• Nenhum resultado encontrado

RETRANCA DULCE

No documento revista_sebrae_19 (páginas 40-43)

CALDAS*

É essencial que a

organização estabeleça

alianças estratégicas,

isto é, assuma uma

posição que lhe

permita identificar

os parceiros ideais,

analisar os seus pontos

fortes e fracos e e

sua capacidade de

colaboração.

| ARTIGO

 Alianças

estratégicas

resultam em

parcerias de

sucesso

ecursos escassos, ritmo acelerado das mudanças tec- nológicas, agressividade concorrencial, somados à in-  tensificação da competição, nos dias de hoje, impulsio- nam as organizações, públicas ou privadas, a buscar um novo modelo de relação entre si. Estamos falando de parcerias,  termo bastante utilizado e difundido, que consiste em um modelo de interação entre organizações, que passam a atuar em conjunto para alcançar objetivos comuns. Essa troca ou complementaridade tem como pressuposto básico o cum- primento de objetivos compartilhados.

 A busca por parcerias e a construção de alianças têm sido necessárias para preencher a lacuna entre o que uma organi- zação gostaria de realizar e o que, levando em consideração a realidade e os recursos próprios, pode realizar.

Para formar uma parceria, convém, antes de tudo, que as organizações precisem qual o seu papel institucional, especifi- quem seu objetivo precípuo e o que querem e precisam atingir para atender melhor a sua missão, para, só então, perceber quais relações devem ser ampliadas, intensificadas ou modificadas.

Para exemplificar o conceito acima, contamos com vários casos bem-sucedidos, em que as alianças estratégicas resulta- ram em parcerias de sucesso. São bons exemplos os casos das Cortes de Conciliação e Arbitragem do Estado de Goiás e do Setor de Conciliação no Fórum João Mendes em São Paulo.

O sucesso dessas parcerias concentra-se na quebra de pa- radigmas, fato bem entendido pelo Poder Judiciário de Goi- ás, quando buscou alternativas para solucionar controvérsias de forma ágil, simplificada e menos onerosa. Dessa forma, o juiz de 1ª instância, Victor Barboza Lenza, saiu em busca de

| RETRANCA

Para o sucesso das alianças estratégicas entre organizações, é necessário que se conciliem empresas com iguais propósitos. Não importa se elas são de porte diferente, de âmbitos distin-  tos (público ou privado), se uma é mais conhecida que a outra.

O segredo do bom funcionamento reside quando cada parcei- ro reconhece que não pode evoluir sem a ajuda ou o aporte de recursos do outro, ou quando se deseja uma abordagem revolucionária ou dar início a um novo modo de atuação.

Espelhando-se nas parcerias estabelecidas pelo Poder Ju- diciário de Goiás, a Confederação das Associações Comer- ciais do Brasil (CACB) levou proposta semelhante ao Poder  Judiciário do Estado de São Paulo, que também inovou, com a abertura de um Setor de Conciliação. O êxito dessa ini- ciativa vem reafirmar a viabilidade dos procedimentos extra- judiciais na esfera do Judiciário e a factibilidade de alianças entre instituições de porte e origem diferentes.

O Fórum João Mendes é o maior da América Latina, tanto em estrutura quanto em número de processos entrados e julgados. O Setor de Conciliação, sob a coordenação da juíza Maria Lúcia Pizzotti, que se dedica particularmente a esse setor sem se afastar de suas demais funções, comemora os excelentes resultados apresentados no período de janeiro de 2005 a maio de 2006, com relação aos expedientes extra- processuais.

Nesse período, foram realizadas 744 audiências, das quais foram homologados 302 acordos, o que corresponde a 41% do total dos procedimentos. Nos demais 442 procedimen-  tos, não foram concluídos acordos.

 A CACB, de posse das estatísticas do Setor de Conciliação do Fórum João Mendes, escolheu essa oportunidade para ofe- recer, à rede de Câmaras de Mediação e Arbitragem vinculadas à CACB, a oportunidade de trabalhar um conjunto de acordos nos quais a conciliação que não foi bem-sucedida, teve de re- correr, como último recurso, à arbitragem, antes de o processo retornar à Justiça. Nessa ação, todos saíram ganhando.

Os exemplos mostram que o objetivo primordial nas parcerias é selecionar, construir e colocar em ação novas possibilidades, que possam deixar a marca da diferença. O desafio consiste em selecionar os parceiros, avaliar os riscos e identificar os fatores que justifiquem e levem a parcerias ou a alianças estratégicas.

