RESULTADOS
A partir da análise dos resultados apresentaremos os dados obtidos em nossa pesquisa, em relação às queixas auditivas e vestibulares, apresentadas por indivíduos com diabetes mellitus tipo I, durante a anamnese.
A ocorrência da queixa de zumbido encontrada em indivíduos com DM é apresentada na Figura 4.
Pacientes diabéticos com queixa de zumbido
21%
79%
queixa de zumbido (n = 5) sem queixas de zumbido (n = 19)
Figura 4. Ocorrência da queixa de zumbido encontrada em indivíduos com DM
A ocorrência da queixa de tontura encontrada em indivíduos com DM é apresentada na Figura 5.
Pacientes diabéticos com queixa de tontura
17%
83%
tontura (n = 4)
sem queixa de tontura (n =20)
Nas figuras abaixo estão apresentadas as complicações diabéticas e sua ocorrência em indivíduos com diabetes mellitus tipo I. Tais dados foram observados por meio da análise do prontuário do paciente, e confirmados pelo mesmo durante a anamnese.
Na figura abaixo (Figura 6) podemos verificar a freqüência da neuropatia, uma complicação causada pelo DM.
Pacientes diabéticos com neuropatia
8%
92%
pacientes diabéticos com neuropatia (n = 2) pacientes diabéticos sem neuropatia (n= 22)
Figura 6. Freqüência da neuropatia observada em indivíduos diabéticos
A freqüência da retinopatia em indivíduos com DM é apresentada na figura abaixo.
Pacientes diabéticos com retinopatia
38% 62%
pacientes diabéticos com retinopatia (n = 9)
pacientes diabéticos sem retinopatia (n= 15)
Em nossa amostra, a nefropatia foi a segunda complicação mais encontrada em indivíduos com DM. Sua freqüência pode ser observada na figura 8.
Pacientes diabéticos com nefropatia
13%
87%
pacientes diabéticos com nefropatia (n = 3) pacientes diabéticos sem nefropatia (n= 21)
Figura 8. Freqüência de indivíduos diabéticos com nefropatia
Pacientes diabéticos com doenças cardiovasculares
4%
96%
pacientes com doenças cardiovasculares (n= 1) pacientes sem doenças cardiovasculares (n= 23)
Figura 9. Freqüência de indivíduos com diabetes mellitus tipo I com doenças cardiovasculares
Nas Tabelas enumeradas de 1 a 3 encontram-se uma análise exploratória, com a descrição das latências absolutas das ondas I, III e V registradas no Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico, de pacientes com diabetes mellitus e do grupo controle, na intensidade de 90dBNA.
Tabela 1 - Descrição da variável latência absoluta da onda I (em ms), de ambas as orelhas,
encontradas no grupo controle e em indivíduos com DM através do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico
Grupo (Orelha) Latências
(ms) Média (ms) Desvio Padrão (ms) Coef. de Variação (%) (%) 1º Quartil (ms) Mediana (ms) 3º Quartil (ms)
Controle (OD) ONDAI 1,58 0,09 5,41 1,52 1,56 1,62
DM (OD) ONDAI 1,58 0,15 9,75 1,44 1,59 1,69
Controle (OE) ONDAI 1,59 0,15 9,26 1,49 1,60 1,73
DM (OE) ONDAI 1,59 0,16 10,24 1,49 1,57 1,67
Legenda :
Controle - grupo controle
DM - grupo de indivíduos com diabetes mellitus OD - orelha direita
OE - orelha esquerda
Tabela 2 - Descrição da variável latência absoluta da onda III (em ms), de ambas as orelhas,
