4.2 REPOSITÓRIOS: A FALA DOS GESTORES DE RIS NO CONTEXTO DA REGIÃO
4.2.2 Questões objetos de análise dos repositórios em desenvolvimento no contexto do
4.2.2.1 Questão institucional 117
4.2.2.2.2 RI Arca/Fiocruz 118
Segundo Carvalho, Silva e Guimarães (2012), as atividades de implantação do RI Arca foram iniciadas em 2007, através de um projeto que visava somente à reunião, preservação e difusão da produção técnico-científica do Icict, com vistas a constituir a memória do Instituto, iniciado em 1986.
Em 2010, o repositório institucionalizou- se na estrutura organizacional do Icict e, em 2011, com a adesão de novas unidades, o RI foi oficializado como repositório da Fiocruz. (CARVALHO; SILVA; GUIMARÃES, 2012).
Segundo a classificação das entrevistadas, as adesões das unidades ao repositório foram de caráter espontâneo e tecnológico, inserindo-se na adesão tecnológica, as unidades que se limitaram a migrar documentos já disponíveis em outras bases para o RI Arca, como é o caso da Escola Nacional de Saúde Publica (Ensp), que possui um repositório próprio, com características temáticas na área de Saúde Pública, mas concordou em migrar seu conteúdo para o RI Arca, por ser este o repositório oficial da instituição.
A estrutura atual do repositório é formada por 14 comunidades e 48 coleções, contendo mais de quatro mil objetos digitais, como atestam as entrevistadas:
O RI Arca começou a ser alimentado em 2008 e hoje, janeiro de 2013, conta com 4400 documentos. As 14 comunidades do RI representam 12 unidades da Fiocruz que aderiram ao repositório, ou por adesão ou por sedução. Há unidades que aderem espontaneamente, há outras que apresentam resistência a diferentes estratégias de abordagem.
4.2.2.2.3 Acervo Digital/Inmetro
Após as etapas iniciais de apresentação do repositório para as diretorias; submissão de materiais da diretoria piloto e, em seguida, das demais diretorias; sensibilização dos pesquisadores ao projeto, o RI foi institucionalizado, em 2011, contando, na ocasião, com 617 documentos.
O processo de implementação do RI na prática deu-se, no entanto, como em muitas outras instituições brasileiras, sem o rigor necessário ao desenvolvimento desse tipo empreitada, como explica a entrevistada:
Em 2010 [quando entrei na instituição], o Inmetro já havia recebido todo o pacote do Ibict. O DSpace já estava instalado no servidor, mas o RI ainda não havia começado. Entre março/abril de 2010, o chefe (do Sedin) e uma das bibliotecárias que entrou junto comigo sentaram e viram o que era preciso fazer para dar início ao RI. Veio gente da UnB para ajudar. Foi feita uma oficina que mostrou o caminho das pedras para parametrizar o sistema. O RI começou assim, com o chefe e a bibliotecária, mas sem documentos muito formalizados sobre as etapas de desenvolvimento (planejamento, diretrizes, etc.) do repositório, o que considero uma grande dificuldade.
Havia certa urgência em fazer (o repositório), para dar uma resposta ao presidente [do Inmetro] que queria indicadores sobre a produção intelectual da casa, pois todas as tentativas anteriores de organização da produção haviam falhado, por questões tecnológicas e também de cultura da casa, em que cada diretoria ficava voltada para si, para os seus pesquisadores, seus cientistas. A idéia do RI foi essa: boa oportunidade de reunir a produção, independente da diretoria. Começou do tipo tem que fazer, vamos fazer.
O RI hoje se encontra em processo de reestruturação, após uma fase de desaceleração do seu desenvolvimento, por falta de uma equipe dedicada integralmente ao repositório, aliada a problemas burocráticos enfrentados pelo setor responsável pela gestão do RI na instituição.
