6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
6.1 Resultados Gerais
No levantamento realizado por meio do SIAM, para os dois municípios estudados da bacia hidrográfica do rio Itabirito (Itabirito e Ouro Preto), no período de 2006 a 2008, foram encontrados 55 empreendimentos com processos de licenciamento ambiental em Itabirito e 73 em Ouro Preto, num total de 128 empreendimentos. Conforme pode ser visto na Tabela 6.1, desprezados os processos de Auto de Infração e as Autorizações Ambientais de Funcionamento que não se constituem em processos de licenciamento propriamente ditos, e não tem relações diretas com as solicitações de automonitoramento, há um total 455 processos de licenciamento desses 128 empreendimentos, nos dois municípios da bacia.
TABELA 6.1: Número de processos de regularização ambiental por tipo, para os
municípios de Itabirito e Ouro Preto, registrados no SIAM no período de 2006 a 2008
MUNICÍPIOS LP LI LP+LI LO LOC REVLO Total parcial AI AAF Total geral
ITABIRITO 22 7 39 77 8 9 162 61 23 246
OURO PRETO 32 12 63 157 14 15 293 134 40 467
Total 54 19 102 234 22 24 455 195 63 713
Legenda: LP (licença prévia); LI (licença de instalação); LP + LI (licenças prévia e de instalação conjuntas); LO (licença de operação); LOC (licença de operação corretiva); REVLO (revalidação da licença de operação); AI (auto de infração); AAF (autorização ambiental de funcionamento).
Fonte dos dados básicos: base de dados do Sistema Integrado de Informações Ambientais – SIAM (2009-2010a)
É importante esclarecer que a cada empreendimento podem estar associados vários processos de licenciamento. Além dos processos relativos a cada etapa do licenciamento, como a LP, LI, LO, e revalidação da LO (REVLO) e outros, os empreendimentos podem também ser licenciados por partes/componentes do seu sistema, como, por exemplo, uma mineração pode ter processos de licenciamento da mina (extração), das pilhas de minério, da usina de tratamento e beneficiamento
do minério, das pilhas de estéreo, da barragem de contenção de rejeitos, dentre outros. Para efeito de cadastramento, arquivamento e acompanhamento pelo SISEMA, esses diversos processos são considerados como partes de um único empreendimento. Em alguns empreendimentos de grande porte, o programa de automonitoramento pode ser unificado para vários processos e à medida que são abertos novos processos, os novos pedidos de automonitoramento são incluídos ao programa já existente. Entretanto nem sempre é assim, e um mesmo empreendimento pode ter vários programas de automonitoramentos, podendo ser um para cada processo, gerando relatórios às vezes com alguns pontos de monitoramento coincidentes e frequências diferentes para um mesmo empreendimento.
Na bacia estudada, somente uma empresa, no caso uma mineração, apresentou dois empreendimentos localizados em áreas distintas. Assim, o trabalho considerou cada um dos empreendimentos em separados.
Com base, ainda, nas informações obtidas no SISEMA, quinze empreendimentos estão obrigados a fazer o automonitoramento das matrizes de seus efluentes e de águas na bacia do rio Itabirito, durante todo ou parte do período estudado. Para efeito de apresentação deste trabalho, os empreendimentos foram identificados pela letra E, seguida dos algarismos arábicos de 01 a 15, ou seja, E01, E02, E03 e assim sucessivamente até o E15.
A Figura 6.1 mostra a distribuição desses quinze empreendimentos na bacia do rio Itabirito. Já a Figura 6.2 apresenta um gráfico de barras, com a classificação desses empreendimentos por tipo de atividade modificadora do meio ambiente (conforme a relação de atividades constante no anexo da DN COPAM 74 de 2004), e onde se vê que cinco desses empreendimentos são referentes a atividade mineraria metálica. Os quinze empreendimentos com condicionantes de automonitoramento, quando do licenciamento, também foram enquadrados em diferentes classes, segundo o porte e o potencial poluidor ou degradador do meio ambiente definidos pela DN COPAM 74 de 2004. O gráfico de barras, apresentado na Figura 6.3 mostra esta classificação. Observa-se que o maior número de empreendimentos pertence à classe 5, em um total de 5, seguido das classes 3 e 6, com 4 e 3 empreendimentos respectivamente. É interessante destacar que, apesar dos empreendimentos enquadrados nas classes 1 e 2 estarem dispensados do processo de licenciamento ambiental , devendo obter somente a AAF, os dois
empreendimentos de classe 1 que aparecem na Figura 6.3 tiveram processos de licenciamento e foram concluídos antes do advento da AAF, ou seja em outubro de 2004 (DN COPAM 74/04), e, ainda, tiveram seus licenciamentos condicionados à execução do automonitoramento. Não foi encontrado em nenhum dos dois processos qualquer documento que viesse a reverter essa condição. Também não foram encontrados empreendimentos classe 2 e classe 4.
