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(%) Meses de Colheita

4.2 Resultados obtidos

Segundo dados do Programa de uso do Biodiesel do Ministério de Minas e Energia, o uso comercial do combustível pode incrementar o mercado interno nos próximos anos. O Brasil importa 20% do Biodiesel consumido no país. Com a implementação de fatores que hoje causam barreiras a produção de combustível, a capacidade de produção do país aumenta e o Brasil se torna um potencial exportador.

A elevação da mistura de 5% para 6% em julho e 7% em novembro, assinada em medida provisória no dia 24 de maio de 2014, possibilitará um aumento em sua produção como pode ser observado no Gráfico 1.

Gráfico 1: Perspectivas da produção de biodiesel no Brasil

FONTE: ANP/APROBIO

O projeto do Ministério de Minas e Energia de implementação do biodiesel na matriz energética brasileira conta com diferentes cenários de quantificação de produção, área cultivada e avaliação econômica. Dentro desses cenários, uma das metas é a exportação de biodiesel para a Europa. A falta de

0 1.000.000 2.000.000 3.000.000 4.000.000 5.000.000 6.000.000 7.000.000 8.000.000 9.000.000 10.000.000 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

espaço para plantações e o tempo de construção de novas plantas de grande porte deixam os países europeus à mercê das exigências do mercado.

O aumento da produção do biodiesel irá reduzir dependência de óleo diesel importado. A partir de 2003 a Petrobrás modernizou suas refinarias para melhorar a qualidade dos produtos, ou seja, processar mais óleo diesel nacional. No ano de 2006 foram produzidos 1,88 milhões de barris de petróleo por dia e consumidos cerca de 1,76 milhões de barris derivados de petróleo. Segundo a Petrobrás, a demanda interna por derivados em 2011 foi de 2,12 milhões de barris por dia. (PETROBRÁS, PLANO ESTRATÉGICO 2007 – 2012)

Como pode ser observado no gráfico 2, nos anos de 2004 e 2005 houve uma queda na demanda pelo óleo diesel. Em 2006, mesmo com os esforços da Petrobrás em diminuir a dependência brasileira do diesel internacional, o aquecimento da atividade econômica gerou um aumento na demanda.

Gráfico 2 – Importação de óleo diesel 2000 – 2010 (m3)

Fonte: ANP, 2010

Em 2010 o aumento das importações do diesel é justificado devido à defasagem do preço do diesel, sendo importado por empresas privadas a preços menores do que cobrados pela Petrobrás do Brasil. ( PAMPLONA, 2010)

O grande mercado energético brasileiro e mundial poderá dar sustentação a um imenso programa de geração de emprego e renda a partir da produção do biodiesel. Estudos desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério da Integração Nacional e Ministério das Cidades mostram que a cada 1% de substituição de óleo diesel por biodiesel produzido com a participação da agricultura familiar podem ser gerados cerca de 45 mil empregos no campo.

O biodiesel pode se transformar em uma alternativa importante para erradicar a miséria no país. A inclusão social e a geração de emprego e renda devem nortear as diretrizes do programa.

A impulsão da agricultura familiar é uma das diretrizes do Programa Nacional de Produção do Biodiesel. A produção de oleaginosas para biodiesel através da agricultura familiar deve se sustentar em parcerias com usinas de biodiesel regionais, produção de forma integrada, onde o usineiro levará ao produtor rural o conhecimento, as técnicas de plantio e principalmente um contrato antecipado dando garantia ao produtor que tudo o que ele produzir será comprado a um preço mínimo pré-ajustado, estabelecendo condições e prazos e talvez, até algum adiantamento em dinheiro ou o fornecimento de sementes ou mudas, dependendo da oleaginosa.

A geração de uma nova fonte de renda contribui para a diminuição da miséria e torna as famílias menos dependentes de projetos assistencialistas como o Bolsa Família. No gráfico 3 podemos observar o crescimento da agricultura familiar entre os anos de 2006 e 2010.

R$ - R$ 200,00 R$ 400,00 R$ 600,00 R$ 800,00 R$ 1.000,00 R$ 1.200,00 2006 2007 2008 2009 2010 Milhões de reais

Gráfico 3 – Evolução das aquisições totais de oleaginosas da agricultura familiar - Brasil

Fonte: MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2010.

Uma motivação social é o desenvolvimento regional de áreas carentes de energia, as chamadas ilhas energéticas. O meio de transporte mais comum dessas regiões são barcos movidos a motor diesel. O custo do combustível é cerca de três vezes maior, devido à dificuldade de acesso que geram altos custos de frete. O preço final do óleo diesel pode chegar a três vezes o preço das grandes capitais. A criação de mini destilarias e pequenas unidades produtivas de biodiesel, movidas a óleo vegetal produzido dentro das ilhas energéticas, é uma maneira viável de solucionar essa carência. Não existiriam problemas significativos para utilização do B100, por se tratarem de geradores estacionários.

Através de estudos desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) Ministério da Integração Nacional (MI) e Ministério das Cidades (M Cidades) comprovou-se que a cada 1% da substituição de óleo diesel por biodiesel produzido com participação da agricultura familiar podem ser gerados cerca de 45 mil empregos no campo, com uma renda média anual de R$4.900,00 por emprego (Aranda, 2007).

