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Academic year: 2021

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Revista

Revista

SEBRAE

SEBRAE

ISSN 1676-9589 ISSN 1676-9589 SERVIÇO SERVIÇO BRASILEIRO DE BRASILEIRO DE  APOIO ÀS MICRO  APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS E PEQUENAS EMPRESAS EMPRESAS

19

19

 Agosto/Setembro  Agosto/Setembro

 2006

 2006

Henrique

Henrique

Meirelles está

Meirelles está

otimista com

otimista com

economia

economia

Programa

Programa

ajuda

ajuda

dekasseguis

dekasseguis

abrir negócio

abrir negócio

Parceria é chave do sucesso no

Parceria é chave do sucesso no

apoio aos pequenos negócios

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| SUMÁRIO

| SUMÁRIO

• Presidente do Conselho • Presidente do Conselho Deliberativo Nacional Deliberativo Nacional

LUIZ OTÁVIO GOMES

LUIZ OTÁVIO GOMES

• Diretor-Presidente

• Diretor-Presidente

PAULO TARCISO OKAMOTTO

PAULO TARCISO OKAMOTTO

• Diretor de Administração • Diretor de Administração e Finanças e Finanças CÉSAR RECH CÉSAR RECH • Diretor-Técnico • Diretor-Técnico

LUIZ CARLOS BARBOZA 

LUIZ CARLOS BARBOZA 

• Gerente da Unidade de

• Gerente da Unidade de

 Marketing e Comunicação

 Marketing e Comunicação

LUIZ EDUARDO BARRETO

LUIZ EDUARDO BARRETO

• Coordenação Editorial • Coordenação Editorial INFORME COMUNICAÇÃO INFORME COMUNICAÇÃO • Coordenação e Edição • Coordenação e Edição CÂNDIDA BITTENCOURT CÂNDIDA BITTENCOURT • Chefia de reportagem • Chefia de reportagem INDIARA OLIVEIRA  INDIARA OLIVEIRA  • Redação • Redação

 ALESSANDRO SOARES, BEA

 ALESSANDRO SOARES, BEATRIZTRIZ

BORGES, CLARA FAVILLA, DENISON

BORGES, CLARA FAVILLA, DENISON

SILVAN, DILMA TAVARES, DULCE

SILVAN, DILMA TAVARES, DULCE

CALDAS, ELSIE QUINTAES, ELIZA

CALDAS, ELSIE QUINTAES, ELIZA

CAETANO, PAULO ALVIM, REGINA

CAETANO, PAULO ALVIM, REGINA

MAMEDE, RENATO CAPORALI,

MAMEDE, RENATO CAPORALI,

RODRIGO RIEVERS E TATIANA

RODRIGO RIEVERS E TATIANA

 ALARCON

 ALARCON

• Produção

• Produção

RUBENS SOUZA E JOANA PAULA 

RUBENS SOUZA E JOANA PAULA 

• Projeto Gráfico e Diagramação

• Projeto Gráfico e Diagramação

CHICA MAGALHÃES CHICA MAGALHÃES • Ilustrações • Ilustrações KLEBER SALES KLEBER SALES • Revisão • Revisão

CORINA BARRA SOARES

CORINA BARRA SOARES

• Fotolito e Impressão • Fotolito e Impressão GRÁFICA BRASIL GRÁFICA BRASIL •Contato •Contato REVISTA SEBRAE REVISTA SEBRAE

SEPN 515, Bloco C, Loja 32.

SEPN 515, Bloco C, Loja 32.

Cep: 70770-900 - Brasília-DF 

Cep: 70770-900 - Brasília-DF 

(61) 3348.7398

(61) 3348.7398

Parceiros que dão certo

Parceiros que dão certo

Instituições parceiras contam como

Instituições parceiras contam como é interessanteé interessante

trabalhar em conjunto para obter bons resultados

trabalhar em conjunto para obter bons resultados

 26

 26

Entrevista

Entrevista

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se

mostra otimista com o futuro da economia brasileira

mostra otimista com o futuro da economia brasileira

10

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Prefácio

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Espaço do leitor 

Perguntas e respostas sobre gestão, empreendedorismo e o dia-a-dia das micro e pequenas empresas

 23

  Artigo

Renato Caporali escreve sobre as parcerias do Sebrae no campo internacional

39

 Artigo

Dulce Caldas revela a importância das alianças estratégicas nas políticas públicas

48

Parcerias com editoras

Sebrae estimula o acesso ao conhecimento a partir do incentivo a novas publicações

52

Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas

Serviço entra em nova fase para ampliar consultas tecnológicas feitas por pequenas empresas

58

 Artigo

Paulo Alvim escreve sobre a estratégia para ampliar o acesso a novas tecnologias pelas micro e pequenas empresas

60

 Justa Trama

Como o trabalho com foco na economia solidária pode  fazer a diferença no desenvolvimento sustentável

64

Fitoterápicos

Parceria entre governo municipal, Sebrae e institutos tecnológicos dá destaque ao interior do Amazonas

68

Prêmios

Entidades se unem para premiar e destacar experiências de sucesso em diversos segmentos

74

 Artigo

Elsie Quintaes escreve sobre a essência do trabalho do Sebrae no apoio aos negócios de pequeno porte

Central Fácil

Parcerias entre órgãos públicos trazem facilidades para a abertura e  fechamento de empresas

42

Central de Negócios

Parceria proporciona redução de custos na compra de insumos e melhores oportunidades de comercialização

34

Dekassegui

Programa orienta e capacita brasileiros que migram para o Japão e sonham voltar para montar um negócio próprio

(7)
(8)

 A

missão do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas vai muito além de capacitar e preparar os empreendedores para montar e operar o próprio negócio com segurança e sucesso, gerando ocu-pação e renda. Outro papel importante é fazer articulação, multiplicando parcerias.

Uma andorinha só não faz verão. O Sebrae isolado não

faz chover. Não somos e jamais seremos uma ilha. É

pre-ciso, sempre, juntar outras competências e mais

conheci-mento, venham de onde vierem. É essencial somar.

Sabíamos, evidentemente, da enorme quantidade de

parceiros com que operamos. A implantação da GEOR, a

Gestão Estratégica Orientada para Resultados, no

entan- to, não apenas permitiu contá-los um a um, mas

sobretu-do possibilitou medir a atuação de cada um conosco.

 A GEOR é a metodologia que afere, dá transparência e

 torna públicos, via internet, os efeitos práticos do trabalho

do Sebrae e dos seus parceiros. Mostra onde acertamos

e onde erramos. Faz gestão eficiente do conhecimento,

prestando contas à sociedade, que sustenta a instituição.

Permitiu contabilizar 2.800 parcerias, envolvidas em 14

mil variados tipos de ações, como promover capacitação

e rodadas de negócios. Estamos investindo, todos, R$ 1,5

bilhão até 2008. Não se trata mais, como antes, de ter

parceiros de forma burocrática, apenas assinando o

con- vênio. Com a GEOR, eles passam a dividir a construção e

o acompanhamento do empreendimento.

Temos hoje uma média de 3,8 parcerias por projeto na

GEOR, com atuação e responsabilidades claramente

defi-nidas. É parceiro de toda ordem, de entidades de classe,

empresariais e de trabalhadores, a universidades,

passan-do por organismos internacionais, prefeituras, governos

estaduais, governo federal, centros tecnológicos, ONGs.

 Juntos, ajudamos a construir um Brasil melhor.

PAULO

OKAMOTTO

Presidente do Sebrae

Uma andorinha só

não faz verão. O

Sebrae isolado não

faz chover. Não

somos e jamais

seremos uma ilha

Mais e

muitos

(9)

CAPACITAÇÃO

O que devo fazer para participar dos cursos que o Sebrae oferece? 

Uma das principais atribuições do Sebrae é oferecer cursos de capacitação aos empreendedores.  A Instituição não tem a fórmula

mágica do sucesso, até porque ela não existe. Mas seus cursos contribuem para apontar caminhos mais seguros para o êxito. Para saber que habilidades você precisa desenvolver, visite o site do Sebrae, no item à esquerda: “Defina seu negócio”. Lá, você encontrará testes e dicas para empreender com mais segurança. Por meio de avaliação  feita no mapa de competências,

é possível saber qual curso é mais indicado para você. A relação de cursos do Sebrae pela internet está disponível no endereço

 www.educacao.com.br . Há também cursos presenciais em todas as unidades da Instituição. Procure o Sebrae para saber que cursos estão agora disponíveis.

Damianne Leal

[email protected]

PLANO DE NEGÓCIOS

Preciso de um modelo de projeto,  para abrir uma empresa. Pode me

ajudar? 

O Sebrae tem, como principal atribuição, prestar auxílio aos micro e pequenos empresários. Você deve

marcar uma consultoria para a elaboração de um plano de negócios para sua empresa. O Sebrae também possui uma busca de fornecedores de matéria-prima e maquinário  para todo tipo de empreendimento, por meio do Serviço de

Resposta Técnica, que também pode auxiliá-la. Para mais informações, procure o posto de atendimento do Sebrae mais próximo de sua cidade.