FIGURA 6.1: Mapa da bacia do rio Itabirito, mostrando a localização dos quinze
empreendimentos com condicionantes de automonitoramento, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
FIGURA 6.2: Número de empreendimentos por atividade modificadora do meio
ambiente na bacia, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
FIGURA 6.3: Número de empreendimentos na bacia por classe, estabelecido pela
DN COPAM 74 de 2004, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008 Nota: não há, na bacia, empreendimentos para a classe 2 e 4.
Entre os documentos dos quinze empreendimentos estudados, foi levantado, no SIAM, um total de 184 processos de licenciamento, sendo que 136 deles têm influência na bacia hidrográfica analisada. Verificou-se que parte dos
5 2 2 2 2 1 1 0 1 2 3 4 5 6 Mineral metálica Mineral não- metálica e água mineral Indústria Metalúrgica Indústria Textil Indústria Alimentícia
Infra-estrutura Serv. e Com. Atacadista N º d e E m p re e n d im e n to s Atividade do Empreendimento 2 4 6 3 0 1 2 3 4 5 6
Classe 1 Classe 3 Classe 5 Classe 6
N º d e E m p re e n d im e n to s Classes
processos dos empreendimentos minerários E13, E14 e E15 se encontra fora da bacia estudada; isso se deve à extensão de suas áreas e às suas localizações nos limites da bacia. A inserção ou não na bacia e a distribuição dos processos por empreendimento podem ser vistas na Tabela 6.2. Por essa Tabela 6.2, pode-se observar ainda que o número de processos na bacia, relativos aos empreendimentos com atividade de mineração metálica (E06; E11; E13; E14 e E15), totaliza 102, o que representa 75% do total dos processos ambientais estudados para a bacia, e indica, uma vez mais, a forte influência dessa atividade na bacia.
TABELA 6.2: Número de processos de licenciamento pertencentes aos 15
empreendimentos com automonitoramento, e quantos destes processos se encontram na área da bacia do rio Itabirito, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
Apenas os empreendimentos E13, E14 e E15 têm processos fora da bacia, entretanto mais de 58% dos processos desses empreendimentos situam-se dentro da bacia do rio Itabirito. O predomínio de processos de alguns empreendimentos não significa uma maior vantagem ou desvantagem em relação aos demais empreendimentos com referência ao principal objetivo desse trabalho, pois tendo em vista a metodologia traçada para se verificar o real cumprimento dos automonitoramentos na bacia, cada empreendimento responde como uma unidade de referência em separado, independentemente da quantidade de processos que ele possa ter.
Com relação à forma de solicitação aos empreendedores por parte do poder público de execução do automonitoramento, a Tabela 6.3 mostra o número total de vezes em que cada tipo de documento autorizativo apareceu nos diversos processos, quando do pedido de algum tipo de automonitoramento referente às matrizes estudadas. Assim, existem empreendimentos nos quais, ao longo do tempo, o automonitoramento foi solicitado por meio de mais de um tipo de documento, seja devido a uma ampliação do empreendimento, seja acréscimo de novos pontos a serem monitorados, mudanças na frequência de amostragens ou de envio de relatórios, por exemplo.
