Risco Relativo =
7.1.9 Risco de Ativos/Carteira
7.1.9.1 Ativos Livres de Riscos e Ativos com Risco de Crédito
Sabemos que todos os ativos têm riscos. Porém, um “ativo livre de riscos” é aquele que possui riscos baixíssimos de crédito e liquidez. O ativo mais comum que se enquadra nesta definição são os títulos públicos federais.
Estes títulos públicos são chamados ativos “livres de risco” mas, na verdade, há o risco “governo”, ou seja, do não pagamento ou da ampliação do prazo de resgate desses papéis.
Os fundos de investimento em geral possuem grande parte de sua carteira nestes papéis devido ao seu baixo risco de inadimplência e sua grande liquidez.
Nas carteiras dos fundos de investimento e no mercado em geral, encontramos outros papéis com riscos de crédito tais como CDBs – Certificado de Depósito Bancário e as Letras Hipotecárias, ambos com risco de crédito atrelado à instituição financeira emissora. Temos também as debêntures e as notas promissórias, que são papéis que possuem o risco de crédito do emissor. Neste caso, o risco de crédito é o da empresa não honrar os respectivos títulos no vencimento. Lembramos que nas carteiras que possuem exclusivamente ações (os FIA – Fundo de Investimento em Ações têm, no mínimo, 67%) não há risco de crédito, mas sim riscos de mercado, liquidez e da empresa.
7.1.9.2 Relação entre Risco e Retorno e o Princípio da Dominância entre Ativos/Carteiras Risco versus Retorno
Cada investidor tem sua tolerância a riscos. Há investidores arrojados que suportam altos riscos em busca de maior retorno e há também os conservadores que desejam o mínimo de risco, ainda que isso implique em retornos menores. Entre esses dois opostos estão os mais diversos perfis de investidores.
Por outro lado, cada investimento apresenta sua combinação de risco e retorno. Existe uma tendência de elevação dos retornos a medida que aumentam os riscos.
Como se mede o risco de um investimento?
- Utilizando-se de dados históricos encontramos o retorno médio esperado dos investimentos e a dispersão em torno desse retorno por meio do desvio-padrão. Quanto maior for a dispersão em torno da média, maior foi o risco para o investidor. Acreditando na continuidade dos retornos apresentados num futuro próximo, possuímos uma estimativa do que pode ocorrer com o investimento a ser realizado.
- A medição também pode ser realizada através de um critério probabilístico, ou seja, atribuem- se probabilidades aos possíveis resultados dos investimentos (usando dados históricos e experiência do analista). Dessa forma, encontra-se o retorno médio esperado do investimento e a dispersão em torno desse retorno médio. Caso haja alta probabilidade dos retornos estarem muito distantes da média, o investimento será considerado de alto risco. Por outro lado, se os retornos estiverem bem concentrados em torno da média, o investimento será considerado de baixo risco.
Certamente o investidor gostaria de ter o maior retorno possível sem correr nenhum risco. Como isso não é possível, diante de várias opções de investimento, o cliente deve ser capaz de escolher aquela que melhor atende sua necessidade, considerando os riscos e os retornos esperados.
Analise o gráfico. Os pontos A, B, C e D representam diferentes investimentos.
Note que os investimentos “A” e “B” oferecem o mesmo retorno, mas com riscos diferentes. Considerando apenas as duas opções, o investidor racional (avesso ao risco) prefere o investimento “A”. No entanto, ao compararmos os investimentos “A” e “C”, veremos que os riscos são exatamente iguais, mas o investimento “C” apresenta retorno muito maior.
Logo o investidor racional, ao se deparar com essas opções de investimento, deveria escolher o investimento “C”, pois é o que apresenta a melhor relação risco/retorno.
É claro que na prática as opções não se mostram de maneira tão clara e nem sempre a melhor opção é acessível a todos os investidores. Para entender melhor, suponha que “A” e “C” sejam dois fundos de investimento. O fundo “A” tem valor mínimo de aplicação de R$ 1.000,00 e o fundo “C” tem valor mínimo de R$ 1.000.000,00. Caso não disponha de R$ 1.000.000,00 para aplicar, o fundo “C” não é uma opção para o cliente, ainda que teoricamente seja melhor.
Risco de uma carteira versus Risco de um Ativo
O risco está presente em todos os investimentos, ainda que, em alguns casos, seja muito reduzido. Uma carteira com concentração de investimentos em apenas um ativo expõe o investidor a um grande risco, visto que os investimentos alocados ficam à mercê das oscilações de mercado, não tendo, portanto, uma maior proteção em casos de variações indevidas e não previstas pelo mercado.
Diversificação: benefícios e limites de redução do risco incorrido
Você sabia que o Presidente e o Vice-Presidente dos Estados Unidos nunca viajam no mesmo avião? Na verdade essa prática é usual, também, entre membros da diretoria de grandes companhias e objetiva evitar que em caso de acidentes, o país ou a empresa fique sem comando efetivo.
