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O RISO UNI(I/#DO DOS L#TINOS O RISO UNI(I/#DO DOS L#TINOS

. - O RISO UNI(I/#DO DOS L#TINOS

O

O

risusrisus

0 satrico e grotesco0 satrico e grotesco

Bs latinos n"o s"o mais s(rios Jue os outros/ %oram os Iistoriadores e os pedagogos Jue construíram e transmitiram durante s(culos . por meio de estudos cl?ssicos e de Iumanidades) aseando,se em tetos cuidadosamente escolIidos . a imagem imponente de uma romanidade gra#e) Ier>ica) solene) est>ica/ Um mundo di#idido em dois: de um lado os 6at"o) os 6(sar e os 8rutus) imp?#idos) cumprindo seu destino pontuado de frases Iist>ricas em recortadas Jue preencIem os dicion?rios de cita!es e as p?ginas rosa do

-etit LarousseA de outro a plee Jue gargalIa diante das oscenidades da atelana e Jue

#ocifera sore as grades do anfiteatro/ Entre o riso grosseiro e a se#eridade est>ica) nada) eceto) tal#eC) o sorriso de Kirgílio) t"o ang(lico) e o #ar!e diem Ioraciano) mais patife) mas t"o elegante/

6aricatura) e#identemente/ =a#ia Plauto e u#enal) as orgias das saturnais e o urlesco doSatiricon$ mas isso era assunto de especialistas) e sua entrada nos manuais era escrupulosamente filtrada/ B mundo romano era o mundo do s(rio/ Bs escritores latinos têm uma parte de responsailidade nessa mentira Iist>rica) ao menos aJueles do período augusto) Jue lamenta#am a mítica idade de ouro da FepQlica) a idade da #irtude) do maMestoso) do frugal e do Ieroísmo gra#e/ Nossos autores cl?ssicos) erigindo os latinos como modelos #enerados e traduCindo suas oras . mesmo as mais truculentas e as mais cIulas . em um estilo ret>rico e grandiloJente) impuseram a imagem estereotipada do latim solene) impassí#el) en#olto em sua toga austera) acima de JualJuer suspeita de cmico/

O $RO;LE# DO UOR L#TINO

Por(m) Juando se olIa mais de perto) constata,se Jue o riso est? presente por toda parte no mundo romano/ B riso so todas as suas formas) positi#as e negati#as) sutis e grosseiras) agressi#as e indulgentes) Jue a língua latina concentra em uma Qnica pala#ra:

risus& B riso) multiforme) permanece riso: do trocadilIo grosseiro ao Iumor mais fino)

passando pelo grotesco) pelo urlesco) pela ironia) pela Comaria) pelo sarcasmo/ Jui) o purista #ai perder seu sorriso e franCir o cenIo: n"o misturemos esses diferentes termos[

 Juest"o de saer se I? um Iumor latino) por eemplo) deu lugar a surpreendentes contro#(rsias) nas Juais cada um perde) ao mesmo tempo) seu latim e seu Iumor/ 6ertos especialistas do riso) Jue têm a tendência . ( o cQmulo[ . de se le#ar a s(rio) gostariam de reser#ar o Iumor) esse termo indefiní#el) a uma (poca e a um lugar muito precisos) lan!ando o an?tema contra os sacril(gios Jue o dispersam aos Juatro #entos/ Eug^ne de Saint,Denis) autor) em *-<) de 1nsaios sobre o riso e o sorriso dos latinos$ das muito s(rias edi!es Les .elles Lettres$ afirma Jue pensara) de início) intitular sua ora de

GEnsaios sore o Iumor dos latinosL) mas foi dissuadido pelas considera!es suspeitosas de alguns especialistas/*

6ontudo) a maioria dos autores) como / =aur) admite a eistência de um espírito Iumorístico em 6ícero) =or?cio) Te>crito) Plauto) Karr"o e muitos outros/2 Foert Escarpit

Mustamente ressaltou Jue s"o soretudo os anglicistas n"o rit7nicos) franceses em particular) Jue Celam para reser#ar o Iumor aos ingleses do s(culo VK555 ao VV/3 Pierre

