Hora de revisar os conteúdos teóricos mais relevantes para a prova, sejam materiais, sejam processuais. Processualmente, o grosso e mais importante está no tópico acima, o "quinteto mágico", pelo que vou apenas complementar tópicos conexos às peças e questões. No direito material, relevante o Direito Civil e o Direito do Consumidor. ECA, apesar de aparecer no Edital, caiu uma única vez num subitem de uma questão, já bem antiga.
1. Cumulação de partes
O litisconsórcio se verifica quando há uma “cumulação” de pessoas diferentes num mesmo polo, seja no
ativo, seja no passivo. O art. 113 estabelece que duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo,
em conjunto, ativa ou passivamente, quando:
I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide; II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir;
III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito.
O §1º, por sua vez, permite ao juiz limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa, em qualquer fase do processo; é o chamado litisconsórcio multitudinário, que poderia atrapalhar a lide. O requerimento, estabelece o §2º, interrompe o prazo para manifestação ou resposta, que recomeça da intimação da decisão que resolve a controvérsia.
Ao contrário do litisconsórcio facultativo, nos termos do art. 114, há litisconsórcio necessário, quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir a lide de modo uniforme para todas as partes.
Ora, se a decisão judicial tem que ser igual a todos, depende-se da citação de todos os litisconsortes no processo. Se houver prolação de sentença sem que todos os litisconsortes
integrem a lide, a decisão será nula, segundo o art. 115, inc. I.
De regra, os litisconsortes têm interesses em comum, já que foram colocados no mesmo polo passivo pelo autor, ou estão junto com ele, contra um mesmo réu, ou contra vários. Ainda assim, o art. 117 esclarece que os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes
distintos, pelo que os atos e as omissões de um não prejudicarão, mas beneficiarão os outros.
De outro lado, temos o instituto da assistência, que se diferencia do litisconsórcio porque sua causa e seus efeitos são distintos. A assistência ocorre quando, pendendo uma causa entre mais de uma pessoa, um
terceiro tem interesse jurídico em que a sentença seja favorável a uma delas, pelo que pode intervir no processo para assistir à pessoa na qual tem ele interesse (art. 119). Ela cabe em qualquer dos tipos de
procedimentos e em todos os graus da jurisdição, mas o assistente recebe o processo no estado em que ele estiver (parágrafo único).
Não havendo impugnação dentro de 15 dias, o pedido do assistente será deferido, segundo o art. 120. Porém, as partes podem não querer a assistência, pela falta de interesse jurídico. Nesses casos, podem elas apresentar impugnação. O juiz, então, decide o incidente, sem suspensão do processo, retirando o assistente da lide ou o mantendo.
Mantendo o assistente o juiz, ou ninguém o impugnando, segundo o art. 121, o assistente atuará como
auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos poderes e se sujeita aos mesmos ônus processuais que o
assistido. A exceção fica por conta da revelia ou omissão do assistido. Nesse caso, o parágrafo único determina que o assistente será considerado seu substituto processual.
No entanto, o assistido pode reconhecer a procedência do pedido, desistir da ação, renunciar ao direito ou fazer transação sobre os direitos controvertidos, pelo que a assistência cessa, por lógica, por força do art. 122.
De modo a evitar um conflito de decisões, no qual o assistente, numa dada lide, não tem seu direito reconhecido e, posteriormente, em lide autônoma, consegue o reconhecimento, o art. 123 determina que transitada em julgado a sentença, na causa em que interveio, o assistente não poderá em processo posterior discutir a decisão, salvo se alegar e provar que:
I - pelo estado em que recebera o processo, ou pelas declarações e atos do assistido, fora impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença;
II - desconhecia a existência de alegações ou de provas, de que o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu.
2. Intervenção de terceiros
Primeiro, tome cuidado. Segundo o art. 10 da Lei 9.099/1995, não se admite nos processos em trâmite perante os Juizados Especiais qualquer forma de intervenção de terceiro nem de assistência. Admite-se, apenas, o litisconsórcio.
Existe uma exceção jurisprudencial, que admite a denunciação da lide nos casos em que o autor da ação
concorda com a denunciação feita pelo réu, em audiência. Porém, dificilmente creio que a OAB chegará a
esse detalhe. Pelo sim, pelo não, vale saber.
Primeiro, vamos à oposição. Eventualmente, duas pessoas litigam sobre direito que eu julgo meu. De um
lado, o autor diz que o réu está “errado” e que ele tem direito; do outro, o réu diz que o autor entrou com lide indevida, já que o direito é dele. No entanto, julgo eu que o direito é meu. O que fazer? Este é o caso da oposição.
