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CAPÍTULO 2 – AS CONFERÊNCIAS RIO-92 E RIO+20 E A AGENDA 2030 –

2.2 RIO-92 E RIO+20 – PERSPECTIVAS POLÍTICAS, ECONÔMICAS E

A Conferência RIO-92 ocorreu em um momento histórico singular: desenhavam-se, no cenário internacional, os impactos do fim da Guerra Fria, os impactos da queda do muro de Berlim e a subsequente desagregação da União Soviética, a ascensão dos Estados Unidos como potência hegemônica, a intensificação da globalização, a ascensão de potências emergentes assim como de atores não estatais, que passariam a influenciar na dinâmica das relações internacionais (OLIVEIRA; RIBEIRO, 2014).

E é exatamente também no início da década de 1990, que a temática ambiental adquire maior espaço e importância nas Agendas Globais de discussões nacionais e internacionais. Em comparação com as décadas anteriores, foi durante este período em que ocorreu o maior número de eventos de cunho ambiental (TAKEDA, 2009).

No contexto brasileiro desenvolveram-se diversas ações para consolidar a educação ambiental como forma de promover o Desenvolvimento Sustentável, tais como a capacitação de multiplicadores em Educação Ambiental (MEDINA, 2009), e também das discussões sobre a necessidade de implementação de políticas públicas, visando o desenvolvimento ambiental e socialmente sustentável, o que culminou na realização da II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como RIO-92 (VIEIRA; CADER, 2007).

Conferência RIO-92. Duas décadas depois o mundo já havia se transformado, a população mundial aumentou cerca de 30% passando de 5,4 bilhões de habitantes para mais de 7 bilhões; a economia global cresceu 75%, a extração de recursos naturais avançou em 41%; as emissões de carbono aumentaram 36% e a temperatura média na Terra subiu 0,4 graus (YOSHIDA, 2012). Dado o cenário da evidente crise ambiental, o ex-presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, propôs à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2007, a revisão das medidas acordadas na RIO-92 (ARANTES, 2012).

A RIO+20 se concretizou cinco anos após a proposta do presidente brasileiro, entre os dias 13 a 22 de junho de 2012, dentro de um contexto externo nada favorável. Se, por um lado, a política internacional continuava pautada pelo predomínio estadunidense, por outro, tem-se uma crise econômica em 2008, que afetou não somente os Estados Unidos, como toda a economia global, resultando em uma nova dinâmica internacional e que influenciou drasticamente no andamento geral da Conferência bem como nas posturas adotadas pelos países.

A Conferência RIO+20 foi pautada pela emergência de importantes atores globais emergentes, como China, Índia, Rússia, África do Sul e também o Brasil. E enquanto o continente sul-americano passava por significativas transformações políticas, devido ao fato de que, em muitos países, esta era a primeira vez que governos ditos de esquerda assumiam a chefia dos Estados, se contrapondo à agenda neoliberal político-econômica dominante a nível internacional, ao mesmo tempo (no ano de 2012), ocorriam também eleições nos Estados Unidos e em alguns países europeus, relativizando a importância dos itens da agenda política interna destes Estados (MEDEIROS, 2012).

Em face da situação mundial, a discussão sobre modelos de Desenvolvimento Sustentável seria um tema recorrente durante o debate da Cúpula RIO+20, considerando que a crise econômica de 2008 teria sido causada sob a égide do neoliberalismo, pressupunha-se a necessidade de se encontrar alternativas mais sustentáveis, tanto na esfera ambiental quanto econômica.

A incorporação destas preocupações no escopo da Conferência traduziu-se nos dois temas centrais eleitos, por unanimidade pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), para serem debatidos durante a Conferência. Foram eles a Economia Verde no contexto do Desenvolvimento Sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o Desenvolvimento Sustentável 18. O foco em temáticas que extrapolavam

questões de cunho estritamente “ambiental” moldara, em grande medida, os rumos do debate. O âmbito internacional apresentava vários impasses à reunião proposta pelo presidente Lula, temia-se, inclusive, que pudesse ocorrer um esvaziamento político, uma vez que importantes países, como os membros da União Europeia e Estados Unidos, demoraram muito para confirmar a presença de suas delegações, devido a outros problemas que ganhavam prioridade nas suas agendas estratégicas, como a superação de crises internas.