encontradas no grupo controle e em indivíduos com diabetes mellitus (DM) através do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico
Grupo (Orelha) Latências
(ms) Média (ms) Desvio Padrão (ms) Coef. de Variação (%) 1º Quartil (ms) Mediana (ms) 3º Quartil (ms)
Controle (OD) ONDAIII 3,74 0,15 4,07 3,66 3,73 3,85
DM (OD) ONDAIII 3,80 0,22 5,84 3,65 3,75 3,97
Controle (OE) ONDAIII 3,71 0,20 5,53 3,58 3,67 3,82
DM (OE) ONDAIII 3,77 0,18 4,90 3,60 3,80 3,92
Tabela 3 - Descrição da variável latência absoluta da onda V (em ms), de ambas as orelhas,
encontradas no grupo controle e em indivíduos com diabetes mellitus (DM) através do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico
Grupo (Orelha) Latências (ms) Média (ms) Desvio Padrão (ms) Coef. de Variação (%) 1º Quartil (ms) Mediana (ms) 3º Quartil (ms) Controle ONDAV 5,52 0,22 3,93 5,38 5,49 5,70 DM (OD) ONDAV 5,72 0,27 4,64 5,49 5,67 5,98 Controle ONDAV 5,55 0,22 3,98 5,42 5,48 5,62 DM (OE) ONDAV 5,60 0,27 4,75 5,43 5,65 5,73
Tabela 4 - Descrição das variáveis intervalos interpicos I-III, III-V e I-V (em ms), de ambas
as orelhas, encontradas no grupo controle e em indivíduos com diabetes mellitus (DM) através do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico
Grupo (Orelha) Intervalos
Interpicos (ms) Média (ms) Desvio Padrão (ms) Coef. de Variação (%) 1º Quartil (ms) Mediana (ms) 3º Quartil (ms)
Controle (OD) I - III 2,17 0,17 7,84 2,10 2,16 2,25
DM (OD) I - III 2,25 0,27 12,12 2,03 2,25 2,48
Controle (OE) I - III 2,12 0,20 9,39 1,96 2,10 2,22
DM (OE) I - III 2,18 0,20 9,17 1,99 2,19 2,37
Controle (OD) III - V 1,80 0,21 11,44 1,69 1,81 1,92
DM (OD) III - V 1,92 0,23 11,77 1,75 1,90 2,08
Controle (OE) III - V 1,84 0,21 11,29 1,74 1,87 2,00
DM (OE) III - V 1,84 0,25 13,82 1,68 1,85 2,03
Controle (OD) I - V 3,96 0,24 6,01 3,81 3,95 4,05
DM (OD) I - V 4,14 0,31 7,38 3,96 4,11 4,37
Controle (OE) I - V 3,89 0,45 11,50 3,81 3,95 4,09
DM (OE) I - V 4,02 0,36 8,94 3,84 4,08 4,28
Tabela 5 - Descrição das variáveis amplitudes das ondas I e V (em µV), de ambas as orelhas,
encontradas no grupo controle e em indivíduos com diabetes mellitus (DM) através do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico
Grupo (Orelha) Amplitudes das ondas Média (µV) Desvio Padrão (µV) Coef. de Variação (%) 1º Quartil (µV) Mediana (µV) 3º Quartil (µV)
Controle (OD) Onda I 0,56 0,25 44,63 0,38 0,53 0,67
DM (OD) Onda I 0,53 0,21 40,11 0,39 0,56 0,63
Controle (OE) Onda I 0,50 0,18 35,58 0,38 0,49 0,58
DM (OE) Onda I 0,41 0,19 45,33 0,26 0,39 0,58
Controle (OD) Onda V 0,48 0,18 37,79 0,34 0,42 0,64
DM (OD) Onda V 0,37 0,19 49,61 0,23 0,38 0,52
Controle (OE) Onda V 0,44 0,17 40,08 0,33 0,43 0,61
Para comparar os grupos controle e indivíduos com DM, para as variáveis latência absoluta, intervalos interpicos e amplitude, para ambas orelhas, foi utilizado um modelo de efeitos mistos. O nível de significância utilizado foi de 5%. (Tabela 6).
Na Tabela 6 observamos os valores obtidos na comparação das variáveis pesquisadas no PEATE, entre o grupo controle e o grupo de indivíduos com DM .
