Cabe destacar eque muito da possibilidade de divulgação do que ocorria na década foi efeifo da cenfralidade da Corfe durante o Império. O que nela aconte cia repercutia no país e quem quisesse publicidade, prestígio ou posição políti ca, social, literária devia freqúentá-la.*‘
Disso sabia Silva Jardim, como vimos. Ele percebia com clareza eque, para cima revolução republicana ter êxito, devia se dar no Rio. E escreveu: "As revolu ções feitas no interior do país abortaram todas. O Rio de Janeiro monoqaolizou a
cida nacional". Como entendia ele esse meanopólio? Explica: "a possibilidade de abarcar a \dda nacional num só golqae de vista! Poder conversar durante a inanhã com um amigo do Rio Grande do Sul e jantar à tarde com outro do Pará!".""'
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Em Filosofia no Brasil, obra publicada em 1878, reclamava Silvio Romero (1969:113): "O Brasil é o Rio de Janeiro, dizem os insensatos, incapazes de com preender o espírito de uma nação, e c]ue o enclausuram nas vitrines da Rua do Ouvidor". O protagonista do romance O Mulato manifestava interesse em des pachar rapidamente os assuntos que o haviam trazido ao Maranhão para retornar logo ã Corte, Justificava-lhe a pressa uma alta figura da sociedade local: "O Rica de Janeiro é o Brasil".'^"
Nas palavras de Romero fica a indicação de que, se a vida nacional se con centrava na Corte, a vida desta se espremia na rua do Ouvidor. Uma rua pouco extensa, estreita, mal calçada, mas que recolhia, em pequena parte de seu per curso — no quadrilátero formado pelas ruas Gonçalves Dias, Ourives, Uruguaiana e largo de São Francisco —, toda a movimentação política, social e literária (e grande parte da comercial) da cidade do Rio de Janeiro e, por exten- sãca, do país. Essa especialidade, essa originalidade histórica das décadas finais do século XIX no Brasil havia c|ue derivar em consec|üências também únicas: a repercussão nacional de idéias, projetos e debates daquela quadra histórica atra\'és da concentração espacial.
Conhecida em todo o país letrado porc]ue cenário — e por vezos personagem — de rcrmances, folhetins, crônicas e artigos, decepcionava, de início, o forastei ro c|ue a respeifo dela fazia idéias grandiosas. Assim a descreve Valentim Maga lhães (1888:126):
no quanto varia e se modifica a fisionomia dessa pobre rua, elevada do pé pra mão ao honroso posto de grande artéria da civilização do Brasil. Ela em geral é triste como umbeco. Apertada entre as velhas casas desi guais, esquisitas, atarracadas, mal recebe a luz, e não tem a alegria dos carros.
Além disso — tão suja!
Em A capital federal, em suas "impressões de um sertanejo", o personagem Anselmo — codinome do próprio autor. Coelho Neto — exclama surpreso para o tio, que, orgulhoso, o levara a conhecer a rua: "Um beco!", porque pensava que ela tivesse "largueza, muita largueza". Perguntado sobre a impressão que lhe causara a rua, revela: "Uma desilusão". E conclui: "perdoa-me avenida da ele gância e do espírito fluminense, não passas de uma viela atarracada".“*'
Mas era nessa rua apertada cque pulsava a vida do país. Ela recebia de fora as idéias e as modas, e as refletia e transmitia para todos os cantos do nosso territó rio. E como o tio explica a Anselmo o "segredo" da rua, que "é o centrer da vida nacional", a grandeza na sua pequenez:
Todos os grandes fatos da nossa política e da nossa literatura derivam da rua do Ouvidor — eia é o estuário que recebe todas as correntes, o centro
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para onde convergem todas as forças ativas da naçao e donde se escoa a seiva intelectual.
( . . . )
(...) A meu ver a nossa forma de governo é a rua do Ouvidor, a nossa religião é a rua do Ouvidor — as constituições, os figurinos e os atos de fé saem desse beco. Isto é a pia lustral que consagra os fatos e os homens. (...)