Eliane

[email protected]

MAIS DINHEIRO

Desejo informações sobre como obter crédito para minha empresa.

Embora o Sebrae não financie empresas, tem todas as informações necessárias para que o empreendedor possa obter financiamento ou buscar novos parceiros para começar seu negócio. Há várias alternativas para obter empréstimos: em um banco convencional, ou em entidades que oferecem crédito alternativo, como instituições de microcrédito e cooperativas de crédito disponíveis no site do Sebrae (  www.sebrae.com.br  ), na coluna à esquerda, item “Como obter crédito”. Também procure informações no posto de atendimento do Sebrae da sua cidade ou

estado. O Sebrae pode ajudá-lo a viabilizar um empréstimo.

Wellington Smangorzewski

Participe enviando comentários e  sugestões para o e-mail: revista@  sebrae.com.br, ou

SEPN 515, Bl. C, Loja 32., Cep: 70770-530 - Brasília-DF 

Espaço

(10)

 ARTESANATO

Trabalho com artesanato e gostaria de informações para divulgar e comercializar meu trabalho. Quero saber como dar destaque para minhas bonecas de cabaça.

Prezada Claudia,

Você deve procurar informações e consultoria no serviço de atendimento do Sebrae da sua cidade ou estado.

Claudia de Sousa Carvalho

[email protected]

PADARIA 

 Meu namorado tem uma padaria e gostaria de algumas dicas para

 prosperar, para inovar em seu comércio. Como posso conseguir respostas a esta  pergunta, sem recorrer à internet? 

Você deve buscar informações e consultoria no posto de atendimento do Sebrae da sua cidade ou estado. O Sebrae possui um Serviço de Resposta Técnica, que faz uma busca de fornecedores de matéria- prima e maquinário para todo tipo de

empreendimento.

Elidiana

[email protected]

LANCHONETE

Gostaria de fazer vários cursos no Sebrae, mas não tenho condições financeiras para tal. Meu sonho é abrir minha própria lanchonete. Por favor, me ajude.

O Sebrae possui uma publicação chamada “Como montar um bar e lanchonete”, da série “Comece certo”. Para conhecer seu conteúdo, basta acessar a biblioteca virtual no site www.biblioteca.sebrae.com. br. Você também pode marcar uma consultoria para a elaboração de um diagnóstico de sua empresa. O Sebrae também possui uma busca de fornecedores de matéria- prima e maquinário para todo tipo de empreendimento,  por meio de um Serviço de Resposta Técnica, que pode

auxiliá-la. Procure o posto de atendimento mais próximo de sua cidade.

Vânia Drazdauskas Silva

[email protected]

SEBRAE NOS ESTADOS

UNIDADES FEDERATIVAS DDD 0800-PABX  ACRE (AC) 68 3216-2100  ALAGOAS (AL) 82 3216-1600  AMAPÁ (AP) 96 3214-1400  AMAZONAS (AM) 92 2121-4900 BAHIA (BA) 71 3320-9600 3320-9605 CEARÁ (CE) 85 3255- 6600 DISTRITO FEDERAL (DF) 61 3262-1700 ESPÍRITO SANTO (ES) 0800-399192 GOIÂNIA (GO) 62 3250-2300 MARANHÃO (MA) 98 3216-6166 MATO GROSSO DO SUL (MS) 67 2106-5511 MATO GROSSO (MT) 65 3648-1200 MINAS GERAIS (MG) 31 3269-0180 PARÁ (PA) 91 3181-9120 - 3181-9000 PARAÍBA (PB) 83 0800-832477 - 3218-1000 CURITIBA (PR)??? 41 3330-5757 PERNAMBUCO (PE) 81 2101-8400 PIAUÍ (PI) 86 3216-1300 RIO DE JANEIRO (RJ) 21 0800-782020 ou 2220-9451 RIO G. DO NORTE (RN) 84 0800 842020 ou 3215-4900 RIO GRANDE DO SUL (RS) 51 3216-5006

RONDÔNIA (RO) 69 3217-3800 RORAIMA (RR) 95 3623-1700 SANTA CATARINA (SC) 0800-483300 SÃO PAULO (SP) 0800 78 02 02 SERGIPE (SE) 79 3216-7765 PALMAS (TO) 63 3223-3300

(11)

Boas perspectivas

para a economia e as

finanças voltadas para

os pequenos negócios

TEXTO: CLARA FAVILLA  FOTOS: MÁRCIA GOUTHIER 

O

Brasil vive um momento econômico auspicioso, que alarga os horizontes de planejamento dos indi- víduos e das empresas. Nesse contexto, destaca-se a expansão do crédito, favorecendo a produção de bens e serviços e o consumo.

Os pequenos negócios mostram-se um nicho confiável e promissor para bancos, cooperativas de crédito e instituições de microcrédito. Toda a estratégia do Sebrae para a amplia-ção dos serviços financeiros ao segmento, acompanhada da redução da burocracia e de custos, baseia-se em soluções de mercado para que tenham as necessárias abrangência e efi-cácia. Por isso, dá extrema relevância às parcerias que vem construindo com o Sistema Financeiro.

O Banco Central, nos últimos anos, tem-se revelado um parceiro importante para o Sebrae. Grandes avanços nor-mativos podem ser constatados, principalmente na área do cooperativismo de crédito. Entusiasmados com os resul- tados, Banco Central e Sebrae fazem uma nova aposta: já

estudam com o Ministério da Fazenda na regulamentação do Sistema Nacional de Garantias, previsto na Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, em trami- tação no Congresso Nacional.

O Sistema, uma experiência bem-sucedida na Itália, na Espanha e na Ar- gentina, vai evitar que solicitações de empréstimos frustrem-se pela falta de contrapartidas, mesmo quando os em-preendedores cumprem as demais exi- gências bancárias, como as cadastrais e a comprovação de capacidade d e paga-mento. Em entrevista exclusiva à Revista Sebrae, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, faz uma avaliação oti-mista sobre as perspectivas da economia brasileira e os próximos passos da parce-ria com o Sebrae. Leia a entrevista:

REVISTA SEBRAE - Como o senhor avalia a conjuntura econômica brasileira?

HENRIQUE MEIRELLES - O Brasil passa por um período auspicioso. A eco-nomia está em expansão equilibrada. A política econômica de metas de inflação e câmbio flutuante, combinada a uma política fiscal adequada, vem permitindo ao País reduzir a inflação, com cresci-mento econômico.

| ENTREVISTA

Henrique Meirelles

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RS -Essa conjuntura favorável pode ser  projetada para curto e médio prazos? 

HENRIQUE MEIRELLES -  A es- tabilidade econômica alcançada, bem como a perspectiva de manutenção dos  ganhos obtidos nessa área, tem reduzido progressivamente a percepção de risco macroeconômico, com repercussões importantes sobre as decisões econômi-cas: alargam-se os horizontes de plane-jamento dos indivíduos e das empresas; caem os prêmios de risco cobrados nas operações financeiras; e criam-se condi-ções para uma expansão sustentável do consumo e do investimento.

RS -O Brasil já estaria, então, vivendo um ciclo econômico virtuoso? 

HENRIQUE MEIRELLES - Pela pri-meira vez na história, o Brasil está cres-cendo de forma sustentada com inflação na meta, crescimento do emprego, renda real em alta continuada, saldo positivo nas contas correntes do Balanço de Paga-mentos, reservas internacionais elevadas e endividamento externo decrescente.  Agora, temos uma combinação de de-manda interna crescente e competitivida-de externa. Esse conjunto equilibrado competitivida-de

fatores dá ao Brasil condições de crescer de forma consistente por muitos anos. Este é o momento para o pequeno e o médio empresário investir e crescer.

RS -Pode-se, assim, concluir que o Brasil está economicamente menos vulnerável? 

HENRIQUE MEIRELLES - Enquanto a inflação era re-duzida nos últimos anos, o Brasil aproveitava os bons ventos da economia global para implementar também uma revira- volta em seus indicadores de vulnerabilidade externa e in- terna. Um processo amplo de redução das vulnerabilidades, desde 2003, colocou o Brasil hoje em posição de força para enfrentar os desafios da economia internacional, em particu-lar as condições mais apertadas de liquidez internacional que  vivenciamos no momento.

RS -Que mudanças o senhor considera mais importantes na economia brasileira nos últimos anos?

HENRIQUE MEIRELLES - Entre as principais mudan-ças estão as que fortalecem o Brasil e lhe permitem enfrentar com maior tranqüilidade o futuro. Eu gostaria de enfatizar quatro: a redução consistente da inflação e o alinhamento das expectativas de inflação com os objetivos da política mo-netária; a forte reação da balança comercial do balanço de pagamentos, com o registro de superávits comerciais de ex-pressivo valor; a recomposição das reservas internacionais do País; e a redução da dívida externa pública com os progra-mas de pagamento antecipado e de recompra de dívida.