Tabela 6 - Valores obtidos na comparação entre o grupo de indivíduos com DM e indivíduos
do grupo controle durante o registro do PEATE para as variáveis latência absoluta, intervalos interpicos e amplitude
Comparações Estimativas Erro
padrão p-valor GC D ONDA_I - DM D ONDA_I 0.003655 0.07057 0.9587 GC OD ONDAIII - DM OD ONDAIII -0.01622 0.07057 0.8183 GC OD ONDA_V - DM OD ONDA_V -0.03433 0.07057 0.6268 GC OD IP I_III - DM OD IP I_III -0.03566 0.07057 0.6135 GC OD IP III_V - DM OD IP III_V -0.06660 0.07057 0.3456 GC OD IP I_V - DM OD IP I_V -0.04444 0.07057 0.5290 GC OD AMPLI_I - DM OD AMPLI_I 0.06181 0.07133 0.3865 GC OD AMPLI_V - DM OD AMPLI_V 0.3404 0.07057 <.0001 * GC OE ONDA_I - DM OE ONDA_I 0.002440 0.07057 0.9724 GC OE ONDAIII - DM OE ONDAIII -0.01756 0.07057 0.8036 GC OE ONDA_V - DM OE ONDA_V -0.00922 0.07057 0.8961 GC OE IP I_III - DM OE IP I_III -0.03042 0.07057 0.6666 GC OE IP III_V - DM OE IP III_V 0.005214 0.07057 0.9411 GC OE IP I_V - DM OE IP I_V -0.03801 0.07057 0.5904 GC OE AMPLI_I - DM OE AMPLI_I 0.2402 0.07290 0.0010 * GC OE AMPLI_V - DM OE AMPLI_V -0.06905 0.07133 0.3334 Legenda :
GC OD - orelha direita do grupo controle
GC OD IP - latência interpico da orelha direita do grupo controle GC OE - orelha esquerda do grupo controle
GC OE IP - latência interpico da orelha esquerda do grupo controle AMPL - amplitude
DM OD - orelha direita dos indivíduos com diabetes mellitus DM OE - orelha esquerda dos indivíduos com diabetes mellitus
Nas Tabelas 7 e 8 observamos a comparação entre as médias dos limiares da Audiometria Tonal Limiar (ATL) dos indivíduos com diabetes mellitus e do grupo controle das orelhas direita e esquerda.
Tabela 7 - Descrição dos limiares auditivos (em dBNA) encontrados na audiometria tonal
liminar de indivíduos com diabetes mellitus (DM) e indivíduos do grupo controle nas freqüências de 250Hz a 8000Hz na orelha direita
Grupo Freqüência Média Desvio Padrão
Coef. de Variação
(%)
1º Quartil Mediana 3º Quartil
controle 250Hz 11,25 4,24 37,64 10,00 10,00 15,00 DM 250Hz 18,13 7,04 38,85 15,00 20,00 20,00 controle 500Hz 10,00 5,11 51,08 5,00 10,00 15,00 DM 500Hz 15,00 7,52 50,12 10,00 15,00 20,00 controle 1KHz 5,62 4,96 88,16 0,00 5,00 10,00 DM 1KHz 10,42 6,24 59,91 5,00 10,00 15,00 controle 2KHz 4,38 5,58 127,50 0,00 2,50 8,75 DM 2KHz 9,38 6,31 67,30 5,00 10,00 15,00 controle 3KHz 4,17 5,25 125,94 0,00 0,00 10,00 DM 3KHz 8,54 5,99 70,07 5,00 10,00 13,75 controle 4KHz 5,83 6,86 117,65 0,00 5,00 10,00 DM 4KHz 10,63 6,65 62,54 5,00 10,00 15,00 controle 6KHz 8,33 7,61 91,37 0,00 7,50 13,75 DM 6KHz 13,96 9,89 70,84 6,25 15,00 18,75 controle 8KHz 5,00 5,11 102,15 0,00 5,00 5,00 DM 8KHz 8,33 9,63 115,57 5,00 5,00 10,00
