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BRC (B RITISH R ETAIL C ONSORTIUM )

Em 1998, o British Retail Consortium (BRC), como resposta às necessidades do comércio e indústrias alimentares, desenvolveu e introduziu a norma alimentar BRC-Food para ser utilizada como método de avaliação dos fabricantes, distribuidores e retalhistas de produtos alimentares de marca própria. A norma foi projectada para ajudar os retalhistas e proprietários de marcas a produzir produtos alimentares com segurança e qualidade consistentes.

Note-se que, ao abrigo da Lei Britânica de segurança alimentar UK Food Safety Act 1990, os distribuidores e proprietários das marcas têm uma responsabilidade legal pelas suas marcas Todos os sectores envolvidos no fornecimento de produtos alimentares, incluindo os retalhistas, têm a obrigação legal de tomar todas as precauções e diligências para evitar falhas nos produtos em todos as fases da produção, desde o desenvolvimento até à venda, incluindo a publicidade (UKFoodAct, 1990).

Desenvolvida pelo British Retail Consortium (BRC), organização que reúne as principais cadeias de distribuição do Reino Unido, a norma BRC tem sido revista ao longo dos anos de modo a ir ao encontro das necessidades dos produtores e distribuidores e, manter-se actualizada, estando actualmente na sua 5ª edição (BRC, 2008).

A norma tem sido adoptada por produtores mundiais, especialmente nas organizações que abastecem o mercado britânico. A certificação por entidades externas garante aos produtores e distribuidores o cumprimento dos requisitos legais aplicáveis e a segurança dos consumidores.

A certificação BRC pressupõe a adopção e implementação da metodologia HACCP, a existência de um Sistema de Gestão da Qualidade documentado e eficaz, e o controlo das condições ambientais das instalações, controlo do produto, processo e pessoas.

4.9.1 ESTRUTURA DO REFERENCIAL

O objectivo da norma BRC consiste em especificar os critérios de segurança, qualidade e operacionalidade exigidos a uma organização que pretenda fornecer produtos alimentares para o mercado Britânico, seus fornecedores e consumidores.

O formato e conteúdo normativo foram desenvolvidos de modo a permitir a sua avaliação por uma entidade independente, face às instalações e processos da organização. A BRC ciente da importância da acreditação, tem trabalhado em parceria com a UKAS (United Kingdom Accreditation Service) no desenvolvimento do referencial de modo a garantir que são satisfeitos todos os requisitos de certificação de produto. As entidades certificadoras têm de

estar acreditadas pela norma ISO/IEC Guia 65 (1996). Referem-se os seguintes princípios da norma (BRC, 2008):

• Minimizar a duplicação de avaliações;

• Trabalhar com entidades acreditadoras de modo a garantir que o processo de acreditação proporciona um controlo e manutenção efectivos dos padrões;

• Encorajar a avaliação local;

• Garantir abertura, transparência e cumprimento com a legislação;

• Promover a participação directa das partes interessadas durante o desenvolvimento e manutenção como parte de comités técnicos de aconselhamento;

• Rever e melhorar continuamente os padrões e processos de suporte;

• Promover as melhores práticas.

Cada secção da norma começa com um texto a negrito, a chamada declaração de intenções (statment of intentions), de cumprimento obrigatório pelas organizações de modo a obterem a certificação. Seguem-se os requisitos específicos de cada secção.

A certificação do produto está dependente do cumprimento contínuo de certos requisitos considerados fundamentais na norma, e assim assinalados. Sempre que os resultados apontem uma não conformidade maior ou crítica a um desses requisitos fundamentais o resultado é a não certificação, no caso de uma primeira auditoria, a sua suspensão ou retirada caso se trate de auditorias de acompanhamento ou renovação.

A norma identifica os seguintes requisitos fundamentais (BRC, 2008):

• Cláusula 1 – Comprometimento da Gestão de Topo e melhoria contínua

• Cláusula 2 – Plano de Segurança alimentar

• Cláusula 3.5 – Auditoria Interna

• Cláusula 3.8 – Acções correctivas e preventivas

• Cláusula 3.9 – Rastreabilidade

• Cláusula 4.3.1 – Layout, fluxo produtivo e segregação

• Cláusula 4.9 – Limpeza e higiene

• Cláusula 5.2 – Requisitos de manuseamento para materiais específicos

• Cláusula 6.1 – Controlo de operações

• Cláusula 7.1 – Formação

Os requisitos da norma BRC-Food estão divididos em 7 grupos (BRC, 2008):

1. Compromisso da gestão e melhoria contínua 2. Plano de segurança alimentar – HACCP

3. Gestão do sistema da qualidade e segurança alimentar 4. Instalações

5. Controlo de produto 6. Controlo de processo 7. Pessoal

Nos anexos são explicadas as relações da BRC-Food com outros referenciais BRC, os requisitos de formação e experiência para os auditores, as categorias ou grupos de produtos, a classificação da não conformidades (anteriormente descrito) e o modelo do certificado.