(14)

avançando, mesmo diante de um cená-rio internacional de maiores desafios pela frente. O ambiente de estabilidade eco-nômica e a trajetória de expansão susten- tável favorecem a evolução das pequenas

e das médias empresas, que são as que mais sofreram os efeitos da instabilidade econômica e das crises do passado. A es- tabilidade econômica é condição

necessá-ria para o sucesso dessas empresas.

RS -O Banco Central é responsável  pela normatização e pela fiscalização do

Sistema Financeiro. Quais os avanços o senhor destacaria nessa área?

HENRIQUE MEIRELLES - A regula-ção prudencial avançou significativamente na última década. O novo ambiente de maior estabilidade econômica permitiu ao Brasil avançar na elaboração de nor-mas prudenciais, voltadas essencialmente para o desenvolvimento estrutural do Sis- tema Financeiro Nacional (SFN).

O enfoque da regulação passou da abordagem que tinha, como referência, a relação de alvancagem (passivo/patrimô-nio líquido) para uma abordagem apoiada no nível de risco gerado pelas operações ativas realizadas. Ou seja, a nova filosofia preconiza, por exemplo, que a maior ga-rantia que os depositantes têm de que re-averão os recursos depositados em uma instituição financeira reside na qualidade dos ativos dessa instituição e na capacida-de capacida-de ela absorver perdas.

Como esse novo ambiente regulatório  favorece as finanças voltadas para os  pequenos negócios? 

HENRIQUE MEIRELLES - Está nos permitindo avançar na estruturação e na melhoria do funcionamento do Sistema Financeiro Nacional (SFN), com avanços importantes na área de microfinanças. O Banco Central do Brasil e o Conselho Monetário Nacional têm envidado esfor-ços para ampliar o acesso da população brasileira aos serviços bancários, entre

eles os instrumentos de poupança financeira e de crédito. Esse processo de ampliação do acesso aos serviços financei-ros, conhecido como “bancarização”, tem desempenhado importante papel na dinamização de pequenos negócios,  tradicionalmente carentes de capital e instrumentos de fi-nanciamento. A maior “bancarização” dos brasileiros amplia as oportunidades econômicas e permite maior desenvolvi-mento de nossos recursos.

RS - Quais medidas o senhor destacaria como importantes  para a ampliação dos serviços financeiros para a população

de menor renda e para os pequenos negócios?

HENRIQUE MEIRELLES - Nos últimos anos, várias medidas foram adotadas, entre as quais destaco três: a ampliação da atuação das instituições financeiras por meio dos correspondentes bancários; a criação e o aperfeiçoa-mento das sociedade de crédito ao microempreendedor; e a evolução na área das cooperativas de crédito.

No caso dos correspondentes bancários, o Banco Cen- tral estendeu a faculdade de contratação de corresponden- te a todas as instituições financeiras e às demais instituições autorizadas. Atualmente, a população de todos os municí-pios brasileiros tem acesso aos serviços bancários, sendo atendida por pelo menos um correspondente bancário.

 As sociedades de crédito ao microempreendedor fo-ram criadas em 2001, para conceder financiamentos a pessoas físicas, com vista a viabilizar empreendimentos de natureza profissional, comercial ou industrial de pe-queno porte, bem como a pessoas jurídicas classificadas como microempresas. Elas foram aperfeiçoadas para per-mitir a possibilidade, mediante autorização do BC, de o controle societário ser exercido pelas Organizações da

Hoje, o Sebrae apóia programas a todos

os sistemas organizados. Ainda no campo

da capacitação e da divulgação, o Sebrae

 tem sido um parceiro importante em

cursos de alto nível e também em eventos

de microfinanças organizados pelo Banco

Central para a disseminação do tema nas

 várias regiões do País.

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Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) especializadas em opera-ções de microcrédito. Outro avanço permitiu a realização de operações por conta própria ou em nome de instituição legalmente autorizada a conceder empréstimos ao público, mediante contrato de prestação de serviços. Atualmente, existe um pro-jeto para a atualização da regulamen- tação, incluindo a revisão do limite de diversificação de risco por cliente, mas garantindo que a maior parte seja concentrada em operações de pequeno valor, e a possibilidade de receber depósitos dos sócios.

RS -O cooperativismo de crédito vem apresentando grande expansão e, para isso, foram necessários também avanços normativos. Esse processo terá continuidade? 

HENRIQUE MEIRELLES - A regulamentação sobre o cooperativismo de crédito tem evoluído com a incorporação de requisitos prudenciais e regras operacionais similares às que vêm sendo empregadas no aperfeiçoamento das normas atinentes às demais instituições do Sistema Financeiro Na-cional. Isso vem permitindo, ao longo do tempo, a abertura de possibilidades operacionais às cooperativas de crédito, es-pecialmente quanto às operações ativas, passivas e de pres- tação de serviços, e às condições de formação dos quadros de associados. Também estão em andamento estudos para a definição do melhor desenho para um fundo garantidor de crédito para o segmento.

RS -Sebrae e Banco Central mantêm convênio de cooperação técnica. Que importantes resultados seriam induzidos por essa  parceria?

HENRIQUE MEIRELLES - A parceria entre as duas ins- tituições tem gerado importantes resultados para o desenvol- vimento do segmento de microfinanças no País, notadamen- te quanto ao cooperativismo de crédito. Várias ações foram desenvolvidas na área da capacitação, de forma preventiva (para gerir negócios) e também corretiva, para quando se apresentarem problemas de gestão.

Hoje, o Sebrae apóia programas a todos os sistemas or- ganizados. Ainda no campo da capacitação e da divulgação, o

Sebrae tem sido um parceiro importante em cursos de alto nível e também em eventos de microfinanças organizados pelo Banco Central para a disseminação do tema nas várias regiões do País.

Tem sido também importante a participação do Sebrae no apoio à condução de projetos de constituição ou de transforma-ção de cooperativas de crédito, mediante a troca de informações e de atividades de organização e formação de cooperados.

RS -Qual a próxima grande aposta da parceria Banco Central/ Sebrae? 

HENRIQUE MEIRELLES - A Lei Geral das Micro e Pe-quenas Empresas, em tramitação na Câmara dos Deputa-dos, incorpora, em seu texto, a criação do Sistema Nacional de Garantias. Nesse contexto, o Banco Central vem partici-pando de discussões no sentido de buscar, juntamente com o Sebrae e o Ministério da Fazenda, um modelo para esse sistema, que objetiva reduzir o custo do financiamento (ope-ração de crédito) para o segmento.

Tem sido também

importante a participação do

Sebrae no apoio à condução

de projetos de constituição

ou de transformação de

cooperativas de crédito,

mediante a troca de

informações e de atividades

de organização e formação

de cooperados.

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| PROJETO DEKASSEGUI

Emigrante tem

apoio técnico para

abrir negócio

SEBRAE, ABD E BID ORIENTAM E CAPACITAM BRASILEIROS QUE MIGRAM PARA O

 JAPÃO E SONHAM VOLTAR AO BRASIL E AQUI MONTAR UM NEGÓCIO PRÓPRIO

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Textos: ASN/PR COM SANDRA MANFRINI Fotos: ASN/PR 

H

á 98 anos, em 1908, desembar-cavam no porto de Santos, no li- toral paulista, 781 japoneses do navio Kasato Maru, em busca de traba-lho nos cafezais brasileiros. Faziam parte do chamado movimento dekassegui, ini-ciado em 1883, que resultou na emigra-ção japonesa para os quatro cantos do mundo. O termo “dekassegui” é forma-do pelas palavras japonesas deru (sair) e kasegu (ganhar dinheiro), designando qualquer pessoa que deixa sua terra na- tal, temporariamente, para trabalhar. Os dekasseguis fugiam do desemprego e da amarga experiência vivida no Japão, que, no final do século XIX, dava os primei-ros passos rumo ao capitalismo.

Na bagagem, além do desejo de prosperar, traziam o sonho de retornar

o quanto antes para a terra natal. Os anos passaram e o so-nho de retornar foi esquecido. Os japoneses instalaram-se no Brasil e fixaram raízes. Não podiam imaginar que, um dia, a crise econômica brasileira da década de 1980 reacenderia o movimento dekassegui, desta vez no sentido inverso. Com os mesmos ideais de 1908, filhos e netos descendentes dos japoneses instalados no Brasil passaram a buscar postos de  trabalho nas fábricas do Japão, carentes de mão-de-obra

es-pecializada. Fluxo migratório que ainda não chegou ao fim. Dados do Ministério da Justiça do Japão revelam que em 1985 havia 1.955 nipo-brasileiros, devidamente regis- trados, no Japão. Em 1989, 14.528, ou seja, houve um cres-cimento de 249,31% se comparado com 1988. Em 1997, a taxa de permanência saltou para 233.254. Em 2003, para 274.700. E em 2004, para 286.577. Hoje, estima-se que 300 mil dekasseguis saíram do Brasil para viver no outro lado do mundo. Ao contrário do que ocorreu com seus pais e avós, muitos têm a oportunidade de voltar ao seu país de origem, o Brasil. Dois levantamentos de peso, fei- tos em 2004 e 2005, entre a comunidade nipo-brasileira que vive no Japão e no Brasil, confirmaram que o principal

(19)

objetivo de 45% dos dekasseguis, ao desembarcarem no Brasil, é montar um negócio próprio.

