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SABERES DOCENTES: A NECESSIDADE DE FORMAÇÃO CONTINUADA

Na sequência do roteiro das entrevistas os professores foram questionados sobre elementos relativos ao Saber Docente seguindo a teoria de Pimenta mencionada no capítulo 2 que são os saberes, muitas vezes chamados de, pedagógicos. Seis perguntas foram elaboradas (perguntas 6 a 11) para realizar a investigação.

A pergunta de número 6 se propôs a verificar as metodologias de ensino utilizadas pelos professores. Independentemente da discussão sobre o que seja e quais são os tipos de metodologias de ensino, o cenário identificado pela pesquisa, revela-se por meio dos dados apresentados no Gráfico 16. Nesse gráfico estão representadas as quantidades citadas em todas as entrevistas (independentemente da discussão sobre o que é e como se classificam as metodologias) e, por isso, a soma total dos valores ultrapassa a quantidade de entrevistados.

Gráfico 16 - Metodologias Utilizadas pelos Professores

Fonte: Do Autor, 2019

Percebe-se o modelo tradicional de ensino enraizado na prática docente por meio dos quatro primeiros itens destacados no Gráfico 16. Já o quinto item aparece em seguida, mostrando o desconhecimento sobre metodologias de ensino conforme

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Leitura de Textos Estudos de Caso Discussões Visitas Técnicas Metodologias Ativas Apostilas Inserções de Metodologias Ativas Projetos Seminários Trabalhos em Grupo Pesquisa e Trabalhos Sala de Aula Invertida Afirmaram não possuir conhecimento Atividades Práticas Expositiva Dialogada Exercícios Expositiva

Professores sem formação docente Professores com formação docente

menciona o professor P1, “essa é uma pergunta complicada. Essa questão de metodologia de ensino não faz parte da nossa linguagem técnica. Aí entra a nossa parte, não sei se posso dizer empírica ou amadora, mas é basicamente isso”. Depois, surgem outras práticas pedagógicas. Nesse sentido, observa-se que a maioria das metodologias que os engenheiros professores conhecem são aquelas que lhes foram aplicadas em sua formação, o que acaba por evidenciar dois aspectos: a presença do Saber Experiencial Discente e a falta de um aprofundamento nos conhecimentos sobre metodologias de ensino. Assim surge a terceira constatação desse trabalho: as principais metodologias utilizadas por esses professores são as mais tradicionais (aulas expositivas, resolução de exercícios e avaliação por meio de provas) oriundas das experiências discentes desses professores.

Além disso, ao analisar as metodologias dos professores com formação pedagógica observa-se uma redução daquelas mais tradicionais (Gráfico 17).

Gráfico 17 - Metodologias utilizadas pelos professores com formação docente

Fonte: Do Autor, 2019

Ao separar as metodologias de acordo com a experiência do professor identifica-se uma relação entre a experiência e a quantidade de metodologias utilizadas (Gráfico 18). Os professores iniciantes utilizam ao todo 5 metodologias diferentes, enquanto os professores intermediários utilizam 11, e os mais experientes 13. 0 0 0 1 1 1 0 0 0 0 1 1 0 1 1 2 0 1 2 3 Leitura de Textos Estudos de Caso Discussões Visitas Técnicas Metodologias Ativas Apostilas Inserções de Metodologias Ativas Projetos Seminários Trabalhos em Grupo Pesquisa e Trabalhos Sala de Aula Invertida Atividades Práticas Expositiva Dialogada Exercícios Expositiva

Gráfico 18 - Quantidade de metodologias em relação à experiência

Fonte: Do Autor, 2019

Desse último gráfico é possível estabelecer a quarta constatação desse trabalho: professores iniciantes possuem um repertório limitado de metodologias de sala de aula.