Daninos () sem dQ#ida) o Jue cIega mais perto da #erdade) Juando d? esta defini!"o etremamente ampla de Iumor: GO) antes de tudo) na minIa opini"o) uma disposi!"o de espírito Jue nos permite rir de tudo so a m?scara do s(rio/ Tratar Mocosamente coisas gra#es e gra#emente coisas engra!adas) sem Mamais se le#ar a s(rio) sempre foi pr>prio do Iumorista/ ;ra!as a isso) ele pode) com freJuência) diCer tudo) sem parecer toc?,loL/1

 primeira Jualidade do Iumor ( precisamente escapar a todas as defini!es) ser inapreensí#el) como um espírito Jue passa/ B conteQdo pode ser #ari?#el: I? uma multiplicidade de Iumor) em todos os tempos e em todos os lugares) desde o momento em Jue) na mais remota pr(,Iist>ria) o Iomem tomou consciência dele mesmo) de ser aJuele e ao mesmo tempo de n"o o ser e acIou isso muito estranIo e di#ertido/ B Iumor surge Juando o Iomem se d? conta de Jue ( estranIo perante si mesmoA ou seMa) o Iumor nasceu com o primeiro Iomem) o primeiro animal Jue se destacou da animalidade) Jue tomou dist7ncia em rela!"o a si pr>prio e acIou Jue era derris>rio e incompreensí#el/

B Iumor est? em toda parte/ Festa saer se ele adJuire formas típicas) particulares a um po#o) a uma na!"o) a um grupo religioso) profissional ou outro: Iumor inglês) alem"o) americano) Mudaico) latino etc/ N"o) o Iumor ( uni#ersal) e essa ( uma de suas grandes Jualidades/ 6om certeCa) o tra!o de Iumor encarna,se) ine#ita#elmente) em estruturas e culturas concretas) mas pode ser apreciado por todos porJue sempre ultrapassa o cI"o Jue lIe d? srcem/ Na internacional do Iumor) os Iumoristas de todos os países est"o unidos) animados pelo mesmo espírito/ B Iumor ( um seto sentido Jue n"o ( menos Qtil Jue os outros/ =? aJueles Jue s"o dotados desse sentido e aJueles Jue n"o o têm . essa enfermidade os pri#a de um ponto de #ista essencial sore o mundo: eles o #eem) o escutam) o tocam) o desfrutam) mas n"o se d"o conta de Jue ele n"o eiste/ Digamos) de maneira menos pro#ocadora) Jue eles imergem totalmente nesse mundo) material ou espiritual) real ou imagin?rio) mas s"o incapaCes de assumir uma dist7ncia crítica) de se desprender) de ser li#resA agarram,se a sua representa!"o do mundo sem perceer Jue se trata apenas de uma representa!"oA desempenIam seu papel com tal con#ic!"o Jue n"o #eem Jue ( s> um papel/ O con#eniente repetir,lIes) como SIaespeare) Jue

/// o mundo inteiro ( um palco)

os Iomens e as mulIeres) simples atoresA eles faCem suas entradas e suas saídas)

e cada um) em sua #ida) desempenIa muitos pap(is)

nada ( fato: Gacredita,seL/

* S5NT,DEN5S) E/ de/ 1ssais sur le rire et le sourire des latins& Paris: *-<) p/2-2/ 2 =UF) / L*ironie et l*humour chez #icéron& Paris,9ede: *-/

3 ES6FP5T) F/ L* humour& Paris: *-<0/

1 DN5NBS) P/5out l*humour du monde& Paris: *-+) p/20/ S=ESPEFE) X/ As%ou li'e it$ 55) /

Seguramente) como os outros sentidos) o Iumor tem suas doen!as/ Ele pode ser míope) presiope) daltnicoA e) ainda) I? dias em Jue est? ausente/ as ( raro Jue desapare!a definiti#amenteA al(m disso) contrariamente aos outros sentidos) pode,se desen#ol#ê,lo) melIor?,lo) eercit?,lo) e muitas #eCes seu desempenIo melIora com a idade) o Jue compensa o enfraJuecimento das outras capacidades/

Bs latinos n"o s"o mais nem menos despro#idos desse seto sentido Jue os outros/ Por(m) n"o I? mais Iumor latino Jue Iumor Mudaico: I? latinos e Mudeus Jue faCem Iumor) e ( por isso Jue ainda podemos apreci?,los/  literatura latina est? repleta de Iumor) at( em oras em Jue n"o o esper?#amos/ Tome,se o5ratado de agricultura$ de Karr"o: domínioa