Os países da União Europeia estavam enfrentando uma forte crise originada nos Estados Unidos e a China, vivendo um momento difícil de sucessão na sua Cúpula dirigente, enquanto líderes políticos de outras nações enfrentavam seus próprios desafios no âmbito doméstico, como eleições acirradas e obstáculos ao balanceamento de poder naquela conjuntura de crise internacional (ARANTES, 2012).

De forma análoga, o Brasil também teve de conciliar suas demandas domésticas com as negociações ambientais internacionais, em ambas Conferências realizadas em solo pátrio. No que se refere aos fatores internos que influenciaram a postura brasileira, as duas Cúpulas ocorreram em momentos qualitativamente opostos. Em linhas gerais, a RIO-92 ocorreu em um momento de abertura econômica e diminuição do papel dirigente do Estado, ao passo que a RIO+20 ocorreu em meio a um processo de aumento e redefinição desse papel (OLIVEIRA, 2014).

Em 1992, o Brasil se encontrava no auge da desconstrução do paradigma desenvolvimentista que havia norteado sua política externa nas últimas décadas após 21 (vinte e um) anos de regime militar e a promulgação da Carta Magna de 1988, diversas questões relativas à Agenda do Meio Ambiente eram consideradas inegociáveis no campo internacional, por estarem inseridas em um discurso de afirmação da soberania nacional e que era legitimado pela defesa do direito dos países do terceiro-mundo ao desenvolvimento (SENNES, 2003).

Ademais, o modelo de crescimento interno da economia brasileira baseado na lógica de substituição de importações havia encontrado o seu esgotamento e fazia-se necessária a busca de alternativas de desenvolvimento (HIRST, 1995), e esse processo deu ensejo a um período de intensa rediscussão da forma com que o Brasil deveria abordar sua inserção internacional após a queda do regime militar e a redemocratização. E em meio às alternativas que se encontravam em pauta, o governo Fernando Collor representou uma guinada na direção da adoção dos valores neoliberais, que tomavam força após a queda da União Soviética, o fim

Nacional de Organização Rio+20, 2011. Disponível em: http://www.rio20.gov.br/clientes/rio20/rio20/sobre_a_

da Guerra Fria e o Consenso de Washington, representando o ápice da tradução do receituário dessa cartilha em prática de política interna.

Ideias como liberalização comercial, desburocratização, privatizações e limitação da atuação do Estado na economia tomaram força no país como caminhos considerados virtuosos para a adaptação e desenvolvimento do Brasil frente ao novo mundo que se desvelava. Dentro dessa nova conjuntura, o posicionamento do país em relação à questão ambiental também deveria ser repensado para adaptar-se ao mundo em transformação. No que diz respeito às relações internacionais, esperava-se que a adoção dos princípios liberais projetasse uma imagem positiva do país, desencadeando a atração de capitais estrangeiros e garantindo o apoio político dos países desenvolvidos, em especial dos Estados Unidos, colocando o Brasil em posição privilegiada para participar ativamente da construção da nova estrutura institucional internacional.

Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro mantinha-se enquanto corpo burocrático relativamente insulado, mantendo linhas próprias de condução da política externa independentemente da ideologia política do grupo governante, o que também viria a influenciar na atuação brasileira durante a Conferência Rio-92 (FARIA, 2012).

Como consequência desta interação entre um governo democrático de caráter liberal e um Ministro das Relações Exteriores que tradicionalmente geria sua política externa baseado nos princípios do multilateralismo e do respeito à soberania, adotou-se para a Cúpula Rio-92 uma postura autonomista, na qual o Brasil afastava a possibilidade de que influências externas pudessem interferir na gestão dos seus próprios recursos naturais para fins que não aqueles definidos internamente sem, entretanto, deixar de buscar o diálogo e a cooperação dos países industrializados.