Na sétima pergunta do roteiro foram investigadas as tentativas dos professores em explorar novas metodologias de ensino. Nesse quesito destacam-se três grupos, os professores que sempre ministraram aulas da mesma forma conforme o professor P2 “na maneira que eu dou aula eu vejo que tenho um respaldo dos alunos, assim que, gostam dessa maneira e eu prefiro não mexer no jeito que eu dou aula”. O segundo grupo que tentaram e não tiveram resultados positivos:

Eu tive alguns resultados ruins principalmente em turmas muito cheias em deixar trabalhar em grupo porque um ia na onda do outro, não fazia nada, e eu não tinha um resultado esperado. (Professor P4).

Uma experiência que eu tive com uma turma foi o desenvolvimento de um protótipo. Então como algumas turmas já haviam realizado a questão de maquetes eles realizaram, participaram, fizeram e se dedicaram. Já algumas turmas tive a experiência negativa de que eles ficavam ali mais para "matar" aula, não se interessavam, faziam de qualquer jeito e não estavam nem aí. (Professor P3).

Experimentei fazer uma espécie de mesa redonda onde nós tínhamos um determinado assunto, nós passávamos com uma ou duas semanas de antecedência e eles iriam ter que fazer a apresentação e explicação em sala de aula. A gente inclusive mudava a disposição das carteiras para que elas não ficassem com aparência de sala de aula. [...] mas não achei que tivesse dado um resultado tão positivo. Creio eu que seja por causa da nossa formação. O engenheiro é construído para trabalhar quieto e essa troca de informação com os colegas é, as vezes, meio complicado. (Professor P1).

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Professores iniciantes

Professores Intermediários Professores Experientes

Visitas Técnicas Metodologias Ativas Apostilas Leitura de Textos Pesquisa e Trabalhos Estudos de Caso Discussões Sala de Aula Invertida

Afirmaram não possuir conhecimento Inserções de Metodologias Ativas

Projetos Seminários

Trabalhos em Grupo Atividades Práticas Expositiva Dialogada Exercícios

Já cheguei a trabalhar com metodologia mais antiga e não dá certo. Passar texto no quadro ou ditar texto, não funciona, você perde muito tempo, o aluno cansa, a aula fica chata e os alunos começam a sair. (Professor P5).

E o terceiro grupo que tentaram e tiveram resultados positivos. A distribuição dos entrevistados entre os grupos pode ser visualizada no Gráfico 19.

Gráfico 19 - Você já utilizou outra(s) metodologia(s) de ensino diferente(s) da(s) atual(is)? Teve resultado satisfatório?

Fonte: Do Autor, 2019

Nesse quesito percebe-se que uma boa parte dos professores (46,2%) tentaram alguma forma de aplicar metodologias diferenciadas, porém tiveram resultados negativos. Percebe-se que ocorrem duas situações peculiares: a primeira situação é aquela mencionada na introdução que é a iniciação da vida profissional do professor dos cursos de engenharia de forma empírica, por tentativas e erros, afinal 69,3% deles testaram algo que para eles era diferente; a segunda consiste na possibilidade dos resultados negativos terem sido originados justamente pela falta de capacitação pedagógica, mencionada no capítulo 2, e chamada de “Amadorismo Ineficaz” por Perrenoud (2001, p. 82). Além disso, 30,8% dos professores nunca tentaram utilizar alguma outra metodologia daquela que eles estão acostumados. Ou seja, acabam repetindo o sistema de ensino que tiveram ou que utilizaram no início da sua vida docente. Com isso, estabelece-se a quinta constatação desse trabalho: quase metade (46%) dos professores tiveram alguma experiência negativa com a aplicação de metodologias de ensino.

Na sequência, a pergunta 8 investigou quais os anseios desses professores quanto à Organização do Trabalho Pedagógico. Os resultados estão representados no Gráfico 20, a seguir.

30,8%

23,1% 46,2%

Nunca tentaram outra metodologia

Professores que tiveram resultados positivos Professores que tiveram resultados negativos

Gráfico 20 - Quais conhecimentos da profissão Professor, você sente falta de um maior aprofundamento?