 As pesquisas, realizadas pelo Ser- viço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Na-cional, pela Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD) e pelo Banco In- teramericano de Desenvolvimento (BID) constataram, porém, um dado preocupante: a maioria dos negócios não decola e o índice de mortalidade dos empreendimentos, no primeiro ano de funcionamento, é elevado. Para modificar a situação e segurar as divisas que os dekasseguis trazem para o País, o Sebrae e a ABD deram um passo importante em 2003, ao lançarem o Dekassegui Empreende-dor, um programa de apoio, valori-zação, orientação e capacitação aos nipo-brasileiros, que em 2005 passou a ter o apoio do BID.

Sebrae no Japão

Em julho deste ano, o presidente do Sebrae, Paulo Oka-motto, foi pessoalmente ao Japão para o lançamento do Projeto Dekassegui Empreendedor em território japonês. Okamotto foi acompanhado de uma pequena comitiva: do  gerente da Unidade de Assessoria Internacional, Renato Ca-porali; do gerente de Atendimento Individual e diretor do projeto, Enio Pinto; e do consultor Eduardo Carneiro, fun-cionário do Sebrae no Pará, escolhido para ser o gestor do escritório do Sebrae no Japão, que será instalado brevemen- te em Nagoya.

Na visita ao Japão, Okamotto e os técnicos do Sebrae ti- veram contato com representantes da comunidade dekasse- gui e puderam sentir o interesse pelas ações planejadas pelo projeto. “A viagem foi muito importante. O sucesso desse projeto depende da sua divulgação ao público-alvo, para que as demandas possam surgir e nós possamos atendê-las, con- tribuindo para a geração de negócios”, disse o presidente da

Instituição.

O projeto foi lançado tanto em Nagoya, no Consulado brasileiro, quanto em Tóquio, onde também foi assinado

(20)

um convênio com a Câmara de Co-mércio Brasileira no Japão (CCBJ), para que sejam desenvolvidas ações conjun- tas em proveito do programa Dekas-segui Empreendedor. Provisoriamen- te, Eduardo Carneiro já está instalado em uma sala do Consulado brasileiro em Nagoya, realizando atendimentos e recebendo as primeiras demandas do público-alvo do projeto. O objetivo é que o consultor do Sebrae mobilize e estimule a comunidade de brasileiros no Japão a buscar informação, consul- toria e capacitação.

O Programa

O Programa Dekassegui Empreen-dedor consiste em cursos, palestras,  treinamentos e dinâmicas de grupo, com o objetivo de reintegrar o nipo-brasilei-ro à economia do País, informando-o  também sobre os riscos do mercado. O apoio do Sebrae a esse público é mais intenso nos estados do Pará, do Paraná, de Mato Grosso do Sul e de São Pau-lo, pois são essas as regiões de maior concentração de imigrantes japoneses em todo o Brasil. O programa dá dicas sobre a montagem do negócio próprio ou de um bom emprego e simula pro-blemas comuns para estimular a busca de soluções. O dekassegui conta ainda com o planejamento empresarial para a concepção e a busca de um negócio que possa ser implementado no Brasil, facultando, assim, a transferência do conhecimento e da tecnologia que exis- te no Japão.

“Nosso trabalho ajuda o dekassegui a aplicar melhor o dinheiro que antes era mal empregado. O conhecimento do Sebrae na parte empresarial possi-bilita oferecer essa orientação e capa-citação para os trabalhadores que re- tornam do Japão. O projeto tem dado apoio por entender o lado dos dekas-seguis, qual a realidade e suas neces-sidades”, explica Maria Helena Uyeda,

Portal

Consultores do Sebrae já estão recebendo perguntas e dúvidas dos dekasseguis. Por intermédio do portal Dekassegui Empreendedor (www.dekassegui.sebrae.com. br), o candidato a empreendedor que pretende ir ao Japão, ou que já está morando naquele país, ou mesmo aquele que  já retornou tem acesso a um atendimento personalizado

do Sebrae, com orientações e informações necessárias  para a abertura de um pequeno negócio. De acordo com o

coordenador nacional do Projeto Dekassegui Empreendedor, Silmar Pereira Rodrigues, ao receber os questionamentos, o Sebrae Nacional faz uma triagem e redireciona as

 perguntas para os estados de origem do dekassegui. Paraná,  Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pará, regiões com maior

concentração de dekasseguis, têm um consultor designado  para atender a essas demandas. Para os dekasseguis  procedentes de outros estados, o Sebrae Nacional já

contratou um consultor que vai dirimir todas as dúvidas. Por aquele portal, também pode ser feita inscrição para os cursos a distância oferecidos pelo Sebrae. Aliás, todos os cursos de capacitação da Instituição, disponibilizados  pela internet, estão disponíveis para os dekasseguis. São

eles: Aprender a Empreender; Como Vender Mais e Melhor;  Análise e Planejamento Financeiro; D’Olho na Qualidade;

Iniciando um Pequeno Grande Negócio (IPGN). O gerente Enio Pinto destaca que as capacitações serão oferecidas em turmas mistas, formadas por dekasseguis e brasileiros que estão no Brasil, com o objetivo de permitir maior troca de informações sobre a realidade socioeconômica do País.

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presidente da ABD. Atualmente, os brasileiros que tra-balham fora do País geram divisas de US$ 6,4 bilhões por ano. Do valor remetido anualmente ao Brasil, os nipo-brasileiros são responsáveis por cerca de US$ 2,2 bilhões. Perdem para os brasileiros que vivem nos Es- tados Unidos (US$ 2,7 bilhões), mas proporcionalmen- te geram mais riquezas. São 300 mil nipo-brasileiros no Japão e 1 milhão de brasileiros nos Estados Unidos. “Os nossos brasileiros que lá se encontram remetem ao Brasil bilhões de dólares por ano. Queremos ajudar a canalizar essas remessas para o setor produtivo, gerando emprego e renda”, afirma Paulo Okamotto. Segundo ele, é preciso que os brasileiros residentes no Japão tenham consciência de que estão vivendo em um país de Primeiro Mundo, cercado de novas tecnologias e de serviços alta-mente qualificados.

Para Hélio Cadore, superintendente do Sebrae no Pa-raná, crescimento e sustentabilidade só são conquistados com a geração de empregos e renda de forma contínua. “Durante anos, os dekasseguis remeteram muito dinhei-ro para o Brasil, mas não conseguiam vislumbrar um ne- gócio. Sem orientação, persistiria a situação de insucesso do passado, em que muitos eram enganados, abrindo ne- gócios de maneira desorganizada, sem critérios técnicos

e desordenados”.

Projeto piloto

de consultoria

No Paraná, o Programa Dekassegui Empreendedor entrou em nova fase, e dois projetos marcam o início desse tra-balho. Em maio deste ano, foi lançada, em Maringá, a ONG Tomodati de Coo-peração Brasil, que tem como objetivo auxiliar os dekasseguis e ex-dekasseguis nos investimentos econômicos, na rein-serção social e no provimento familiar.

Em Curitiba, no início de junho, foi apre-sentada uma proposta de caráter experi-mental, que visa à adequação de programas  técnicos oferecidos pelo Sebrae, para aten-der aos dekasseguis que, no Paraná, têm alta representatividade, principalmente em Maringá, Londrina e Curitiba. “Um dos ob-jetivos é orientar e preparar o dekassegui para a realização do planejamento financei-ro, para que aplique os ganhos de maneira correta e em investimentos seguros, usu-fruindo da melhor forma possível o período em que permanecer no Japão”, explicou Marcos Aurélio Gonçalves, coordenador do programa no Paraná.

Para aquele que tem o propósito de  viajar ao Japão, serão fornecidas ferramen- tas que poderão auxiliá-lo no processo, já que serão abordados aspectos econômi-cos, como o planejamento financeiro e familiar, e aspectos sociais, que vão desde o conhecimento do idioma, da legislação, da cultura e dos valores, e até mesmo para colocá-los em contato com organizações japonesas de apoio a esse público.

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Planejamento

orientado é

sucesso certo

O empreendedor Álvaro Oshiro pas-sou 14 anos trabalhando no Japão com o firme propósito de investir em um ne- gócio próprio quando voltasse ao Brasil. Enquanto estava fora, Álvaro pesquisou na internet informações sobre o con- texto socioeconômico do País, sobre as oportunidades de negócios em vários es- tados e sobre as entidades que poderiam auxiliá-lo a concretizar o sonho. Quando retornou ao Brasil, o empresário paulis- ta optou por fixar residência em Campo

Grande (MS).

