4.2. Área II: Participação na Escola e Relações com a Comunidade
4.2.3. Reuniões: O conhecimento fora e dentro das salas
Desde as reuniões de Departamento, às do PC, passando pelas de final de período até às com o PO, todas foram aprendizagem. Fazia parte integrarmo- nos na escola e uma das funções do EE passava exatamente por estar presentes em todas as reuniões necessárias para o bom funcionamento escolar. As reuniões realizadas no início do ano letivo, como as do DT e as gerais serviram para nos integrar na escola e na comunidade e para conseguirmos perceber como se processa e se desenrola toda a organização escolar. Não foi fácil, confesso, existe dentro desta casa que é a escola, um conjunto enorme de divisões e portas que se tornam difíceis de perceber para quem não está dentro da estrutura, mas que rapidamente e com a ajuda de todos, se tornou de fácil perceção. É incrível a interligação existente no meio escolar, ninguém tem a noção dos fios invisíveis que se criam, como se de um quadro de eletricidade se tratasse, todos são importantes, todos trabalham para dar luz à escola. Assim, para que a luz nunca falhe são realizadas um conjunto de reuniões que permitem que todos esses fios invisíveis se entendam, que saibam principalmente trabalhar em conjunto em prol do mesmo objetivo. Entre as inúmeras reuniões existentes, as de Departamento serviam para discutir os problemas e para organizar as atividades a ser realizadas no âmbito da EF, assim como discutir assuntos oriundos do Conselho pedagógico ou da Direção. Estas reuniões eram previamente marcadas e presididas pelo Coordenador do Departamento de Educação Física e pelos restantes professores de EF pertencentes ao Agrupamento. O bom relacionamento entre todos os membros fazia com que as reuniões fluíssem de uma maneira descontraída, mas sempre profissional e que houvesse momentos de partilha interessantes e com conclusões muito produtivas. Todos os tópicos eram devidamente registados por um professor voluntário que trocava de funções de reunião para reunião e que ficava responsável por idealizar a ata.
“Passado 2 meses, aquando do primeiro contato com o Departamento de EF, os corredores de acesso à reunião já não eram longos e as pessoas olhavam para nós e não nos confundiam com alunos perdidos na escola.
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Com a entrada dos professores para a reunião, a relação estabelecida entre todos, inclusive comigo era de tal forma enorme que só pensava “quem me dera ficar aqui”. Não sei como são as realidades das outras escolas, falo desta porque conheço. O ambiente que se vive aqui não se explica. Os Professores, estagiários ou não, podem dar a sua opinião, a Educação Física é reconhecida e a relação entre todos os docentes do grupo do fato treino é fascinante.” Reflexão da 2ª reunião de Departamento. 18 Novembro de 2015.
A opinião mantêm-se e manter-se-á. Se agirmos como um grupo, como uma equipa toda a escola se iluminará, caso contrário apenas seremos simples raios abandonados e a dar choque em algumas partes das imensas divisórias que a estrutura acarreta.
Relativamente às reuniões com a PC do 2º ciclo serviram para perceber a metodologia adotada num ciclo diferente e para ajustar o processo de estágio, nomeadamente as aulas dadas, as dificuldades de cada aluno e a modalidade pretendida para lecionar.
As reuniões com o Coordenador do Desporto Escolar serviram para dar início ao acompanhamento de uma classe de DE e para tratar de alguns assuntos no que diz respeito à organização e estrutura do CFD.
As reuniões com o Núcleo de Estágio e com o Professor Cooperante ocorriam sempre à quinta-feira e serviam para falarmos de tudo o que diz respeito à escola: os problemas, assuntos importantes e até para percebermos um pouco da história e evolução do ensino e das metodologias utilizadas. Estas foram sem dúvida uma mais-valia para podermos colmatar os nossos erros, mas principalmente para aumentar a nossa cultura no que à escola e ao ensino diz respeito. O PC preparou desde sempre as reuniões com grande cuidado e afinco, tendo por isso conseguido ver avanços, dúvidas e resoluções da nossa parte.