Passados vinte anos da RIO-92, no que foi o mais significativo evento mundial em prol do Desenvolvimento Sustentável, a RIO+20 veio com objetivo central de que os governos renovassem os compromissos políticos firmados anteriormente nas principais Cúpulas em prol da Sustentabilidade, de forma a avaliar o progresso, identificar lacunas na implementação das decisões adotadas, vislumbrando novas formas de progresso mais consciente 19.

Em meio a uma recessão econômica global e mediante a constatação de que pouco se avançou no que tange ao desenvolvimento sustentável nas últimas décadas (GUIMARÃES; FONTOURA, 2010) com uma contra tendência em querer resolvê-lo, a Conferência RIO+20,

19 United Nations Conference on Sustainable Development (UNCSD). Sobre a Rio+20. Disponível em:

iniciou no dia 13 de junho de 2012 com elevado descrédito por parte da sociedade civil, dos meios de comunicação e da comunidade científica 20.

Além da participação dos chefes e representantes de Estado de mais de 190 países, participaram também dos eventos paralelos: a Sociedade Civil Global, composta principalmente por Organizações Não Governamentais (ONGs), cooperativas, comunidades indígenas, comunidades quilombolas, grupos religiosos e demais movimentos sociais; cientistas de diferentes áreas, comunidades epistêmicas, políticos e representantes do setor privado.

Os discursos no Evento Oficial, como também durante os eventos paralelos à Cúpula bem como pelos meios de comunicação, foram: o discurso da segurança alimentar; a insuficiência do Produto Interno Bruto (PIB); a credibilidade científica; a economia verde; e, por fim, a importância do setor privado para o desenvolvimento sustentável. Tais discursos foram amplamente debatidos, ora sendo defendidos, ora sendo rejeitados.

Embora a produção mundial de alimentos tenha se mantido acima da demanda global por muitos anos, cerca de um bilhão de pessoas não possuíam na época acesso à quantidade mínima de calorias diárias. Outro risco à saúde são as doenças transmitidas pelos alimentos, advindas da ingestão de alimentos contaminados com microrganismos ou produtos químicos21. Além disso, a estimativa de que em 2050 a população mundial seja de 9 bilhões de pessoas, requerendo um aumento de 70% da produção de alimentos 22, contribuindo diretamente para um impacto da mudança climática na segurança alimentar cada vez maior em um futuro muito próximo.

A instabilidade no sistema alimentar fez com que este discurso fosse amplamente debatido durante a RIO+20, em especial no que se refere à governança alimentar, fortalecendo mecanismos de governança, onde o Brasil foi o principal líder deste tema nas negociações, sendo acatada a decisão do Canadá e da Austrália de retirarem a menção à “soberania alimentar”, substituindo para “intensificação da produção sustentável de alimentos”, não

20 ANTUNES, C.; ANGELO, C. Texto da Rio+20 será 'equilíbrio de descontentamentos', diz negociador.

Folha de São Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1106400-texto-da-rio20-sera- equilibrio-de- descontenta mentos-diz-negociador.shtml. Acesso em : 18 ago 2018 ; e

CARVALHO, E. Falta de acordo seria fracasso do sistema internacional, diz ONU. G1. Disponível em: http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/falta-de-acordo-seria-fracasso-do-sistema-internacional-diz-onu.ht ml Acesso em : 20 ago 2018.

21 FAO. Food and Agriculture Organization. Summary Report of the Food Security Dialogue Day Organized

by FAO, IFAD, WFP and Bioversity International. Disponível em: http://www.fao.org/rioplus20/33881-0ec

3e5243e297d17e8f179d9219ab4ec3.pdf. Acesso em : 16 set 2018.

22 BULLOCK, J. et al. Restoration of ecosystem services and biodiversity: conflicts and opportunities.

Disponível em: http://www2.uah.es/josemrey/Reprints/Bullock_RestorationReview_ TREE_2011_online.pdf. Acesso em : 12 set 2018.

agradando aos negociadores de países africanos e à Indonésia, com populações dependentes da produção agrícola e com elevado índice de pobreza 23.

