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SANTO AGOSTINHO

No documento FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO (páginas 51-55)

FILOSOFIA MEDIEVAL

2 FILOSOFIA MEDIEVAL

2.3 SANTO AGOSTINHO

Durante sua juventude, Agostinho não poderia ser chamado exatamente de cristão, embora oriundo de família com forte tradição de fé. Sofreu forte influência dos maniqueus.

Maniqueísmo é uma religião herética fundada pelo persa Mani no século III e implicava: 1) um vivo racionalismo; 2) um marcado materialismo; 3) um dualismo radical na concepção do bem e do mal, entendidos não apenas como princípios morais, mas também como princípios ontológicos e cósmicos (REALE, G.; ANTISERI, D. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulus, 1990.)

Após essa incursão na doutrina maniqueísta, Agostinho se aproxima das ideias do ceticismo acadêmico, que afirmavam a importância da dúvida, ou seja, que o homem deve procurar duvidar de tudo aquilo que se apresenta no mundo, uma vez que não poderia ter um conhecimento certo e indubitável sobre nada. Mas essas ideias também não o satisfizeram. Segundo Agostinho, o maniqueísmo ainda parecia mais satisfatório para explicar os conflitos resultantes da dualidade bem X mal.

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Princípio da dúvida = há um conhecimento certo e seguro?

Aquilo que efetivamente perturbava Agostinho era a busca pela verdade. E essa busca só vai encontrar uma resposta na compreensão da verdade em Cristo. Agora, Agostinho afasta-se por completo das ideias céticas, afirmando com bastante clareza que, “se eu me engano, isso quer dizer que existo, e quem não existe, não pode se enganar; se eu me engano, logo, por isso mesmo, eu existo” (AGOSTINHO, 1990).

A partir desse momento, Agostinho se converte fielmente ao cristianismo, concluindo, sobre a questão da verdade e que esta se encontra dentro do próprio homem.

Problema de Agostinho:

de onde vem essa verdade?

Segundo Agostinho, existem verdades que podem ser ditas inalteráveis, que serão as mesmas para sempre. Um tipo de verdade assim pode ser encontrado na matemática. Por exemplo: a soma 7 + 5 será sempre igual a 12.

Em primeiro lugar, afirma que não podem vir das sensações, pois essas podem nos enganar. Além disso, são passageiras, mutáveis e dependem de uma série de fatores (lugar, tempo, situação, etc.).

As verdades, do tipo matemático, também não podem ser oriundas do espírito humano, pois, segundo Agostinho, nosso espírito é limitado, não infinito.

Assim, resta a afirmação mais verdadeira de todas, segundo Agostinho: as verdades eternas apenas podem ser provenientes de um autor eterno Deus. Em outras palavras: as verdades inalteráveis, eternas, são produtos do reflexo da verdade, que ilumina todos os homens.

Isso ficou conhecido como doutrina ou teoria da iluminação.

Outra questão bastante importante no pensamento de Santo Agostinho, que muito nos ocupa até hoje, é o problema da vontade e da liberdade. Diferentemente de Sócrates, Agostinho afirma que a liberdade provém da vontade, e não da razão. Dessa forma, a razão pode até conhecer o bem e fazer o mal, sem cair no paradoxo apresentado por Sócrates. Resumindo: a razão conhece e a vontade escolhe.

AGOSTINHO - Ainda neste caso, creio que só uma coisa queremos:

ensinar. Pois, dize-me interrogas por outro motivo a não ser para ensinar o que queres àquele a quem perguntas?

ADEODATO - Dizes a verdade. [...]

AGOSTINHO - Há, todavia, creio, certa maneira de ensinar pela recordação, maneira sem dúvida valiosa, como se demonstrará nesta nossa conversação. Mas, se tu pensas que não aprendemos quando recordamos ou que não ensina aquele que recorda, eu não me o pon ho; e desde já declaro que o fim da palavra é duplo: ou pa ra

Ainda sobre Agostinho, é interessante observarmos alguns aspectos mais diretamente ligados à educação. Pudemos observar que o caminho traçado por Agostinho, visa à conversão. Assim, o tornar-se cristão é ponto fundamental em seu pensamento. Pois bem, o verdadeiro cristão, segundo Agostinho, deve passar por um aprendizado para tal. E esse aprendizado é apresentado como parte de um programa de estudos. Vamos perceber a importância da linguagem e do conhecimento da escrita, da necessidade do aprendizado do cálculo, de se entender a música, e a importância da memória.

Em uma passagem do De Magistro, Agostinho mostra o papel da linguagem no processo da aprendizagem. Vamos perceber que é na linguagem que encontramos o processo de ensinar e aprender.

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ensinar ou para suscitar recordações nos outros ou em nós mesmos (AGOSTINHO,1973).

2.4 BOÉCIO

A importância de Boécio (480 - 525) para a Filosofia e a Educação no mundo ocidental é, por vezes, esquecida. É dele um termo que entrará para a história:

quadrivium. Mais tarde veremos esse termo unido a um outro, herdado da cultura romana, o trivium, como basilares na ideia de formação da educação ocidental.

De maneira geral, podemos dizer que Boécio levou a cabo um trabalho árduo de conciliação. Ele buscou aproximar as filosofias de Platão e Aristóteles. Nessa tarefa, apreendeu que é possível dividir a Filosofia em dois grandes campos: 1) A filosofia teórica ou especulativa, que procura conhecer a verdade; e 2) A filosofia prática ou ativa, que procura colocá-la em prática. A filosofia teórica será justamente o que Boécio chamará de quadrivium, ou seja, é aquela que se ocupa da Aritmética, da Geometria, da Música e da Astronomia.

Concepção de Educação: Boécio concebia a Educação não como saberes fragmentados, mas como um conjunto de conhecimentos que, embora diversificados,

estavam intimamente relacionados e contribuíam indistintamente para o aprimoramento do ser humano.

2.5 ANSELMO DE CANTERBURY

Anselmo de Canterbury (1033 -1109) merece seu destaque entre os filósofos medievais que de alguma forma influenciaram as questões fundamentais da Filosofia da Educação, graças à sua busca por uma síntese entre razão e fé. Ao abordar a importante relação entre fé e razão, Anselmo deixa claras todas as questões que o inquietavam, pois não bastava apenas sintetizar essas duas fontes de conhecimento, também era preciso buscar compreender a essência das palavras. É através do diálogo que se torna possível a aproximação entre razão e fé.

Síntese Entre Razão E Fé Essência Das Palavras

Assim, a importância da linguagem ganha sua força a partir de um método chamado de disputatio. Essas disputas, ou debates foram fundamentais para a expansão das discussões sobre os limites dos conhecimentos de fé e razão. Ao estabelecer a síntese possível entre esses dois tipos de conhecimento, Anselmo busca esclarecer com a razão aquilo que já se possui com a fé.

Em outras palavras, Anselmo busca fazer um uso da razão com vistas à fé.

A razão funcionaria como um mecanismo para explicitar e explicar o que já se tem através da fé. Será através das argumentações dialéticas, trazidas à luz pelos debates, que a razão poderá iluminar as verdades da fé. Para Anselmo, podemos não compreender os mistérios da fé por completo, porém é possível que possamos mostrar a necessidade de acreditar neles.

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