Para imortalizar um homem só o sufrágio coletivo, e a urna está aqui. (...) 0 caminho da glória é este, Anselmo.®®
Nessa rua e em suas adjacências estavm a grande imprensa; o jornal do
Commercio, o Diário de Notícias, O País, a Gazeta de Notícias, como também ali já haviam tido suas sedes a República e A Reforma. Suas redações serviam de pcmto de encontro para políticos, literatos, intelectuais, jornalistas e pessoas gradas, embora Silva Jarciim nisso distinguisse uma ciifcrenciação entre São Paulo e Rio de Janeircr. Segundo o propagandista, o centro da ativicdade intelectual dos paulistas eram as livrarias e os escritórios cios jornais, enquanto para os fluminenses ele "tem sede nos cafés".®®
Aquela rua era também o enciereço de hotéis destacados, como o Ravot, que tomava c|uase todo o quarteirão da Uruguaiana acr largo de Sãcr Francisco, e à direita de cquem viesse por ele, o Frères Provençaux e o Europa. Nela estavam os restaurantes Renaissance, Louvre e o Chinês, com seus almoços de quatro pra tos a 600 réis apenas. E principalmente os cafés e confeitarias, que recolhiam, em burburinho, a vida elegante, boêmia e literária cia cidacie: o Java, na esquina do largo cie São Francisco, o Deroche, com seus famosos sorvetes, o Castelões, o Pascoal, o Cailtau e o Café Londres, redutca cios republicanos, para espantcr de Silva Jarciim. Traçando o perfil dos adeptos cio republicanismo no Rio de Janei ro, incluiu ele em sua lista "os desclassificados", ou seja, "os freqüentadores sistemáticos de cafés, eivacios cie um espírito de indisciplina e de crítica a tudo e a todos".®"
Coelho Neto dividiu-os pelas ciisputas literárias: o Castelões, um "centro intelectual", era cr preferido dos românticos, nele pontificando e tendo "escritó rio" o mais popular cios boêmios da época, Paula Ney, que ali chegava por volta das 10:30 cia manhã, verificava a corresponciência e escrevia artigos para dois jornais. Era frec|üentacio também por políticos, jornalistas e músicos. Dele disse França Junior (1926:17); "é a imprensa no meio cia rua; o cérebro do Rio de Janeiro". No Cailtau, reuniam-se os naturalistas, ficando o Pascoal com os parnasianos e o Deroche, já decadente, com os simbolistas."' O Pascoal era tam bém um ponto de encontro de jornalistas.
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A Ouvidor era ainda a rua das principais livrarias e editoras; a Laemmert, a Faro & Lino — com sua rocia cie discussões sobre prtmomes, ct^mo gracejava Coelho Neto, na qual Valentim defendia os clássicos contra os nacionalistas sectários de Alencar — e a destacada Garnier, um "casebre de aspecto som b rio ",- onde o velho dono passava o dia, no seu escuro corredor, recebendo a fina flor da nossa literatura, ávida por sua eleição para a edição dc seus roman ces ou poemas.
Intelectual e frívola, a rua ditava a mocia em suas kqas elegantes. Da alfaiataria Ratmier, na esquina com rua Uruguaiana, saíam rapazes e senhores enfarpelados c]ue atraíam os olhares femininos e proseavam sobre os bailes, o teafro lírico e formavam "os pares do cotillon dos grandes saraus".'” Já a Madame Lambert servia às senhoras chiques — inclusive a imperatriz —, que frec]üentavam os cabeleireiros Roux e Desmarais. Mas a loja mais procurada era o magazine Notre Dame de Paris. O Gôndolo & Laboriau, o Mappin & Webb cru os irmãos Farani, este na esquina da rua dos Ourives e distinguido pelo brilho das suas vitrines, aparelhavam de jóias as belas.
