Ramo 3 → assinalar a qual ramo pertencia Este estudo foi realizado com adolescentes (faixa etária entre 11 a 17 anos) que pertenciam a dois ramos, o Ramo Escoteiro (11 a 14 anos) e o Ramo Sênior (15 a
III. RESULTADOS E DISCUSSÃO
5. Satisfação geral com
a vida (T1) 3,84 0,58 0,51** 0,41** -0,42** -0,40** 0,81
1,344
6. Satisfação geral com
a vida (T2) 3,80 0,56 0,44** 0,51** -0,34** -0,40** 0,77** 0,80 7. Percepção de suporte social (T1) 2,98 0,49 0,26** 0,28** -0,10 -0,11 0,36** 0,33** 0,90 0,233 8. Percepção de suporte social (T2) 2,97 0,47 0,72** 0,36** -0,09 -0,13* 0,33** 0,40** 0,86** 0,90 9. Potência de equipes (T1) 4,06 0,50 0,20** 0,15* -0,19** -0,14* 0,33** 0,32** 0,37** 0,37** 0,76 -2,034* 10. Potência de equipes (T2 4,11 0,49 0,19** 0,24** -0,17** -0,18** 0,31** 0,40** 0,33** 0,38** 0,77** 0,76 ** p < 0,01; * p < 0,05; na diagonal, em negrito, estão os valores de alfa de Cronbach.
É possível afirmar que emoções positivas, tais como felicidade, alegria, animação, satisfação, contentamento, são bastante frequentes no dia a dia destes adolescentes. As emoções positivas são fontes de estímulo para que o indivíduo possa florescer e crescer psicologicamente (FREDRICKSON, 1998). Neste sentido, a saúde psíquica dos adolescentes tende a se manter protegida e estimulada, uma vez que os mesmos revelaram índices expressivos destas emoções.
Já a média dos afetos negativos (dimensão emocional de BES) no T1, apresentada na Tabela 7 (média=2,01; DP=0,72), ficou num patamar baixo (2=pouco) da escala de resposta (1-5) conforme Tabela 8. Do mesmo modo aconteceu no T2, visto que a média foi de 2,03 (DP=0,79) e não se observou distinção significativa entre elas nos dois tempos (t = -0,201; NS). É possível constatar que os adolescentes, nos dois momentos em que foi realizado este estudo, vivenciavam um nível baixo de emoções negativas. Elas são representadas por nove palavras na escala: irritado, desmotivado, angustiado, deprimido, chateado, nervoso, triste e desanimado. Conforme Diener (1984), é possível afirmar que a frequência de afetos negativos
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nos adolescentes também colabora para que os mesmos consigam se conhecer melhor e lidar de forma mais eficaz com os reveses da vida.
Tabela 8 – Síntese de informações das escalas de percepção de suporte social, potência de equipes, bem-estar subjetivo do questionário:
Variável Escala Valores Itens Autores
P SS Escala de Percepção de suporte social 1 = nunca 2 = poucas vezes 3 = muitas vezes 4 = sempre
Suporte prático = suporte instrumental e informacional (alfa de 0,91) 19 itens (1, 2, 3, 5, 8, 11,12,13, 15, 16,
18, 19, 21, 22, 23, 25, 27, 28, 29)
Suporte emocional (alfa de 0,92) 10 itens (4, 6, 7, 9, 10, 14, 17, 20, 24, 26)
Construída e validada por Siqueira (2008)
PE Escala de potência de equipes
1 = discordo totalmente 2 = discordo 3 = nem concordo nem discordo
4 = concordo 5 = concordo totalmente 10 itens, alfa de 0,85 Guzzo (1993) adaptada e validada para o Brasil por Siqueira, Martins, Costa e Abad (2014) BES Escala de ânimo Positivo e Negativo 1 = nada 2 = pouco 3 = mais ou menos 4 = muito 5 = extremamente
Afetos positivos (6 itens, alfa de 0,87)
Afetos negativos (8 itens, alfa de 0,88)
Construída e validade por Siqueira, Martins e Moura (1999)
Escala Satisfação Geral com a vida
1 = muito satisfeito 2 = insatisfeito 3 = nem satisfeito nem insatisfeito
4 = satisfeito 5 = muito satisfeito
Versão reduzida (15 itens, alfa de 0,84)
Construída e validada por Siqueira, Gomide Junior e Freire (1996) Fonte: a autora
Para a dimensão cognitiva de BES (satisfação geral com a vida) na Tabela 7 a média em T1 foi de 3,84 (DP=0,58). No T2 a média ficou muito próxima do T1 (média=3,80; DP=0,56; t=1344; NS). Observa-se que as respostas ficaram entre 3=nem satisfeito nem insatisfeito e 4=satisfeito (Tabela 8). Desta forma, os resultados revelaram que os adolescentes pesquisados demonstraram um nível de satisfação com a vida adequado com tendência a se elevar.