A produção de biodiesel entre 2005 e 2010 foi capaz de gerar 1,3 milhões de empregos, considerando-se toda a cadeia produtiva (UPRABIO, 2010). Na região nordeste ainda não há um desenvolvimento consistente da agricultura familiar em relação a competitividade econômica, como pode ser visto no Quadro 7.

Quadro 7: Acesso à tecnologia e a assistência técnica entre os agricultores familiares.

Região Tipo de tecnologia Assistência técnica Uso de força mecânica e/ou animal Uso de adubos e corretivos Faz conservação do solo Nordeste Centro Oeste Norte Sudeste Sul Brasil 2,7 24,9 5,7 22,7 47,2 16,7 18,2 39,8 3,7 38,7 48,4 27,5 16,8 34,2 9,0 60,6 77,1 36,7 6,3 13,1 0,7 24,3 449 17,3

Fonte: GUANZIROLLI & CARDIM (2000, APUD GARCIA, 2007, p.26)

Fatores que contribuem para esse quadro é que apenas 2,7% dos agricultores familiares tem acesso à assistência técnica. O acesso a tecnologia também é escasso. A utilização de adubos e corretivos também é considerada insuficiente.

A mamona se apresenta como alternativa viável para a inserção dos agricultores familiares, principalmente do nordeste. Um dos contrapontos da sua produção na região é o modo arcaico e sem recursos tecnológicos que impede um aumento de produtividade, como pode ser observado na tabela 10.

Um dos reflexos deste modo de produção é a variação na quantidade produzida. A figura abaixo representa o nível de produção e as grandes flutuações dos últimos anos. Mesmo nas décadas de 60, 70 e 80, período em que o Brasil foi o maior exportador mundial de derivados de mamona, não houve estabilidade na produção (AMORIM, 2005).

Gráfico 4 – Produção de mamona no Brasil em mil toneladas.

Fonte: CONAB, 2007

Segundo PONCHIO (2004. p.25), esta flutuação na quantidade produzida pode ser explicada pelos seguintes fatores:

a) Sistema de produção desorganizado: utilização de sementes não melhoradas, baixa tecnologia e práticas de produção inadequadas, dificuldades para obtenção de crédito e assistência ao produtor; b) Mercado interno inconsistente: são poucos os agentes envolvidos na comercialização, sobretudo em relação aos compradores;

c) Preços baixos recebidos pelos produtores, as variações nas quantidades produzidas e nos preços recebidos pelos produtores antes do estabelecimento do PNPB foram influenciadas pelo comportamento da demanda, principalmente no mercado internacional, responsável por grande parte da absorção do óleo de mamona (PAULA NETO CARVALHO, 2006).

Para que a mamona seja viável aos objetivos de geração de renda do PNPB, a produção, além de ocorrer em quantidade suficiente, deve acontecer com custos relativamente baixos, do contrário a mamona será preterida em relação às demais culturas disponíveis.

Os custos de produção da mamona variam de acordo com o clima, insumos utilizados e fatores de mercado. Existe uma dificuldade em se estabelecer um parâmetro solido para calcular os seus custos de produção.

Os Quadros 8, 9 e 10 mostram a composição do custo de produção da mamona em área de sequeiro, considerando três esquemas de produção: sem adubação, com adubação e em consórcio com feijão.

Quadro 8 – Custo de produção por hectare em área de sequeiro (sem adubação)

Insumo/Fator Quantidade Custo

Mão-de-obra para plantio, pulverização e colheita Preparação do solo (aração e gradagem com trator) Sementes

Beneficiamento para as sementes

Inseticidas contra formigas/demais pragas

30 diárias 3 horas 6 kg Serviço Verba 360,00 90,00 21,00 15,00 50,00 Custo total 536,00 Fonte: Embrapa

Quadro 9 - Custo de produção por hectare em área de sequeiro (com adubação)

Fonte: Embrapa

Quadro 10 - Custo de produção por hectare em área de sequeiro (consorciado com feijão)

Fonte: Embrapa

Insumo/Fator Quantidade Custo

Mão-de-obra para plantio, pulverização e colheita. Preparação do solo (aração e gradagem com trator) Sementes Fertilizantes 30 diárias 3 horas 6 kg 390 kg 360,00 90,00 21,00 312,00 Beneficiamento para as sementes

Inseticidas contra formigas/demais pragas

Serviço Verba

23,00 50,00

Custo total 856,00

Insumo/Fator Quantidade Custo

Mão-de-obra para plantio, pulverização e colheita Preparação do solo (aração e gradagem com trator) Sementes

Beneficiamento para as sementes

Inseticidas contra formigas/demais pragas

40 diárias 3 horas 6 kg Serviço Verba 480,00 90,00 21,00 25,00 70,00 Custo total 686,00

Estes resultados se mostram inferiores aos apurados pela EBDA, indicando a dificuldade em se estabelecer um parâmetro para a questão dos custos de produção da mamona.

Um fator determinante para o crescimento do biodiesel no Brasil é um desenvolvimento mais coeso de sua cadeia produtiva. Desenvolvimento esse que a torne tão eficiente quanto a cadeia produtiva do etanol. As dificuldades de padronização dos parâmetros de produção não se encontram só na obtenção da mamona.

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