, composta por aves, mamíferos, répteis, insetos, peixes (GROSSMAN e HAMLET, 1964 apud CARVALHO-FILHO et al., 2006), possuindo uma preferência por sapos (SICK, 1997).

A espécie Caracara plancus é bastante conhecida por possuir hábitos alimentares onívoros realizando vários tipos de forrageamento (SICK, 1997, TRAVAINI et al., 2001), podendo consumir até oito diferentes tipos de itens alimentares, além do fato de possuir um amplo papel trófico (SAZIMA, 2007). Estes fatos contribuem para sua ocorrência em uma ampla variedade de habitats e regiões zoogeográficas, tendo sido encontrado em três das cinco categorias de paisagens amostradas.

Elanus leucurus em seu comportamento de forrageio realiza uma combinação de vôo ou de patrulha combinado com paradas no ar para pairar por alguns segundos e então descer e atacar sua presa (MARQUEZ et al., 2005), exibindo portanto, mais de um tipo de forrageio e forrageio diferenciado no ar, este comportamento pôde ser observado com um indivíduo pairando por cima de uma plantação de cana de açúcar.

Herpetotheres cachinnans é considerado um especialista em se alimentar de serpentes (DUVAL et al., 2006), tendo sido visualizado um indivíduo saindo de uma paisagem de plantação de cana-de-açúcar com uma serpente no bico e voando em direção à borda do fragmento florestal, onde foi possível detectar a presença de um ninho.

Heterospizias meridionalis é considerado um dos principais predadores de coelhos e outros pequenos mamíferos neotropicais (EMMONS, 1982 apud DURANT e GUEVARA, 2000).

O gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis) possui uma ampla variedade de itens alimentares em sua dieta, sendo alguns destes itens insetos, artrópodes, aves, invertebrados (HILTY e BROWN, 1986), e répteis (FERGUSSON-LEES e CHRISTIE, 2001). O falcão-de-coleira (Falco femoralis) apresenta uma dieta restrita, consistindo em aves, répteis, mamíferos e insetos (FERGUSSON-LEES e CHRISTIE, 2001), possui ampla distribuição geográfica, não ocorrendo em áreas altamente florestadas (SICK, 1997), tendo sido observado pousado em uma área aberta de plantação e lavoura.

O falcão quiri-quiri (Falco sparverius) possui uma dieta generalista e se alimenta principalmente de invertebrados, consumindo também insetos e artrópodes (TEIXEIRA e TEIXEIRA, 2008), répteis, mamíferos, aves (SICK, 1997). Esta espécie

No documento DANIELA DE CARVALHO MELO (páginas 23-39)

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