II. Estratégia de Promoção do Crescimento Económico e de Consolidação
II.5. Análise de Riscos Orçamentais
II.5.3. Riscos das Responsabilidades Contingentes
Garantias Concedidas ao Sector Bancário
O stock da dívida garantida pelo Estado a Instituições de Crédito, em 31 de dezembro de 2015, estima-se em 6.300 milhões de euros (Quadro II.5.1.).
Quadro II.5.1. Garantias Concedidas ao Sector Bancário
Posição em 31 de dezembro de 2015
Emitente Montante em milhões de
EUR IREF - Iniciativa para o reforço da estabilidade financeira
Novo Banco 3.500
Garantia de Carteira / BEI
Garantia de Carteira 2.800
TOTAL………. 6.300
Fonte: Direcção-Geral do Tesouro e Finanças.
As instituições de crédito têm assegurado, desde 2008, ano em que foi lançado a IREF, o pagamento atempado da dívida garantida e das respetivas comissões de garantia ao Estado.
A Garantia de Carteira é um instrumento através do qual a República Portuguesa assegurou, até ao limite de 2.800 milhões de euros, o cumprimento das obrigações assumidas pelas instituições de crédito (BPI, CGD, NOVO BANCO e BCP) junto do BEI, referentes a uma carteira de operações de financiamento de projetos desenvolvidos e a desenvolver em Portugal, cuja exposição poderá atingir um montante máximo de 6.000 milhões de euros.
Esta garantia tem um prazo de sete anos, seguindo um plano de amortização indicado pelo BEI que, em 2016, se prevê que seja de aproximadamente 455,6 milhões de euros. A maioria das operações incluídas neste instrumento beneficia de garantias bancárias, reduzindo assim o risco assumido pelo Estado.
À data de 31 de dezembro de 2015, o stock da restante dívida garantida pelo Estado ascendia a cerca de 16.657,53 milhões de euros, concentrando-se nas operações contratadas pelas empresas que constam do seguinte quadro:
Quadro II.5.2. Garantias Concedidas a Outras Entidades
Região Autónoma da Madeira 1.162,08 6,98%
APRAM 32,35 0,19%
Nota: (*) Disperso por cerca de 34 entidades, públicas não reclassificadas, privadas e países objeto da cooperação portuguesa.
(**) Em 1 de junho de 2015 foi criada a Infraestruturas de Portugal, empresa pública que resulta da fusão entre a Rede Ferroviária Nacional – REFER, E.P.E.
(REFER, E.P.E.) e a EP - Estradas de Portugal, S.A. (EP, S.A.) através da qual a REFER, E.P.E., incorpora, por fusão, a EP, S.A., e é transformada em sociedade anónima.
Fonte: Direção-Geral do Tesouro e Finanças.
No caso das empresas reclassificadas no perímetro das Administrações Públicas identificadas no quadro acima, o montante da dívida e dos encargos anuais já se encontra registado na conta das Administrações Públicas. Acresce o facto de, no Orçamento do Estado para 2016, estar prevista a concessão de financiamentos do Estado ou de aumentos de capital, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, que permitirão àquelas empresas assegurar o respetivo serviço da dívida, mitigando desta forma o risco de incumprimento.
Para as demais entidades identificadas no quadro supra, o Orçamento do Estado contempla, igualmente, a concessão de empréstimos por parte da Direção-Geral do Tesouro e Finanças que permitirão assegurar o pagamento do serviço da divida, designadamente, nos casos da STCP e da CARRIS.
Já no que respeita à AdP, empresa totalmente detida pelo Estado, a dívida a vencer no ano de 2016 estima-se em cerca de 39,5 milhões de euros. Saliente-se que a dívida garantida em causa corresponde a financiamentos contraídos junto do BEI e que, até à data, não se verificou a execução de qualquer garantia.
Em relação aos beneficiários acima designados por “Outras”, cujo stock da dívida ascende a cerca de 1.938 milhões de euros, a previsão dos reembolsos para 2016 estima-se em cerca de 80,66 milhões de euros, não se prevendo, com base no histórico das execuções de garantia, um significativo risco de incumprimento. Exceciona-se a situação da Europarque,
II.5.3.2. Parcerias Público-Privadas
Na presente data, encontram-se ainda por concluir os processos negociais relativos às 7 subconcessões rodoviárias da IP: a Algarve Litoral, a Baixo Tejo, a Transmontana, a Baixo Alentejo, a Litoral Oeste, a Pinhal Interior e a Douro Interior.
