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2.10. RondôniaRondôniaRondôniaRondôniaRondônia
Relator: Eloi Elias do Prado Embrapa Rondônia
O plantio da soja em Rondônia teve início em meados da década de 80, onde se implantou no sul do estado, em solos tipicamente de cerrados, na região de Vilhena. Nesta mesma década, a área plantada chegou à 25.000 ha, decrescendo a partir daí, em virtude do alto custo do transporte, que encarecia os insumos e o escoamento da produção. Em 1990, apenas 100 ha foram ocupados com o plantio da soja, posteriormente, na safra 1996/97 este valor foi de 3.500 ha e em 1997/98 a área plantada chegou a 7000 ha, incluindo os municípios de Vilhena e Cerejeiras.
A implantação do corredor de exportação, estabelecido pela BR 364 - Rio Madeira - Porto de Itacoatiara - Oceano Atlântico, abriu novas perspectivas para a expansão da cultura no estado, não só por facilitar e baratear o escoamento da produção, mas também por criar facilidades para que os insumos agrícolas, principalmente adubos, possam chegar a preços mais competitivos.
Atualmente, a pesquisa têm identificado duas regiões onde a cultura pode estabelecer-se, a curto prazo, sem grandes dificuldades. A primeira delas
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localizada na região de Vilhena, e a segunda, na região que inclui os municípios de Cerejeiras, Chupinguaia, Corumbiara e Cabixi. Estima-se que a área potencial envolvendo estas regiões seja superior a 200.000 ha.
A região de Vilhena possui solo tipicamente de cerrado, altitude média de 600 metros, e precipitação anual em torno de 2200 mm. A produtividade média obtida à nível de produtor têm girado ao redor de 2940 kg/ha, entretanto, ensaios de campo têm demonstrado que com adubação, genótipo e época de plantio adequada, a média de produtividade pode chegar facilmente a 3380 kg/ha. A segunda região, envolvendo os municípios de Cerejeiras, Chupinguaia, Corumbiara e Cabixi possui solos de relevo plano de fertilidade natural mais elevada do que os solos de Vilhena, vegetação exuberante e altitude de 180 à 200 metros. Nesta região, os primeiros dados de pesquisa sobre o comporta- mento de cultivares de soja foram obtidos pelo CPAF-RO/Embrapa em parceria com a Fundação-MT. Na safra 1996/97, foram avaliadas as seguintes variedades: FT-Estrela; Conquista; Pioneira; Paiaguás; Xingu; Parecis; IAC-8; Curió; Bays; Vale do Rio Doce; Seridó; Tucano; Mina; Milionária; Cristalina; Canário; Doko-RC; EMGOPA-308; Garça Branca; EMGOPA-313; e Uirapuru. Os resultados indicaram produtividades médias de 3491 kg/ha para o plantio realizado em 2/11/96, 3611 kg/ha para o plantio em 19/11/96 e 3507 kg/ha para o plantio em 22/12/96.
No ano agrícola de 1997/98, foram avaliadas os genótipos BR/IAC-21, Canário, Conquista, Curió, Garça Branca, La Suprema, MTBR92-33714, MTBR92-4008, MTBR95-123246, MTBR95-123247, Paiaguás, Parecis, Pioneira, Tucano, Uirapuru e Xingu, em oito municípios do Estado de Rondônia em 3 épocas de plantio (Tabela 2.34).
A produtividade média destes ensaios foi de 2638 kg/ha, destacando-se em produtividade os municípios de Vilhena e Cerejeiras, 4094 e 3763 kg/ha, respectivamente.
Considerando os municípios que margeiam a rodovia BR-364, acredita- se que a cultura possa expandir-se com sucesso e com poucas restrições até a região de Ariquemes. Nas regiões mais próximas à Porto Velho, a cultura deverá ocupar preferencialmente solos de boa drenagem natural, livres de camadas de impedimento e lençol freático elevado.
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TABELA 2.34. Resumo do desempenho médio de cultivares de soja cultivadas em 8
locais (Rondônia e Amazonas). Safra 1997/98. Locais
estudados N
o
Cult.
kg/ha Sc/ha Pls/ha (x1000) AP (cm) MAT (dias) HV% Vilhena 16 4094 68 306 80 120 18 Cerejeiras 14 3763 63 248 76 111 14 Ji-Paraná 10 2898 48 315 72 116 – Humaitá-AM 16 2852 47 386 85 114 31 Ariquemes 11 2646 44 339 58 121 32 Jamari* 13 1920 32 312 51 113 4 Mirante da Serra* 13 1720 29 251 46 111 – Pimenta Bueno** 13 1211 20 216 40 115 – Média geral 2638 44 297 64 115 20
*Locais onde não foi praticada calagem; **Locais onde os ensaios foram prejudicados por “stress” hídrico; (No Cult.) número de cultivares avaliadas; (Pls/ha) número de plantas por hectare; (MAT) dias para maturação após o plantio; (HV%) percentagem de plantas apresentando haste verde.
Atualmente existem as seguintes variedades oficialmente recomendadas para o estado: BR/EMGOPA-314 (Garça Branca), Doko RC, EMGOPA-313, Tucano, Xingu, Conquista Pioneira, Canário, e Parecis, que tem se destacado por sua adaptação e por seu potencial produtivo. Entretanto, a pesquisa tem se empenhado no desenvolvimento de novas variedades, especificamente adaptadas para o estado e região, e na recomendação de cultivares que atendam as expectativas do setor produtivo.
Diante deste quadro, são prioridades da pesquisa no estado de Rondônia: a) Desenvolvimento de cultivares: atualmente as cultivares recomendadas para o estado de Rondônia se restringem à região do cone sul. Na safra de 1997/98, estudos preliminares foram desenvolvidos nos municípios de Cerejeiras, Vilhena, Pimenta Bueno, Jiparaná, Mirante da Serra, Ariquemes, Jamari, e Humaitá-AM, fornecendo dados que subsidiarão a recomendação de cultivares e épocas adequadas de plantio;
b) Correção e adubação do solo: em sua grande maioria, os solos do estado com potencial para o desenvolvimento da agricultura mecanizada, são caracterizados como solos ácidos, álicos e com baixos teores de fósforo, necessitando de calagem e adubação adequada;
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c) Sistemas de produção: são necessários estudos de adequação e adoção de técnicas de manejo de solo e plantio direto adaptados à cada região. Nestes estudos, deverão ser considerados os aspectos associados às altas temperaturas, regime pluviométrico, características físicas e químicas do solo, espécies adaptadas e de interesse econômico para a prática de rotação de culturas.
d) Aspectos fitossanitários: adoção de práticas que restrinjam a entrada de doenças e pragas, tais como, o nematóide do cisto (Heterodera glicinis), uma vez que até o momento não houve registro dessa doença no estado, e utilização de cultivares portadoras de resistência ao cancro da haste (Diaporthe sp., Phomopsis sp); desenvolvimento de cultivares resistentes às principais doenças foliares;
e) Treinamento das instituições públicas de assistência técnica e extensão rural: com a finalidade de familiarizar o corpo técnico com a instalação e a condução da cultura da soja, uma vez que a mesma não é comum na região.
Relator: Daniel Gianluppi Embrapa Roraima