Outro ponto de encontro eram as charutarias, as papelarias, como a M. e Mme. Bouvoir, e principalmente os armarinhos, c^ue recebiam as damas da Corte em busca de aviamentos para os seus vestiders de baile, assim como as moças humildes, que se satisfaziam com adereços mais simples. Segundo França Junior (1926:18-19), o Armarinho do Godinho recebia genfe do Catete e da Gamboa, e esse cerngraçamento de "dois povos (...) muito tem contribuído para o progresso do Rio de Janeiro", referindo-se ao gosto. Assim é que "quem quiser saber dos hábitos, gostos, tendências, profissões, política e até da idade de qualquer indi víduo, consulte a Icrja c|ue ele freqüenta na rua do Ouvidor".
Por esse beco sujo que resumia a vida nacional transitavam capitalistas, políticos, jornalistas, literatos, damas da sociedade, funcionários públicos, mas também cocottes, moças do subúrbio, moleques vendedores de jornais, comerci antes, caixeiros, empregados, operários e os famosos boêmios.
Essa democratização do mais importante espaço público da cidade, da Cor te, talvez ateste, mais que tudo, a valorizaçãci da rua na década de 1880, porque nela se exibiam as mulheres da boa sociedade. A Casa fora para a rua e, nela, embora sem se misfurar, esbarrava com a ralé, mas também com políticos grados e com a cidade das letras. A rua agora tinha até "adoradores", como revelou Valentim Magalhães.
Sua fisionomia variava no correr do dia. Coletando as observações de França Junior, Valentim Magalhães e Coelhe:» Neto,” pode-se surpreendê-la desde a madrugada, por volta das quatro horas, c^uando por ela passavam aqueles que iam abastecer a cidade com suas carroças de legumes, verduras, frutas, ovc;>s.
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pães e jornais. Coelho Neto afirmava que, nesse horário, era usual ver-se algum rebanho descer a rua em direção à praia do Peixe.
As seis horas, chegavam os cozinheiros com seus cestos de compras e tam bém o carroção do lixo, que, segundo Coelho Neto, limpava as casas e sujava a rua, enquanto os caixeiros varriam as lojas. França Junior fala dos passageiros silenciosos e muito vermelhos que vinham lendo nos bondes de Botafogo: eram os ingleses e alemães. Nessa hora, vacas leiteiras seguiam o seu caminho, o que "dá à rua o tom ridículo de viela de aldeia". *'^ Também era o momento do desfile de "sujeitos magros e a m a r e l o s d e "anêmicos",'’" que voltavam do banho de mar, das duchas do Firas.
Passavam depois as donas-de-casa mais simples, que iam se abastecer, as costureiras, que chegavam para as oficinas, os moleques pregoeiros e os caixei ros. As oito horas, era a vez dos funcionários públicos e, às nove, dos estudantes. A partir cias 10 horas, a rua ia adquirindo sua fisionomia polida, com a chegada dos patrões, dos capitalistas, com seus "ventres apostólicos" e "botinas
rinchadeiras", dos profissionais liberais, todos já almoçados: "é o muiado burguês que a ocupa (...) vão digerindo o seu jornal e o seu almoço
Ao meio-dia começava o desfile das elegantes. As lojas se enchiam, c:>s boatos circulavam. Descreve Valentim:
A gente é outra.
Chegam os primeiros adoradores [da rua].
Os bondes começam a despejar (...) a melhor água dos arrabaldes fidal gos.
Vão chegando os b/asés, os ricos, os ociosos, os célebres.
( . . . )
Emergem subitamente c o c o tte s , picando a onda serena e honesta da burguesia (...).
( . . . )
0 Brasil... que digo? — o mundo está neste becoP’”
Coelho Neto (1924:110) acentuava essa mistura de gentes que tomava a rua até as cinco da tarde: "A desfilada — a elegância, o espírito, o trabalho, o vício, a miséria. O Rio manda a sua embaixada diurna que passa em promiscuidade fantástica (...)".