Fonte: Do Autor, 2019

Ao analisar o Gráfico 20, percebe-se que o item da lista de conhecimentos mais mencionados (com 9 citações) refere-se às metodologias de ensino conforme menciona o professor P9.

As metodologias de ensino. Porque, como te falei, eu procuro muito trazer as experiências da minha vida profissional e a experiência que eu tenho na docência eu procuro utilizar isso para preparar as minhas aulas e desenvolver as atividades, mas eu não tenho um embasamento teórico sobre isso. Muito mais a experiência. Se eu tivesse um pouco mais de conhecimento da teoria a respeito dessas metodologias, e se conseguíssemos trabalhar de uma forma com oficinas ou estudos de casos de outros professores que estão dando certo, isso enriqueceria as minhas aulas. (Professor P9).

Além disso, verifica-se portanto, por meio do Gráfico 21, que os professores mais experientes são aqueles que mais possuem vontade em aprender novas metodologias de ensino, afinal todos os professores que se enquadram na categoria dos experientes gostariam de aprender mais sobre metodologias de ensino.

1 1 1 1 1 2 3 9 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Preparação de aulas Organização Escolar Motivação dos Alunos Conteúdo formativo nas semanas

pedagógicas

Técnicas de comunicação para simplificar a linguagem técnica

Planos de Ensino Práticas Pedagógicas Metodologias de Ensino

Gráfico 21 - Aprofundamento no estudo das metodologias de ensino, de acordo com a experiência docente

Fonte: Do Autor, 2019

Evidencia-se uma relação direta entre a experiência como professor e a necessidade de aprofundamento nos estudos das metodologias e, com isso, o desejo de ampliar o saber docente. Segundo a teoria de García (1999, p. 64), Apresentada anteriormente na Figura 1, a faixa dos 4 até os 6 anos de experiência docente apresenta-se como um momento de consolidação do repertório pedagógico. Entretanto, pela análise das respostas podemos ver que mesmo professores experientes (com 7 ou mais anos de atividades docentes) ainda possuem vontade de melhorar o seu repertório pedagógico. Obviamente possuir vontade de se aprofundar não significa necessariamente se aprofundar e, por isso, a teoria de Garcia (1999) não é necessariamente contrariada. Os professores podem possuir vontade de aprender mais sobre o assunto e mesmo assim, segundo a teoria de Garcia, se acomodarem com o repertório já formado anteriormente. Essa hipótese pode levar a um outro questionamento: esse repertório consolidado na fase intermediária da vida docente não é ampliado por comodidade ou por falta de oportunidade e incentivo?

Nesse estudo chegou-se em outra constatação: quanto mais experiente torna- se o professor, maior é a vontade de aprofundar o conhecimento em metodologias educacionais.

Apesar do Gráfico 3 revelar que apenas 3 dos 13 professores possuem formação docente, a questão 9 tratou de investigar se a formações pedagógica que receberam impactaram nas suas práticas docentes. Dos 13 professores 4 afirmaram que participam da formação continuada (30,8%), por meio das semanas pedagógicas, mas que suas práticas pedagógicas sofreram impactos nulos ou quase nulos. Outros 3 professores (23%) revelaram que os impactos existiram, mas foram pontuais no início da sua carreira docente, e que atualmente já não influenciam mais. Com isso, 6

Professores iniciantes Professores Intermediários Professores Experientes 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Metodologias de Ensino

dos 13 professores (46,2%) receberam algum tipo de influência pedagógica na sua formação continuada. Sobre esse aspecto algumas falas se destacam:

Eu já fiz alguns cursos, principalmente na iniciação nas semanas acadêmicas, mas não vi muita utilidade nos cursos. Não foram coisas muito aplicáveis, no meu modo de ver. (Professor P2).