A realidade é que o documento final não apresentou propostas concretas e efetivas para a segurança alimentar, e ao se abster de propostas reais e objetivas nesse sentido, os governantes reafirmaram os interesses do agronegócio, modelo responsável pela atual crise alimentar com base no mercado e que desestimula a produção interna de alimentos dos países que passam a ser dependes da importação. Observa-se, ao longo dos anos, que o modelo do agronegócio, de latifúndio monocultor, também reduz a mão de obra do campo gerando êxodo rural, aumenta a concentração de terras e utilização de agrotóxicos, contribui para a privatização das sementes e produção de alimentos transgênicos, caracterizando um desenvolvimento nada sustentável.

Outro discurso de grande repercussão durante a RIO+20 foi a necessidade de um índice que substituísse o PIB como principal indicador de riqueza e desenvolvimento dos países. A principal crítica ao atual índice é que ele mede o fluxo da riqueza, mas não inclui os custos sociais e ambientais envolvidos na produção dessa riqueza, e que o mesmo não responde mais à complexidade atual não apenas no meio científico e de economistas, mas também entre sociedade civil global, governantes e representantes de organismos internacionais 24.

No entanto, a única menção a este discurso limitou-se a uma frase na qual os governos apenas reconheceram naquele momento a necessidade de medidas mais amplas de progresso que “complementem” o PIB e solicitaram à Comissão Estatística das Nações Unidas que, junto às demais entidades do sistema ONU e outras organizações, estabelecessem um programa voltado para esta questão 25.

A “credibilidade científica” também foi outro discurso de destaque durante a RIO+20, embora a comunidade científica não compartilhe de uma única opinião a respeito dos temas abordados na RIO+20, sua “credibilidade” emergiu como um discurso “legitimador” das futuras ações que a humanidade deve tomar em direção ao Desenvolvimento Sustentável. O evento “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável” também reforçou este discurso, ao

23 GREENPEACE. Greenwash+20: How some powerful corporations are standing in the way of sustainable

development. Disponível em: http://www.greenpeace.org/international/en/publications/ Campaign-reports/Climate-

Reports/GreenwashPlus20/ Acesso em : 15 out 2018.

24 VIALLI, A. Especialistas afirmam que medição do PIB é “rústica e omissa”. Folha de São Paulo.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1101675-especialistas-afirmam-que-medicao-do-pib-e- rustica-e-omissa.sh tml. Acesso em: 21 out 2018.

25 United Nations Conference on Sustainable Development (UNCSD). The Future We Want. Disponível em:

http://www.uncsd2012.org/content/documents/727The%20Future%20We%20Want%2019%20June%201230pm.pdf. Acesso em: 15 out 2018.

defender que as mudanças ambientais globais requerem uma capacidade científica para desenvolver um observatório global do clima que possibilite informações de base científica para subsidiar a tomada de decisão.

Com maior visibilidade ao longo da RIO+20, a Economia Verde considerada instrumento primordial para o aprimoramento do Desenvolvimento Sustentável e a erradicação da pobreza, foi o discurso que mais se propagou na Conferência, tornando-se tema central de discussão entre os atores envolvidos. Tal repercussão fez com que temas como energia, florestas, biodiversidade e saúde humana ficassem em segundo plano nos principais eventos durante a Conferência, resultando, inclusive, em uma redução de escopo de análise em torno destes, ou seja, negligenciando necessidades reais na Agenda de Desenvolvimento Sustentável. Embora não exista consenso em torno da Economia Verde, foi sugerido que ela harmoniza o desenvolvimento econômico e a melhoria ambiental, com aumento de renda, emprego e melhoria dos padrões de vida, com o uso sustentável do meio ambiente por meio do mecanismo de preço dos mercados. Liderado pela União Europeia, fortemente apoiado pela comunidade científica e pelo setor privado, este discurso passou a ser considerado pelos seus defensores como uma potencial solução para os desafios do Desenvolvimento Sustentável, aumentando, inclusive, a oferta de emprego em 500 milhões, evitando os potenciais riscos para o comércio internacional 26.

