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Activos tomados como garantia e garantias executadas

23.2 Risco de liquidez

A liquidez define-se como a capacidade que uma entidade financeira tem de obter, captar ou ceder fundos para fazer frente às obrigações anteriormente contraídas, em qualquer período do tempo. Por seu lado, o risco de liquidez corresponde à possibilidade de a entidade não poder cumprir as suas obrigações contratuais de pagamento ou reembolso ao vencimento, afectando negativamente a sua imagem e a sua estabilidade financeira.

Ao longo do ano de 2009, como consequência da turbulência financeira iniciada nos EUA devido à denominada "crise do subprime" a Caja, como as restantes entidades do sector financeiro, foi submetida a uma maior exposição a este risco, em consequência das restrições de liquidez provocadas por uma acentuada falta de confiança nos mercados.

A Caja gere o risco de liquidez a partir de duas ópticas complementares: por um lado gere a liquidez operativa a curto prazo pela área de Tesouraria; por outro, a liquidez estrutural, consequência das posições geradas a longo prazo ou de posições mais curtas mas de carácter continuado, é gerida e controlada através da unidade de Gestão de Activos e Passivos pela Alta Direcção da entidade.

A unidade de Gestão de Activos e Passivos é a encarregada de analisar o risco de liquidez estrutural (inerente à actividade) para assegurar que a Caja disponha, em qualquer altura, da liquidez suficiente para cumprir com os seus compromissos de pagamentos associados ao cancelamento dos seus passivos, nas respectivas datas de vencimento, sem comprometer a capacidade da Caja para responder com rapidez perante oportunidades estratégicas de mercado. Para realizar esta gestão utilizam-se ferramentas informáticas integradas, com as quais se realizam as análises, com base nos fluxos de tesouraria dos seus activos e passivos, assim como as garantias ou instrumentos adicionais dos quais a Caja dispõe para garantir fontes adicionais de liquidez que pudessem ser requeridas. A posição em relação ao risco de liquidez da Caja é estabelecida com base em variadas análises de cenários e de sensibilidade. Seguindo as melhores práticas, estabeleceram-se políticas de risco de liquidez fixando um limite máximo de assumpção de risco de liquidez medido como nível percentual de endividamento e diferentes níveis de posição líquida de tesouraria em função da situação de mercado (previamente definidos pelo Comité de Activos e Passivos). Adicionalmente, dispõe- se de um Plano de Contingência de Liquidez.

Em 2008, como consequência da turbulência financeira iniciada nos EUA devido à denominada "crise do subprime" a Caja, como as restantes entidades do sector financeiro, foi submetida a uma maior exposição a este risco, em consequência das restrições de liquidez provocadas por uma acentuada falta de confiança nos mercados.

Ao longo do ano de 2009, a situação de liquidez da Entidade melhorou consideravelmente. Para tal, e baseando-se na análise e nas políticas de risco de liquidez anteriormente referidas, a Caja geriu as necessidades de financiamento, criadas pelo vencimento de emissões grossistas, aumentando o financiamento a retalho e colocando no mercado emissões a longo prazo, utilizando para isso as medidas governamentais impostas em finais de 2008. O

resultado da referida estratégia foi, não só cobrir as necessidades de financiamento, mas também reestruturar atempadamente o financiamento a curto prazo e dispor de activos líquidos suficientes para cobrir os vencimentos do próximo exercício. Por tudo isto, os indicadores de liquidez melhoraram significativamente e o risco de liquidez reduziu claramente.

