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ROTEIRO DE ENTREVISTAS

No documento Download/Open (páginas 133-164)

Formação do professor e trajetória

-Você acha que a educação é importante? Por quê? - Por que você optou pelo magistério?

-Qual é a formação dos seus pais? - Qual é a sua formação?

- Em que faculdade você se formou? - Em que ano você se formou?

- Há quanto tempo você leciona no estado?

- Você trabalha em mais algum outro lugar? Onde? - Você já trabalhou na rede privada?

- Em sua opinião qual a diferença entre privado e público?

Visão do professor sobre o aluno que fracassa

- Como você se vê na hierarquia social (classe baixa, média ou alta)? - Como você vê os alunos que freqüentam essa escola na hierarquia social (classe alta, média ou baixa)?

- Você acha que as diferenças de classe social existentes na sala de aula (professor/aluno ou aluno/aluno) influenciam nas aprendizagens?

-Você acha que os alunos das classes médias ou altas, que se formam em escolas como esta (mostrar recurso visual – folder de escola particular) possui vantagens

sobre os alunos das classes populares? Por quê? - Como você avalia o seu trabalho aqui na escola?

- De que depende uma boa educação; esforço e interesse pessoal, dinheiro, estudo ou orientação familiar?

- Como você vê o fato de haver alunos no ensino fundamental II que ainda não estão alfabetizados?

- Como você descreveria um mau aluno? -Como você descreveria um bom aluno?

-Em qual desses dois perfis você atribuiria os alunos que apresentam baixo desempenho escolar?

- A que você atribui o baixo desempenho escolar dos alunos?

-Você acha que existem alunos com mais dificuldades para aprender do que outros?

- Do que derivaria essa facilidade em aprender?

Visão do professor sobre o atual modelo educacional

-Como você analisa as medidas tomadas pela secretaria da educação para combater o baixo rendimento escolar dos alunos?

- Em sua opinião essas medidas produzem resultados positivos? - Como você avalia o sistema de ciclos?

- O retorno do ciclo de 2 anos ao invés de 4 anos na sua opinião é positivo ou negativo?

- Como você imagina o futuro dos alunos desta escola que apresentam notas baixas?

- Como você imagina o futuro dos alunos dessa escola que possuem boas notas, considerados “bons alunos”?

ANEXO II - ENTREVISTAS

Entrevista 1

Primeiro eu quero esclarecer que esta pesquisa é sobre o fracasso escolar e a gente vai tentar ver através dela, qual é a percepção do professor sobre os alunos que fracassam, daqueles alunos que tem baixo desempenho. Só que eu vou passar ainda por um perfil seu, saber um pouquinho da sua história, de quando você se formou tal... Então a primeira pergunta é: Como você vê a educação? Você acha que isso é importante ou não?

#A educação é tudo num país, num estado... Eu acho que a criança sem educação, ela não sabe nem reivindicar os direitos, não sabe os deveres e... enfim, a criança não sabe, por exemplo, a gente paga imposto, o nosso imposto a gente sabe que esse imposto deveria ir para a educação, pra construção de estradas, pra saúde, pra moradia... e o que acontece? Hoje se faz estradas e as estradas estão privatizadas, a gente deveria lutar contra isso, mas como... ele não aprende isso na escola “né”, que vem do imposto e tal, então ele não luta, então... Aí o povo fala assim “ah, mas quando é privatizado a gente paga pedágio, mas a estrada é boa” e não é verdade, isso já era pago antes. Então a gente deveria estar lutando para não ter tantas privatizações, coisa que...

Seria uma forma de reivindicar nossos direitos...

# Nossos direitos mesmo.

Ta, é... Por que você optou pelo magistério? O que te levou pra escolher esse caminho da educação?