Tabela 8 - Descrição dos limiares auditivos (em dBNA) encontrados na audiometria tonal
liminar de indivíduos com diabetes mellitus (DM) e indivíduos do grupo controle nas freqüências de 250Hz a 8000Hz na orelha esquerda
Grupo Freqüência Média Desvio
Padrão Variação Coef. de Quartil 1º Mediana 3º Quartil
controle 250Hz 12,08 4,40 36,44 10,00 10,00 15,00 DM 250Hz 20,42 8,20 40,15 15,00 20,00 28,75 controle 500Hz 10,42 5,09 48,86 5,00 10,00 15,00 DM 500Hz 17,29 6,91 39,98 10,00 20,00 23,75 controle 1KHz 5,83 4,08 69,99 5,00 5,00 10,00 DM 1KHz 9,38 6,13 65,44 5,00 7,50 15,00 controle 2KHz 4,38 4,25 97,16 0,00 5,00 5,00 DM 2KHz 7,92 3,59 45,30 5,00 7,50 10,00 controle 3KHz 5,42 4,64 85,72 0,00 5,00 10,00 DM 3KHz 8,75 5,37 61,34 5,00 10,00 10,00 controle 4KHz 5,83 5,65 96,80 0,00 5,00 10,00 DM 4KHz 10,62 7,71 72,52 5,00 10,00 15,00 controle 6KHz 11,04 6,25 56,62 5,00 10,00 15,00 DM 6KHz 15,62 8,12 51,95 10,00 15,00 20,00 controle 8KHz 5,21 6,67 128,11 0,00 5,00 8,75 DM 8KHz 8,75 9,92 113,35 5,00 5,00 10,00
Para comparar os grupos de indivíduos controle e indivíduos com diabetes mellitus, dentro de cada freqüência, para cada orelha, nos limiares da audiometria tonal liminar, utilizamos o teste não paramétrico de Mann-Whitney, o qual compara se as populações de pessoas do grupo controle e de diabéticos com a característica de interesse são iguais ou não. Foi utilizado novamente o nível de significância de 5%, e os dados encontram-se na Tabela 9.
Tabela 9 - Comparação entre as médias dos limiares auditivos encontrados na audiometria
tonal liminar de indivíduos com diabetes mellitus e indivíduos do grupo controle nas freqüências de 250Hz a 8000Hz em ambas as orelhas
Comparações p-valor GC OD 250Hz – DM OD 250Hz < 0,01 * GC OD 500Hz – DM OD 500Hz 0,02 * GC OD 1KHz – DM OD 1KHz < 0,01 * GC OD 2KHz – DM OD 2KHz < 0,01 * GC OD 3KHz – DM OD 3KHz 0,01 * GC OD 4KHz – DM OD 4KHz 0,01 * GC OD 6KHz – DM OD 6KHz 0,04 * GC OD 8KHz – DM OD 8KHz 0,17 GC OE 250Hz – DM OE 250Hz < 0,01 * GC OE 500Hz – DM OE 500Hz < 0,01 * GC OE 1KHz – DM OE 1KHz 0,06 GC OE 2KHz – DM OE 2KHz < 0,01 * GC OE 3KHz – DM OE 3KHz 0,04 * GC OE 4KHz – DM OE 4KHz 0,03 * GC OE 6KHz – DM OE 6KHz 0,04 * GC OE 8KHz – DM OE 8KHz 0,07 Mann - Whitney p < 0,05 Legenda: GC - grupo controle
DM - indivíduos com diabetes mellitus OD - orelha direita
OE - orelha esquerda
Abaixo (Tabelas 10 e 11) descrevemos os limiares de reflexo acústico observados em indivíduos com DM e indivíduos do grupo controle.