 Após fazer uma análise de mercado,  Álvaro identificou uma carência de mer-cado na área de conservação e limpeza. O próximo passo foi procurar o Sebrae

Livro reúne experiências

bem-sucedidas

Histórias de empreendimentos que deram certo, contadas por nipo-brasileiros, compõem a série de seis fascículos ‘Histórias de Sucesso – Dekasseguis Empreendedores’, lançada pelo Sebrae, ABD e BID, no último dia 29 de junho, em Campo Grande (MS), durante o 2º Congresso Brasileiro de Dekasseguis. A coletânea reúne depoimentos de seis empreendedores do Paraná, das cidades de Londrina, Curitiba e Maringá. Eles contam como, ao voltar para o Brasil, enfrentaram o desafio de montar o próprio negócio, desde a

definição do empreendimento até a elaboração de um  plano de negócios. As histórias têm sempre como pano

de fundo as duras experiências vividas na condição de dekasseguis e as dificuldades enfrentadas por aqueles que retornaram ao País depois de uma longa temporada no Japão a trabalho. A série está disponível também pode ser acessada pelo portal Dekassegui Empreendedor (www.dekassegui.sebrae.com.br) .

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para a identificação do perfil empre-endedor, e foi assim que montou sua empresa. O empresário, que no Japão  trabalhava como empregado, conhece a importância da capacitação e procu-ra sempre se manter atualizado, parti-cipando de cursos e capacitação, para oferecer o melhor serviço ao cliente. “Estamos fazendo tudo para que nossa empresa se torne sólida no mercado, e para isso estamos buscando parcerias com fornecedores, bancos e até mes-mo com os clientes. Sem essa rede de contatos, é difícil tocar a empresa sozi-nho. O empresário precisa ter visão e estabelecer metas”.

 Abrir um negócio no qual pudessem  trabalhar e se manter no Brasil também era o objetivo de Roberto Takashima e da sua mulher Simone Yamaguti, junta-mente com Julio Yamaguti (irmão de Si-mone) e Cristina Yamaguti, sua mulher. Roberto chegou ao Japão em maio de 1992. Os irmãos Simone e Julio, em se- tembro do mesmo ano, enquanto

Cristi-na, três anos depois.

 Julio morava em um alojamento junto com Roberto, que pouco tempo depois começou a namorar Simone. Roberto e

Simone retornaram ao Brasil em 1998 e ficaram quase um ano analisando áreas de atuação em que poderiam mon- tar um negócio. Foi no ano seguinte, com a volta do outro casal ao Brasil, que, juntos, os quatro amigos optaram por abrir uma cafeteria em Curitiba, cidade onde Roberto ti-nha residência fixa.

Os empresários participaram de vários cursos no Se-brae no Paraná e contaram também com a orientação para abrir a empresa e realizar o plano de negócios. Si-mone afirma que, sem esse auxílio, teria sido mais difícil. “Os cursos ajudaram em vários pontos, inclusive para identificar características empreendedoras, pra ver se queríamos mesmo ser empresários. Além de alertar que um negócio próprio exige muito trabalho, e que, mes-mo assim, ganharíames-mos menos que no Japão. Isso ajudou para que não investíssemos o dinheiro sem planejamen- to”, diz Simone.

Na opinião da empresária, a nova proposta do pro- grama vai trazer melhorias no atendimento aos dekasse- guis. “Quem nunca viajou ao Japão tem outra visão, pois acha que só vai ganhar dinheiro; mas tem muitos gastos  também, o custo para sobrevivência lá é alto”, afirma a empresária, que reconhece a importância de se manter capacitado e atualizado com o mercado.

“A orientação dada pelo Sebrae vale não só para quem foi dekassegui ou está retornando do exterior. É impor- tante para todo empresário que deseja montar ou apri-morar sua empresa.” O café oferecido pelos Takashima e Yamaguti foi eleito, por uma revista de circulação na-cional, como o melhor de Curitiba, nos anos 2000-2001 e 2001-2002.

 A história dos quatro empresários nipo-brasileiros faz parte da coletânea ‘Histórias de Sucesso – Dekasseguis Empreendedores’, também uma parceria entre ABD, BID e Sebrae.

(24)

 A 

 tualmente, as ações do Sebrae no campo internacio-nal pautam por ser variadas, densas, e sobretudo em rápido processo de crescimento. Por um lado, isso é a própria expressão do processo de globalização, que inten-sifica não só as trocas econômicas, o movimento de capitais e mercadorias, mas também os intercâmbios institucionais e de conhecimentos. Por outro, a intensidade desse processo de intercâmbio, que no Sebrae é percebido pelas contínuas demandas que nos são feitas por transferência de conheci-mentos, intermediadas por programas de cooperação, bem como pela prontidão com que nossas próprias demandas são  geralmente atendidas por instituições de outros países, con-firma o fato de que as políticas de apoio ao pequeno negócio estão no centro dos novos modelos de desenvolvimento atu-almente em gestação.

Recebemos, com uma regularidade praticamente sema-nal, demandas do exterior, provenientes de instituições que querem conhecer nosso trabalho, nossas políticas, nossos programas, nossas metodologias. De nossa parte, também periodicamente buscamos instituições de outros países para conhecer melhores práticas, examinar soluções inovadoras, enfim, para mantermo-nos na vanguarda das políticas de apoio a pequenas empresas. Todo esse intenso processo de relacionamento internacional de instituições e governos é construído por meio de parcerias.

 Algumas delas nos colocam na posição de “doadores” de conhecimentos, em razão das metodologias e das técnicas de apoio que fornecemos aos pequenos negócios. Esse é o caso típico de nossa atuação no Peru, para onde disponi-bilizamos, já faz cinco anos, metodologias de programas de qualidade desenvolvidas pelo Sebrae.

RENATO

CAPORALI *

Destaque-se, ainda, a

presença do Sebrae

em fóruns e eventos

internacionais, sempre

comprometido

com debates

sobre questões do

desenvolvimento

ligadas ao fomento dos

pequenos negócios.

Parcerias

no campo

internacional

| ARTIGO

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Também em Cuba, desta feita traba-lhando em parceria com o Itamaraty, o PNUD e o Ministério cubano da Coo-peração Estrangeira, temos orientado a forma de apreensão de metodologias de desenvolvimento local. Com efeito, de-zenas de pequenos empreendimentos já foram organizados a partir do uso de nossas metodologias de orientação à criação de novos negócios.

Na África do Sul, as instituições de apoio a pequenos negócios fo-ram reorganizadas, segundo a for-mulação dos próprios dirigentes, com base nas lições aprendidas na observação das operações do Sebrae. Já somamos quase uma dezena de missões nos últimos anos, num processo que culmi-nará no próximo mês de agosto, com a renovação de nosso Pro- tocolo de Cooperação. Naquele,

como em outros países, a Agência Brasileira de Cooperação do Ministé-rio das Relações ExteMinisté-riores é parceira sempre presente, tendo o papel funda-mental de viabilizar nossas atividades de apoio e transferência de conhecimento aos países amigos do Brasil.

Foi graças a parcerias articuladas com universidades e entidades empresariais de países diversos que foi possível levar, ao Chile, à Argentina, ao Uruguai, ao Para- guai, à Colômbia e ao Peru, o Programa Desafio Sebrae, o qual tem obtido extra-ordinário sucesso e reconhecimento por conta de sua qualidade. O Programa já realizou a final “Mercosul”, oportunidade em que se reuniram as equipes vencedo-ras do Bvencedo-rasil com as daqueles países, num certame específico, pleno de emoções derivadas da integração entre os jovens dos países participantes.

Com o Chile, em especial, temos uma tradicional relação de cooperação,

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configurada, por exemplo, pela Sercotec - Corfo, instituição chilena com a qual nos correspondemos em vários campos em que atua com excelência. Atualmen- te, nossa relação adquiriu claramente o contorno de uma relação de mão dupla, num intercâmbio harmônico de técni-cas e experiências. No mês de agos- to, receberemos o diretor-executivo do Sercotec, Mario Ossandón Cañas, que passará dois dias entre nós, em reuniões de trabalho destinadas a absorver o que  temos de melhor e mais avançado em nossos programas, e reconhecer, en- trementes, as dificuldades enfrentadas, nossas falhas, os setores que requerem desenvolvimento, entre outros. A partir dessa visita, todo um programa de par-cerias, provavelmente envolvendo ter-ceiros países, será reestruturado.

Com efeito, já incorporamos à nossa cultura institucional uma variedade sig-nificativa de conhecimentos e práticas de outros países. Da Alemanha, veio o Programa Empreender, hoje já em pro-cesso de internacionalização na Améri-ca do Sul, depois de uma trajetória de sucessos em todo o País. Também foi realizado o Programa Competir, que  teve intensa atuação no Nordeste. Da Itália, assimilamos práticas que se tor-naram a base das metodologias de ação em arranjos produtivos locais. Essa me- todologia ainda vem sendo aprimorada com uma nova safra de projetos a serem financiados pelo Fundo Multilateral de Investimentos (Fomin).