A oposição se oferece, até ser proferida a sentença, quando alguém pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu (art. 682). Se oferecida antes da audiência, será apensada aos autos principais e correrá simultaneamente com a ação, sendo ambas julgadas pela mesma sentença (art. 685); se ofertada depois de iniciada a audiência, o parágrafo único determina que o juiz suspenderá a lide para produção de provas, exceto se concluir que a unidade da instrução é melhor (sem correspondência com o CPC anterior).
A oposição funcionará do mesmo jeito que uma petição inicial comum (art. 683), sendo distribuída por dependência, e citados os opostos para contestar o pedido no prazo comum de 15 dias. Se um dos opostos reconhecer a procedência do pedido, contra o outro prosseguirá o opoente (art. 684).
Quando for julgar, o juiz deve decidir simultaneamente a ação e a oposição, mas desta conhecerá em primeiro lugar (art. 686), por lógica, já que se julgar que o terceiro, que se opôs, tem o direito, não há razão para julgara lide principal.
Por fim, a oposição deixou de ser uma típica intervenção de terceiros, para ser tratada como procedimento especial, no CPC/2015. Exceto por isso, nada mudou.
Mudando com o CPC/2015 também veio a nomeação à autoria. Ela deixa de existir como típica
intervenção de terceiros. Agora, regem a matéria os arts. 338 e 339, mas em outro sentido.
Segundo o art. 338, se o réu alegar, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 dias, a alteração da petição inicial para substituição do réu.
Quando alegar sua ilegitimidade, o réu deve indicar o sujeito passivo da relação jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação, na forma do art. 339.
Veja-se que, nos termos do art. 339, §1º, o autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 dias, à alteração da petição inicial para a substituição do réu. No entanto, reza o §2º, no prazo de 15 dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir, como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu. Por outro lado, a situação mais comum de intervenção de terceiros é a denunciação da lide. Ela cabe tanto em relação ao autor quanto em relação ao réu. Em outras palavras, tanto o autor quanto o réu podem denunciar a lide a terceiro. O objetivo da denunciação da lide é trazer terceiro ao processo para que a
responsabilidade recaia sobre ele, resumidamente.
Assim, na sentença em que sou condenado, a condenação não recai efetivamente sobre mim, mas sobre o denunciado. Isso acontece, por exemplo, quando sou acionado numa ação de indenização por acidente automobilístico. Na contestação, eu nego que a culpa pelo acidente seja minha, mas faço a denunciação da lide à seguradora; ou seja, digo que não sou culpado, mas que ainda que eu seja culpado, não sou eu que devo indenizar, mas sim a seguradora, que assegurou esse tipo de dano num contrato de seguro.
Nem sempre eu preciso fazer a denunciação, conseguindo a responsabilização do terceiro
posteriormente, por meio da ação de regresso. Segundo o art. 125, pode-se fazer a denunciação nos
seguintes casos:
I - ao alienante, na ação em que terceiro reivindica a coisa, cujo domínio foi transferido à parte, a fim de que esta possa exercer o direito que da evicção lhe resulta;
II - àquele que estiver obrigado, pela lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo do que perder a demanda.
A denunciação da lide deixou de ser obrigatória no CPC/2015, cuidado! Pois bem, a citação
do denunciado será requerida, juntamente com a do réu, se o denunciante for o autor; e, no prazo para contestar, se o denunciante for o réu (art. 126).
Se feita a denunciação pelo autor, o denunciado, comparecendo, assumirá a posição de
litisconsorte do denunciante e poderá acrescentar novos argumentos, procedendo-se em
seguida à citação do réu, segundo o art. 127 . Se feita a denunciação pelo réu (art. 128), a resposta é mais complexa.
Se o denunciado contestar o pedido formulado pelo autor, o processo prosseguirá tendo, na ação
principal, em litisconsórcio, denunciante e denunciado.
Se o denunciado for revel, o denunciante pode deixar de prosseguir com sua defesa, eventualmente
oferecida, e abster-se de recorrer, restringindo sua atuação à ação regressiva.
Se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor na ação principal, o denunciante poderá́
prosseguir com sua defesa ou, aderindo a tal reconhecimento, pedir apenas a procedência da ação de regresso.
Diz ainda o parágrafo único desse artigo que se for procedente o pedido da ação principal, pode o autor, se for o caso, requerer o cumprimento da sentença também contra o denunciado, nos limites da condenação deste na ação regressiva.
O art. 129 estabelece que se o denunciante for vencido na ação principal, o juiz passará ao julgamento da denunciação da lide. Ao contrário, trata o parágrafo único. Se o denunciante for vencedor, a ação de denunciação não terá́ o seu pedido examinado, sem prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do denunciado.