Empreendimentos E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E11 E12 E13 E14 E15 Total Total de processos 3 3 5 3 8 11 3 3 4 1 6 1 47 74 12 184 Processos na bacia 3 3 5 3 8 11 3 3 4 1 6 1 33 45 7 136
TABELA 6.3: Número de solicitações de automonitoramento para os15 empreen-
dimentos da bacia por tipo de documento autorizativo, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
Tipo de documento
Empreendimentos
Total E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E11 E12 E13 E14 E15
Relat.de Vist. ou AF 1 1 1 3 Ata de Reunião 1 1 2 TAC 1 1 Oficio 1 1 2 LP 1 1 2 LI 1 1 1 3 LP+LI 1 1 2 LO 1 1 1 1 1 1 1 1 1 9 LOC 1 1 2 REVLO 1 1 1 1 4 Total 4 1 1 2 3 3 1 1 2 1 1 1 3 1 3 30
Nota: AF (auto de fiscalização); TAC (termo de ajustamento de conduta); LP (licença prévia); LI (licença de instalação); LO (licença de operação); LOC (licença de operação corretiva); REVLO (revalidação da licença de operação). As casas em branco correspondem ao valor zero.
Na Tabela 6.3 observa-se que das trinta solicitações de automonitoramento encontradas nos processos, com validade durante o período estudado, nove delas (quase 1/3 do total), se referem à etapa de LO. Se a elas somarmos aquelas referentes à LOC e REVLO, chegamos a quinze solicitações (metade do total) relativas à LO de uma forma geral. Verificando o número de documentos concernentes às etapas de LP, LI ou LP+LI que, juntas correspondem a sete documentos, e se somados aos quinze da LO (de uma forma geral), totalizam vinte e três documentos dos trinta encontrados. Ou seja, a maioria das solicitações do poder público para execução de programas de automonitoramento se dá realmente como condicionante do licenciamento ambiental, em especial na etapa de LO. Ou seja, as solicitações na bacia ocorreram, em 76,7% das vezes, como condicionante de uma das etapas do licenciamento ambiental dos empreendimentos, sendo que deste total, 65,2% se referem à LO (de uma forma geral). Os demais documentos autorizativos encontrados nos processos solicitando automonitoramentos, e que correspondem a 26,7% do total, foram os seguintes: três relatórios de vistoria (ou autos de fiscalização); duas atas de reunião; um termo de ajustamento de conduta, e dois ofícios.
Com relação aos tipos de matrizes de águas e efluentes indicadas para serem monitoradas na bacia, a Tabela 6.4 mostra que todos os empreendimentos tiveram condicionados, em seu automonitoramento, algum tipo de efluente. Além disso, o automonitoramento das águas superficiais foi solicitado em nove deles, ou seja, a maioria, e o as águas subterrâneas em apenas dois. Somente para o empreendimento E08 é que consta a solicitação de automonitoramento dos três tipos de matrizes (águas superficiais, subterrâneas e efluentes). Aqui cabe salientar que, como a pesquisa para esse trabalho se ateve aos limites da bacia estudada, os empreendimentos que têm parte de sua área em outra bacia hidrográfica, e possuindo parte de seus processos de licenciamento referentes a esta outra bacia, podem, por força de condicionantes, terem pontos de automonitoramentos que não estão aqui relacionados.
TABELA 6.4:Tipos de matrizes a serem monitoradas na bacia, por empreendimento,
de acordo com as condicionantes, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
Nota: As casas em branco correspondem ao valor zero.
Complementando a informação do automonitoramento, a Tabela 6.5 mostra o número de pontos a serem monitorados pelos empreendimentos em cada uma das matrizes, sendo que a matriz de efluentes foi subdividida em efluentes industriais, sanitários e de caixas separadoras de água e óleo (caixas SAO) para melhor visualização. O número total de pontos de monitoramento de efluentes corresponde a 76, sendo que a maioria (49) refere-se ao monitoramento de efluentes sanitários, seguida dos pontos de caixas SAO em número de 15, e dos pontos em estações de esgotos (ETE) industriais em número de 12. São 7 os pontos de monitoramento águas subterrâneas e os de águas superficiais totalizam 31 pontos.
Tipos de Matrizes Empreendimento Total
E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E11 E12 E13 E14 E15
Águas superficiais 1 1 1 1 1 1 1 1 1 9
Águas subterrâneas 1 1 2
Efluentes 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 15
TABELA 6.5: Número de pontos a serem monitorados por matriz em cada
empreendimento na bacia do rio Itabirito, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
Nota: As casas em branco correspondem ao valor zero.