A seguir, apresentamos a distribuição por prazos de vencimentos dos saldos de determinadas epígrafes do balanço, a 31 de Dezembro de 2009 e de 2008, num cenário de "condições normais de mercado":

Posição a 31.12.2009 (Saldos em milhares de euros): Até 1 mês De 1 a 3 meses De 3 a 6 meses De 6 meses a 1 ano

De 1 a 2 anos Mais 2 anos Não Sensível TOTAL BALANÇO Mercado Monetário 2 690 433 134 277 1 941 417 565 781 75 000 1 223 950 259 392 6 890 250 Mercado de Capitais 344 117 481 229 435 747 1 046 963 2 321 476 4 701 941 4 249 041 13 580 513 Mercado de Crédito 3 028 837 4 027 730 3 768 996 5 480 823 8 880 996 37 587 027 3 745 565 66 519 975 Outros Activos 17 305 0 57 0 0 2 614 225 2 614 604 Activos 6 063 404 4 643 541 6 146 160 7 093 624 11 277 472 43 512 918 10 868 223 89 605 342 Mercado Monetário 5 843 655 1 383 119 1 377 824 3 539 996 1 139 796 1 504 667 41 228 14 830 284 Mercado de Capitais 342 210 1 562 218 1 071 827 5 109 1 926 818 15 026 481 794 572 20 729 233 Depósitos de Clientes 3 982 430 5 037 772 7 853 173 6 095 473 6 368 739 18 102 940 693 715 48 134 243 Outros passivos 3 507 5 330 2 603 1 058 1 087 1 178 5 896 818 5 911 582 Passivos 10 171 802 7 988 439 10 305 428 9 641 635 9 436 439 34 635 265 7 426 334 89 605 342 Rácio de Sensibilidade 0,60 0,58 0,60 0,74 1,20 1,26 1,46 GAP simples -4 108 398 -3 344 897 -4 159 268 -2 548 011 1 841 032 8 877 653 3 441 889 % s/Total activo -0,05 -0,04 -0,05 -0,03 0,02 0,10 0,04 GAP acumulado -4 108 398 -7 453 295 -11 612 563 -14 160 574 -12 319 542 -3 441 889 0 % s/Total activo -0,05 -0,08 -0,13 -0,16 -0,14 -0,04 0,00

GAP Fora do Balanço 0 0 0 0 0 0 0 0

GAP Simples TOTAL -4 108 398 -3 344 897 -4 159 268 -2 548 011 1 841 032 8 877 653 3 441 889

% s/Total activo -0,05 -0,04 -0,05 -0,03 0,02 0,10 0,04

GAP Acumulado TOTAL

-4 108 398 -7 453 295 -11 612 563 -14 160 574 -12 319 542 -3 441 889 0

% s/Total activo -0,05 -0,08 -0,13 -0,16 -0,14 -0,04 0,00

(*) As datas de vencimento do quadro anterior estimaram-se, para os activos e passivos com datas de vencimento contratual, atendendo a estas, enquanto para os activos financeiros sem data de vencimento contratual ou para os que existissem provas de uma data de realização diferente desta, com base na melhor estimativa sobre a data de realização.

Posição a 31.12.2008 (Saldos em milhares de euros): Até 1 mês De 1 a 3 meses De 3 a 6 meses De 6 meses a 1 ano

De 1 a 2 anos Mais 2 anos Não Sensível TOTAL BALANÇO Mercado Monetário 1 464 150 457 483 1 036 499 21 430 0 7 786 242 488 3 229 837 Mercado de Capitais 154 967 26 537 56 112 686 813 2 119 959 5 548 002 4 203 504 12 795 895 Mercado de Crédito 3 595 734 4 419 603 4 888 923 5 657 357 8 559 458 35 458 715 3 286 688 65 866 477 Outros Activos 1 117 1 262 694 383 0 0 2 476 928 2 480 384 Activos 5 215 967 4 904 885 5 982 228 6 365 983 10 679 417 41 014 503 10 209 609 84 372 593 Mercado Monetário 6 628 610 2 934 272 3 207 153 709 365 378 080 1 400 202 139 061 15 396 743 Mercado de Capitais 604 465 1 401 419 62 471 1 684 363 2 546 663 9 424 467 0 15 723 847 Depósitos de Clientes 4 736 657 4 089 078 6 679 691 6 108 658 4 204 979 20 691 715 881 960 47 392 738 Outros passivos 9 875 14 719 6 701 2 609 690 624 5 824 046 5 859 264 Passivos 11 979 608 8 439 487 9 956 016 8 504 994 7 130 412 31 517 008 6 845 067 84 372 593 Rácio de Sensibilidade 0,44 0,58 0,60 0,75 1,50 1,30 1,49 GAP simples -6 763 640 -3 534 603 -3 973 787 -2 139 012 3 549 005 9 497 495 3 364 541 % s/Total activo -0,08 -0,04 -0,05 -0,03 0,04 0,11 0,04 GAP acumulado -6 763 640 -10 298 243 -14 272 030 -16 411 042 -12 862 036 -3 364 541 0 % s/Total activo -0,08 -0,12 -0,17 -0,19 -0,15 -0,04 0,00