Depois das cinco, o povo da rua se recolhia: as mulheres com seus embrulhos tomavam o bonde de Botafogo, os operários deixavam os arsenais e as fábricas. Os funcionários públicos já haviam terminado seu expediente às três horas e circulavam ainda um tempo pela rua. Todos ganhavam suas casas para o jantar
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na hora ena que os atores vinham almo<;ar. Os "profetas" acendiam os lampiões a gás e os caixeiros, trepados em cadeiras, iluminavam as lojas.
No final da noite, apareciam os freqüentadores dos teatros, centrados quase todos eles, como o São Pedro de Alcântara, o Lucinda, o Recreio, no Rocio (ou praça da Constituição). Pra para aí que os boêmios transferiam suas atividades, enchendo os restaurantes, especialmente o Maison Moderne e as tavernas, acom
panhados das atrizes. Naquela praça ficavam o Ministério da justiça, o Club Naval (onde foi fundado o Club Militarem 18S7), o Derby Club, o Hol(‘l Itália e as estações de bondes para Vila Isabel c jardim Botânico. Também nela estava alojada uma tropa de cavalaria, cujas cocheiras davam para o largo de São 1'rancisco. Num dos ângulos do Rocio ficava a travessa da Barreira (hoje, rua Silva jardim), famosa pela Pontedas Boiotas, cujas águas eram procuradas para a cura de diversas moléstias e que desaguavam no beco do Piolho (hoje, rua da Carioca). Seu nome vem da barreira da olaria dos franciscarn)s do Cionvento de Santo Antônio.""’ Pra nessa traves.sa que ficava a Academia Prancesa de dinás tica, onde se deu a conturbada conferência cie Si Iva jardim de .B() de dc-zembro de 1888.
Nessas horas que mc-diavam a agitação do dia e o tealro da noilt', a rua era triste, "sem alma", segundo Valentim. O/Zânc/zr tentava ainda encontrar quem lhe pagasse o jantar. Nos cafés, os frc>gueses já raros se debruçavam "sobre a leitura dos jornais do dia, amarrotados por muitos olhos e muitas mãcís e cober tos de manchas amareladas, cheirando a café". A noite, era a vc'z, dos bilhares. A rua era povoada, então, pelos "bilontras, cabulas, capoeiras, capadócios, caftens, cambistas, secretas, bate-carteiras".""
O ambiente reanimava-se na hora dos espetáculos, quando as rcdaçcães dos jornais fervilhavam de atividade. Nas suas portas discutiam-se as notícias do dia. Os cafés ficavam então cheios desse outro público.
Nos sábados, a rua mantinha sua agitação frenética. Assim a retratou Mt'deirose Albuquerque (1982:71-72):
0 que ela era nesses dias [entre 1884-1889], do largo de São Francisco até a rua do Ourives, não se pode hoje avaliar.
Todas as comunicações da cidade para aí se dirigiam (...). A circulação inteira da cidade convergia assim para aí e daí radiava.
( . . . )
Aos sábados, a rua do Ouvidor parecia uma igreja em dia de festa. Pode- se dizer que não se circulava livremente. Não havia quase espaços deso cupados.
já no domingo, sua fisionomia toda se modificava, "perde o chic", vestindo "a saloia". Depois dos carroções de lixo, vinha o desfile do cestos — os "bichos TEATROS
cafés,
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(k' cozinha" — e as "baratas de igreja" com seus terços c as "horas marianas". lí Valentim continua sua descrição: "Passam depois as famílias que vão 'à praça' I >u voltam dela, acompanhadas de criados ou 'ganhadores' carregados de enor mes cestos pantagruélicos. (...) Magotes de marinheiros (...) passeiam a sua hnicii. I kirgueses pançudo.s, donos de casas comerciais vão com as mulheres e as filhas \ isitar os confrades aos arrabaldes".