As nossas semanas pedagógicas são mal aproveitadas [...] vem alguém falar de metodologias ativas, que está na moda. Beleza, mas a gente não faz um treinamento, uma atividade. O cara vem e fala para a gente "use a sua imaginação". Eu sou engenheiro, se eu tivesse imaginação eu seria arquiteto. (Professor P4).

Teve uma vez que eu participei de uma apresentação de uma professora da maneira de como avaliar. É muito difícil aplicar o que ela falou mas eu gostei e já apliquei alguma coisa. (Professor P7).

Tendo em vista que o propósito desse trabalho consiste na identificação das lacunas de conhecimentos dos professores engenheiros sobre os Saberes Profissionais Docentes, na pergunta 10 foram questionados sobre a frequência com que costumam pesquisar sobre a área de ensino (Gráfico 22).

Gráfico 22 - Você costuma pesquisar sobre Ensino? Quais temas?

Fonte: Do Autor, 2019

Nesse cenário verifica-se que mais da metade (7 de 13) dos professores sequer pesquisam sobre a área de ensino.

Essa questão do ensino é uma grande falha. Eu estou muito mais focado em buscar dentro das matérias assuntos atrativos ou aquilo que está acontecendo que pode ser mais atrativo do que isso. E é uma grande falha minha. (Professor P1).

Acabo pesquisando o tema da aula, não a forma de passar aquilo. (Professor P12). 1 1 1 1 1 2 2 7 0 1 2 3 4 5 6 7 PBL Interdisciplinariedade Como melhorar a aula Avaliação Exercícios Metodologias Ativas Metodologias de ensino Não pesquiso

Observa-se que os educadores que possuem formação docente possuem a tendência de pesquisar mais sobre o ensino, em relação àqueles que não possuem formação docente. Nesse estudo, a taxa dos professores, sem formação, que não estudam sobre ensino é quase o dobro da taxa dos professores com formação docente (Gráfico 23).

Gráfico 23 - Taxa de estudo sobre ensino e educação em relação à formação

Fonte: Do Autor, 2019

Ainda assim, é possível estabelecer uma sétima constatação: professores engenheiros, desse estudo, não pesquisam sobre a área de ensino (7 de 13 professores).

Sobre os métodos de avaliação esse estudo questionou os professores sobre as principais ferramentas que utilizam para facilitar o processo de aprendizagem dos alunos, por meio da pergunta 11, do roteiro de entrevistas. Os dados revelaram a predominância do modelo mais tradicional de avaliação, por meio de provas e trabalhos. O Gráfico 24 mostra as formas de avaliação citadas pelos professores e a quantidade de entrevistados que as utilizam.

0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% 100,0%

Professores com formação docente

Professores sem formação docente

33,3%

Gráfico 24 - Como você realiza as avaliações das suas disciplinas?

Fonte: Do Autor, 2019

Dentre os aspectos da investigação, conforme mencionado no capítulo 2, um dos saberes ligados aos Saberes Experienciais trata-se da auto experiência do professor enquanto discente. As vivências, enquanto estudantes dos cursos de engenharia, muitas vezes, foram incorporadas à prática docente quando estes passaram a atuar como professores. Nesse sentido, o trabalho buscou investigar quanto das práticas pedagógicas, utilizadas pelos engenheiros-professores, são oriundas das experiências na fase de estudantes. Durante as entrevistas foi possível identificar basicamente quatro grupos diferentes de respostas: a maioria das práticas pedagógicas foram adquiridas com base no modelo utilizado por seus professores durante a graduação, ou seja, mais da metade (mais que 50%):

A grande maioria foi da vida acadêmica. (Professor P3).

Muita coisa do que eu uso, eu tive. [...] Uns 70% do que eu aplico foi o que eu tive. A gente copia muita coisa. (Professor P7).