Por sua vez, o chamamento ao processo amplia a demanda no polo passivo, por instigação do réu. Cabe, em linhas gerais, quando há devedores comuns em relação ao réu que foi demandado. Segundo o art. 130, é admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu:
I – do afiançado, na ação em que o fiador for réu;
II – dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
III – dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento da dívida comum.
Estabelece o art. 131, de maneira nova em relação ao CPC/1973, que a citação daqueles que devam figurar em litisconsórcio passivo será́ requerida pelo réu na contestação e deve ser promovida no prazo de 30 dias, sob pena de ficar sem efeito o chamamento.
Por fim, prevê o art. 132 que a sentença de procedência vale como título executivo em favor do réu que satisfizer a dívida. Com isso, pode ele exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou, de cada um dos codevedores, a sua quota, na proporção que lhes tocar.
3. Respostas do réu
As respostas do réu são sempre oferecidas no prazo de 15 dias (art. 335), cujo termo inicial será a data: I – da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição; II – do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4o, inciso I;
III – prevista no art. 231, de acordo com o modo como foi feita a citação, nos demais casos.
Além disso, o art. 343 estabelece que na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar
pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. Igualmente, prevê o art.
64, a incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. Quanto à contestação, alguns pontos a retomar.
A contestação deve sempre rebater todos os pontos da inicial. Do contrário, presumem-se verdadeiros os
público que a lei considerar da substância do ato; se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto.
Antes da matéria de mérito, porém, o réu deve alegar, preliminarmente (art. 301): I – inexistência ou nulidade da citação;
II – incompetência absoluta e relativa; III – incorreção do valor da causa; IV – inépcia da petição inicial;
V – perempção; VI – litispendência; VII – coisa julgada; VIII – conexão;
IX – incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; X – convenção de arbitragem;
XI – ausência de legitimidade ou de interesse processual;
XII – falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; XIII – indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça.
Quanto às exceções, são três as processuais. Há também exceções no direito material, mas que se inserem dentro da contestação, como a exceção de contrato não cumprido, por exemplo.
São as exceções processuais: a incompetência (art. 64), o impedimento e a suspeição (arts. 144 e ss.). Se tiver tempo, volte ao CPC e dê uma lida nesses dispositivos, para rememorar. Como se processam as exceções?
O excipiente deve arguir a incompetência na própria contestação, em sede de preliminar, indicando o juízo
para o qual declina. O juiz ouve a contraparte (art. 64, §2º) e julga a exceção. Caso a alegação de
incompetência seja acolhida, os autos são remetidos ao juízo competente (§3º).
Salvo decisão em contrário, conservam-se os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente (§4º). Atente porque, sendo caso de competência relativa e se o réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação, prorroga-se a competência (art. 65 do CPC/2015). Vale dizer, o juiz incompetente se torna competente.
Consoante regra do art. 146, no prazo de 15 dias, a contar do conhecimento do fato, a parte alegará o impedimento ou a suspeição, em petição específica dirigida ao juiz do processo, na qual indicará o fundamento da recusa, podendo instruí-la com documentos em que se fundar a alegação e com rol de testemunhas.
Despachando a petição, o juiz, reconhecer o impedimento ou a suspeição ao receber a petição, o juiz ordenará imediatamente a remessa dos autos a seu substituto legal, caso contrário, determinará a autuação em apartado da petição e, no prazo de 15 dias, apresentará suas razões, acompanhadas de documentos e de rol de testemunhas, se houver, ordenando a remessa do incidente ao tribunal (§1º). O
envio ao Tribunal é lógico, já que não pode o próprio juiz julgar que não é suspeito ou que não está impedido.
De maneira inovadora, o CPC/2015, no art. 146, §3º estabelece que enquanto não for declarado o efeito em que é recebido o incidente ou quando este for recebido com efeito suspensivo, a tutela de urgência
será requerida ao substituto legal.
Por fim, a reconvenção. A reconvenção nada mais é do que uma “petição inicial” oferecida pelo réu num processo já em curso. Novamente, cuidado, pois o art. 31 da Lei 9.099/1995 não admite a reconvenção no âmbito dos Juizados Especiais. No entanto, o réu, na contestação, pode formular pedido em seu favor, desde que fundado nos mesmos fatos que constituem objeto da controvérsia.
O pedido contraposto é igual à reconvenção, no CPC/2015, já que não mais se exige que ela seja feita separadamente; o art. 343 estabelece que na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa.
O réu pode reconvir ao autor no mesmo processo, toda vez que a reconvenção seja conexa com a ação
principal ou com o fundamento da defesa (art. 343).
Oferecida a reconvenção, o autor reconvindo será intimado, na pessoa do seu procurador, para contestá-la no prazo de 15 dias (art. 343, §1º). Como se trata de uma “petição inicial”, mesmo que o autor da ação
principal desista ou ela seja extinta, por qualquer razão, a reconvenção continua sua marcha, segundo o
disposto no art. art. 343, §2º.