Tabela 10 - Descrição dos limiares de reflexo acústico (em dBNA) contralateral direito
encontrados em indivíduos com diabetes mellitus (DM) e indivíduos do grupo controle nas freqüências de 500Hz a 4000Hz
Grupo Freqüência Média Desvio
Padrão
Coef. de Variação (%)
1º Quartil Mediana 3º Quartil
Controle 500Hz 89,79 4,54 5,06 85,00 90,00 93,75 DM 500Hz 97,50 8,34 8,55 90,00 95,00 100,00 Controle 1KHz 87,50 7,07 8,08 80,00 90,00 95,00 DM 1KHz 90,62 9,36 10,33 85,00 90,00 90,00 Controle 2KHz 87,50 5,52 6,30 85,00 85,00 93,75 DM 2KHz 93,54 8,27 8,84 86,25 90,00 100,00 controle 4KHz 89,17 8,81 9,88 81,25 90,00 93,75 DM 4KHz 97,08 10,42 10,73 90,00 95,00 100,00
Tabela 11 - Descrição dos limiares do reflexo acústico (em dBNA) contralateral esquerdo
encontrados em indivíduos com diabetes mellitus (DM) e indivíduos do grupo controle nas freqüências de 500Hz a 4000Hz
Grupo Freqüência Média Desvio Padrão
Coef. de Variação
(%)
1º Quartil Mediana 3º Quartil
Controle 500Hz 91,04 5,51 6,06 90,00 90,00 95,00 DM 500Hz 97,08 8,46 8,71 91,25 97,50 103,75 Controle 1KHz 87,50 5,52 6,30 85,00 90,00 90,00 DM 1KHz 88,54 9,38 10,59 80,00 87,50 95,00 Controle 2KHz 87,08 4,87 5,59 85,00 85,00 90,00 DM 2KHz 94,17 8,30 8,81 90,00 95,00 100,00 controle 4KHz 89,38 7,12 7,97 85,00 90,00 95,00 DM 4KHz 94,38 9,81 10,40 86,25 95,00 100,00
Na tabela 12 apresentamos os resultados da comparação entre os grupos controle e de indivíduos com diabetes mellitus, para as freqüências pesquisadas, para cada orelha, nos reflexos acústicos contralaterais, utilizamos o teste não paramétrico de Mann-Whitney.
Tabela 12 - Comparação das médias do reflexo acústico contralateral encontrados em
indivíduos com diabetes mellitus tipo I e indivíduos do grupo controle nas freqüências de 500Hz, 1000Hz, 2000Hz e 4000Hz em ambas as orelhas.
Comparações p-valor Cont lat D 500Hz - DM lat D 500Hz < 0,01 *
Cont lat D 1KHz - DM lat D 1KHz 0,78 Cont lat D 2KHz - DM lat D 2KHz < 0,01 *
Cont lat D 4KHz - DM lat D 4KHz 0,07 Cont lat E 500Hz - DM lat E 500Hz < 0,01 * Cont lat E 1KHz - DM lat E 1KHz 0,56 Cont lat E 2KHz - DM lat E 2KHz < 0,01 * Cont lat E 4KHz - DM lat E 4KHz 0,02 *
Mann - Whitney p < 0,05
Legenda:
Cont lat D – reflexo contralateral direito do grupo controle
DM lat D – reflexo contralateral direito do grupo com diabetes mellitus
Cont lat E - reflexo contralateral esquerdo do grupo controle
DM lat E - reflexo contralateral esquerdo do grupo com diabetes mellitus
DISCUSSÃO
Autores como Fonseca e Davidsohn (2006), Fukuda (2000) e Rigon, Rossi e Coser (2007) salientaram que a tontura é um sintoma comum, existente em pacientes com diabetes mellitus.
Observamos uma presença freqüente de sintomas otoneurológicos (37%), ou seja, tontura e zumbido, nos indivíduos com DM. Na Figura 5 verificamos que a ocorrência da queixa de tontura em indivíduos com diabetes mellitus foi de 17% (4 indivíduos). Tal queixa era mais evidente quando os indivíduos com DM tipo I apresentavam descompensação do diabetes, acompanhado por quadro de hipoglicemia, segundo prontuário do paciente e queixa do mesmo.