 A Unidade de Políticas Públicas do Sebrae Nacional tem como uma das suas atribuições incentivar a construção e a  gestão de relação de parcerias. Graças a essa capacidade,  trabalha influenciando, convencendo, cooperando e mobili- zando outros atores para atingir objetivos institucionais, am- pliando, assim, o impacto e a abrangência de sua atuação.

* DULCE CALDAS é consultora da Unidade de Política Públicas do Sebrae Nacional e responsável pelo projeto Meios Alternativos ao Acesso à Justiça do Sebrae.

parcerias para viabilizar sua permanente obstinação em desonerar a sobrecarga de entradas de processos na Justiça e proporcionar, aos pequenos negócios, oportunidades de solução de seus litígios de forma mais ágil e menos dispendiosa.

É essencial que a organização estabe- leça alianças estratégicas, isto é, assuma uma posição que lhe permita identificar os parceiros ideais, analisar os seus pon-  tos fortes e fracos e e sua capacidade de

colaboração.

Escolher parceiros é uma função di- fícel na criação de alianças, mas é uma das mais importantes. O desembargador Lenza, ao buscar as entidades classistas, identificou, nelas, um interesse comum: a necessidade de resolução ágil dos con- flitos. A aplicação da conciliação, da me- diação e da arbitragem foi o método que melhor atendeu à necessidade de solu- cionar tanto o acúmulo de processos no  Judiciário como dar solução aos litígios

dos pequenos negócios.

Foi elaborado um Protocolo de Co- operação Técnica, Jurídico-Administrati-  va e Assistencial Mútua entre a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção de Goiás, a Associação Comercial e In- dustrial (Acieg) e o Tribunal de Justiça,  todos do Estado de Góias.

Coube à OAB-GO selecionar e in- dicar advogados para compor o quadro de árbitros; à Acieg, fornecer o aporte físico para o perfeito funcionamento; e ao TJ-GO, a indicação de magistrados,  titulares de varas cíveis, para dar apoio às câmaras. Dessa forma, Goiás possui a maior estrutura arbitral, com o apoio da  Justiça Estadual e da OAB.

Essas parcerias já duram 10 anos e contam hoje com 23 cortes - oito na capi-  tal e outras 15 no interior - e já soluciona- ram 280 mil conflitos, com 82% de acor- dos firmados e nenhuma sentença dada fora do prazo. Entre os que procuraram o auxílio das Cortes, 70% eram de em- presários de micro e pequenas empresas, e 65% das reclamações não ultrapassa- ram o valor de R$ 5 mil.

Texto: DILMA TAVARES Fotos: ARQUIVO ASN

“L

embro até hoje, porque pa-  guei só R$ 75,00 e abri a em- presa em cerca de 15 dias, quando, com despachante, levaria mui-  to mais tempo e pagaria no mínimo R$ 700,00”. Assim, a empresária Ivana Stoi- menof resumiu a vantagem de abrir sua microempresa, a Cibo Alimento Natu- ral, por meio da Central Fácil do Distrito Federal, por meio do atendimento do Sebrae no DF.

 Instalada em 1997, a Central Fácil do Distrito Federal foi a pioneira dessa es- pécie, entre as que existem hoje no País por meio de parceria com o Departa- mento Nacional de Registro do Comér- cio (DNRC), o Ministério do Desenvol-  vimento, Indústria e Comércio Exterior,

o Sebrae e outros órgãos de decisão no processo de abertura de empresa nos âmbitos federal, estadual e municipal.

 Assim, são reunidos em um único local – normalmente nas juntas comerciais – órgãos diversos, como Receita Fede- ral, as Secretarias de Fazenda Estaduais e de Finanças Muni- cipais, de Meio Ambiente e de Vigilância Sanitária, além do Corpo de Bombeiros, responsável pela inspeção e vistoria  técnica do local de funcionamento da empresa. Em vários,  também são agregadas entidades de orientação técnica, como do setor contábil, e instituições financeiras, como o Banco do Brasil.

Entre os objetivos estão a simplificação e a redução de burocracia, e de custos e tempo para a abertura do empre- endimento, facilitando a vida do empreendedor. Com efeito, para abrir uma empresa, o candidato a empresário tem que percorrer diversos órgãos e cumprir mais de 90 obrigações.

 A iniciativa originou-se no DNRC e foi apoiada pelo Sebrae, que se empenhou no processo de expansão desse tipo de atendimento aos empreendedores. Normalmente, a institui- ção dá orientações necessárias aos futuros empresários, como fatores de sucesso e insucesso do negócio, conhecimento de

No documento revista_sebrae_19 (páginas 40-43)

Documentos relacionados