4.2.2.3 Questão tecnológica
As questões tecnológicas focam os pontos de TI de interesse para a análise, referentes ao pessoal de informática dedicado ao projeto; ao software (plataforma tecnológica) utilizado para implantação do sistema; às ações referentes ao estabelecimento dos metadados, à interoperabilidade, à preservação digital e à migração de objetos digitais; às atualizações de layouts, bem como às funcionalidades e aplicativos desenvolvidos, visando à melhoria do sistema.
4.2.2.3.1 BDTD/UERJ
Possui pessoal de informática dedicado à BDTD, o que possibilitou a instalação e customização do sistema, bem como a implementação de melhorias e novas funcionalidades, como a instauração das estatísticas das teses e dissertações mais consultadas por centros, e não mais numa lista única, e o desenvolvimento de um aplicativo intitulado TDELine38, que, segundo sua apresentação na página da Rede Sirius, otimiza o tempo do aluno, garante a padronização das partes pré-textuais das dissertações e teses e possibilita o cadastro de mestrandos e doutorandos na SR-2, como bem ressaltam as palavras da entrevistada:
O Núcleo de Informática para a Rede desenvolveu o TDELine, sistema criado para beneficiar a BDTD, que permite a confecção padronizada das pré-textuais e o cadastro do aluno na SR-2. A capa e a folha de rosto já saem prontas, dentro do padrão estabelecido no Manual da UERJ para apresentação de teses e dissertações.
Os dados que o aluno preenche no padrão TDELine para a confecção da capa e da folha de rosto da tese/dissertação, são coletados para o seu cadastro na SR-2 e também são repassados à biblioteca, para a elaboração da ficha catalográfica. Após a confecção da ficha, o aluno submete o arquivo da tese/dissertação, que já sai pronta.
O sistema está na primeira versão [agora deve sair a segunda versão], ainda dá problemas, conta com a supervisão constante de um analista, mas significou um ganho imenso na garantia do padrão de qualidade da apresentação e na agilização do fluxo de submissão das teses e dissertações.
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TDELine – Rede Sirius/Uerj. Disponível em: <http://www.rsirius.uerj.br/conteudo01-05-04- 01.php?links_nivel1=1&links_nivel2=5&links_nivel3=1&titulo_link=TDELine>.
O sistema TEDE, plataforma desenvolvida pelo Ibict para implementação da BDTD, possui as características dos softwares desenvolvidos para implementação de RIs dentro dos preceitos do AA, como a utilização do protocolo OAI/PMH, código fonte aberto e metadados persistentes, que o tornam interoperáveis com outros sistemas e garantem a preservação e a migração de objetos digitais.
4.2.2.3.2 RI Arca/Fiocruz
Possui pessoal de TI dedicado ao repositório desde o início do projeto. A esse respeito, as entrevistadas enfatizaram a importância desse envolvimento inicial, a fim de garantir que se sintam integrados ao projeto e não o considere como mais uma invenção da equipe de informação, que terão que assimilar.
Possuem também na equipe um profissional diferenciado, que é um bibliotecário de formação, com conhecimento razoável de TI. Esse profissional entende de linguagens, formatos, padrões de intercâmbio, facilitando a mediação entre o que se está pensando e o que se pode de fato implementar no RI, em termos tecnológicos.
A iniciativa de implementação do RI Arca antecedeu ao projeto do Ibict, mas, igualmente, selecionou o softwrare DSpace para o desenvolvimento do repositório, com base nos relatos de sucesso de outras experiências que utilizavam essa plataforma., como sublinham as entrevistadas:
Este projeto obteve financiamento da Faperj, fora do edital Finep para o desenvolvimento de RIs sob a coordenação do Ibict, embora tenhamos obtido apoio técnico do Ibict para desenvolver o RI. O Ibict nos reconhece como integrante dos repositórios desenvolvidos com seu apoio, pois nos inclui nos grupos de discussão.