Os números aqui apresentados são interessantes para uma análise mais acurada, tendo em vista a perspectiva de se aproveitar os pontos de automonitoramento das águas superficiais das diversas bacias hidrográficas do Estado, para incorporação ou, ao menos, o aproveitamento de seus dados para o já citado projeto “Águas de Minas” coordenado pelo IGAM. Em vista desse fato, procuramos verificar em todos os 31 pontos da bacia estudada quais deles continham, em seus parâmetros a serem monitorados, aqueles utilizados pelo IGAM no cálculo dos indicadores ambientais: Índice de Qualidade de Águas - IQA e a Contaminação por Tóxicos. Lamentavelmente somente dois dos três pontos de monitoramento referentes ao empreendimento E15 poderiam ser atualmente utilizados para esse fim, e, mesmo assim, só dispondo dos parâmetros para o cálculo do IQA, tendo em vista que neles, como em todos os demais pontos de automonitoramento das águas superficiais da bacia, faltam um ou mais parâmetros básicos necessários para o cálculo dos dois indicadores. Outro obstáculo observado é que as frequências de amostragens praticadas em muitos dos pontos de monitoramento não são compatíveis com aquelas adotadas pelo projeto. Ou seja, para que possam ser aproveitados os dados dos pontos de automonitoramento dos
Tipo de Matriz
Empreendimento
Total E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E11 E12 E13 E14 E15
Águas Superficiais 2 2 2 4 3 3 4 8 3 31
Águas Subterrâneas 4 3 7
Sub-total 2 2 2 4 7 3 3 4 8 3 38
Efluente Industrial (ETE) 2 2 2 1 3 2 12
Efluente Sanitário 2 2 2 2 10 2 1 24 4 49
Efluentes de Caixas SAO 2 1 2 1 9 15
Sub-total 4 2 2 2 2 3 3 3 10 2 3 3 33 4 76 Total geral 6 4 2 4 2 7 3 10 13 2 3 6 4 41 7 114
corpos de água para a rede de monitoramento do Estado, seria necessário rever a grande maioria dos programas de automonitoramento já em andamento no Estado e propor, para os próximos, que se fizesse a exigência mínima de parâmetros e frequências necessárias para os cálculos dos dois indicadores ambientais do projeto. No que tange aos parâmetros do IQA, não haveria muita dificuldade para essa adaptação, visto serem parâmetros que refletem a interferência por esgotos sanitários e outros materiais orgânicos, nutrientes e sólidos, vários deles já monitorados por grande parte dos empreendimentos. Esta medida necessitaria ser acertada no SISEMA, em comum acordo entre os órgãos FEAM e IGAM, e entre os setores produtivos responsáveis pelos programas de automonitoramentos. A acreditação dos dados seria coincidente com a acreditação dos demais dados, comuns ao automonitoramento e com o acompanhamento/fiscalização das etapas de amostragens e de ensaios. Outra possibilidade seria a de que laboratórios conveniados com o projeto, assim como atualmente acontece com o CETEC, realizassem as amostragens e ensaios das águas, nos pontos de automonitoramento de responsabilidade das empresas, que continuariam a custear esses trabalhos. Essa ideia proporcionaria ao projeto do IGAM vantagens como um melhor acompanhamento e/ou gestão da rede de pontos monitorados, uma maior confiabilidade e menor diversidade nos resultados encontrados, visto que um único laboratório poderia fazer os serviços em um grupo de empreendimentos, em uma bacia, ou mesmo em uma maior região. Essa possibilidade, também, necessitaria ser muito bem acordada entre todos os interessados, e, sobretudo, o IGAM teria que ampliar sua estrutura, contar com uma equipe técnica qualificada e efetivo suficiente para gerenciar esse enorme acréscimo de dados ao seu projeto.
