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4 INVENTÁRIO DO CICLO DE VIDA: DO BERÇO AO PORTÃO

4.1 Caracterização do empreendimento

4.1.6 Saúde e Segurança do trabalho

ainda permaneceram cru. Essa variação nos produtos finais acontece em virtude do pouco controle tecnológico que o forno permite, bem como devido à ausência de controle de qualidade do material utilizado. Segundo a empresa, aproximadamente 200 blocos permanecem cru após a queima, isso representa cerca de 0,3% do total de blocos inseridos no forno. Posteriormente a essa inspeção os blocos são postos para expedição e armazenados no galpão da empresa.

As cinzas produzidas na queima são relativamente poucas, e são descartadas juntamente com o material com inconformidades que não foram reutilizados. Muitas vezes esses resíduos são empregados em aterros.

A queima é uma etapa muito delicada, segundo o Banco do Nordeste (2008), nessa etapa se tem a emissão de gases poluentes a atmosfera, como é o caso de: material particulado, dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de nitrogênio (NOx). Além disso, em virtude da movimentação do material no pátio se tem a emissão de poeira.

A NRB 15270-1 (ABNT 2005) especifica que “os blocos cerâmicos devem atender a requisitos visuais, tais como: não deve apresentar defeitos como trincas, quebras, superfície irregulares, ou qualquer tipo de deformação”. No tocante a coloração, ela não deve ser escura, mas ter um tom alaranjado, depois de queimado.

4.1.6 Saúde e Segurança do trabalho

O Ministério do Trabalho classifica os riscos ocupacionais de acordo com seus respectivos agentes causadores, que podem ser de natureza física, química, biológica, ergonômica ou acidental. De forma que esses riscos podem ser de operacionais, como é o caso dos riscos acidentais, e comportamentais ou ambientais, como se dá para os riscos físicos, biológicos e ergonômicos. A partir da visita realizada na cerâmica foi possível desenvolver o mapa de risco, que é um instrumento utilizado para retratar o grau de exposição aos riscos ocupacionais nos diferentes espaços do ambiente de trabalho (MONTEIRO, 2015). Para tanto, com base em um croqui dos espaços que compõem a olaria em estudo foram estimados o tamanho dos respectivos riscos existentes, ilustrado na Figura 26:

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Figura 15: Mapa de Risco da Cerâmica.

Fonte: Autoria própria, 2018.

Os riscos físicos são aqueles associados a exposição dos colaboradores a energias como o ruído, vibrações, pressões anormais e a temperaturas extremas (altas ou baixas) (ABNT -NR 9, 2017). Assim, esse tipo de risco pode ser observado em grande tamanho no forno, na laminação, extrusão e corte bem como na mistura, devido, respectivamente às elevadas temperaturas durante a queima e aos ruídos e vibrações utilizados no processo de produção dos blocos cerâmicos crus. Em pequeno tamanho, ele pode ser observado na garagem onde ficam estacionadas a caçamba e a retroescavadeira.

Os riscos químicos dizem respeito a exposição dos colaboradores a poeiras, neblinas, gases, vapores, fumos, vapores e substâncias que apresentem em sua composição elementos químicos que possam prejudicar a saúde do trabalhador (ABNT- NR 32, 2011). Nesse caso, eles podem acontecer: em pequena magnitude na chaminé, já que por ser muito alta pouco se sente os efeitos das emissões na cerâmica; em média magnitude na etapa de laminação, extrusão e corte e na mistura em virtude da poeira emitida, e no forno devido aos vapores provenientes da queima.

A exposição aos riscos biológicos está atrelada ao contato com vírus, bactérias, protozoários, fungos, parasitas e bacilos (ABNT- NR 32, 2011). Desse modo, isso pode acontecer médio risco na mistura, e na laminação, extrusão e corte, onde se tem maior contato com a argila.

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No tocante aos riscos ergonômicos que dizem respeito aos esforços físicos excessivos, postura inadequada, repetitividade de movimentos, trabalho noturno, jornadas de trabalho extensas, entre outras situações atreladas ao estresse físico e emocional (ABNT - NR 17, 2007). Segundo a N17/2007 é preciso ter boas condições de boa postura, visualização e operação para o desenvolvimento de trabalho manual ou em pé. Além disso, o trabalho de levantamento de material deve ser executado de maneira que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua segurança. A partir de então, pode-se inferir que eles acontecem em maior magnitude no galpão de secagem e armazenamento que é onde os colaboradores efetuam a movimentação dos blocos cerâmicos; em média magnitude no forno e no local de laminação, extrusão e corte e em pequena magnitude no escritório, onde são desenvolvidas atividades administrativas.

O conjunto de elementos físicos inadequados, como máquinas e ausência de equipamentos de proteção individual, probabilidade de incêndio, ferramentas inapropriadas, entre outros inúmeros elementos que podem influenciar na ocorrência de acidentes compõem os riscos de acidente.

Nesse contexto, verificou-se que os colaboradores trabalham sem a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI), como botas, máscara, luvas, luvas, camisa de mangas compridas e calça. Quando questionados se a empresa disponibiliza EPI, foi respondido que não. No entanto, a Norma Regulamentadora – NR/2007, estabelece que é responsabilidade do empregador disponibilizar os EPI’s, capacitar os funcionários quanto a utilização e conservação e exigir o uso dos equipamentos. Quanto a ocorrência de acidentes de trabalho, os colaboradores responderam que já aconteceu casos de pancadas em detrimento da queda de material transportado, bem como de colaboradores pedirem demissão por não suportarem as jornadas de trabalho exaustivas. No entanto, não souberam precisar em números esses ocorridos. Além disso, não foi encontrada na empresa nenhum equipamento de proteção coletiva, como é o caso dos extintores para combate a incêndio.

Assim, diante das atividades desenvolvidas na produção de blocos cerâmicos verificou-se que os riscos de acidente em maior magnitude tanto no forno, devido ao exercício de atividades em temperaturas elevadas durante a alimentação do forno na queima, quanto na laminação, extrusão e corte, devido a operação de máquinas. Em menor porte foi observado na garagem e no galpão de secagem e armazenamento.

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A partir de então, pode-se observar que os colaboradores estão expostos a diversos tipos de riscos ocupacionais que poderiam ser amenizados a partir da adoção de uso de equipamentos individuais e de proteção coletiva, bem como melhoria no ambiente de trabalho que proporcionem melhores condições ergonômicas.

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