 Junto com a Comissão Econômica para América Latina (Cepal), talvez o maior think tank latino-americano sobre problemas do desenvolvimento, transfor-mamos esse conhecimento em curso de pós-graduação de formação de quadros  gestores desses projetos. Dos Estados Unidos, aprendemos uma série de políti-cas afirmativas por parte do Estado para a criação de um ambiente mais favorável aos pequenos negócios, processo que  gerou a semente da criação de uma Lei

Geral da Micro e Pequena Empresa.

Destaque-se, ainda, a presença do Sebrae em fóruns e eventos internacionais, sempre comprometido com debates sobre questões do desenvolvimento ligadas ao fomento dos pequenos negócios. Participamos tradicio-nalmente do Fórum da Micro e Pequena Empresa e da  Assembléia-Geral de Governadores do Banco Interame-ricano de Desenvolvimento (BID), instituição com a qual  temos uma excelente relação e uma pauta diversificada de discussões e projetos. Além da iniciativa com a Itália sobre APLs, o Banco financia parcialmente nossa ação em prol dos brasileiros emigrados para o Japão, que procura-rá aumentar as chances de sucesso dos empreendimen- tos estabelecidos no Brasil, procurando entender a forma

como funciona a poupança acumulada naquele país. Temos participado ativamente do chamado Congres-so das Pequenas Empresas das Américas, que reúne Ar- gentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Estados Unidos, México e Peru, em seminários. O objetivo primordial é discutir  temas ligados ao acesso das MPEs aos mercados interna-cionais. Somos, também, membros da Organização La- tino-Americana da Micro e Pequena Empresa (Olamp), para cujo revitalização temos contribuído, conscientes de que se trata do único fórum regional de instituições públi-cas e privadas de apoio aos pequenos negócios. Por meio de simpósios periódicos, podemos intercambiar políticas, melhores práticas e colaborar para a atualização técnica das mais de trinta entidades atualmente associadas à or- ganização.

Certamente, as parcerias mencionadas não esgotam  tudo que o Sebrae tem feito nos últimos anos. Mas os exemplos mencionados são bastante eloqüentes para mostrar como tem sido rico esse processo. Importante é notar, mais uma vez, que tudo isso é feito por efeito de parcerias, sempre de forma graciosa, entre parceiros ofe-recendo o que têm para ofertar sem cobrar pelos conhe-cimentos disseminados, apenas tendo seus custos pagos, num movimento de intercâmbio que dignifica o processo de globalização, numa generosidade e solidariedade insti- tucionais que revelam o imenso potencial da Humanidade quando coloca o ideal do desenvolvimento acima de ego-ísmo e interesses menores.

Todos esses países, por toda parte e de forma siste-mática, são unânimes em confirmar que o desenvolvi-mento dos pequenos empreendidesenvolvi-mentos será a base de sociedades harmônicas, num processo que ratifica que a “cultura dos pequenos” pode de fato gerar frutos signi-ficativos no futuro.

* RENATO CAPORALI é Ph.D. em Desenvolvimento Econômico,  pela EHESS de Paris, e responsável pela Assessoria Internacional do

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Texto: BEATRIZ BORGES, ELIZA CAETANO E REGINA MAMEDE Fotos: ARQUIVO ASN

U

ma região rica e muito co-nhecida pela grande produ-ção das indústrias de metal mecânico, têxtil e plástico também pode ser um bom local para a produ-ção de flores e plantas ornamentais. Há cem anos, pequenos produtores da região norte de Santa Catarina in- vestem na produção de plantas

orna-mentais.

Com um relevo acidentado e mar-cado pela diversidade da Mata Atlân- tica, a região é propícia ao plantio de espécies muito utilizadas em projetos de paisagismo. Mas os produtores

sa-bem que não bastam os aspectos naturais para garantir uma boa produtividade. O velho ditado popular que diz “a união faz a força” retrata a realidade das pessoas engajadas nesse segmento, que garantiu sucesso ao empreendimento.

Um exemplo é o trabalho conjunto de instituições que se uniram para apoiar o desenvolvimento das pequenas pro-priedades rurais. O projeto do Arranjo Produtivo de Flores e Plantas Ornamentais foi montado em 2004 e ganhou um reforço importante quando reuniu o trabalho da Associação de Produtores de Plantas Ornamentais de Santa Catarina (Aproesc), da Associação Mercaflor, da Empresa de Pesquisa  Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), do

Senar e do Sebrae em Santa Catarina.

Gilmar Germano Jacobowski, engenheiro agrônomo, res-ponsável pelo Projeto de Desenvolvimento Local e Susten- tável da Epagri e representante dessa instituição no projeto

de plantas ornamentais, afirma que a parceria entre as insti- tuições foi a “melhor coisa realizada em prol desse segmen- to”. Para ele, depois que o projeto de arranjo produtivo de

| CAPA

Parceiros que

INSTITUIÇÕES PARCEIRAS EM PROJETOS DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS

EMPRESAS CONTAM PORQUE É INTERESSANTE TRABALHAR EM CONJUNTO

PARA OBTER BONS RESULTADOS

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dão certo

flores e plantas ornamentais foi inserido na metodologia de Gestão Estratégica Orientada para Resultados (Geor), co-ordenada pelo Sebrae, as ações e os re-sultados mudaram seu rumo.

Ele conta que, antes do compromis-so firmado entre as instituições partici-pantes, o projeto funcionava com base nos conhecimentos particulares com os quais participava cada representan- te das instituições parceiras. “Aquela história de usar as amizades para con-seguir passar pelas dificuldades e até burocracias enfrentadas no dia-a-dia acontecia”, disse. “Com o que a gen- te chama de ‘contratualização’, que é o compromisso firmado entre as insti- tuições parceiras no projeto, cada uma pode sentar à mesa e debater igualita-riamente questões sobre como pode-riam atuar melhor para que os empre-endedores pudessem se desenvolver dentro daquele setor”, revelou.

 A Gestão Estratégica Orientada para Resultados é uma metodologia que

ser- ve como instrumento para gerenciar da melhor maneira os recursos empregados em projetos, avaliar os resulta-dos alcançaresulta-dos e permitir o traço de perspectivas para o alcance de metas. Além disso, indiretamente, a Geor  tem conseguido unir as diversas instituições e transfor-má-las em fortes parceiros em prol de um objetivo úni-co. Implantada no Sebrae desde 2003, hoje ela agrega em torno de 800 projetos, que possuem participação do Sistema Sebrae em todo o País. Ao todo, são cerca de 2,5 mil entidades parceiras mobilizadas para a realiza-ção de quase 12 mil ações.

Segundo dados da coordenação nacional da Geor, para cada real investido pelo Sebrae nos projetos, são aplica-dos outros R$ 3,00 pelas instituições parceiras.

O engenheiro agrônomo da Epagri, Gilmar Germano  Jacobowski, acredita que o fato de o projeto de plantas ornamentais no norte catarinense ter reunido os pon- tos fortes de cada uma das instituições envolvidas abriu caminhos para vários mercados. Segundo Gilmar, a me- todologia da Geor impulsionou o projeto e fortaleceu as

ações para alcançar as metas preestabelecidas.

Para o engenheiro agrônomo, o simples fato de apren-der a tomar decisões conjuntamente, em comum acordo, assim como procede o Conselho Diretor do Projeto, “foi um exemplo fantástico de que, se agirmos juntos,

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con-seguimos bons resultados”. “Nós nunca imaginamos trazer compradores nacio-nais e internacionacio-nais para conversar cara a cara e entender qual era a real deman-da deles. Isso aprendemos com as rodeman-da- roda-das de negócio, inseriroda-das pelo Sebrae”, citou o técnico da Epagri.

 A expertise trazida por cada um dos parceiros é um dos enfoques que os projetos na Geor enaltecem para dar um salto de qualidade no desempenho dos pequenos empresários, qualquer que seja o segmento atuado.

No caso do projeto desenvolvido em Santa Catarina com plantas ornamen- tais, atualmente estão registrados, em associações, 370 produtores de flores e plantas ornamentais dos mais diversos portes. Noventa por cento deles são pequenos empreendimentos. São famí-lias inteiras que já estão na sua terceira  geração cultivando plantas ornamentais. Do projeto do APL de Flores e Plantas Ornamentais participam em torno de 90 pequenos produtores.

O diretor da Mercaflor, Jordi Cas- tan, que também é produtor de plantas ornamentais, diz que o dinamismo do projeto é a chave do seu atual sucesso. “Esse dinamismo quer dizer não apenas a experiência que se tem com o setor no qual se vai atuar, mas também a capaci-dade de agir ativamente, sem dependên-cias, em que cada instituição assume o projeto como se fosse seu”, acredita.