GAP Fora do Balanço 0 0 0 0 0 0 0 0

GAP Simples TOTAL -6 763 640 -3 534 603 -3 973 787 -2 139 012 3 549 005 9 497 495 3 364 541

% s/Total activo -0,08 -0,04 -0,05 -0,03 0,04 0,11 0,04

GAP Acumulado TOTAL

-6 763 640 -10 298 243 -14 272 030 -16 411 042 -12 862 036 -3 364 541 0

% s/Total activo -0,08 -0,12 -0,17 -0,19 -0,15 -0,04 0,00

(*) As datas de vencimento do quadro anterior estimaram-se, para os activos e passivos com datas de vencimento contratual, atendendo a estas, enquanto para os activos financeiros sem data de vencimento contratual ou para os que existissem provas de uma data de realização diferente desta, com base na melhor estimativa sobre a data de realização.

No respeitante ao cálculo do gap do balanço total, incluído no quadro anterior, deve ser considerado que este projecta os vencimentos das operações em função do seu prazo residual, sem considerar nenhuma hipótese de renovação dos activos e/ou passivos. Numa entidade financeira que tenha um elevado financiamento retalhista, a duração de activos é maior do que a de passivos, pelo que se cria um gap negativo a curto prazo, embora as contas à ordem de clientes tenham uma duração estável no tempo. Para além disso, e devido ao actual enquadramento de liquidez, é necessário ter em conta, na análise, a influência que, no referido cálculo, exercem os vencimentos de operações de cessão temporária de activos e de depósitos obtidos através de garantias penhoradas em apólice no Banco Central Europeu. Por isso, uma parte dos passivos são estáveis, outros têm uma grande probabilidade de renovação e existem garantias disponíveis com o Banco Central e capacidade de criar novas instrumentalizadas através da titularização de activos e da emissão de cédulas hipotecárias. Para além disso, a entidade dispõe de activos susceptíveis de obter liquidez. Também é importante mencionar que o cálculo não considera hipóteses de crescimento pois as estratégias internas de captação líquida de liquidez são ignoradas, o que é especialmente importante no mercado retalhista.

A Caja gere a sua liquidez estrutural antecipando-se a possíveis necessidades de fundos, através da criação de diferentes processos de financiamento.

Milhares de euros

Vencimento Programa EMTN cotação Londres 10 000 000 Renovável anualmente Programa de emissão de nota promissória 6 000 000 Renovável anualmente Programa de emissão de renda fixa 15 000 000 Renovável anualmente

31 000 000

A política de emissão da Caja materializou-se, durante o ano, em diversas emissões de dívida sénior, de cédulas hipotecários (ver Notas 16.4 e 16.5), e a titularização de activos (ver Nota 26.4). Da mesma forma, dadas as circunstâncias excepcionais dos mercados financeiros internacionais, foram colocadas em acção uma série de medidas que foram detalhadas na introdução a esta Nota 23.

23.3 Exposição ao risco de mercado associado a instrumentos