!riorirearati#o/ 8em[ Sl#ie gacIe escre#eu Jue Gpara Karr"o) agradar ( dar as cIa#es

para compreender o sentido de sua ora em mQltiplos registros) em Jue a estiliCa!"o e os elementos sim>licos) guiados pelo Iumor) têm fun!"o determinanteL/< Tome,se ainda A

arte de amar$ de B#ídio: o amor se apresenta aí com Iumor e ( amplamente desmistificado/

 arte de amar re#ela,se) antes de tudo) uma arte de enganar galantemente) de dar o troco) de produCir uma falsa imagem de si/ Bs deuses n"o d"o o eemploZ Tratados com a desen#oltura Jue merecem suas a#enturas escarosas) eles olIam) rindo) seus êmulos Iumanos: GQpiter) do alto dos c(us) #ê) rindo) os amantes cometerem perMQrio e ordena aos sQditos de Oolo Jue le#em os Muramentos anulados/ Qpiter tinIa o costume de faCer falsos Muramentos a unoA agora) ele mesmo fa#orece seus imitadoresL/

Butros tantos) Jue o #ento os le#e[

Bs romanos) ali?s) s"o conscientes de Jue têm Iumor e se orgulIam disso/ GB #elIo espírito romano polido ( mais espiritual Jue o espírito ?ticoL) afirma 6ícero)+ cuMas oras

testemunIam um refinamento constante no uso da ironia: GO f?cil constatar Juanto ele progrediu no uso da ironiaL) escre#e 9/ 9aurandA Gseus sarcasmos s"o) de início) um pouco rudesA ele multiplica as antífrases f?ceis) as Jualifica!es de bIomem ecelente_ aplicadas a celerados/ lguns tra!os das0errinas M? têm mais delicadeCaA eles s"o ultrapassados pelos elegantes graceMos do -ro "urena desse discurso ao -ro #aelio$ ao -ro Ligario$ percee, se ainda um progresso/ 6ícero cIegou a um $ #ontade soerano) a uma ligeireCa e a uma delicadeCa de ironia Jue n"o podem mais ser ultrapassadas/ ais Jue nunca) a galIofa () em suas m"os) uma arma Jue ele maneMa com perfeita seguran!aA ora ela pro#oca feridas profundas) ora ro!a) arranIa) mas sempre ate MustoL/-

as) como ressalta Yuintiliano) isso n"o impede Jue alguns amigos o censurem por ultrapassar medidas) apelidando,o de scurra$ Go palIa!oL) e Jue o estoico 6at"o de Utica o cIame de Gcnsul ridículoL/ O atriuída a ele) em #ida) uma infinidade de pilI(rias e ditos espirituosos) dos Juais seu afilIado Tiro pulica uma primeira cole!"o/ Seu m(todo) Jue ele pr>prio define como Gter respeito pelas circunst7ncias) moderar suas tiradas) ser senIor de sua língua e comedido em ditos espirituososL)*0 n"o ( uma aordagem do IumorZ Pode,

se compar?,lo ao de =or?cio) Jue descre#e o Iomem espiritual como Gadministrador de suas for!as cmicasq Jue as enfraJuece com prop>sito delieradoL/

< ;6=E) S/ G6onstru!"o dram?tica e Iumor no5ratado de agricultura de Karr"oL/ 5n: Le rire des anciens& Actes du #olloque

International de Rouen et -aris& Paris: *--+) p/230/

BKjD5B/ A arte de Amar$ 5) <3*,<31/ + 6j6EFB/ Aos familiares$ -) *) 2/

-LAURAND, L.Étude sur le style des discours de Cicéron, t. III. Paris: 1927, p.25. *0!"!ERO.De oratore, III, #$, 27.