133 # Educação... Bom, é igual eu falei, eu acho que educação é que transforma o mundo, é que transforma o ser. A gente tem que lutar sempre, independente da matéria, por exemplo, eu sou formada em Matemática, independente de eu estar ensinando Matemática, o aluno fazer conta, o aluno... um algoritmo, uma expressão, uma equação, ele tem que estar sabendo, por exemplo, eu tenho um trabalho sempre... todo ano eu trabalho com educação no trânsito, porque o trânsito hoje ele mata muita criança, a gente vê muito jovem aí de dezoito, vinte anos matando no trânsito, então ele bebe todas, pega o carro e se mata. Então é

um projeto que eu adoro trabalhar. Todos os anos eu trabalho porque a educação realmente... porque que às vezes os países de primeiro mundo, acho que investindo um pouco mais em educação eles estão melhores do que a gente que não investe tanto? A gente às vezes fala mal, eu falo mal pelo menos do Bolsa Escola, porque eu acho que o aluno não deveria receber pra vir pra escola, mas por outro lado a gente vê que pelo menos com esse Bolsa Escola, que eu sou contra, o aluno está faltando menos, mesmo que ele não aprenda o que eu preciso, a Matemática, os algoritmos, mas o tempo que eu estou falando um pouco de trânsito, um pouco... quando a gente trabalhou o PAN, eles nessa hora, eles param pra prestar a atenção que não é só o mundinho deles, porque o que acontece com o aluno, principalmente aqui da periferia é tudo muito rodeado no mundinho deles, eles só conhecem aquilo, aquilo e aquilo outro.Quando você sai com eles... há dois anos atrás nos fomos a Oca, quando eles passaram pelo aeroporto eles pararam e ficaram olhando o avião, porque eles acharam que era uma coisa de outro mundo, eles não conhecem... Então aqui... assim, trabalhar em educação é muito mais que cada professor trabalhar a sua disciplina, é o professor trabalhar cidadania, os direitos, os deveres, oportunidades, que eles não podem ser só aquilo que os pais são... eles aqui na periferia, devem se esforçar pra ser melhor, pra dar o melhor “pro” seus pais. Tudo que os pais não tiveram condições de dar, ele deveriam proporcionar para os pais deles.

Quando você escolheu pela Matemática, você já foi certa de que você queria fazer o curso de Matemática ou não? Você teve... você tentou outras coisas?

134 # Eu não tentei outras coisas, ahn... eu quando era pequena eu falava que eu queria ser professora de criança pequena, eu queria dar aula pra prezinho. Quando eu cheguei na minha 7ª série, eu cismei que eu ia fazer Magistério, ao mesmo tempo que eu queria fazer Magistério, eu gostava muito de ler, eu acho muito legal a profissão de jornalista. Eu tinha um tio que era jornalista e na época do colegial eu falei que eu ia fazer Jornalismo. Eu ia fazer Jornalismo, eu ia fazer Jornalismo porque eu gostava, eu gostava de ler, de escrever, eu gostava muito de assistir jornal, eu achava que era aquilo que eu tinha que fazer, mas aí no último dia eu cismei de fazer Matemática. Minha família toda não entendeu muito bem, mas meus pais nunca foram contra. Meus pais sempre falaram assim: É

você quem vai trabalhar, se é você quem vai trabalha é você quem decide o que você vai fazer. Se você não gostar, você muda. Então eu fiz Matemática. No último ano de Matemática os professores da faculdade... como eu naquela época eu tinha uma boa redação, eles ainda falaram: Mas você não queria fazer Matemática, porque professor de Matemática não redige bem e você redige muito bem. Aí eu explicando para os professores e eles falaram: Mas você vai acabar a faculdade com 21 anos, faz o Jornalismo que você quer. Mas naquele momento eu vi que não era isso mais. Eu fiz a pós em Educação Matemática, depois eu fiz uma especialização em Historia da Ciência e o Ensino de Física “né”, que eu tenho habilitação pra Física e... é isso que eu gosto, eu acho que eu gosto de trabalhar com crianças, com jovens, com adultos, principalmente com criança, que eu acho que... o adolescente “né”, porque eu não trabalho com criança, eu trabalho mais com adolescente mesmo, 5ª série a 8ª série e eu acho que é quando eles tão ainda adquirindo... conhecendo, os pais deixam de ser o centro de atenção deles, os pais não são mais aquele ídolo e passam a ser os jovens de fora, então... passa a ser o jovem errado. Então, eles vêem que o professor corrigindo ou conversando, eu acho que dá pra gente tentar mudar alguma coisinha na cabeça deles ainda, ainda é tempo, não é tarde, eu acho que nunca é tarde. Mas eu acho que da 5ª e 6ª série é mais fácil de você conversar, mudar, explicar, porque tem outras alternativas na vida que não seja essa que eles conhecem.