O caráter de memória do RI e os 100 anos da instituição trouxeram à luz a importância de um novo layout para o aplicativo, que retratasse a “[...] imagem da Fiocruz no passado, caminhando para o futuro”. (CARVALHO; SILVA; GUIMARÃES, 2012, p. 101).
As templates (formulários), com os metadados para a descrição dos objetos digitais, foram desenvolvidas de forma a contemplar a tipologia documental elencada para integrar o RI. Produziu-se uma template simplificada, destinada ao autoarquivamento, que só prevê os metadados: autor, título, ano, além da submissão do objeto digital. Os demais campos são complementados depois, pela equipe de revisão.
Um manual com orientações para o preenchimento dos metadados Dublin Core foi implementado, a fim de dirimir dúvida das diferentes equipes responsáveis pelo depósito da produção científica das várias unidades no RI.
O RI Arca utiliza o PDF/A para a preservação digital, faz migração de documentos da instituição disponibilizados em outras bases de dados e usa a ferramenta Scriptlattes39 para a extração e compilação automática das produções bibliográficas de seus pesquisadores.
As entrevistadas apontaram também deficiências do DSpace, relativas à funcionalidades não automatizadas que, segundo elas, fogem à governança do RI na instituição, aqui organizadas em três tópicos:
a) Atualizações do DSpace: o pessoal da TI afirma que é uma característica do DSpace, toda vez que se precisa instalar uma versão mais nova, é necessário fazer a migração de todo o conteúdo da versão mais antiga. Observa-se que o DSpace não possui um visualizador para vídeos e que esta é uma funcionalidade instalada e configurada à parte. b) Referenciação dos documentos submetidos no RI: a referência (citação) do documento submetido no RI não é feita automaticamente pelo DSpace;
c) Liberação de documento embargado: na versão do DSpace utilizada pelo Icict/Fiocruz é preciso liberar manualmente os documentos embargados, ao findar o período estipulado para tal. Porém, na versão atual do aplicativo este processo está automatizado.
4.2.2.3.3 Acervo Digital/Inmetro
O RI Acervo Digital usufrui de boa visibilidade dentro da arquitetura do site do Inmetro, com link de acesso constando como primeiro item da categoria “Produtos e serviços” da página principal.
Utiliza a plataforma DSPace e os metadados Dublin Core, uma vez que integra os repositórios desenvolvidos através do edital de chamada Finep, coordenado pelo Ibict, que utiliza estes elementos para os RIs desenvolvidos sob sua chancela.
Quando indagada sobre as questões tecnológicas inerentes ao desenvolvimento de repositórios, como a definição de metadados, a migração de documentos de outras plataformas, a interoperabilidade e a preservação digital, a entrevistada apresentou os seguintes esclarecimentos:
a) Metadados: a escolha dos metadados teve influência da UnB, pois eles já tinham decidido quais utilizar. Nós olhamos os deles e fomos determinando o que nos atendia. No início de 2011 desenvolvemos um formulário compatibilizando os metadados para
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ScriptLattes: uma ferramenta para extração e visualização a partir do currículo Lattes. Disponível em: <http://scriptlattes.sourceforge.net/>.
todos os tipos de documentos, de modo à só preencher os compatíveis ao tipo de documento que se está inserindo.
b) Migração de documentos: já repassei para a informática que é necessário buscar estratégias de migração, como alternativa para ganhar tempo na inserção de documentos, usando, por exemplo, buscadores que fazem a busca sozinhos para a gente.
c) Interoperabilidade: é preciso que o DSpace converse com o Moodle (plataforma tecnológica dos cursos à distância - EAD). Tem que investir na parte tecnológica.
d) Preservação digital: com relação à preservação digital, pretendemos planejar o uso do PDF/A.
O Acervo Digital vai contar, a partir de 2013, com um profissional de TI dedicado, que terá que se capacitar para implementar as atualizações de versão e outras funcionalidades que se fizerem necessárias ao desenvolvimento do RI.