Fonseca e Davidsohn (2006) afirmam que a tontura é um bom indicador de alteração do metabolismo da glicose, e que o DM um indicador de alteração do exame vestibular.
A queixa de zumbido foi encontrada em 21% (5) no grupo de indivíduos com diabetes mellitus (Figura 4).
Por meio dessa freqüência de sintomas otoneurológicos observadas em pacientes com diabetes mellitus, verificamos a importância de se fazer a anamnese, e investigar as queixas trazidas pelo paciente, para uma melhor investigação tanto auditiva como vestibular.
A neuropatia é uma das complicações que podem surgir no paciente com diabetes mellitus. Tal complicação foi descrita por Gross e Nehme (1999), Maia e Campos (2005), pela Sociedade Brasileira de Diabetes (2007) e pela Associação Americana de Diabetes (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2007). Em nosso estudo ela foi encontrada em dois (8%) indivíduos diabéticos, concordando com a literatura especializada (Figura 6).
A retinopatia que é outra das complicações causada pelo DM que pode ser observada no diabético, foi a complicação mais comum encontrada no nosso estudo (38%), concordando
com os estudos pesquisados,como mostrado na Figura 7. Alguns autores citaram a retinopatia em seus estudos (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2007; BAYAZÍT et al., 2000; EL-TABAL et al., 2003; GROSS; NEHME, 1999; SOCIEDADE BRASILEIRA DE
DIABETES, 2007).
Eppens et al. (2006) verificaram que a retinopatia é mais comum em pacientes diabéticos insulino-dependentes (tipo I) do que em pacientes não-insulino-dependentes (tipo II). O mesmo autor salienta a importância do diagnóstico, uma vez que tem como conseqüência, a perda da acuidade visual.
Alguns autores enfatizaram que a alteração renal (nefropatia) é freqüente em pacientes diabéticos. (AMERICAN DIABETES ASSOCIATION, 2007; GROSS; NEHME, 1999; Sociedade Brasileira de Diabetes, 2007) (Figura 8). Em nosso estudo, tal complicação foi encontrada em três indivíduos com DM (13%), concordando com os achados citados por outros autores.
Apesar das doenças cardiovasculares em pacientes diabéticos serem bem comuns na literatura, em nosso estudo, foi a complicação menos encontrada no grupo estudo. Apenas um paciente apresentou essa complicação. (American Diabetes Association, 2007; Gross; Nehme, 1999; Maia; Campos, 2005; Parving et al., 1990; Sociedade Brasileira de Diabetes, 2007) (Figura 9).
Na Tabela 4 podemos observar uma comparação entre os valores de latências absolutas das ondas I, III, e V, latências interpicos I-III, III-V e I-V e as amplitudes das ondas I e V entre indivíduos do grupo com diabetes e indivíduos sem diabetes.
Não houve uma diferença estatisticamente significante entre o grupo de diabéticos e o grupo controle, no que se refere à latência absoluta das ondas I, III e V; latências interpicos I- III, III- V e I-V e amplitude da onda I (Tabelas 1 a 6) . Nos exames, não foram também observadas diferenças interaurais alteradas (Tabelas 25 a 28). Apesar de não termos
encontrado diferenças estatisticamente significantes na comparação das latências absolutas e intervalos interpicos, as médias das ondas III e V e de todos os intervalos interpicos, de indivíduos com DM estavam aumentadas em relação ao grupo controle (Tabelas 2, 3 e 4). Tal achado nos mostra a importância de monitorar esses indivíduos precocemente.
Nossos achados concordam com os dados observados por Verma, Bisht e Ahuja (1984), Virtaniemi et al. (1995) e Otaviani et al. (2002) que também não encontraram diferenças estatisticamente significantes nos parâmetros latências absolutas (ondas I, III e V) e intervalos interpicos I-V, I-III e III-V, entre diabéticos e indivíduos sem diabetes.