Outro grupo afirmou que utiliza “meio a meio”, ou seja, 50% das práticas utilizadas pelos seus professores e 50% de outras práticas incorporadas no fazer pedagógico ao longo da atividade profissional:

Mais ou menos uns 50%. Eu tive professores da velha guarda que ainda utilizavam projetores e folhas amarelas. Mas tive professores que já eram mais avançados. Então eu peguei o que era mais legal de cada um e ainda o meu jeito de dar aula. (Professor P4).

Eu acredito que seja praticamente meio a meio. Eu me inspirava em muitos professores. [...] Então muitos desses professores que eu tive, quando voltei a minha vida para a docência, foi uma lembrança que eu tive. (Professor P13).

1 1 1 1 1 1 3 4 7 13 0 1 2 3 4 5 6 7 Trabalhos em Grupos Listas de Exercícios Discussões Apresentações Resumos Aulas Práticas Seminários Projetos Trabalhos Provas

Aqueles que disseram que a minoria das suas práticas (menor que 50%) são provenientes da vida estudantil:

Bem pouco, acho que uns 30 - 40% [...] a metodologia era mais tradicional. (Professor P9).

E, por último, aqueles que se espelharam nos bons professores que tiveram e evitam os maus professores:

Como eu sabia que faltou a didática [quando ele era aluno], mas o conteúdo em sim não era tão difícil e tão complexo... é uma questão de didática. Eu estou cuidando para não pecar no mesmo local. (Professor P8).

As respostas dos entrevistados conforme essas categorias estão representadas no Gráfico 25.

Gráfico 25 - Das práticas pedagógicas, que você utiliza em sala de aula, quantas delas você desenvolveu e quantas delas você reproduz da sua vida enquanto aluno?

Fonte: Do Autor, 2019

O Saber Discente adquirido e incorporado como prática pedagógica aparece em duas modalidades diferentes: os professores que afirmam que a maioria das suas práticas provém da sua experiência discente; e aqueles que dizem copiar as práticas boas e evitar as práticas ruins que tiveram. Esse saber é relevante e está presente em 7 dos 13 professores (53,8%).

Já nas outras duas categorias, identifica-se que o Saber Discente exerce influência nas práticas pedagógicas, mesmo que de forma não tão intensa. No caso da categoria “meio a meio”, o Saber Discente ainda responde pela metade das práticas adotadas por esses professores, o que indica que em 9 dos 13 professores

A maioria 30,8% "Meio a meio" 15,4% A minoria 30,8% Tento copiar os bons e evitar os ruins 23,1%

(69,3%), o saber discente responde, por pelo menos, a metade das suas práticas pedagógicas. Além disso, na categoria “a minoria” (que poderia indicar a inexpressividade do Saber Discente), todos os respondentes, justificaram que não utilizam as mesmas metodologias e práticas pedagógicas de quando eram estudantes, por não se identificarem com essas práticas ou por aprimorá-las. Ou seja, os professores dessa categoria, ainda assim, trazem consigo o Saber Discente como “práticas a serem evitadas”. Com isso, o estudo apresenta uma limitação quanto à tentativa de mensurar o grau de interferência, mas destaca que, em níveis diferentes, esse saber está presente na prática pedagógica dos engenheiros-professores.

Para o Saber Experiencial foram destinadas três questões (perguntas 13, 14 e 15) com o objetivo de tentar identificar a construção do processo das experiências docentes.

Na pergunta 13 os professores foram questionados sobre as alterações que a sua prática profissional docente sofreu ao longo do tempo. No Gráfico 26 percebe- se que o item que mais aparece se refere aos conteúdos técnicos, ou seja, um predomínio da evolução dos saberes disciplinares mediados pelos Saberes Experienciais. O que faz sentido, uma vez que esses profissionais não possuem formação docente e existe uma deficiência de conteúdos pedagógicos e aqui já é possível realizar uma oitava constatação: é forte a presença do Saber Experiencial nas práticas pedagógicas desses professores. Esse predomínio (mais da metade dos professores, 6 de 13) indica um desequilíbrio entre os saberes docentes pendendo mais para a parte técnica (engenharia) em detrimento dos conhecimentos pedagógicos (professor).