3e oratore$ de 6ícero) permanece uma mina de tra!os de Iumor Jue ilustra) ao mesmo tempo) a onipresen!a desse seto sentido e a alta estima em Jue o tinIam os romanos cultos/ Se IoMe esses ditos espirituosos nos faCem apenas eso!ar um sorriso) isso s> ( efeito do costume/ O o caso da r(plica de %aius aimus a 9i#ius Salinator) em 2*2 a/6/ Este Qltimo) Jue perdera a cidade de Tarento) fecIara,se na cidadela) de onde fiCera di#ersas saídas Jue teriam aMudado %aius a reconJuistar a cidade/ Ele insiste em diCer Jue o sucesso lIe era de#ido/ G6omo eu esJueceria issoZL) responde %aius/ GEu nunca teria reconJuistado Tarento se n"o a ti#esses perdido/L Butra r(plica: GEu n"o gosto de pessoas Jue eageram no cumprimento de seu de#erL) teria dito 6ipi"o a um centuri"o Jue permanecera em seu posto de guarda em lugar de participar da atalIa) na Jual era necess?rio/

6ícero d? ainda um eemplo de procedimento irnico Jue consiste em retrucar a Comaria/ Yuintus Bpimius) Jue fora um deocIado na Mu#entude) ca!oa de Egilius) Jue tem uma aparência . enganosa . de efeminadoA GbBI) minIa peJuena Egília) Juando ir?s $ minIa casa) com tua roca e teu fusoZ_ bNa #erdade) eu n"o ousoA minIa m"e me proiiu de freJuentar mulIeres de m? reputa!"o/L_/

Nem tudo ( espirituoso nas Iist>rias citadas por 6ícero) mas o orador soue captar os procedimentos de uma Comaria moderada e de om gosto: GEm suma) enganar a epectati#a dos ou#intes) Comar dos defeitos de seus semelIantes) ca!oar) se for preciso) de seus pr>prios defeitos) recorrer $ caricatura ou $ ironia) atirar ingenuidades fingidas) ressaltar a tolice de um ad#ers?rio) esses s"o os meios de pro#ocar o riso/ ssim) aJuele Jue Juer ser um om GgraciosoL de#e re#estir,se de uma naturalidade Jue se presta a todas as #ariedades desse papel) construir por si um car?ter capaC de acomodar,se a cada epress"o ridícula) mesmo do rostoA e Juanto mais se ti#er) como 6rassus) o ar gra#e e se#ero) mais o graceMo parecer? repleto de salL/**

Pode,se ilustrar esse Qltimo tra!o pelo Iumor c?ustico de 6at"o) o 6ensor/ Esse Iomem austero e íntegro) insuporta#elmente #irtuoso e se#ero) encarna o rigor rQstico dos #elIos romanos e seu gosto pela Comaria mordaC) a dicacitas& Esse Iomem) de temperamento eecr?#el) processado mais de cinJuenta #eCes at( a idade de +1 anos) ( tam(m capaC de declararA GPrefiro Jue perguntem por Jue n"o erigiram uma est?tua a 6at"o a Jue perguntem por Jue lIe construíram umaL/ Seus repentes aceros ligam,se ao lado agressi#o do riso arcaico) e seus contempor7neos fiCeram uma compila!"o deles/ 6om meios despoMados) ele pratica um Iumor rQstico/ Segundo / =aur) encontram,se Gna oca do #elIo censor Juase todas as formas de Iumor compatí#el com sua dignidade: autoironia) onomia) paronímia) pro#(rios e cita!es) soretudo cmicos) anedotas e ditos espirituosos) paradoos) sem falar do estilo saoroso/ De sua mordacidade) apenas se notam tra!os: os raros procedimentos diluem,se na massa do IumorL/*2 =umor conser#ador)

reacion?rio) como o de rist>fanes) Jue defende a tradi!"o e o sagrado/  oposi!"o de 6at"o $s rei#indica!es femininas) em *- a/6/) por eemplo) traduC,se por feroCes coment?rios

** 5idem) 55) 2+0/ Entre os principals estudos sore o Iumor dos latinos) ressaltamos PETEF) =/ GDie 9itteratur der XitCorte in

Fom und die geflgelten Xorte im unde 6aesarsL) Neue Jahrb$ fr class& -hilologie$ 69K) *+-A ;FNT) / /5he Ancient Rhetorical 5heories of the Laughable& adison: *-21A P9E8E) / La teoria del comico da Aristotele a -lutarco&

Turim: *-2A N]B) / G5l De risu di Yuintiliano nel contesto della retorica anticaL) Rendiconti d& Instituto Lombardo$

6K55) *-3A =UF) / L*ironie et l*humour chez #icéron& Paris,9ede: *-A FB85N) F L*ironie chez 5acite& 9ille: telier de reproduction des tI^ses) *-3/

sore a fraJueCa dos Iomens: GTodos os Iomens têm autoridade sore suas mulIeresA n>s) romanos) comandamos os Iomens de todo o mundo) mas as mulIeres nos comandamL/

