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5.3 Tecnologia como aliada

5.3.6 RFID – Radio frequency identification

O RFID é uma tecnologia baseada em etiquetas eletrônicas que emitem sinais de rádio e leitores que captam este sinal. A etiqueta é formada por um chip que contém informações a respeito do objeto e uma antena que comunica estas informações via ondas de rádio, ao entrar em contato com o campo de radio-freqüência criado pelos leitores (EPC GLOBAL, 2004).

Esta tecnologia já vem sido utilizada há décadas para identificação de aviões de guerra, mas apenas recentemente, tem sido implantada na área comercial. O uso do RFID é interessante em qualquer área em que um sistema de códigos de identificação únicos é necessário. A etiqueta pode conter tanto informações simples, como instruções de lavagem de uma blusa, quanto instruções complexas, detalhando a linha de montagem de um carro. As informações são gravadas na etiqueta por meio de um código eletrônico de produto, conhecido como EPC (Eletronic Product Code).

De acordo com uma pesquisa realizada pela MICROSOFT (2004) no Reino Unido, envolvendo 50 varejistas e 65 indústrias, apesar da crescente cobertura do RFID pela imprensa, poucos executivos estão familiarizados com esta tecnologia. Segundo as conclusões deste estudo, apenas 25% dos executivos da indústria e 14% do varejo, conhecem em detalhes, o real impacto desta tecnologia nos negócios. Apesar disto, muitos já reconhecem as aplicações e benefícios que podem ser gerados pelo RFID, com destaque ao seu potencial na cadeia de suprimentos, identificando seus principais desafios, como níveis altos de estoque, dados não confiáveis e rastreabilidade do processo.

Os principais benefícios identificados pela pesquisa encontram-se na figura a seguir:

Figura 5.9- Benefícios gerados pelo RFID Fonte: adaptado de MICROSOFT (2004)

Pode-se perceber que existem importantes benefícios gerados pelo RFID, garantindo um melhor gerenciamento da cadeia de suprimentos. Com esta ferramenta, as organizações conseguiriam atender às necessidades dos clientes mais eficientemente, pois teriam dados mais confiáveis e informações em tempo real da localização dos bens. Contudo, ainda existem muitos obstáculos a serem superados. Esta mesma pesquisa concluiu que a maior barreira para a implantação do RFID é a falta de conhecimento sobre a tecnologia pelos executivos. Além disso, as etiquetas continuam sendo consideradas com custo elevado, tornando difícil demonstrar um retorno sobre o investimento positivo. O alto preço das etiquetas também inviabiliza que sejam realizados vários testes antes da implantação definitiva da tecnologia, aumentando os riscos envolvidos no processo.

Segundo CRAWFORD e GOLDMAN (2004), outro desafio refere-se à falta de padronização. O uso de padrões, tanto em termos de codificação, como faixas de freqüência, é essencial para viabilizar o uso da tecnologia EPC/RFID no gerenciamento da cadeia de suprimentos. Desta forma, os órgãos de padronização, como a EAN do Brasil, por exemplo, estão empenhados em criar um padrão aberto, multissetorial e global.

A figura a seguir demonstra a movimentação do produto ao longo da cadeia de suprimentos, bem como os pontos de leitura das informações da tag (etiqueta):

Figura 5.10- Movimentação do produto, utilizando o RFID Fonte: adaptado de GS1 BRASIL

É importante notar que em cada momento em que a leitura da tag é realizada, os dados são armazenados, ou no fabricante, ou na transportadora, ou no varejo. Este fato é representado na figura pela designação EPC Instance Data, que indica os dados armazenados no código eletrônico do produto.

De acordo com a EPC GLOBAL (2004), as evidências no mercado demonstram que a utilização do RFID está crescendo, em especial nos Estados Unidos. Apesar dos desafios e riscos de implantação, um maior número de empresas está avaliando a tecnologia. Sob a perspectiva da cadeia de suprimentos, os pioneiros foram a rede de varejo Wal-Mart e o

Departamento de Defesa Americano. Mas, cada vez mais outros setores, inclusive o farmacêutico, estão se interessando pelos benefícios que podem ser obtidos.

O uso do RFID no mercado farmacêutico está crescendo rapidamente, pois pode contribuir na solução de problemas enfrentados há anos pelos laboratórios. A empresa de consultoria Accenture formou um grupo composto de representantes da indústria farmacêutica, distribuidores e varejistas, para explorar os benefícios da utilização do RFID na cadeia de suprimentos farmacêutica, visando à redução de custos e implantação de melhorias (HINTLIAN, 2004).

Este grupo visualizou algumas áreas de aplicação desta tecnologia, considerando tanto as tradicionais, como gerenciamento do fluxo de materiais e visibilidade do estoque, como as específicas para a indústria farmacêutica. Foram identificadas três áreas prioritárias:

Combate do crescimento de medicamentos falsificados, área de crescente pressão exercida pelas organizações governamentais;

Gerenciamento da logística reversa e situações de recall;

Melhoria da eficiência do recebimento de mercadorias, verificando se todos os produtos solicitados foram entregues.

Cada companhia do grupo formado disponibilizou partes de sua operação que serão utilizadas para testar como o RFID funcionará na cadeia de suprimentos. Cada laboratório selecionou dois medicamentos que serão rastreados desde a indústria, passando pelo distribuidor, até chegar às farmácias. Caso o projeto demonstre que esta tecnologia pode proporcionar um efetivo retorno do investimento nas áreas citadas, a utilização será expandida para outras operações, produtos e processos de negócio.

Finalizando este item, existe uma discussão em torno da questão se o RFID substituirá o código de barras. Segundo CRAWFORD e GOLDMAN (2004), essas duas tecnologias são complementares, pois enquanto o RFID pode armazenar mais dados, o código de barras possui um custo significativamente inferior. O RFID permite uma maior automação do processo de coleta de dados e a leitura de várias etiquetas ao mesmo tempo. Entretanto, o código de barras também é bastante confiável e, devido ao baixo custo, continuará provendo

um melhor retorno sobre o investimento em muitas aplicações. Além disso, possui sinergia com o RFID e pode servir como um backup muito útil.