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Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (P012)

No documento Orçamento do Estado para 2016 (páginas 198-200)

IV. Políticas Sectoriais para 2016 e Recursos Financeiros

IV.12. Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (P012)

Políticas

Em 2016, a intervenção do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social traduzir-se-á na implementação de medidas de política que, assumindo como premissa a defesa do Estado Social e dos serviços públicos de emprego e de segurança social, visam estimular a criação de emprego, combater a precariedade no mercado de trabalho, promover a

qualificação dos trabalhadores, inverter a tendência de perda de rendimento das famílias, dos trabalhadores e dos pensionistas, proteger e reforçar as políticas sociais, reduzir a pobreza e as desigualdades e promover a inclusão das pessoas com deficiência.

Promover o emprego, combater a precariedade

Com o objetivo prioritário de promoção do emprego e de combate à precariedade, torna-se essencial retomar o diálogo social, da concertação social à negociação coletiva setorial e de empresa.

É crucial o combate precariedade, sendo necessário melhorar os mecanismos legais de capacidade inspetiva e de atuação em matéria laboral, designadamente reforçando a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e combatendo o uso abusivo e ilegal de contratos a termo ou de recibos verdes, do trabalho temporário, do trabalho subdeclarado e não declarado e o abuso e a ilegalidade na utilização de medidas de emprego, como os estágios e os contratos emprego-inserção, para substituição de trabalhadores.

As políticas ativas de emprego serão focalizadas no combate ao desemprego jovem e ao desemprego de longa duração e na criação efetiva de emprego.

jovens desempregados ou à procura do primeiro emprego. Por outro lado, apoia as empresas que contratem, simultaneamente, jovens desempregados ou à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração, respeitando a condicionante da “criação de emprego líquido” e da contratação permanente, salvo casos excecionais.

O Programa Nacional de Apoio à Economia Social e Solidária será lançado para promover a criação de emprego e a coesão social.

O sistema de qualificações revitalizará a educação e a formação de adultos, com um Programa de Educação e Formação de Adultos e a ativação de uma rede nacional de centros

especializados em educação-formação de adultos.

Propõe-se ainda relançar o diálogo social e a negociação coletiva, articulando-a com o nível das empresas, incluindo no setor público.

Aumentar o rendimento disponível das famílias, dos trabalhadores e dos pensionistas

Para promover a recuperação do rendimento disponível das famílias, dos trabalhadores e dos pensionistas, serão implementadas várias medidas.

A renovação das políticas de mínimos sociais concretizar-se-á através da reposição do valor de referência do Complemento Solidário para Idosos (CSI), da reposição da cobertura do

Rendimento Social de Inserção (RSI), com a alteração da escala de equivalência e com o aumento gradual do valor de referência do RSI, e através da atualização dos montantes dos escalões do Abono de Família. A proteção das famílias monoparentais, particularmente vulneráveis e suscetíveis de se encontrarem em riso de pobreza, concretizar-se-á através do aumento em 15 p.p. da percentagem da majoração monoparental no Abono de Família.

Proceder-se-á à atualização das pensões do regime geral e do regime de proteção social convergente, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2016, repondo a aplicação do artigo 6.º da Lei n.º 53-B/2006 de 29 de dezembro. No ano de 2016, serão atualizadas todas as pensões até 628,82 euros, abrangendo um número muito significativo de pensionistas, retomando o caminho da estabilidade nos rendimentos dos pensionistas.

Aposta-se, ainda, no reforço da concertação social, garantindo a revalorização do salário mínimo nacional (SMN), numa perspetiva de dignificação do trabalho. O Governo propôs, em sede de concertação social, uma trajetória de aumento da RMMG, com um aumento para 530€, em 2016, atingindo os 600€, em 2019.

Por último, a proteção dos trabalhadores que, em virtude de baixos salários e de elevada rotação do emprego, ao longo do ano não aufiram rendimentos que os coloquem acima da linha da pobreza, concretizar-se-á com a criação do Complemento Salarial Anual.

Garantir a sustentabilidade da Segurança Social

Promover uma gestão sustentável e transparente da Segurança Social é prioritário. Para tal é essencial avaliar a evolução do sistema de Segurança Social, o impacto das medidas tomadas, os efeitos da crise económica, bem como as transformações demográficas e do mercado de trabalho, de forma a encontrar novas fontes de financiamento, combater a fraude e a evasão fiscal e completar a convergência entre os setores público e privado.

Em 2016, será retomado o percurso de convergência entre o Regime da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e o Regime Geral de Segurança Social (RGSS).

Promover a inclusão das pessoas com deficiência

O XXI Governo Constitucional definiu como prioridade a intervenção na área da inclusão das pessoas com deficiência ou incapacidade.

Será elaborada uma nova estratégia nacional para a deficiência ou incapacidade. A agenda assumirá como recomendações basilares os princípios da Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU), bem como as conclusões de um Livro Branco para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, a desenvolver na presente legislatura.

Entre as medidas a desenvolver no ano de 2016 destacam-se:

 Definição de uma estratégia, envolvendo os diferentes atores no cumprimento das quotas de contratação de pessoas com deficiência nos sectores público e privado.

Apostar em ações de formação profissional no sistema regular de formação e no aumento da oferta de estágios profissionais;

 Avaliação e reformulação das prestações sociais, estudando as vantagens de

implementação de um modelo de prestação única para a deficiência/incapacidade, que inclua uma componente dependente do rendimento do agregado e do grau de incapacidade da pessoa, e uma componente variável e em atualização, respeitante às despesas do agregado com a reabilitação, educação e /ou vida independente;

 Regulamentação do Código do Trabalho com vista à promoção da empregabilidade das pessoas com deficiência ou incapacidade;

 Aposta numa escola inclusiva de 2.ª geração que deverá intervir no âmbito da educação especial e da organização dos apoios educativos;

 Implementação do programa “Territórios Inclusivos”, em articulação com os municípios, que assegura as acessibilidades físicas e comunicacionais;

 Combate ativo à violência e discriminação contra as pessoas com deficiência ou incapacidade;

 Promoção da participação política e do acesso a cargos dirigentes das pessoas com deficiência ou incapacidade.

Orçamento

A despesa total consolidada do Programa Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em 2016, é de 20.479,6 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 482 milhões de euros face à execução provisória de 2015, representando um acréscimo de 2,4%.

Quadro IV.12.1. Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (P012) – Despesa Total Consolidada

(milhões de euros)

No documento Orçamento do Estado para 2016 (páginas 198-200)