• Nenhum resultado encontrado

Riscos Ergonômicos

No documento Download/Open (páginas 69-72)

Ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho ao homem e envolve o seu ambiente físico e os aspectos organizacionais da programação do trabalhocom o máximo de conforto, segurança e eficiência, melhorando o sistema produtivo, diminuindo a carga do trabalhador com aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução de problemas surgidos deste relacionamento (WISNER, 1987; BARTOLOMEU, 1998; DUL; WEERDMEESTER, 2012; IIDA, 2012).

A ergonomia soluciona problemas da relação entre homem, equipamento, ferramentas, programação do trabalho, instruções e informações, resolvendo conflitos, interferindo na fase de projeto (ergonomia de concepção), no posto de trabalho já instalado, na atividade realizada ou no trabalhador (ergonomia de correção) e nos treinamentos periódicos, enfocando meios seguros de trabalho e soluções a serem tomadas pelos próprios trabalhadores (ergonomia da conscientização) (NASCIMENTO, 2000).

A ergonomia surgiu no período pré-histórico quando o homem adaptou as armas de caça e ferramentas de trabalho para as suas necessidades (IIDA, 2012). Na Revolução Industrial do século XVIII o homem era um instrumento e o importante era o que produzia

49

(PEDROSA, 2006). Em 1857, o cientista e educador polonês Wojciech Jastrzebowski introduz o termo ergonomia ao publicar o artigo "Ensaios de ergonomia ou ciência do trabalho” baseado nas leis objetivas da ciência sobre a natureza (BART, 1978; MORAES, 1990; PEDROSA, 2006; IIDA, 2012).

A ergonomia desenvolveu-se durante as duas Guerras Mundiais, com intensificação dos diversos setores da economia com longas jornadas de trabalho em ritmo acelerado. Em 1915, na Inglaterra formou-se um comitê com médicos, fisiologistas, psicólogos e engenheiros para estudar a adaptação entre o trabalho e os funcionários. O comitê transformou-se em Instituto para Pesquisa da Fadiga Industrial (IIDA, 2012).

Em 1949, após a Segunda Guerra Mundial foi criada a primeira sociedade de pesquisa em ergonomia a Ergonomics Research Society na Inglaterra (BAIXO, 1994; PORTO, 1994). O termo ergonomia (do grego ergon = trabalho e nomos = lei, leis do trabalho) foi proposto em 1950 conforme usado em 1857 e se expandiu para o mundo (PORTO, 1994; IIDA, 2012).

Em 1957 foi criado nos Estados Unidos a Human Factors Society e o termo fatores humanos passou a ser sinônimo de ergonomia (IIDA, 2012).

Em 1960, para a OIT ergonomia é a aplicação das ciências biológicas e da engenharia para o ótimo ajustamento do homem ao seu trabalho, assegurando eficiência e bem-estar (MIRANDA, 1980).

Em 1961, foi criada a Associação Internacional de Ergonomia (International Ergonomics Association - IEA). No Brasil, a Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) foi fundada em 1983 e faz parte da IEA (DUL; WEERDMEESTER, 2012; IIDA, 2012).

A estratégia da ergonomia é decompor a atividade do funcionário em indicadores observáveis como postura sentado, em pé, empurrando, puxando, levantando pesos, repetição de movimentos e deslocamento, por meio de técnicas objetivas (registro das atividades ao longo de um período) e/ou subjetivas (discurso do operador com questionários e entrevistas), buscando eliminar desequilíbrios com um estudo minucioso do posto de trabalho (VIDAL, 2003; IIDA, 2012).

A postura e o movimento são determinados pelo posto de trabalho, músculos, ligamentos e articulações envolvidas (KROEMER; GRANDJEAN, 2008).

Postura é a disposição das partes do corpo para uma atividade específica, o arranjo característico que cada indivíduo encontra para sustentar o seu corpo e utilizá-lo, envolvendo o mínimo de esforço e sobrecarga e máxima eficiência (TANAKA; FARAH, 1997; NASCIMENTO; MORAES, 2005; KENDALL, 2007; KISNER; COLBY, 2009).

Músculos, ligamentos e tendões são vulneráveis aos efeitos de forças tensoras repetitivas e os ossos e cartilagens são suscetíveis a lesões por aplicação de forças compressoras (NORKIN; LEVANGIE, 2001).

A repetitividade é uma característica da tarefa e a monotonia é a ausência da variedade de movimentos, ritmos, estímulos ambientais ou do conteúdo do trabalho, ou seja, monotonia é uma reação do organismo a um ambiente uniforme, pobre em estímulos ou com pouca variação de excitações como atividades prolongadas e repetitivas, de pouca dificuldade, curta duração do ciclo de trabalho, períodos curtos de aprendizagem, restrição dos movimentos corporais, isolamento e falta de desafios (KROEMER; GRANDJEAN, 2008).