Quanto à realização do automonitoramento pelos quinze empreendimentos estudados na bacia do rio Itabirito, foram encontrados registros de documentos desses automonitoramentos nos processos de apenas treze. Para esses treze empreendimentos, a proporção das amostragens executadas por eles próprios (5/13) está próxima daquela realizada pelos laboratórios contratados (6/13), sendo que em dois empreendimentos as amostragens são feitas em parte pelo empreendimento e parte pelo laboratório contratado. Já com relação à execução dos ensaios, essa proporção é de 11/13 das análises efetuadas em laboratórios externos e apenas 1/13 para as análises realizadas nos laboratórios das próprias empresas, sendo que a proporção restante (1/13) refere-se às análises feitas parte pelo
empreendimento e parte pelo laboratório. Isso pode ser melhor visualizado na Figura 6.4. Observa-se que, dos treze empreendimentos, sete utilizaram funcionários da própria empresa para efetuar todas ou parte das amostragens. Dois desses empreendimentos possuem laboratórios próprios, sendo que um realiza todos os ensaios necessários e, outro, parte deles.
FIGURA 6.4: Número de empreendimentos e laboratórios responsáveis pelas
amostragens e ensaios laboratoriais dos 13 empreendimentos pesquisados, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
No que tange aos laboratórios contratados para a realização dos automonitoramentos, o número de laboratórios de medição ambiental que realizaram amostragens e ensaios para os empreendimentos, durante todo ou parte do período considerado pelo estudo, foi de dezenove. Esses laboratórios, além de coletarem as amostras para os empreendimentos (seis com amostragens completas e dois com amostragens de parte dos parâmetros), fazem os ensaios completos para onze empreendimentos, e parte dos ensaios para outro. Em dezembro de 2008, dezessete destes laboratórios estavam cadastrados na FEAM, (faltando dois, portanto). Dentre os dezessete laboratórios cadastrados, um deles era, também, homologado e outro era acreditado.
Empreendimento Laboratório parte Empr. e parte Lab. 5 6 2 1 11 1 amostragens ensaios
Com relação ao atendimento por parte das empresas às condicionantes de automonitoramento, na análise dos processos de licenciamento dos quinze empreendimentos da bacia, não foi encontrado nos processos de dois desses empreendimentos qualquer dado que atestasse o cumprimento das exigências a eles impostas. Também não foi encontrado qualquer documento por parte do empreendedor justificando o não atendimento às condicionantes e, da mesma forma, nenhum documento por parte do órgão ambiental questionando esse não cumprimento. O número de relatórios de automonitoramento com registro no SIAM e constantes dos processos de licenciamento relativos aos demais treze empreendimentos, assim como o das campanhas de amostragens neles relacionadas, foram comparados com os números de relatórios e campanhas de amostragens esperados para o período estudado, conforme as frequências estipuladas nas condicionantes. Os gráficos de barra das Figuras 6.5 e 6.6 mostram os números e as comparações.
FIGURA 6.5: Número de relatórios de automonitoramento esperados e registrados
no Sistema Integrado de informações Ambientais, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
6 36 36 36 36 12 6 6 8 6 12 4 6 22 13 2 35 33 29 36 12 1 5 6 0 0 4 6 21 13 0 5 10 15 20 25 30 35 40
E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E11 E12 E13 E14 E15
N º d e R e lató ri o s
Empreendimentos Relatórios esperados Relatórios registrados
FIGURA 6.6: Número de campanhas de amostragem esperadas e registradas no
Sistema Integrado de informações Ambientais, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
Os dois empreendimentos (um da atividade de mineração – E10 e outro de infraestrutura – E11) para os quais não existem quaisquer dados que atestem a execução do automonitoramento solicitado, foram considerados nessa dissertação como não tendo atendido a totalidade das condicionantes solicitadas. Dos treze empreendimentos que enviaram os relatórios de seus automonitoramentos, cinco deles apresentaram todos os relatórios esperados para o período, sendo que destes, quatro (E05, E12, E13 e E15) executaram 100% das campanhas de amostragem solicitadas e o outro (E06) apenas 61,1%. Os demais empreendimentos apresentaram muitas falhas, em especial relativas à execução das campanhas de amostragens. No gráfico de barras da Figura 6.7, está a representação percentual desse atendimento para cada empreendimento.