É... você comentou dos seu pais. Qual é a formação deles? Eles estudaram até...?

135 #A minha mãe, ela... bom, a minha mãe ela fez Magistério. Ela odiava ser professora, mas o pai dela... Eu vim de família assim, minha mãe e meu pai vieram estudados, minha avó mais meu avô, por parte de mãe, falava que as filhas delas deveriam ser professoras. Então por parte de mãe eu tenho três tias que são professoras e meu tio é do exército, ele fez Contabilidade “né”, nível técnico, porque naquela época era só Magistério e Contabilidade, então eles tinham uma certa formação sim. Os meus avós não tinham formação, mas eles achavam que os filhos deles deveriam ter formação e ter uma vida melhor. Da parte de pai, os meus avôs... o meu avô que “né”, que hoje se ele tivesse vivo ele teria 97 anos, ele achava que os filhos dele naquela época, quarenta... cinqüenta

e pouco, eles deveriam ter a 4ª série e uma profissão. A minha avó já pensava um pouquinho melhor, a minha avó achava que eles deveriam ter a 8ª série e uma profissão. Traduzindo, o meu pai ele fez Técnico em Contabilidade, ele tem Contabilidade também, os irmãos dele também, um era jornalista, outro psicólogo, a minha tia era professora de matemática e eu tenho um tio que também era professor de matemática.

E seu pai trabalhava na área da Contabilidade?

# Meu pai trabalha até hoje na prefeitura nessa área, técnico em alguma coisa na prefeitura. A minha mãe abandonou a educação, ela teve problemas de saúde, mas depois que ela fez o magistério, alguns anos atrás ela voltou e fez biologia, mas assim, mesmo que a gente veio de família sem... meus avôs não tinham estudos, pra eles estudo era muita coisa. Então a gente foi criado com... a gente tem que estudar, não importa que você vai fazer mais tarde, você tem que estudar, você tem que ser alguma coisa mais tarde.

Sua formação... você comentou que você fez Matemática...

# Aí eu fiz História... não, ai eu fiz Educação Matemática, que é um lato sensu, depois eu fiz uma especialização em História da Ciência e Ensino de Física.

Essa especialização era lato sensu também?

#Era lato sensu, aí como eu não fiz a monografia... ficou só especialização.

E em que faculdade você se formou?

# Eu me formei na Fundação Santo André, eu fiz a graduação lá, depois eu fiz na faculdade Oswaldo Cruz, depois eu estudei na... Centro de Extensão Universitária, no CEU.

Faz quanto tempo que você dá aula aqui no Estado?

# No Estado... uns oito anos.

Você é concursada aqui?

# Eu sou efetiva no Estado.

Além do Estado, você trabalha em mais algum outro lugar?

# Eu já trabalhei em escola particular, mas...

Isso foi antes do Estado...

# Foi ao mesmo tempo, eu trabalhei concomitantemente, no Estado e na particular, mas num... eu acho que escola particular, dependendo da escola é muita propaganda pra pouca coisa.

Qual a diferença, assim, do particular e do Estado? Como que você colocaria?