A fadiga é o efeito de um trabalho continuado que provoca uma sobrecarga no organismo, produzindo uma redução reversível da capacidade funcional. É o resultado de uma performance prolongada sem a devida recuperação (COUTO, 2007; VIDAL, 2003; IIDA, 2012).

A fadiga muscular é dolorosa, aguda e localizada e a pessoa percebe que sua musculatura está sobrecarregada. Já a fadiga generalizada é um estado subjetivo de cansaço, com perda da vontade para o trabalho (KROEMER; GRANDJEAN, 2008).

Os sintomas para ambos os tipos são sonolência, falta de disposição para o trabalho, diminuição da atenção e da produtividade (IIDA, 2012).

O sistema osteo-muscular do homem o habilita a desenvolver movimentos de grande velocidade e amplitude, porém contra pequenas resistências e com gasto energético (COUTO, 2007).

O trabalho estático exige a contração contínua de alguns músculos para manter uma posição. Não existe mecanismo que facilite a circulação sanguínea. O músculo contrai e permanece contraído, comprimindo os vasos sanguíneos musculares por um período maior de tempo e dificulta a nutrição do músculo e a retirada dos resíduos metabólicos, favorecendo a fadiga muscular. A postura estática associa-se à manutenção do tônus dando base necessária à estabilização das estruturas centrais do corpo (escápulas, coluna vertebral e pelve) (DELIBERATO, 2002; KENDALL, 2007; KROEMER; GRANDJEAN, 2008; IIDA, 2012).

O trabalho dinâmico caracteriza-se por uma sequência rítmica de tensão e relaxamento do músculo. Está associado a execução de tarefas numa soma de vários movimentos articulares que permitem realizar as atividades do trabalho. A nutrição muscular ocorre no relaxamento quando o músculo se alonga e o fluxo sanguíneo volta ao normal (COUTO, 2007; KENDALL, 2007; KROEMER; GRANDJEAN, 2008; IIDA, 2012).

O manuseio e levantamento de cargas é um trabalho pesado. Não é tanto a exigência dos músculos, mas o desgaste dos discos vertebrais (KROEMER; GRANDJEAN, 2008). É permitido até 60kg para homens e 40kg para mulheres. No levantamento de peso com meios auxiliares e para o transporte individual de carga o limite é 40kg (BRASIL, art. 198, 2012a).

As atividades de levantamento, transporte e deposição de cargas estão entre as principais causas de lesões nos discos vertebrais (DELIBERATO, 2002).

A coluna vertebral com discos superpostos apresenta pouca resistência para forças que não tenham a direção do seu eixo. Para postura estática prolongada, de pé ou sentada, terá um índice de dor e desconforto menor com a alternância de postura (IIDA, 2012).

Trabalhos com braços elevados acima do nível do ombro apresentam contração estática, dificuldade dinâmica de chegada do sangue até as extremidades dos membros por encontrar-se distantes do coração, compressão do tendão do músculo supraespinhoso com possibilidade de desenvolver tenosinovite ou bursite no ombro (COUTO, 2007). A localização das dores no corpo provocadas por posturas inadequadas estão no Quadro 10.

Quadro 10. Localização das dores no corpo provocadas por posturas inadequadas

Postura Local da dor

Em pé Pés e pernas (varizes) Sentado sem encosto Músculos extensores do dorso

Assento muito alto Parte inferior das pernas, joelhos e pés Assento muito baixo Dorso e pescoço

Braços esticados Ombros e braços Segurar errado ferramentas Antebraços Fonte: IIDA, 2012, p.85

Delwing (2007) ao estudar o setor de cortes de frango em um frigorífico do Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, identificou ausência da prática do rodízio de funções, esforço estático sem a possibilidade de alternância postural, velocidade muito rápida de produção (desossa a uma velocidade de 6.000 frangos/h), altura elevada das mesas, falta de espaço nelas e pouca altura para os trabalhadores mais altos. Os funcionários queixavam de dor e formigação dos braços, ombro e costas.

A ergonomia é um instrumento significativo para o empresário, pois incrementa a produtividade e gera a melhoria da qualidade de vida no trabalho, já que a eficiência virá

51

como resultado sem sacrifício e sofrimento dos empregados (RAZERA, 1994; BARTOLOMEU, 1998; DUL; WEERDMEESTER, 2012).

No documento Download/Open (páginas 69-72)