No caso concreto das subconcessionárias do Baixo Alentejo e do Algarve Litoral, tendo sido já vertidas nas atas das reuniões de negociação as modificações aos contratos entretanto consensualizadas, a conclusão do processo negocial encontra-se pendente da assinatura dos respetivos contratos de alteração e da apreciação dos mesmos por parte do Tribunal de Contas.
No que concerne às subconcessões do Pinhal Interior, Litoral Oeste e Baixo Tejo, relativamente às quais apenas se obteve um acordo quanto às condições financeiras, encontra-se em curso a discussão e consensualização do clausulado das alterações contratuais.
Cumpre ainda mencionar que a IP foi autorizada, por Resolução do Conselho de Ministros, a redefinir o âmbito dos trabalhos integrados nos contratos de subconcessão do Baixo Alentejo, do Algarve Litoral, do Pinhal Interior, do Litoral Oeste e do Baixo Tejo.
Relativamente às subconcessões do Douro Interior e Transmontana, até à presente data, não foi ainda alcançado qualquer acordo com os respetivos parceiros privados.
Em face do exposto, cumpre relevar que os acordos com as subconcessionárias acima elencadas só serão plenamente efetivados após a aprovação pelas tutelas, pelas entidades financiadoras, e posterior apreciação dos contratos por parte do Tribunal de Contas, o que se espera venha ocorrer no decurso do ano de 2016.
Relativamente à estimativa de fluxos financeiros com as PPP rodoviárias, importa destacar o aumento de encargos líquidos previstos, explicado designadamente pela redução da
estimativa de receitas adicionais de portagem relativas às concessões da Costa da Prata e do Norte Litoral incluídas no Orçamento de Estado de 2015.
Setor Ferroviário
No caso das PPP do sector ferroviário, os encargos plurianuais apresentados dizem respeito, em exclusivo, à concessão da rede de metropolitano ligeiro da margem sul do Tejo (concessão MST), uma vez que no caso da Fertagus, o sistema remuneratório atual da concessionária assenta apenas em receitas comerciais, decorrentes da exploração do serviço de transporte suburbano de passageiros no Eixo Ferroviário Norte-Sul (concessão Eixo Norte/Sul), não estando, portanto, previstos contratualmente quaisquer encargos para o sector público, numa base recorrente.
No caso da concessão MST, os fluxos financeiros encontram-se condicionados aos níveis de tráfego efetivamente verificados, pelo que as estimativas para o futuro decorrem da previsão das compensações previstas pagar à concessionária em virtude da evolução prevista para a procura.
Setor da Saúde
Durante o ano de 2015, foram concluídos os trabalhos de estudo e preparação do lançamento do contrato de gestão do Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul (CMFRS),
encontrando-se o processo em fase de aprovação. Por outro lado, encontra-se em fase de reavaliação o processo de estudo e lançamento do projeto do Hospital de Lisboa Oriental, com o objetivo de garantir a criação de valor para o setor público, bem como a necessária
sustentabilidade orçamental do mesmo.
Sem prejuízo do objetivo de promover a avaliação externa independente das experiências hospitalares existentes em regime de parceria público-privada (PPP), no sentido de habilitar tecnicamente a decisão política em função da defesa do interesse público, os encargos plurianuais das PPP do sector da saúde foram estimados tendo por base o sistema de remuneração das entidades gestoras dos edifícios e dos estabelecimentos, definido
contratualmente para cada uma das quatro unidades hospitalares atualmente em regime de PPP.
Neste contexto, importa ressalvar que os valores previstos para o ano de 2016 registam um incremento de 7% face às estimativas do OE 2015, em virtude da produção hospitalar prevista para este exercício ter sido revista em alta, em linha com o verificado no ano anterior.
Setor da Segurança
No sector da segurança existe apenas uma parceria a reportar relativa à conceção, fornecimento, montagem, construção, gestão e manutenção de um sistema integrado de tecnologia de informação para a Rede de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).
A natureza dos encargos associados a este contrato está definida contratualmente como uma remuneração global anual (devida numa base mensal), equivalente a uma remuneração por disponibilidade, composta por uma parcela não revisível (cujos montantes devidos em cada ano se encontram definidos contratualmente) e por uma parcela revisível em função do IPC e ajustável em função de deduções relativas a falhas de disponibilidade e desempenho.
O processo de renegociação do contrato SIRESP encontra-se concluído, tendo sido acordado um montante global de poupança, em termos nominais e com IVA incluído, de 31 milhões de euros, até ao fim do prazo de duração do respetivo contrato.
II.5.4. Estratégia de Gestão da Dívida Direta do Estado e o seu Impacto na Exposição aos