# A diferença no Estado, eu monto o meu plano, eu sigo o meu plano do jeito que eu acho que os alunos conseguem aprender. Eu não tenho aquela cobrança da diretora nem de ninguém: Oh, você tem que dar isso nesse bimestre, aquilo outro naquele outro bimestre. Eu consigo sentir o que o meu aluno é capaz, até onde ele consegue ir, pra ir avançando e na escola privada, na escola particular, qual é o problema? Você tem aquele plano, aquela matéria e tem aquele tempo certinho de ensinar e às vezes o aluno não está preparado, não teve base e você tem... e acaba mudando de matéria porque você tem que cumprir o plano, o negócio é quantitativo não é qualitativo. Eu acho que você no Estado, você tem a oportunidade de trabalhar mais naquela qualidade... não vou dizer que você ensine muita coisa, porque eles têm muito mais dificuldade, eles não têm... não têm muito acesso a internet, a outros tipos de informação, então é mais aquilo que você passa. Então acaba que... No Estado eu acho que você trabalha... assim, é uma doação, você realmente faz aquilo que você queria fazer, que você quer fazer, você monta projetos, mas de acordo com o seu perfil e de acordo com o perfil da sua...

Você comentou que no Estado a gente pode montar a aula, adequar de acordo com o aluno e na rede privada não... e aí eu vou colocar uma coisa que a gente ouve muito falar, que geralmente os alunos da rede privada eles têm um conhecimento maior, saem com uma bagagem maior... E como que você vê isso? Porque se a gente adéqua aqui no Estado “pro” aluno e chega no final tem essa diferença nas...

# Eu vejo que assim, o aluno da escola particular “né”, a privada, ele tem outros meios que não seja só o que a gente ensina. Por exemplo, ele não precisa aprender Geografia naquela aula que o professor dá de giz e apagador, que aqui no Estado a gente não tem muito recurso, a gente acaba fazendo projeto e tudo, às vezes você pega do seu dinheiro, às vezes você pede “quando o aluno tem algum material”, e... por exemplo, como é que você ensina Geografia pra uma criança só lendo, escrevendo, pesquisando. E a criança da escola particular, ele conhece a Geografia, ele vai lá, ele conhece... é um conhecimento mais prático. Você vai dar aula, por exemplo, aqui de química, “gente, mistura é assim, assim, assado”, enquanto que o aluno de escola particular, você tem um laboratório, você mostra pra ele...

Seriam os recursos materiais que se oferece

# São os recurso materiais na escola e na vida mesmo que acaba se

sobressaindo... Um aluno... Quando que um aluno nosso tem condições de ir ao teatro... mesmo a um cinema... de se relacionar? Já eles não, eles já tem essa facilidade de ir a um teatro a um cinema. Então eu acho que assim, acaba que a vida deles, em todos os sentidos, o dinheiro proporciona um conhecimento maior em relação ao mundo e acaba o professor o que? A interligar, por exemplo, “ah você foi lá pra... pro Nordeste, o que você viu lá, não sei o que...”, então quer dizer, você acaba interligando o que ele viu com o conhecimento, então isso na cabeça dele funciona melhor do que o nosso aluno que só fica no que o professor falou, no que o umbigo falou, não é uma vivência.

Seria uma diferença de...

# De vivência.

De vivência, por uma questão econômica?

# Por uma questão econômica.

Agora falando em questão econômica, a gente até... eu vou até enganchar na próxima pergunta. Como você se vê na hierarquia social, se você fosse se classificar em classe média, baixa ou alta, como que você se colocaria?

138 # Eu acho que na classe baixa.

Classe baixa...

# A gente não chega a ser classe média porque, por exemplo, a gente falando mesmo dessa aula de Geografia, a gente comentando com professores, têm muito aluno quando você trabalha em escola particular, “Ah, eu vi isso, aquilo outro”, e você praticamente conhece só do livro, então eles tem capacidade de ir lá... a gente conhece de livro, documentários, a gente procura o conhecimento através de outros meios e eles não, eles vivenciam isso. Então, eu acho que a gente ainda é uma classe bem baixa, a gente quer mudar, você quer ensinar mais, às vezes a gente... falta, por exemplo, tempo... tempo mesmo, dinheiro pra procurar mais estudo, às vezes você quer melhorar, estudar mas, você não tem dinheiro, você... às vezes o professor precisa de duas redes pra ta sobressaindo “né”, pra ter algum dinheiro, e isso eu acho que mata um pouco na gente... mata um pouco.