O investidor também deve adotar a mesma postura e não aplicar todos os recursos num só título ou papel. Esse é o princípio da diversificação.
Diversifica-se uma carteira de investimentos para diminuir o seu risco. A compra de uma
variedade de papéis e títulos faz com que o risco associado a cada um desses componentes individuais da carteira seja atenuado pelo conjunto, diminuindo assim parte do risco.
Retorno Esperado Risco
•
•
•
•
A
B
C
D
A diversificação visa a redução do risco, mas, por mais eficiente que seja, não consegue eliminá-lo. No entanto, a chance de que “acidentes” ocorram com todos os ativos que compõem uma carteira de investimentos é muito menor do que a probabilidade de apenas um se “acidentar”.
Um investidor que aplica R$70 mil no mercado financeiro e concentra todo seu investimento numa ação da empresa “A”, tem seu risco centrado naquela empresa. Contudo, se este investidor escolhe 10 empresas diferentes e pulveriza seu investimento em 10 cotas de R$7 mil reais, dilui bem este risco. O risco de uma carteira diversificada diminui conforme aumenta o número de papéis disponíveis no investimento.
No entanto, diversificar não é apenas aumentar o número de títulos com características diferentes na carteira. Uma boa diversificação exige uma análise cuidadosa, considerando também outros aspectos como a análise setorial e os ramos de atividades da empresa.
Para facilitar seu entendimento, observe a seguinte situação:
A linha contínua representa o desempenho do setor de atividade “A” e a linha tracejada representa o desempenho do setor de atividade “B”. Note que, quando o resultado do setor “A” apresenta-se mais elevado, o retorno do setor “B” apresenta-se reduzido, assim existe uma certa estabilidade nos retornos ao combinarmos o desempenho dos dois setores. Assim, pode-se dizer que ações de companhias dos setores “A” e “B” poderiam compor uma carteira de ações diversificada.
Portanto, uma carteira (portfólio) bem diversificada inclui uma variedade de papéis de forma que o peso de cada um deles em sua composição é menor do que se possuíssemos apenas um ou dois papéis.
É importante lembrar que a diversificação vai além de aumentar o número de ativos numa carteira e/ou adquirir ativos de ramos de atividades diferentes. O risco de acontecer algo que afete todo o mercado de ações continua presente nessa carteira. Na prática, a diversificação atinge apenas o que chamamos de risco diversificável não influenciando no risco não diversificável.
Vamos ver maiores detalhes no item: Risco Sistemático e Risco Não-Sistemático ainda neste capítulo.
Retorno (%)
Tempo (anos)
A
B
Concluindo...
Não basta diversificar a carteira de investimentos com ativos aleatórios, pois assim não teremos uma redução de risco significativa na carteira. Cada ativo detém suas características próprias em termos de retorno esperado e risco associado ao mesmo retorno.
Somente se considerarmos estes fatores conseguiremos montar uma carteira (portfólio) eficiente com maior retorno e menor risco, sem, contudo, eliminá-lo.
Princípio da Dominância entre Ativos/Carteiras
Todo o investidor procura auferir o maior retorno possível em sua carteira de investimento. O problema é que o maior retorno quase sempre acompanha um nível proporcionalmente maior de risco. Isso se deve ao fato de que investimentos com maior risco possuem um prêmio de risco (taxa ou rentabilidade extra, acima da média de mercado) como um dos componentes da taxa de retorno. A questão é: como administrar uma carteira com um bom retorno gerenciando o risco num patamar aceitável?
Cabe aqui relembrar que todo o investimento tem risco, em maior ou menor intensidade.
Para responder a questão, temos o Princípio da Dominância. Ele aponta, dentre todas as possibilidades de investimento num mesmo patamar de risco, a melhor alternativa, aquela que apresenta um melhor retorno para um determinado nível de risco.
De forma inversa o Princípio da Dominância estipula dentre todos os investimentos com uma dada taxa de retorno, aquele que detêm o menor risco.
Veja o gráfico abaixo para melhor entender o princípio de dominância:
O principio de dominância parte da seguinte teoria: para um baixo risco, o melhor investimento é representado por Y. Já para o investidor que está disposto a correr mais riscos, a melhor carteira é representada por W. Observe que o princípio de dominância indica o melhor investimento a partir do risco que se pretende correr.
O princípio de dominância permite ao administrador balizar sua decisão de alocação dos ativos da carteira de investimentos para a montagem do que se conhece como carteira eficiente. Assim, toda carteira eficiente deverá conter uma combinação de ativos que tenha o máximo retorno para uma dada classe de risco, ou o mínimo risco para uma dada classe de retorno. Portanto, o objetivo principal na administração de carteiras é delinear portfólios eficientes.
Maior Retorno Esperado
•
•
•
•
X
Z
Y
W
risco baixo alto risco Menor Retorno