“Hoje a nossa reunião foi feita no praticável, a experienciar, como em tudo o que nos caracteriza, nós somos os do fato de treino, da sapatilha e do pavilhão. Sentir e falar das dificuldades que enfrentam os alunos torna-nos mais sensíveis aos pequenos detalhes, faz-nos melhorar a compreensão e
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automaticamente por sabermos um pouquinho mais, o feedback será melhor da próxima vez. Só ensinamos o que sabemos, mas admitamos que muitas das vezes acabamos por saber as coisas como nos ensinaram, quase que me arrisco a dizer que passamos ao discurso dos nossos pais ou avós “no meu tempo foi assim que aprendi”. Não que não queiramos evoluir mas porque foi a forma que se automatizou em nós. Aprender com pessoas que são mais experientes deixa-nos mais confiantes e experienciamos coisas nunca antes praticadas. Deixamos de dizer as coisas só porque ouvimos mas essencialmente porque as experimentamos, porque sabemos que resulta, porque nós próprios as sentimos. Fazer a roda, “de pernas para o ar” dá um certo ar de ginasta, mas nunca me vi a fazê-la. Além disso, a última vez que tomei consciência do que fazia e vi de relance por um espelho parecia-me tudo menos alinhada e sem dúvida toda mal conseguida. Seguindo os feedbacks já aprendidos do afundo pronunciado e segmentos alinhados, após uma filmagem verifiquei que afinal não faço assim tão mal. Não faço porque usei os métodos aprendidos de novo. A postura e o alinhamento dos segmentos são importantíssimos para o sucesso do elemento. Sem estes, a ginástica deixa de ser estética, rigorosa, exemplar e disciplinada. É importante incutir esta ideia nos nossos alunos, não porque queiramos formar ginastas de alta competição, mas porque é fundamental eles perceberem onde realmente se inicia e finaliza o movimento.” Reflexão reunião Professor Cooperante. 7 Janeiro 2016
As reuniões com o Orientador ocorriam nos momentos de observação e em sessões programadas e agendadas pelo mesmo para tratar de todas as burocracias e esclarecer todas as nossas dúvidas tanto a nível do RE como noutros assuntos respeitantes à escola.
As reuniões de final de período, ou de classificações, presididas pela DT, foram as reuniões que mais nervosismo me deram, só se foi apaziguando de reunião para reunião. Antes de cada uma passava dias a pensar se as classificações tinham sido bem atribuídas ou não, era uma responsabilidade tremenda. Os procedimentos realizados em cada reunião já me tinham sido explicados pelo PC, mas todo o envolvimento me fazia sentir um elemento
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àquela turma e com palavra sobre a mesma. Era eu quem falava em representação da EF, apesar de me fazer acompanhar do PC, a apreciação global da turma era proferida por mim. Proferiam-se as informações aquando da apresentação de todos os professores e dos representantes dos alunos e dos Encarregados de Educação e todos tinham oportunidade de usar da palavra. Retiravam-se os pais e os alunos e ficávamos, em família, todos os professores a falar de assuntos que só nós sabíamos, porque os conhecíamos por dentro, porque lidamos com eles. Houve momentos de partilha muito rica de informação e senti que todos os problemas retratados eram de meu conhecimento e que em muitos casos eu sabia mais informação que os restantes professores, por uma questão de partilha e troca de vivências por termos idades mais próximas. Por fim, eram enunciadas as classificações de cada aluno em cada uma das disciplinas para que cada professor pudesse confirmar ou corrigi-las. A par destes contactos com a DT e com os Encarregados de Educação na hora de atendimento para o efeito. Essas reuniões permitiram um contacto mais próximo com os encarregados de educação de alguns alunos, podendo opinar sobre os problemas que os pais levavam para as reuniões e ouvindo o feedback que estes tinham dos filhos acerca de mim e da disciplina de EF.
A presença nestas reuniões de grupo permitiu-me um envolvimento maior e um acompanhamento mais próximo da escola e dos processos inerentes à turma e à disciplina.