3. PLANEJAMENTO URBANO ESTRATÉGICO
3.4 Variações em torno de um mesmo modelo
3.4.3 Rio de Janeiro e os Planos Estratégicos Regionais
CAPÍTULO 3 PLANEJAMENTO URBANO ESTRATÉGICO
Figura 11 – Curitiba – Ópera de Arame Fonte: http://www.curitiba.paises-america
Figura 12 – Curitiba – Sistema Integrado de Transportes
Fonte: http://www.curitiba.paises-america
Figura 13 – Curitiba – Museu Oscar Niemeyer Fonte: http://www.curitiba.paises-america
Figura 14 – Curitiba – Jardim Botânico Fonte: http://www.curitiba.paises-america
Curitiba e o mito da cidade-modelo apresentam um discurso oficial veiculado na mídia nacional e internacional, como centro de experimentação de novos processos e centro difusor de novos valores. Uma das últimas imagens a ela associada consiste na de “melhor cidade brasileira para se fazer negócios”, reportagem publicada no ano 2000 pela revista nacional Exame.
CAPÍTULO 3 PLANEJAMENTO URBANO ESTRATÉGICO
Apesar de apresentar condições positivas únicas, a intensificação urbana ocorrida após a Segunda Guerra Mundial decorrente do fluxo imigratório de outras regiões contribuiu para acelerar o quadro de carência e dificuldades nos setores de telecomunicações, saúde, transportes e segurança pública, que foram distribuídos de maneira diferenciada no espaço urbano. A situação piorou a partir da década de 1960, quando o então presidente Juscelino Kubitschek tirou da cidade a condição de Capital Federal e centro de poder decisório econômico-político. Segundo os documentos do Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro, seu primeiro plano estratégico surgiu com a justificativa de reverter este quadro negativo e destacar as qualidades da cidade.
O primeiro plano, intitulado “Rio Sempre Rio”, teve início em 1993 no primeiro governo do prefeito Cesar Maia, eleito em 1993 através do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). O plano foi publicado em 1996, e foi um dos precursores desse tipo de planejamento no Hemisfério Sul. O Rio de Janeiro tornou-se uma das primeiras cidades a elaborar um plano estratégico como instrumento de planejamento, de pacto consensual entre governo municipal e iniciativa privada.
Em janeiro de 2001, ao assumir a prefeitura novamente, dessa vez pelo Partido da Frente Liberal (PFL), o governo de Cesar Maia recorreu mais uma vez a esse instrumento de planejamento. Foi lançado o Plano Estratégico II da Cidade do Rio de Janeiro, cujo título
“As cidades da Cidade” sugere um estudo das diversas regiões do município e suas diferenças históricas, culturais, sociais e econômicas.
Nesta nova fase, o foco deixou de ser a busca de uma nova identidade para fortalecer a cidade e inseri-la de forma competitiva no cenário mundial, mas encontrar meios que pudessem indicar os caminhos em direção ao futuro desejável para cada região e, a partir da articulação harmônica e conciliada desses caminhos, construir uma cidade mais solidária, com igualdade de oportunidades para todos. (Cesar Maia, Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro, 2003)
Neste segundo plano estratégico, o município foi dividido em 12 regiões, e cada região teve seus objetivos e estratégias definidas dentro da cidade, a partir dos seus potenciais (Tabela 5 e Figuras 15 a 18). O plano considera, separadamente, as características, tendências e aspirações de cada região. A partir dos objetivos centrais de cada uma delas, foram estabelecidas estratégias e formuladas propostas para as áreas, criando-se um modelo próprio para cada: os Planos Estratégicos Regionais. A escolha por este processo buscava retratar o cenário diversificado presente no Rio de Janeiro.
CAPÍTULO 3 PLANEJAMENTO URBANO ESTRATÉGICO
PLANOS ESTRATÉGICOS
REGIONAIS
OBJETIVO CENTRAL
REGIÃO 1 - BANGÚ Ser um pólo de ecoturismo e lazer, resgatando suas tradições histórico-culturais e desenvolvendo seu potencial industrial.