Porém observamos uma diferença estatisticamente significante na amplitude da onda V na orelha direita e na amplitude da onda I na orelha esquerda, comparando os dois grupos. Na Tabela 5 verificamos que, a amplitude das ondas I e V, das orelhas esquerda e direita, respectivamente, estavam significativamente diminuídas no grupo estudo em relação ao grupo controle.
Assim como em nossa pesquisa, alguns autores observaram uma diminuição na amplitude da onda V, de pacientes diabéticos quando pesquisados em relação a indivíduos não diabéticos (Bayazít et al., 2000; Tóth et al., 2003).
Em todos os exames realizados, não foram observadas anormalidades na morfologia das ondas de todos os grupos (diabéticos tipo I e grupo controle). Tais achados coincidem com o estudo realizado por Durmus, Yetiser e Durmus (2004).
Muitos autores observaram aumento das latências absolutas e/ou intervalos interpicos nos Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico de pacientes diabéticos, quando comparados com indivíduos do grupo controle (BAYAZIT et al., 2000 ; DURMUS; YETISER; DURMUS, 2004 ; FEDELE et al., 1984; LISOWSKA et al., 2001; OTAVIANI et al., 2002 ; TÓTH et al., 2003; VIEIRA, 1997 ; VIRTANIEMI et al., 1993 ).
No entanto, devemos ressaltar que em muitas dessas pesquisas a idade dos pacientes era superior a idade dos indivíduos do nosso estudo. Os pacientes do presente estudo eram pacientes jovens com idade variando entre 18 e 35 anos (média de 28,08); isso nos leva a pensar na importância do acompanhamento auditivo desses pacientes, que podem desenvolver algum comprometimento auditivo em idades mais avançadas.
Axelson e Fargerberg (1968) observaram que pacientes jovens não apresentaram alterações auditivas. Os autores demonstraram que o risco de apresentar desordens auditivas aumentava com a idade. Verma, Bisht e Ahuja (1984) também referiram que arelação entre a baixa idade dos pacientes e a curta duração do DM pode ter sido a razão da ausência da disfunção central. Fedele et al. (1984) também citaram a idade como um agravante nas anormalidades do PEATE.
Alguns autores pesquisaram a influência do diabetes mellitus tipo I, sob a audição. A freqüência de perda auditiva neurossensorial apresentada por diabéticos, nas publicações, varia de 0 a 80%. Ou seja, existem ainda muitas controvérsias em relação ao surgimento da perda auditiva devido às alterações metabólicas (AXELSON; SIGRATH; KURIEN; THOMAS; BHANU, 1989; MAIA; CAMPOS, 2005; VERTES, 1978).
Com os dados obtidos por meio da audiometria tonal liminar observamos (Tabelas 7 e 8) um aumento na média dos limiares auditivos em todas as freqüências (250 Hz, 500Hz, 1 KHz, 2KHz, 3Khz, 4KHz, 6 KHz e 8KHz) de ambas orelhas, de pacientes com DM comparados com indivíduos sem diabetes mellitus. No entanto, essa diferença nos limiares auditivos, só foi estatisticamente significante nas freqüências de 8000 Hz (8KHz) em ambas orelhas e 1000 Hz (1Khz) na orelha esquerda, entre o grupo de diabéticos e o grupo controle (Tabela 9). Contudo, devemos salientar que, apesar da diferença estatística, nenhum sujeito do grupo de indivíduos com DM revelou perda auditiva, ou seja, todos apresentaram audição dentro dos padrões de normalidade, apesar do aumento da média de seus limiares auditivos.
Alguns autores foram de encontro com os nossos achados audiológicos. Axelson, Sigrat e Vertes (1978); Erdem et al. (2003) e Otaviani et al. (2002) avaliando pacientes diabéticos e normais, observaram que não houve diferenças estatisticamente significantes entre os grupos de estudo e o grupo controle, ou seja, a função auditiva normal foi confirmada
por meio da audiometria.