De 6at"o a =or?cio) passamos do Iumor GpesadoL ao Iumor Gle#eL) ou) para falar em termos Iumanistas) da dicacitas $urbanitas&O #erdade Jue =or?cio e#oluiu pouco/ Bs graceMos de seus primeiros 1!odos e S4tirasrele#am,se antes do cmico escolar) como na s?tira +) cuMo assunto ( merdise cacatum e em Jue o deus Príapo faC as feiticeiras fugirem Gcom um peido sonoro como uma eiga Jue eplodeL/ as o poeta tornou,se ponderado com a idade/ Na s?tira *0) ele sulinIa a superioridade da rincadeira sore a se#eridade) para transmitir uma #erdade moral/ inda ( preciso . contrariamente a 9ucilius) Jue utiliCa Gsal a m"os cIeiasL . Jue a rincadeira seMa contida: GN"o ( necess?rio faCer rir a andeiras despregadas) emora essa arte tenIa seus m(ritos/ O preciso re#idade) ( preciso deiar o pensamento correr sem lIe dar pala#ras Jue cansem os ou#idosA ( preciso Jue o tom seMa $s #eCes gra#e) $s #eCes di#ertido) Jue se acredite ou#ir o orador) o poeta ou o Iomem do mundo Jue sae controlar suas for!as e n"o ausar delas/ Yuase sempre) a rincadeira elimina grandes ad#ersidades com mais for!a e sucesso Jue a #iolênciaL/*3 Bs romanos)

sae,se) s"o pessoas pr?ticas: para o c?ustico 6at"o) em como para o urano =or?cio) o riso ( um instrumento a ser#i!o da causa moralA trata,se de transmitir uma li!"o) com uma palmada ou uma carícia) mas sempre rindo/

lguns conseguem at( encontrar riso em Kirgílio/ Tal ( o feito de P FicIard em uma ora ama#elmente intitulada0irg(lio$ autor alegre&*1 Ademonstra!"o n"o () contudo) muito

con#incente/  leitura das .uc<licas n"o pe $ pro#a os Cigom?ticos) e Juando o autor fala das Ga#enturas ridículasL de Eneias) Jue GfaC rir o leitor de IoMeL) fica,se um pouco perpleo/ B #erdadeiro Kirgílio cmico ( Scarron) Jue o criar? com seu0irg(lio !arodiado$

em Jue a epopeia adJuire tra!os ridículos/ 6omo Juando Eneias) em sua desesperada fuga na Jueda de Troia) percee Jue sua mulIer n"o o seguiu e seu pai o consola com estas pala#ras:

/// ela #oltar?

ou ent"o algu(m a reter?/ Ser? Jue ela n"o ficou para tr?s Para aMeitar a ligaZ

6onfessemos: GalegreL ou Gtra#estidoL) Kirgílio n"o ( francamente engra!ado) e preferimos) sem dQ#ida) o Mulgamento de Eug^ne de Saint,Denis: GB leitor n"o ri) ele sorriL/ as esses poucos eemplos demonstram Jue o riso nunca est? longe no mundo romano/ Ele constitui parte essencial do espírito latino) Jue encontramos at( nas institui!es/ Eugen 6iCe) em seu rilIante estudo "entalidades e instituies !ol(ticas romanas$ demonstrou Juanto a alian!a entre o s(rio e o lQdico est? no cora!"o dessas institui!es: G meu #er) n"o I? nenIuma contradi!"o entre o estilo (tnico e os #alores dos romanos) de um lado) e seu gosto muito concreto) pragm?tico . como um etra#asar indispens?#el . pelo cmico) pelo riso) pelo urlesco) pelo famoso bsal it?lico_) de outro/ Um bsal_ Jue continIa $s #eCes

um pouco de bfel_) com e#idente propens"o a repro#ar os maus costumesL/

*

*3 =BF65B/S4tiras$5 $ *0/ *1 Paris: *-*/

O L#TINO' "#$ONBS "?USTI"O

B riso e a s?tira) num clima urlesco) s"o) de fato) as marcas específicas do riso romano) oriundas) tal#eC) da causticidade camponesa das srcens latinas: GSer terra a terra ( estar predisposto $ Comaria de tudo o Jue) defeito ou Jualidade) parece noci#o ao sucessoL) oser#a ;/ icIaud a prop>sito do temperamento romano/*< Kirgílio e =or?cio)

mais perto de suas srcens) lIe d"o raC"o: GBs camponeses de usnia) ra!a oriunda de Troia) di#ertem,se com #ersos grosseiros) com risos desragadosA eles #estem m?scaras Iorrendas) grudadas $ peleA eles te in#ocam) 8aco) em Iinos alegres e) em tua Ionra) le#antam no alto de um pinIeiro figuras de argila modeladaL) escre#e o primeiro em