Os requisitos normativos serão descritos e comparados no capítulo 5.

4.9.2 PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO

O processo de certificação BRC apresenta as seguintes características (BRC, 2008):

DURAÇÃO DA AUDITORIA

A duração média de uma auditoria é de 1,5 dias, com 0,5 dias para elaboração do relatório, mas pode variar em função do número de funcionários e suas funções, número de locais a auditar, da complexidade do processo produtivo, do número de linhas de produção, da dimensão e idade das instalações e seu impacto no fluxo de materiais, dificuldades de comunicação (idioma), do número de não conformidades em anteriores auditorias, de dificuldades surgidas durante a auditoria ou da preparação da organização (ex: documentação, HACCP, BPF).

CLASSIFICAÇÃO DAS NÃO-CONFORMIDADES

A norma BRC considera três níveis de não conformidades:

Crítico – Quando existe uma falha no cumprimento de um requisito legal ou de segurança alimentar;

Maior – Quando existe uma falha substancial no cumprimento de um requisito da

“declaração de intenções” ou qualquer outra cláusula da norma ou, quando seja detectada um situação que levante dúvidas quanto à conformidade do produto obtido;

Menor – Quando um requisito da declaração não foi totalmente cumprido mas há evidências de que o produto obtido seja conforme ou, uma cláusula não esteja totalmente cumprida mas a conformidade do produto não levante dúvidas.

Nos casos em que é obtida a classificação D não é necessário apresentar um plano de acções pois não é concedida a certificação ou, caso já exista, esta é suspensa ou retirada (Tabela 11).

De salientar que por esta norma só é atribuída a certificação depois de serem enviadas para o organismo certificador evidências do encerramento das acções correctivas implementadas para a resolução de todas as não-conformidades.

Tabela 11 - Classificação das não conformidades, acções exigidas e frequência de auditorias Classificação

Crítica Maior no “Statment

of intent” ou req.

fundamental

Crítica Maior Menor Acção correctiva Frequência de auditoria

A 0 10 Evidência objectiva

no prazo de 28 dias 12 meses

B 1 10 Evidência objectiva

no prazo de 28 dias 12 meses

B 0 11 a 20 Evidência objectiva no prazo de 28 dias 12 meses

C 2 20 Nova auditoria no

prazo de 28 dias 6 meses

C < 2 > 30 Nova auditoria no

prazo de 28 dias 6 meses

D 1 Não é atribuída

certificação Nova auditoria

D 1 Não é atribuída

certificação Nova auditoria

D 3 Não é atribuída

certificação Nova auditoria

D 2 21 Não é atribuída

certificação Nova auditoria

D 2 31 Não é atribuída

certificação Nova auditoria

Os requisitos normativos serão descritos e comparados no capítulo 5.

4.9.3 VANTAGENS DO REFERENCIAL BRC-FOOD

A certificação BRC-Food conduz a uma série de vantagens para as empresas que procuram a excelência na qualidade e satisfação do cliente e uma vantagem competitiva no mercado. As vantagens da certificação pela norma BRC-Food referem-se a:

• Ser abrangente e cobrir as áreas da Qualidade e Higiene e Segurança dos produtos;

• Controlo eficaz dos processos internos e a minimização do risco de falhas.

Demonstração de uma abordagem proactiva em relação à segurança alimentar;

• Minimização de riscos alimentares. Vigilância permanente e o acompanhamento das acções correctivas, garantindo uma auto-melhoria do sistema da qualidade e de segurança;

• Fortalecimento da confiança e da relação com os clientes. Fornecer a evidência ao fabricante de que os seus fornecedores estão a agir de acordo com um sistema BPH;

• Proporcionar uma norma única e que permita auditorias por organismos de certificação.

• Redução significativa do número de auditorias de clientes e custos associados;

• Facilidade no acesso aos mercados do Reino Unido, Alemanha e França 4.9.4 OUTROS REFERENCIAIS BRC

A norma BRC considera ainda os seguintes referenciais (BRC, 2008):

• Global Standard for Consumer Products Issue 3

• Global Standard for Packaging and Packaging Materials Issue 3

• Global Standard for Storage and Distribution Issue 1