4. Execução de título extrajudicial e Cumprimento de sentença
Tanto o Cumprimento de Sentença quanto a Execução de Título Extrajudicial possuem a mesma finalidade, que é satisfazer os interesses do credor, obrigando o devedor a cumprir com uma prestação, contudo, possuem algumas diferenças.
O cumprimento de sentença, previsto nos arts. 513 ao 538, do CPC, ocorre quando há a execução de um título judicial. Ao fim de um processo de conhecimento é proferida uma sentença e, caso o teor da decisão não seja cumprido, a parte poderá ingressar com o cumprimento de sentença, para, como o próprio nome diz, cumprir a sentença.
fazendo com que não haja a necessidade de todo um processo de conhecimento, diferente do cumprimento de sentença, que só ocorre após o processo de conhecimento.
E quais são os títulos executivos: são todos aqueles previstos no art. 784, do CPC.
5. Teoria geral dos recursos
Os recursos são independentes, pelo que o autor pode recorrer tanto quanto o réu, tenha ele recorrido ou não. O art. 997 do CPC/2015, nesse sentido, aduz que cada parte interporá o recurso, independentemente, no prazo e observadas as exigências legais. Sendo, porém, vencidos autor e réu, ao recurso interposto por qualquer deles poderá aderir a outra parte (§1º). O recurso adesivo fica subordinado ao recurso principal. Ou seja, caso eu não tenha recorrido, posso adesivar um recurso no recurso que a outra parte interpõe. Assim, se eu olho uma decisão na qual o juiz dá procedência a alguns dos meus pedidos e dá improcedência a outros, mas julgo que pelas provas produzidas, e apesar de a minha vitória ter sido parcial, ganhei bem, eu simplesmente não recorro.
No entanto, a outra parte recorre e eu vejo, nas razões do recurso dela, que o argumento que ela utilizou para tentar reverter a negatória do juiz é muito bom, e há grande chance de o julgador de segundo grau modificar o entendimento do julgador de primeiro grau, por exemplo. Se modificar, há uma chance razoável que eu acabe perdendo.
Assim, o que eu faço? Faço um recurso e adesivo no recurso da outra parte, pedindo para que se reverta o julgamento em relação aos pontos que eu perdi. É mais ou menos assim, “eu não ganhei, mas minha vitória parcial é boa, então não preciso reclamar; mas como você reclamou, e há boas chances de você acabar ganhando, vou eu reclamar daquilo que não ganhei”.
Em outras palavras, o termo “recurso adesivo” é autoexplicativo mesmo. Eu não tenho recurso, mas como a outra parte tem, eu vou lá e “adesivo” o meu. Mas, como funciona o recurso adesivo? Segundo os incisos desse artigo, o recurso adesivo deve ser interposto perante a autoridade competente para admitir o
recurso principal, no prazo de que a parte dispõe para responder.
Ele é admissível não em todos os recursos, mas apenas em alguns. Quais? Nos “recursos finais”, ou seja, os recursos que “dão fim” à lide: na Apelação (Apel), no Recurso Extraordinário (RExt), no Recurso Especial
(REsp).
Para fins de prova, não cabe, portanto, adesivo nos demais recursos, como o Agravo de Instrumento, nem nos recursos específicos da execução, por incompatibilidade.
Agora, imagine que você colou um adesivo numa carta. O que acontece com o adesivo se você jogar fora a carta? Pois é, o mesmo vale para o recurso. O recurso adesivo não será conhecido se houver desistência do recurso principal, ou se for ele declarado inadmissível ou deserto (deserção é a falta de pagamento das custas recursais).
Esse é um dos pontos fáceis, inclusive! Você SEMPRE tem que indicar, quando for um recurso, ou que pagou as custas ou que pediu Assistência Judiciária Gratuita, nos termos do art. 1.007, caput e §1º do CPC/2015. Geralmente, na distribuição de
pontos são 0,2 pontos apenas por isso!
O preparo inclui o “custo” do recurso, ou seja, o que o Tribunal cobra para que se possa recorrer, e o porte de remessa e de retorno. O que é o porte de remessa e de retorno? Nada mais é do que o custo pra “transportar” o recurso de uma instância para outra. Se o advogado recorre de uma decisão de um acórdão do Tribunal local, o custo pra remeter e fazer retornar um calhamaço de papéis, o recurso varia.
O STJ fica em Brasília/DF. Se eu faço um Recurso Especial, minha papelada tem que ser mandada para o STJ e, ao final, voltar para o Tribunal de origem. Se eu recorro de uma decisão do TJDFT, basta colocar os autos