Também como empreendedor do meio rural, Jordi Castan sabe que é muito difícil para um pequeno produ- tor, investindo sozinho, isoladamente, obter sucesso. Da mesma forma, atuan-do sozinhas, as instituições não conse- guiriam atingir os resultados esperados. “Um parceiro complementa o outro. Pode ter certeza que não é só o empre-endedor que sai ganhando. A troca de

experiências e idéias é muito grande”, disse Jordi.

Para ele, só o fato de as ações e as propostas do projeto não terem partido de cima para baixo, ou seja, impostas, já foi um passo importante de uma parceria que ultrapassa o limite institucional e funciona em todos os níveis – desde o produtor até o consumidor.

É o que vem sentindo o produtor de plantas Marcelo  Antônio Tomaselli, sócio-proprietário da Anthurium Plantas e Flores, de Joinville. Desde 2000, Marcelo trabalha com o cultivo de plantas ornamentais, mas foi em 2004 que sua em-presa começou a crescer, quando ele entrou para o projeto do Arranjo Produtivo de Flores e Plantas Ornamentais. Ele lembra que, durante quatro anos, teve muita dificuldade em comercializar seus produtos porque não sabia como identifi-car e conquistar o mercado consumidor. “Depois que come-cei a participar do projeto, percebi como o esforço de todos culmina no bem comum do setor”, disse.

Marcelo Tomaselli revela que nunca teria obtido tantas informações sobre o segmento e a comercialização de seus produtos se não participasse do projeto. “Se fosse começar hoje, seria bem mais fácil, porque iria direto à fonte da infor-mação. Para isso, a troca de experiências entre quem está na

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a cooperativa e criar a marca para engarrafar, padronizar e comercializar a cachaça”, conta o presidente da Cooperca-cen, Ronaldo Ferreira de Miranda.

Durante o projeto da Geor, os produtores recebem apoio em várias áreas: na comercialização, na participação em feiras, em contatos com representantes e na capacitação. O rótulo e a embalagem da Kamulaia foram feitos por um designer profissional, por meio do programa Via Design, da entidade, e se tornou um diferencial do produto. “Tínhamos um rótulo que não era muito profissional”, conta Ronaldo.  A bebida é um pequeno kit formado por uma garrafa, uma embalagem plástica e uma etiqueta que exibe a receita da  tradicional caipirinha.

 Atualmente, 25 dos 67 integrantes da cooperativa produ-zem cachaça para a marca da cooperativa. Os outros estão se adequando à legislação e às normas de qualidade para que a bebida que produzem também entre na mistura da Kamulaia.

 A Emater acompanha os produtores no alambique e na lida e quem tem o conhecimento técnico

é muito importante para o sucesso do empreendimento”, argumenta.

O empresário afirma que, quando começou, há seis anos, ele investia na plantação de quase 80 espécies, mas não atentava para a produtividade de cada uma delas. Depois de se associar à Mercaflor e participar do projeto, ele reduziu seu foco a apenas 10 espécies, exatamente as que apresentavam maior produtividade. Com isso, a empresa An- thurium Plantas e Flores passou a ter constância e pontualidade na entrega de suas encomendas, que seguem principal-mente para Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. “Antes, eu vendia só para  Joinville mesmo”, disse.

Com o aumento da produtividade, a empresa passou de dois para 10 fun-cionários e aumentou em doze vezes a receita em apenas dois anos atuando em parceria com as instituições e os produ- tores que participam do projeto.

Branquinha

conquista mercados

No setor de cachaças artesanais de Minas Gerais, a parceria pode significar, para pequenos produtores, a oportuni-dade de produzir em boas condições e comercializar por preço justo. “A reu-nião de produtores para engarrafar a cachaça aumenta a escala e melhora a qualidade”, explica o coordenador dos projetos de cachaça do Sebrae em Minas Gerais, Rogério Galuppo.

Foi assim em Guanhães, região nor-deste do Estado, onde a atuação do Se-brae resultou na criação da cachaça Ka-mulaia, um blend das bebidas produzidas pelos participantes da Cooperativa dos Produtores de Cachaça de Alambique e Derivados de Cana-de-Açúcar do Cen- tro Nordeste Mineiro (Coopercacen). “A entidade nasceu do grupo de empre-sários reunidos por um dos produtos do Sebrae, o Empreender. Decidimos fazer

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| RETRANCA

fazenda para fazer as adequações. “Eles  têm a orientação desde o momento em que plantam a cana até a hora de fazer a cachaça, quando o produtor tem que investir para modificar o que está erra-do. Isso é muito importante para que ele não perca dinheiro”, explica Miranda.

O potencial da Coopercacen é de produzir dois milhões de litros por ano. “À medida que abrirmos mercados, os produtores poderão fazer mais investi-mentos. A previsão é de que todos os alambiques fornecerão para a Kamulaia até os próximos quatro anos”, diz o pre-sidente da cooperativa.

Com o projeto da Geor, a entidade  também ganhou o aprendizado da arti-culação. “O produtor sozinho não con-segue fazer nada”, acredita Ronaldo. As prefeituras da região, a Emater e a Or- ganização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg) são grandes parceiros. “O que alavancou o setor em Guanhães foi o projeto que hoje é acom-panhado pela Geor. Ele nos abriu a cabe-ça para muitas possibilidades”, reconhe-ce o representante dos produtores.

Entre as metas estipuladas para o projeto estão o aumento do faturamen- to dos alambiques, legalizados em até 20%, e do volume de mão-de-obra ocu-pada em 10%, até o final de 2007.

Imagem positiva atrai

compradores

De bebida inferior e atividade quase artesanal de  fazendas do interior de Minas Gerais, a cachaça  ganhou, nos últimos anos, status de um destilado a

ser apreciado por todas as classes sociais. “Tivemos uma valorização do produto e uma formalização do setor nos últimos anos”, conta o superintendente do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (Sindibebidas), Cristiano Lamego. Uma garrafa de aguardente de cana artesanal pode atingir preços superiores aos de um bom vinho. A articulação de produtores mais profissionalizados fortaleceu o setor e mudou a imagem do produto. Hoje, sete projetos que o Sebrae apóia acompanham a metodologia Geor para o setor de cachaça em Minas Gerais, que pretende desenvolver indústrias, elevar vendas, aumentar a  formalização e a produção nas regiões de Guanhães,

Salinas, Araxá, Divinópolis, Ponte Nova, além das regiões do sul de Minas e do Triângulo Mineiro. “Temos parcerias locais nas regiões onde acontecem os projetos; e também estaduais, com instituições de apoio como o Sindibebidas, a Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais) e a Ampac (Associação  Mineira de Produtores de Cachaça de Qualidade)”,

explica Galuppo. Depois que o brasileiro aprendeu a apreciar o destilado e o mercado ganhou adeptos exigentes, como as mulheres, o setor não parou de crescer. “A média foi de 15% ao ano durante os últimos 15 anos”, diz Cristiano Lamego. Minas Gerais produz atualmente cerca de 200 milhões de litros de cachaça artesanal, metade do volume total feito no Brasil. São 500 empresas formais, numa indústria composta por micro e pequenos, que emprega cerca de 150 mil pessoas apenas em Minas. A rede tecida em torno do setor, que alguns anos atrás era em grande parte informal e cujo produto era desprezado pela sociedade, já acumula conquistas importantes que se refletem na qualidade da bebida e em melhores condições  para os produtores. “Se não houver soma de

esforços, os resultados não são alcançados”, acredita Rogério Galuppo. Agora, a meta da parceria entre Sindibebidas e Sebrae é certificar 15% do setor segundo o Programa Brasileiro de Avaliação da Conformidade da Cachaça, do Inmetro, e adequar a indústria a todas as normas ambientais.

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Capital mundial

Em Salinas, cidade considerada a “capital mundial da ca-chaça”, foi a união dos produtores que fez que quase 100% do setor se formalizasse. Os 22 associados da Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs) de- têm 34 marcas, entre as quais a Terra de Ouro, feita com a cana dos 109 agricultores ligados à Cooperativa dos Produ- tores de Cachaça de Alambique da Microrregião de Salinas

(Coopercachaça). São oito alambiques em quatro municípios que fabricam e engarrafam a produção que antes era vendida sem rótulo, em garrafas pet. “Sem a união, o pequeno não produz em boas condições”, afirma o presidente da Apacs,  João Pena. Segundo ele, a organização dos produtores valo-rizou a bebida e fez de Salinas um dos grandes nomes da ca-chaça. “A cidade já tinha um marketing pronto, uma imagem difundida, mas os preços não condiziam com a qualidade do produto”, conta. A produção de aguardente hoje é a segunda atividade econômica da cidade da região norte de Minas e superou uma agricultura familiar marcada pela seca.