No trabalho realizado por Vieira (1997), apesar da média dos limiares auditivos serem divergentes nas diversas freqüências, comparando os grupo de diabéticos e o grupo controle, não foi observada perda auditiva, assim como em nosso estudo.
El-Tabal et al. (2003) verificaram que a grande maioria dos pacientes diabéticos apresentaram alteração auditiva (78%). A audição do grupo de diabéticos estava significantemente pior do que o grupo controle (não diabéticos) em todas as freqüências. O grupo de pacientes não controlados apresentou uma piora nas freqüências, comparado com pacientes controlados. Muitos autores verificaram que pacientes diabéticos apresentaram perda auditiva neurossensorial com grau variado, discordando dos dados obtidos nesse estudo (CULLEN; CINNAMOND, 1993; EL-TABAL et al. , 2003; PARVING et al. ,1990).
Vale salientar novamente, que nossa população era composta por jovens diabéticos, razão pela qual não observamos perda auditiva. Maia e Campos (2005) ressaltaram que alguns autores indicaram que a perda auditiva, que é similar ao apresentado na presbiacusia, é maior do que o esperado pela idade, em pacientes mais idosos e diabéticos.
Na pesquisa do Índice de Reconhecimento de Fala (IRF) observamos que tanto o grupo controle como o grupo de indivíduos diabéticos, apresentaram percentagens dentro da normalidade em ambos os ouvidos, ou seja, IRF de 92%. Nossos achados coincidem com os dados encontrados por Virtaniemi et al. (1995). Os autores avaliaram indivíduos com diabetes mellitus tipo I, por meio da audiometria tonal liminar (tom puro), a pesquisa do Índice de
Reconhecimento de Fala (IRF). Todos os indivíduos tinham audição normal e IRF dentro dos padrões de normalidade compatível com os dados da ATL.
Observamos que houve um aumento no nível do reflexo acústico, estatisticamente significante, em pacientes diabéticos, nos reflexos contralaterais direito nas freqüências de 500Hz e 2KHz, e nos reflexos contralaterais esquerdo nas freqüências de 500Hz, 2KHz e 4KHz (Tabela 12). Sendo que, 11 indivíduos com DM (45,83%) apresentaram limiares do reflexo acústico superior ao nível considerado normal, que estaria entre 70 e 100 dBNA segundo Jerger (1970) (Tabelas 19 e 20). Este dado pode ser sugestivo de alteração retrococlear, ou seja, envolvimento do VIII par craniano, apesar da ausência de queixa e de perda auditiva.
Nossos achados com relação ao aumento no nível do reflexo acústico condizem com os achados observados por Axelson e Fargerberg (1968) que observaram níveis elevados do reflexo acústico estapediano, comparado com o grupo controle, além da ausência do reflexo
em seis indivíduos.
Virtaniemi, et al. (1994) verificaram que as respostas contralaterais tendiam a ser maiores em pacientes diabéticos do que em sujeitos do grupo controle em ambas as freqüências, mas a diferença estava estatisticamente significante somente na freqüência de
2.000Hz.
Salientamos que todos os participantes do estudo, tanto pacientes com diabetes insulino-dependentes como os indivíduos do grupo controle apresentavam curva timpanométrica tipo A. Assim como no presente estudo, Erdem et al. (2003) e Virtaniemi et al. (1994) observaram que a amplitude do timpanograma estava normal (curva tipo A) em pacientes diabéticos. Virtaniemi et al. (1994) enfatizou que as respostas aumentadas dos reflexos contralaterais podem sugerir futuras alterações auditivas, tanto periféricas quanto central; que a pesquisa do reflexo acústico torna-se um teste importante para o diagnóstico
precoce de alterações auditivas que podem ser acarretadas pelo diabetes mellitus insulino-