E com relação aos alunos dessa escola, você classifica eles como classe média, baixa ou alta?

# Bem baixa, baixíssima porque... tem aluno um pouquinho melhor, tem aluno aqui que... assim, eu acredito que a grande dificuldade de eles aprenderem seja a falta de alimentação adequada, a criança que assim, subnutrida, desnutrida que quando menores, passaram fome e eles não conseguem responder... e a gente precisa o estímulo deles.

Então seria decorrente de uma... na primeira infância...

# Na primeira infância.

por volta dos dois, três anos... antes de eles chegarem à escola...

# Às vezes até quando... no momento em que foram gerados mesmo, essa mãe

que passou dificuldades... na primeira infância... antes de ele vir pra escola, não só aqui, porque a gente sabe que muitos deles hoje fazem prefeitura e na prefeitura já se dá um lanche adequado, mas eles vêm com deficiência “né”, antes disso.

139

# É, na formação do corpo.

Você acha que os alunos das classes médias ou altas, que se formam em escolas como esta aqui que eu vou te mostrar (mostrando recurso visual)... Eles possuem vantagens sobre os alunos que se formam nessa escola que você diz que são da classe baixa? No mercado de trabalho, nas oportunidades...

# Eu acho que sim, mais pela vivência deles mesmo, eles vão saber conversar, eles vão sair bem nas entrevistas enquanto os nossos aqui... acho que falta um pouquinho nesses alunos é... A gente conversa com muitas mães e nem as mães acreditam neles, falta um pouco de auto-estima assim... deles mesmos, “eu posso, eu quero, eu vou chegar”. Eles pensam assim: minha mãe não é nada, minha mãe cata papel, cata lixo e eu vou ser igual ela sabe? Não está se esforçando também muito pra melhorar e a mãe, “Ah, mas é que eu sou burra, eu não pude estudar e ele também é”. Então assim, não tem alguém que estimule. A partir do momento que o aluno da escola privada “né”, além dele ter as oportunidade, tem a mãe que “Ai, você tem que fazer, você tem que estudar”. Então cria uma energia, uma... um estímulo mesmo na cabeça da criança que é melhor ao aprendizado. Ele está mais aberto, ele não tem tantas responsabilidades. A gente vê que muito aluno aqui, ele vem, mas tem que tomar conta do irmãozinho, “Ah, eu não fiz a lição porque eu tenho que tomar conta do meu irmão, eu tenho que fazer o serviço da casa porque minha mãe trabalha”, enquanto numa outra escola ele vai pra escola, quando ele chega da escola ele tem tempo pra fazer a lição de casa, ele tem internet já dentro de casa. Os nossos aqui, quando eles querem ter acesso ele vão a uma lan house e nem sempre a mãe tem dinheiro para ir pra lan house, a lan house fecha... Então eu vejo a diferença mais aí, são oportunidades que são dadas mesmo pela condição social que no futuro se refletem melhor pro aluno que veio de uma base melhor.

Você comentou que se você fosse se classificar na hierarquia social você se colocaria como classe baixa e os alunos uma classe mais baixa ainda. Você acha que essa diferença de classe social, ela influi em alguma coisa na aprendizagem ou não, isso é indiferente?

# Pra mim não influenciou, não influenciou porque... é igual eu falei, eu vim de uma família em que meus avós já, meus pais falavam que a gente tinha que estudar, falavam que a gente tinha que ter um futuro melhor do que o deles, mas nem sempre a criança da classe baixa tem essa família por trás que acha que eles têm que estudar. Tem muita, se a gente ouvir... muita criança que vem pra escola realmente por causa do Bolsa Família. Você vai... e a gente vê aqui mãe brigando porque “Ah, meu filho tem tantas faltas então ele perdeu o Bolsa Família”. Então, qual é a diferença? É que eu tive, apesar de vir de classe baixa, de ser de classe baixa e eles... a minha mãe queria que eu fosse na escola pra

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