REGIÃO 2 - BARRA DA TIJUCA
Ser um pólo de negócios focado no turismo, lazer e serviços e um modelo de preservação ambiental.
REGIÃO 3 - CAMPO GRANDE
Ser o centro de referência para o ecoturismo, com enfoque nas vocações
gastronômica, botânica, pesqueira e agrícola, consolidando as diferentes expressões histórico-culturais da região.
REGIÃO 4 - CENTRO
Ser o centro de referência histórico-cultural do país, consolidando as vocações de centro de negócios, centro de desenvolvimento de tecnologia e principal centro de telecomunicações da américa latina.
REGIÃO 5 - GRANDE MÉIER
Voltar a ser a "capital dos subúrbios cariocas", como centro de comércio varejista e pólo prestador de serviços, com relevo na cultura e lazer.
REGIÃO 6 - ILHA DO GOVERNADOR
Ser a principal base de chegada do turista à cidade, preservando a qualidade de área residencial e incrementando as atividades esportivas, culturais e artísticas.
REGIÃO 7 - IRAJÁ Ser o principal centro de abastecimento da cidade e um pólo formador de atletas,garantindo a tradição residencial e a qualidade de vida.
REGIÃO 8 - JACAREPAGUÁ
Ser o grande centro de eventos nacionais e internacionais, tendo como foco do desenvolvimento econômico o ecoturismo, a indústria de alta tecnologia, garantindo a tradição histórico-geográfica.
REGIÃO 9 - LEOPOLDINA
Ser uma região de bairros integrados, resgatando a relação de vizinhança, desenvolvendo-se a partir de indústrias de base tecnológica não poluentes.
REGIÃO 10 - TIJUCA / VILA ISABEL
Ser um grande pólo de lazer cultural, de ecoturismo, de desenvolvimento econômico focado no setor de serviços e comércio, garantindo a qualidade de vida.
REGIÃO 11 - ZONA NORTE
Ser o grande pólo de comércio e centro industrial não poluente, preservando e incrementando suas tradições histórico-culturais e características residenciais.
REGIÃO 12 - ZONA SUL
Ser a vitrine nacional e internacional do turismo, da cultura e do lazer, reforçando a imagem da maneira de ser carioca.
Tabela 5 – A diversidade do Rio de Janeiro e suas potencialidades.
Fonte: Plano Estratégico do Rio de Janeiro. Elaboração da autora.
Figura 15 – Rio de Janeiro/ Jacarepaguá – Autódromo de Jacarepagua
Fonte: Plano Estratégico do Rio de Janeiro,2004.
Figura 16 – Rio de Janeiro/ Tijuca – Maracanã Fonte: Plano Estratégico do Rio de Janeiro,2004.
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Figura 17 – Rio de Janeiro/ Zona Sul – Cristo Redentor
Fonte: Plano Estratégico do Rio de Janeiro,2004.
Figura 18 – Rio de Janeiro/ Centro – Catedral Metropolitana
Fonte: Plano Estratégico do Rio de Janeiro,2004.
O plano buscou resgatar as tradições locais e estabelecer diretrizes de desenvolvimento local para as regiões, definindo sua contribuição no desenvolvimento da cidade. Na elaboração do plano, foi necessário estipular uma metodologia própria de trabalho, por tratar-se de um processo inovador na cidade, percebida como uma “soma de partes”, e não somente como um todo, como ocorre nas grandes metrópoles.
Em 2005, ao assumir a prefeitura do Rio de Janeiro pela terceira vez, novamente pelo PFL, Cesar Maia teve a possibilidade de dar continuidade ao plano estratégico iniciado na gestão anterior. Com vistas aos Jogos Panamericanos realizados na cidade em 2007, o prefeito ainda realizou a execução de obras e edificações direcionadas aos equipamentos esportivos como parte do processo de revitalização urbana da cidade, em uma versão brasileira do “modelo-Barcelona” visto neste capítulo.
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