Gráfico 26 - O que mudou, nas suas aulas, desde o início da carreira docente até o momento?

Fonte: Do Autor, 2019

Esse desequilíbrio pendendo para os conhecimentos técnicos da engenharia relaciona-se diretamente com as lacunas de conhecimentos docentes, uma vez que os professores, com algum tipo de formação docente, apresentaram respostas mais equilibradas. Quando a mesma análise do Gráfico 26 é realizada somente com os professores que possuem formação pedagógica (Gráfico 27) o desequilíbrio entre Saberes Técnicos (provenientes dos estudos em Engenharia) e Saberes Pedagógicos (da formação docente) é eliminado.

Gráfico 27 - Mudanças nas atividades docente dos professores com formação docente.

Fonte: Do Autor, 2019

O estudo identifica uma relação entre os conhecimentos pedagógicos e as experiências profissionais docentes dos professores engenheiros.

1 1 1 1 1 1 1 2 2 4 5 6 0 1 2 3 4 5 6 Organização do quadro Organização dos cálculos Domínio da bibliografia Integração entre teoria e prática Tecnologias Educacionais Formas de Avaliação Preparação de aulas Seleção do conteúdo Comunicação Relação professor-aluno Controle de sala de aula Domínio do conteúdo 1 1 1 1 1 0 1 2 3 4 5 6 Domínio do conteúdo Relação professor-aluno Controle de sala de aula Tecnologias Educacionais Formas de Avaliação

Um fenômeno semelhante observa-se com os resultados da pergunta 14 apresentados no Gráfico 28.

Gráfico 28 - Mudanças na vida pessoal, pós docência.

Fonte: Do Autor, 2019

Para os professores com algum tipo de formação docente o desequilíbrio pendendo para os conteúdos mais técnicos, das engenharias, é praticamente eliminado (Gráfico 29).

Gráfico 29 - Mudanças pessoais dos professores com formação docente

Fonte: Do Autor, 2019

Ainda sobre o saber experiencial e as transformações ocorridas desde as suas primeiras aulas até o momento das entrevistas, os entrevistados relataram elementos interessantes:

No começo, até para que as aulas rendessem, eu levava uma fichinha e passava no quadro. Isso, eu tento hoje... não faço. (Professor P10).

No início as minhas aulas sempre terminavam antes do tempo porque era só aquilo que eu tinha preparado. Falava aquilo e pronto. E hoje falta tempo porque a gente fala tanto, traz exemplos, comentários e envolver os alunos. (Professor P9). 1 1 1 1 1 1 2 3 3 6 0 1 2 3 4 5 6

Aumentou a participação de eventos Visão sobre a Engenharia Contato com pessoas jovens Comunicação Redução da vida social Amadurecimento pessoal Melhoria na qualidade de vida Aumentou a rede de contatos Melhoria no relacionamento pessoal Aumento do conhecimento técnico

1 1 2

0 1 2 3 4 5 6

Aumento do conhecimento técnico Melhoria no relacionamento pessoal Melhoria na qualidade de vida

Na minha primeira aula eu fiz uma aula toda em slides, basicamente eu coloquei os trechos dos livros nos slides e fiquei lendo e não explicava direito. Eu só lia o que estava nos slides e pronto. Ficava rezando para o aluno não perguntar nada. (Professor P9).

No começo eu atropelava tudo, hoje eu já vou com mais calma. No começo eu não tinha muita organização. (Professor P7).

A pesquisa apresenta como última questão, investigações sobre as intenções dos engenheiros professores em buscarem especializarem-se na área da docência (Gráfico 30).

Gráfico 30 - Formação futura

Fonte: Do Autor, 2019

Os dados mostraram que alguns educadores possuem interesse em continuarem a se especializar, mas na área técnica da engenharia e não na área da

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