Em Salinas, o projeto da Geor pretende aumentar as ven-das em 50% e exportar 10% do total produzido até o final de 2007. “A região está um passo à frente em relação aos outros pólos produtores. O setor é formalizado e a qualida-de do produto é muito boa. Por isso, o foco do projeto está na comercialização”, explica a técnica do Sebrae de Minas na região, Kênia Cardoso. Para este ano, a parceria também  terá avanços importantes na integração dos produtores. “Va-mos montar uma central de negócios para a compra de ma- téria prima e a venda da cachaça”, conta Kênia.

Lucro certo à

moda brasileira

Comida caseira à moda antiga e com o gostinho de Por- tugal. É assim que Antonio Souza Pinto define o seu negócio. Dono de dois estabelecimentos na Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro, ele é um dos 75 empresários que fazem parte do Pólo de Gastronomia, Cultura e Lazer. “Arrumando a Pró-pria Casa” é o nome desse projeto do Sebrae-RJ, concebido para revitalizar a área. Desde sua implantação, há um ano, os resultados têm superado as expectativas. Em parceria com a Prefeitura e diversas entidades, como o Senac, parte do centro antigo da cidade já ganhou obras de infra-estrutura, como esgoto e iluminação. “Só o meu movimento cresceu 30%, para mim que, estando aqui há mais de 40 anos, che- guei a acompanhar sua decadência. Agora, vejo a freqüência aumentar, e o melhor é que muitos negócios novos estão

aparecendo nos casarões que antes estavam fechados e em ruínas”, resu-me, com entusiasmo, o empresário.

 A gastronomia é uma das ações mais importantes desse projeto que acontece em outros bairros da cida-de e que envolve, além do Sebrae, parceiros como a Prefeitura, o Sin-dicato dos Bares, Hotéis e Restau-rantes do Rio de Janeiro (Sindirio), a Fecomércio e o Senac. A opção jus- tifica-se já que o setor tem números expressivos. Segundo dados da Asso-ciação Brasileira de Bares e Restau-rantes (Abrasel), esse setor responde por 2,4% do PIB. O segmento é um dos que mais geram novos postos de  trabalho, empregando cerca de seis milhões de pessoas. Em janeiro deste ano, por exemplo, dos 66 mil empre- gos formais, 21 mil deles estão liga-dos ao turismo, sendo 60% em bares e restaurantes.

 A parceria entre entidades e os interessados na revitalização é uma das chaves para o sucesso dos proje- tos. “Uma das grandes vantagens de se associar a outras entidades é que o  trabalho fica mais organizado e conse-qüente. A sistematização dos encon- tros permite a identificação dos pro-blemas de forma mais rápida e o peso dos parceiros facilita o atendimento das nossas reivindicações por parte dos órgãos públicos. Isso é

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particular-mente importante porque agora discuti-mos os nossos problemas pessoalmente com os técnicos da Prefeitura. Dessa for-ma, eles sabem quais são as nossas priori-dades e as reivindicações podem ser mais bem atendidas”, avalia Plínio Fróes, dire- tor da Associação dos Comerciantes do

Centro do Rio Antigo (Accra).

 A implantação dos pólos de gastro-nomia, cultura e lazer com a aplicação da metodologia Unir e Vencer é definida a partir da análise do potencial do local, a concentração de negócios e a vonta-de dos empresários vonta-de se integrarem às ações propostas. Em Botafogo, onde foi implantado o primeiro modelo, a união entre os 30 empresários já está bem consolidada. O roteiro já tem um calen-dário de festas e eventos, folhetos que são distribuídos aos visitantes com todas as opções e endereços do bairro.

Motivado pela demanda dos próprios empresários, o Sebrae já está realizando o segundo curso de formação de auxiliar de cozinha para jovens de comunidades carentes. Segundo essa política de par-cerias, foi fechado um acordo com o ba- talhão da Polícia Militar de Botafogo, que cedeu a cozinha para os aprendizes. De

olho nos Jogos Pan-Americanos, que acontece em 2007, os empresários também decidiram imprimir cem mil fôl-deres com informações sobre o bairro, os pratos espe-cializados de cada restaurante e o perfil de cada estabe-lecimento, para a distribuição em bares, hotéis e agências de viagem e editar um livro de receitas com estórias do bairro, que já foi um dos mais aristocráticos da cidade.

 A metodologia aplicada em todos os pólos inclui ações de capacitação e qualificação para empresários e funcio-nários. Explorando temas como atendimento ao cliente, manipulação correta de alimentos, gestão administrativa e financeira, são oferecidos cursos para que os estabe-lecimentos atinjam um padrão de excelência adequado às normas da Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e que estejam preparados para receber a apro- vação do cliente, que é o crítico mais rigoroso.

 A atuação integrada, ao fornecer uma visão global e, dessa forma, permitir que os parceiros possam desenvol- ver ações pontuais para aumentar o nível de qualidade dos estabelecimentos, é apontada como uma das grandes  vantagens pelo Sindicato dos Bares, Hotéis e Restauran- tes do Rio de Janeiro (Sindirio). “Percebo que a interação com Sebrae, Senac, Fecomércio e Prefeitura, entre ou- tros, tem sido perfeita para a melhoria da qualidade em  todos os níveis, tanto para o cliente final quanto para o funcionário. Ninguém, separadamente, conseguiria che- gar aos mesmos resultados. Juntos, podemos atuar com mais força e competência”, afirma a diretora dos Pólos Gastronômicos do Sindirio, Rosana Santos.

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Na Tijuca, o maior e o mais im-portante bairro da Zona Norte, a mudança começou pela praça Var-nhagen. A Subprefeitura local buscou o Sebrae da região para montar um projeto de desenvolvimento local. O programa de capacitação empre-endedora e associativa foi recebido pelos empresários como possibili-dade concreta para o crescimento e o fortalecimento da região. Hoje, em apenas quase dois anos, o Pólo é formado por 15 associados, com  visão total empreendedora e social, aumentou seu faturamento em 20%, desde sua criação e gerou mais de 15 empregos nos bares e restaurantes da região. As benfeitorias urbanas foram aceleradas pela associação dos empresários, que passaram a atuar mais aplicadamente para o cumpri-mento das metas do projeto da Pre-feitura “Rio Ruas Comerciais”, de va-lorizar e fortalecer o comércio local.

“A gastronomia é uma ação de im-pacto porque está ligada à cultura, ao resgate e à valorização do local. Es- tamos trabalhando destinos de con-sumo para aumentar a visibilidade de forma a consolidar os negócios já existentes e atrair novos investimen- tos. O Sebrae, quando entra com a qualificação e a capacitação, e fecha parcerias com entidades públicas e privadas, trabalha para que essas empresas possam ficar mais compe- titivas, administrando melhor seus negócios e aumentando a oferta de  trabalho”, diz a gerente da Área de Desenvolvimento Comercial do Se-brae no Rio de Janeiro, Mariângela Rosseto Champoubry.

“Dá para conhecer uma cidade pelas vitrines. Por elas, você pode sa-ber qual é o padrão de consumo dos seus habitantes e como anda a eco-nomia. Mas, pela gastronomia, você chega perto da alma de um povo.  Através de um prato, você pode co-nhecer um pouco da estória do lugar

que está visitando”, resume Gilberto Cardoso, do Leblon.  Ainda em fase de estruturação, o empresário não vê a hora da implantação dessas ações no bairro que, apesar de ser um dos mais nobres do Rio de Janeiro, sofre com proble-mas infra-estruturais, como iluminação, e falta de segurança, queixas, aliás, comuns a todos os pólos.

Na avaliação do empresário Pedro Paula Machado, a ação conjunta só tem trazido bons resultados. “Já participei de di- versas associações e era tudo semi-amador. Todas as ações eram feitas de forma empírica. Não tinha esse trabalho im-plantado pelo Sebrae de distribuir tarefas e fazer cobrança dos resultados. Outra grande vantagem dessa parceria é que o Sebrae é uma entidade que trabalha pela agregação e, com isso, nós ganhamos força para atuar entre os órgãos públicos. Essa união em torno dos mesmos objetivos é que faz as coi-sas caminharem”.

“Ninguém melhor do que as pessoas que vivem o dia-a-dia do lugar para identificar quais são os problemas mais urgentes”, resume a diretora do Plano Estratégico da Pre-feitura do Rio de Janeiro, Cecília Castro. Por isso, esse tipo de metodologia de trabalho, segundo a diretora, representa um instrumento poderoso de aproximação entre os órgãos públicos e a população, permitindo a racionalização do inves- timento do setor público.

“A atuação conjunta entre todos os parceiros permite que a Prefeitura possa entender profundamente as questões locais e assim consiga articular de forma mais rápida e precisa as ações de desenvolvimento econômico e social. Muitas vezes, inter- venções simples, como iluminação ou definição de uma área de estacionamento, podem fazer uma enorme diferença para o local. A evolução acontece porque todos se colocam diante do problema de forma unida, cada um com suas responsabili-dades. Esse modelo está dando certo por causa disso”.

Referências

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