Ce<rgicas$ ao passo Jue o segundo e#oca o gosto camponês pela rincadeira mordaC) Jue

ele cIama em S4tirasde G#inagre italianoL/ mos atriuem a esse temperamento alegre e ?cido a srcem das festas rurais Jue aliam o riso ao culto da fecundidade: lu!ercalia$em * de fe#ereiro) liberalia$ em * de mar!o) floralia$ em aril/ Em todas essas ocasies) d?,se li#re curso ao riso desenfreado) $ licenciosidade) $ #i#acidade agressi#aA ( o espírito da Glicen!a fesceninaL) Jue permite inMQrias) agresses #erais as mais audaciosas) uma orgia de grosserias cmicas $ Jual alguns conferem #alor encantat>rio) como no caso dos #ersos infamantes declamados na algaCarra pri#ada do occentatio . tal#eC uma das srcens do cIari#ari medie#al/ Na (poca de Kirgílio e de =or?cio) o sentido m?gico dessas pr?ticas M? desaparecera Ia#ia muito tempo) e delas s> resta#a o aspecto de di#ers"o turulenta/

 língua latina permite tam(m compreender o car?ter mordaC do Iumor latino/ 6om suas formas elípticas) ele se presta mara#ilIosamente ao sarcasmo) $ tirada) ao Mogo de pala#ras conciso e picante) característico da dicacitas$ ou causticidade/ B costume camponês de corir as pessoas de improp(rios est? na srcem de muitos sorenomes latinos) estigmatiCando defeitos físicos) intelectuais e morais) tais comoScaurus$ o manco)Calba$

o arrigudo)S6neca$ o #elIote) Lurco$ o glut"o) .rutus$ o grosseiro) ou .ibulus$o eerr"o/ Tomando,se por ase esses sorenomes) o simples deslocamento de uma letra permite uma mudan!a de sentido cmico: / %ul#ius Noilior) o not?#el) torna,se) para 6at"o) "obilior$

o inst?#el/ Essa pr?tica) Jue para n>s re#ela,se de aio ní#el) ( comum mesmo nos eercícios orat>rios de alto ní#el) tais como as pr(dicas de 6ícero/ Este n"o Iesita em recomendar o procedimento) assim como os diminuti#os: seu ad#ers?rio) 6lodius PulcIer &o elo') torna,se -ulchellus &o elo garoto'/ Ele pr>prio) 6ícero &o gr"o,de,ico') n"o escapa $s rincadeiras) Jue aceita de om grado/ os amigos Jue lIe aconselIam mudar de nome) ele responde Jue tornar? esse gr"o,de,ico t"o c(lere Juanto #at8o &o prudente')

#atullus &o peJueno tra#esso' ou Scaurus &o manco'/

Esses malaarismos com as pala#ras) Jue a concis"o rigorosa da língua permite) est"o no cora!"o da Comaria mordaC Jue constitui a festivitas &Mo#ialidade' e a dicacitas&

Elas est"o tam(m na srcem desses di#ertimentos pastorais Jue consistem em en#iar de um grupo a outro) em r(plicas alternadas) GdesafiosL mordaCes com uma m(trica precisa:

as saturae& Segundo Kal(rio ?imo) foi em 3<1 a/6/ Jue a Mu#entude romana teria

acrescentado) com a aMuda de um poeta tirreno) essas di#erses $s festas religiosas/ Tratar, se,ia de uma forma rQstica de composi!"o dram?tica) Jue teria sido le#ada) mais tarde) para a com(dia latina/* Essa satura$ da Jual pro#(m a s?tira) ( re#eladora do rQstico

*< 56=UD) ;/ Les tréteau= romains& Paris: *-*2) p/*+/

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