Assim era a rua do Ouvidor, a pequena grande artéria da vida nacional, por I )iide perambulava lodo o tipo de gente; vitrine da moda, das idéias, dos aconte- I imentos; lugar de exibição cios talentos, da boêmia, cias celebriciacies. lira um l.imbor cujo eco .se ouvia em todo o país. O que nela acontecia, quem nela se I >rojetasse, ganhava visibilidacie nacional, lí como freqüentá-la .se fez um hábito diário, como nos ciisse o cronista da Revista Ilustrada, ela era um espevialíssimo lugar de solidariedade" das figuras da sociedade, da política, das letras e das linanças. lixplica França Junior (1926:649-650 e 17): "O Rio de Janeiro, pocic'-se dizer sem hipérbole, resumc'-se na rua do Ouvidor. (...) Nos baik-s, nos teatros, lios passeios, por toda a parte encontram-se sempre as mesmas caras". F aconsc'- Ihava: "Quem quiser que uma mentira ou um dito maligno percorra com rapidev lietrica toda a cidacie, nada mais tem a tazercjuc' tr<msmiti-loài|uel<i assemblc-ia |da Conleitaria C’astelòes|, das trc's às quatro da tarde".
Também as cic‘savc-nças pcxssoais das notoric'ciadc'sdevi<im buscar c“sse palco I >ara rcqxM cussao. A Revista Ilustrada redata c'sst' tcMiiàmeno: "porc]uc'c'ssc‘s provo- I .idores, em geral, c'scolhem para campo de batalha a rua cio Ou vidor, e o nc'gé)-
' 10 liquicia-se sem consec]üi'ncias, com palavras e insultos ou golpc‘s inofensi
vos cic' bengalas ou guarcia-chuvas, oc]ue muitociiverteosc]ue presenciam".'"’ Assim é que ela se tornou um hábito cios cariocas, como cicxscreveu a "Crcini-
1 a do ehie" da Revista Ilustrada, de Í9 de junho cie i886:
Ah! Rua do Ouvidor!
( . . . )
E cada qual entre os seus hábitos ou as suas necessidades, pode acres centar o pagar um tributo de solas, ã rua da moda, à artéria principal da circulação da nossa cidade.
E 0 hábito inveterou-se de tal sorte que, se um dia deixamos de lá passar,
falta-nos alguma coisa, como a um crente que se esqueceu de fazer o sinal da cruz (...).
Já França Junior (1926:423) retratou o peculiar flâneur cjue se abastecia da I u,i:
Ninguém dirá, por exemplo, que seja um vadio comum o que passa todo o dia na rua do Ouvidor, vendo, ouvindo, contando. À porta das conloilarias, dos charuleiros c dos cale', ele luhilila se pralicamenie paia l.il.ir de polilica, de
( , y A K c p u b l k a K i n s c n l i c l . i
letras e de artes e adquire grande cópia de conhecimentos, superficiais é verdade, porém variados, acerca dos homens e das nossas coisas. Quereis saber, por exemplo, quem é o Sr. Afonso Celso, o Sr. João Alfredo ou que pretende fazer o Sr. Paulino, perguntai a algum desses vadios. Ele responderá a todas as vossas interrogações com artigos de jornais. Jor nais que não leu, com docum entos valiosos, docum entos que não compulsou e sobretudo com observações que não são suas.
Registre-se ainda, porque precioso, esse retrato conciso de Coelho Neto (1985:58):
A r. do Ouvidor é trêfega. Durante o dia toda ela é vida e atividade, faceírice e garbo (...) aqui, picante; além ponderosa; sussura um galanteio e logo emite uma opinião sisuda, discute os figurinos e comenta os atos políti cos, analisa o soneto do dia e disseca o último volume filosófico. Sabe tudo — é reporter, é lanceuse, é corretora, é crítica, é revolucionária. Espa
lha a notícia, impõe o gosto, eleva o câmbio, consagra o poeta, depõe os governos, decide as questões à palavra ou a murro, à tapona ou a tiro (...).