Para muitos governos que subscrevem este discurso, seria possível redirecionar investimento público, estabelecer uma Agenda de Reforma Política para fomentar novos incentivos, eliminar progressivamente produtos menos ecológicos do campo, tornar os contratos públicos mais ecológicos e fortalecer a infraestrutura de mercado. Já para o setor privado, seria uma oportunidade de transição econômica em uma série de setores-chave de forma a atender à reforma política através de financiamento e investimento.

A análise dos discursos na RIO+20 revela a importância do setor privado para o Desenvolvimento Sustentável como uma prédica subjacente às demais. Ou seja, trata-se de um discurso de mercado que emerge a partir da união dos demais como ator fundamental para o Desenvolvimento Sustentável, não apenas no documento oficial final da RIO+20, mas também mediante eventos paralelos à Cúpula, como por exemplo: o Fórum de Sustentabilidade Corporativa, o Fórum de Sustentabilidade Empresarial da RIO+20, a Conferência Internacional do Instituto Ethos, os Eventos Especiais sobre Cidades Sustentáveis, Seminário Sebrae +20.

26 PIRES, M. Cientistas se reúnem para dar sugestões à Rio+20. Veja. Disponível

em: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/comunidade-cientifica-se-reune-para-dar-sugestoes-a-rio-20. Acesso em: 31 out 2018.

No que tange à biossegurança, a situação não sofreu mudanças, uma vez que ao longo do texto “O Futuro que Queremos”, a menção à inserção dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) no campo não sofreu nenhuma crítica quanto a possíveis riscos ao meio ambiente, à saúde humana e aos impactos sociais do advento da biotecnologia na produção agrícola. O texto apenas reconhece e compreende a necessidade de se promover uma agricultura mais inclusiva e que valorize as pequenas comunidades agrícolas.

Em suma, tanto no discurso sobre a importância do setor privado como no discurso hegemônico na RIO+20, reiteraram-se o poderio das grandes organizações privadas do “Norte” e seus interesses de negócio, as quais já demonstraram ter o lucro como principal estratégia inibidora do Desenvolvimento Sustentável ao longo das últimas décadas.

A análise desses discursos reforça as relações de poder que se estabeleceram durante a RIO+20, bem como os principais resultados reais advindos da Cúpula. Embora o evento tenha sido idealizado como o grande evento da década, no que se refere ao Meio Ambiente e à garantia de qualidade às gerações futuras, principalmente, pela garantia de alimento, água e energia para todos os povos, verifica-se que os líderes mundiais não se voltaram para o caráter de urgência que o Desenvolvimento Sustentável requer, sem que resultados concretos tenham sido firmados no documento final, mas, ao contrário, apenas decisões vagas e reforço de discursos pouco consistentes foram estabelecidos.

Neste caso, sobressai a reafirmação dos valores econômicos com base no capitalismo neoliberal, principais responsáveis pelas crises econômicas, ambientais e sociais, como o principal resultado da RIO+20, ressaltando o poder do setor privado e dos interesses dos países desenvolvidos na atual governança ambiental global.

As consequências de manter o mesmo modelo econômico com base nos mercados e nas grandes corporações e suas práticas é que pouco ou nenhum avanço foi realizado em prol do Desenvolvimento Sustentável, com consequências negativas para as futuras gerações e para as gerações atuais. É digno de nota que o estabelecimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Colômbia e Guatemala, foi o único resultado positivo real da cúpula. Com o objetivo de expandir os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) que irão até 2015, fundamentando a então Agenda 2030, coube aos ODS estabelecer indicadores que visem auxiliar aos governos a implementação dos compromissos firmados na Agenda 21, no Plano Johanesburgo de Implementação e na RIO+20, buscando-se sair do discutido e pouco foi definido para um maior comprometimento dos países na materialização das metas estabelecidas.

retomada do fortalecimento do Estado Nacional brasileiro, tendência que ganhou força a partir de 2002, com a chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores. Nesse período, algumas políticas adotadas pelo governo demonstraram o interesse do Brasil em manter uma agenda proativa na área ambiental, como a redução dos níveis de desmatamento na Amazônia, os incentivos à produção de biocombustíveis 27, a aprovação da Lei 12.187, de 29 de dezembro de 2009, estabelecendo a Política Nacional de Mudanças Climáticas e o compromisso político de