FIGURA 6.7: Percentual de relatórios e campanhas de amostragens registradas no
Sistema Integrado de informações Ambientais, por empreendimento, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
Com base nos números apresentados na Figura 6.7, foi desenvolvida uma escala de graduação de 0 a 100% (quadro 6.1), onde 0 (zero) significa nenhum relatório ou campanha de amostragem identificado nos processos do empreendimento e, no outro extremo, 100 (cem) significa o total de atendimentos, por parte dos empreendimentos, tanto para a entrega dos relatórios, quanto para a realização das campanhas de amostragem, no período de 2006 a 2008. A cada uma das faixas corresponde um grau de atendimento determinado, que variou de péssimo a ótimo. Para efeito desse trabalho, e tendo em vista que o automonitoramento é uma determinação legal e que deve ser cumprido na sua totalidade, adotou-se que, para ser considerado bom, o grau de atendimento deveria estar acima de 75% de atendimento e, para ser considerado ótimo, deveria estar próximo do total de atendimento para o período estudado. Assim foi considerado bom o grau de atendimento situado na faixa percentual de 75 a 95%, e ótimo aquele situado na faixa de 96 a 100%. 33 97 92 81 100 100 17 83 75 0 0 100 100 95 100 25 96 92 57 100 61 3 45 75 0 0 100 100 76 100 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
E01 E02 E03 E04 E05 E06 E07 E08 E09 E10 E11 E12 E13 E14 E15
R e lató ri o s e C am p an h as re g istr ad o s n o SIA M ( % )
Empreendimentos % Relat entregues
QUADRO 6.1: Escala utilizada para classificação dos empreendimentos a partir do
cumprimento das obrigatoriedades de relatórios e campanhas de amostragem referentes aos automonitoramentos
Percentual de atendimento Grau de atendimento
de 0 a 25% Péssimo
26 a 50% Ruim
51 a 75% Regular
76 a 95% Bom
96 a 100% Ótimo
Já a Tabela 6.6 apresenta, para cada empreendimento, os percentuais e respectivos graus de atendimento às condicionantes de apresentação de relatórios e execução de campanhas de amostragem. O gráfico de barras da Figura 6.8 representa esses graus de atendimento por empreendimento. A classificação foi atribuída segundo a apresentada na Tabela 6.6.
TABELA 6.6: Classificação dos empreendimentos com base no cumprimento das
obrigatoriedades de relatórios e campanhas de amostragens referentes ao automonitoramento, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
Empreen- dimentos
Relatórios Campanhas
% de atendimento Grau de atendimento % de atendimento Grau de atendimento
E01 33 Ruim 25 Péssimo
E02 97 Ótimo 96 Ótimo
E03 92 Bom 92 Bom
E04 81 Bom 57 Regular
E05 100 Ótimo 100 Ótimo
E06 100 Ótimo 61 Regular
E07 17 Péssimo 3 Péssimo
E08 83 Bom 45 Ruim
E09 75 Regular 75 Regular
E10 0 Péssimo 0 Péssimo
E11 0 Péssimo 0 Péssimo
E12 100 Ótimo 100 Ótimo
E13 100 Ótimo 100 Ótimo
E14 95 Bom 76 Bom
FIGURA 6.8: Número de empreendimentos por grau de atendimento de relatórios e
campanhas de amostragem, Itabirito e Ouro Preto, 2006 a 2008
Levando-se em conta que a variável “campanhas de amostragem” é mais representativa que a variável “relatórios” para se avaliar a situação atual do automonitoramento na bacia do rio Itabirito, visto que os relatórios se compõem de campanhas de amostragem, e que os relatórios apresentados podem estar relacionados como “atendidos”, porém faltando campanhas, pode-se, de forma simplificada, assumir o grau de atendimento às condicionantes de automonitoramento como sendo aquele atingido pelas campanhas de amostragem dos empreendimentos. Assim pode-se dizer que: apenas cinco empreendimentos atenderam em 100% o automonitoramento no período estudado; outros dois tiveram um bom desempenho, três um desempenho razoável, e cinco apresentaram um desenvolvimento de ruim a péssimo. Os resultados mostram uma variação de ocorrência do atendimento, pelos empreendimentos às condicionantes, em todos os graus da escala utilizada. Nota-se, em especial, o fato de cinco (1/3) dos quinze