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Capítulo IV – Comparação e Avaliação das normas de propriedade intelectual entre as Universidades

4.6. Aspectos Gerais 1 A Titularidade

4.6.5. Síntese Interpretativa

Verifica-se, conforme o que foi exposto, a existência da funcionalidade da organização burocrática em cada Universidade, sendo que as ações administrativas tem sido implementadas no sentido de dar maior atenção aos procedimentos de proteção ao conhecimento gerado nas mesmas. Por outro lado tem que ser considerado que muitas questões relativas à propriedade intelectual ainda não estão sendo discutidas na academia, ou pelo menos não estão sendo normatizadas internamente, no que tange à sua abrangência.

No que tange a implementação da propriedade intelectual nas Universidades, verifica-se que a mesma passa necessariamente pelos órgãos superiores, ou seja, Conselho Universitário e a Reitoria, o que se depreende pela origem das normatizações. Entende-se que, ao originarem-se nestes órgãos as normas exaradas têm suporte para serem implementadas de maneira efetiva.

A questão temporal é um fator importante para compreender o princípio norteador dos órgãos superiores, uma vez que a questão da propriedade intelectual vem sendo debatida desde a década de 80, tendo seu ápice com a nova legislação, na década de 90. Desta forma, uma diferenciação marcante entre as Universidades pesquisadas está no período em que cada uma começa a utilizar as normas para proteger o conhecimento científico por meio do patenteamento, USP (1987) e UNICAMP (1984), posteriormente UFV (1996), UFMG (1998) e UFRJ (2002).

O caso da UFRJ é singular, pois sendo uma das maiores Universidades do país, de início se propôs, por meio de alguns órgãos (COPPE) a efetivar a proteção do conhecimento gerado em seu âmbito interno, realizada por meio dos pedidos de depósitos de patente. No entanto, não se utilizou normas para implementar este meio de proteção, portanto merece um estudo cuidadoso de seu caso, para inferência das normas como princípio de proteção.

Conjuntamente aos procedimentos de proteção as Universidades tratam também em suas normatizações da questão da transferência de tecnologia

para a iniciativa privada. Portanto, o conhecimento gerado pelas pesquisas é passível de ser dividido com as empresas, através da co-titularidade, e isto é feito por meio de Contratos de Transferencia de Tecnologia. Estes contratos são celebrados antes da patente ser concedida. Quando a patente é concedida, ou é concedida a proteção das cultivares, os registros dos programas de computador e de marcas, realiza-se um licenciamento destes direitos de propriedade.

É necessário salientar que todos estes procedimentos de proteção, como foi destacado anteriormente, estão vinculados às Pró-Reitorias de Pesquisa e às Reitorias de cada Universidade, conforme cada caso. No entanto, a vinculação dos núcleos de propriedade intelectual às Pró-Reitorias de Pesquisa nos parece lógico uma vez que é neste órgão que estão adstritas todas as questões das pesquisas científicas, tais como: recursos, bolsas, convênios e registro das pesquisas, dos quais surgem os produtos, processos e inventos que podem ser passíveis de proteção.

No que tange aos núcleos de propriedade intelectual, há de ressaltar que as Universidades têm necessidade de formalizar uma estrutura para dar prosseguimento a proteção ao conhecimento gerado. A diferença na sua formação não interfere no objetivo das instituições e da própria legislação, pois independente da denominação, a sua competência administrativa é que vai delinear as suas ações dentro das instituições.

Pode-se considerar com base em todas estas informações que as Universidades pesquisadas, em maior ou menor grau, estão se reorganizando para pelo menos normatizar a propriedade intelectual internamente. Os procedimentos adotados não estão padronizados, ou seja, cada instituição adota uma fórmula para regularizar seus processos. Também podemos inferir que alguns aspectos são comuns, como direitos dos inventores, co-titularidade e transferencia de tecnologia. Verificamos que o somatório destas informações, não é suficiente para identificar todos os aspectos de proteção da propriedade intelectual nas Universidades, sendo, portanto, aplicação de questionários e avaliações de outros dados, para se identificar e analisar os objetivos propostos.

Capítulo V

A implementação e Gestão da Propriedade Intelectual Através dos Núcleos

Os capítulos anteriores foram direcionados no sentido de analisar a implementação, nas Universidades, da legislação da propriedade intelectual, determinar os objetivos das normas internas universitárias e sua forma de aplicação no ambiente acadêmico. O presente capítulo demonstra por meio de informações dos responsáveis pelos núcleos de propriedade intelectual das universidades, como são implementadas as normas e como é realizada a gestão da propriedade intelectual, definida como a atividade voltada para a proteção do conhecimento científico gerado nas Universidades.

O objetivo é verificar a racionalidade administrativa adotada pelas instituições, uma vez que as normas, por si só, não permitem compreensão adequada das atividades desempenhadas por cada núcleo. A proposta do capítulo é demonstrar como é desempenhada a atividade, em contraposição ao que existe nas normas internas, revelando aspectos da gestão efetivada nas Universidades. Para tanto, a análise envolverá cinco sub-itens: I) Institucionalização das Normas; II) Informações sobre o órgão responsável pela proteção (núcleos); III) Implementação das atividades; IV) Métodos de disseminação e divulgação da propriedade intelectual e; V) Entraves e barreiras encontrados.

A construção destes itens permite verificar como as atividades estão sendo conduzidas, de forma que possam influenciar nos indicadores dos impactos positivos ou negativos na pesquisa cientifica desenvolvida internamente por cada universidade. Utilizando-se dos instrumentos e recursos adequados na proteção da propriedade intelectual, pode-se evitar ou transpor os entraves e barreiras que permitam o desenvolvimento da pesquisa científica, que é uma das funções precípuas da propriedade intelectual. Desta forma as inferências a respeito das atividades dos núcleos constituem o principal objetivo deste capítulo.