De acordo com Diener e Suh (1997), o bem-estar subjetivo está relacionado ao modo como a pessoa se sente feliz com sua própria vida e à frequência com que experimenta emoções positivas ou negativas. Para Bradburn (1969), a saúde psíquica é identificada no indivíduo quando relata ter vivenciado mais afetos positivos do que negativos. Tomando por base os autores e os resultados da dimensão de BES, é possível afirmar que os adolescentes escoteiros, nos dois momentos (T1 e T2), vivenciavam mais sentimentos positivos do que negativos e satisfação com a vida, portanto, os adolescentes desfrutavam de bem-estar
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subjetivo e, consequentemente, de saúde psíquica, condição que se manteve com o passar do tempo.
No T1 a variável percepção de suporte social (PSS) atingiu a média de 2,98 (DP=0,49), apontando que os adolescentes mantinham, naquele momento, bom nível de percepção de suporte social visto que numa escala de quatro pontos a média aproximou-se do ponto 3 (muitas vezes), conforme Tabela 8. Assim, os adolescentes escoteiros tendem a concordar que estão, na maioria das vezes, cercados por pessoas confiáveis e que os socorrem em momentos difíceis. Em relação ao T2, os resultados revelaram que a média de PSS permaneceu praticamente inalterada (média=2,97; DP=0,47; t=0,233; NS).
A adolescência é um processo delicado que supõe mediações e implica assimilação e trocas que não se fazem fora do convívio social. O adolescente necessita relacionar-se com os demais,receber suporte social e condições que promovam seu bem-estar. Os estudos de Cobb (1976) e Cassel (1976) evidenciaram que o suporte social contribui para a adaptação em situações de crises emocionais, bem como protege os indivíduos de prejuízos à saúde física e mental, especialmente em situações de estresse.Já o estudo de Benincasa e Rezende (2006), que investigou os fatores de risco e proteção relacionados à tristeza e suicídio entre adolescentes, demonstrou que ter uma pessoa confiável para conversar consistiu em um fator de proteção relevante. Também revelou a necessidade de criar espaços de escuta e implantar programas de proteção à saúde e à vida voltados a esta população. Para Kaplan et al. (1977), o suporte social ocorre na medida em que as necessidades sociais humanas inatas (afeto, pertencimento, identidade, aprovação e segurança) são satisfeitas através da interação com os outros. Cobb (1976) também defende que as redes sociais são fontes de recursos afetivos e de pertencimento. Em consonância com afirmações acima e resultados deste estudo, é possível afirmar que os adolescentes escoteiros receberam de sua rede social recursos afetivos e de pertença, o que contribui para proteger a saúde mental dos mesmos, bem como ajudá-los a se adaptar melhor nessa fase de transição.
Conforme a Tabela 7, no T1 os participantes apresentaram a maior média (média=4,06; DP=0,50) na variável potência de equipes, um pouco além do valor 4 (concordo) da escala, que varia de 1 a 5 (Tabela 8). O mesmo ocorreu no T2 (média=4,11; DP=0,49). Ao se comparar as médias dos dois tempos obteve-se um valor significativo de t (t = -2,034; p<0,05), sinalizando um leve acréscimo na crença dos adolescentes escoteiros quanto à capacidade de sua equipe na realização de suas tarefas. Deve-se ressaltar que apenas
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a potência de equipes apresentou crescimento significativo no intervalo entre T1 e T2, permanecendo as demais variáveis com valores não distintos entre si.
A potência de equipes reúne itens que medem o quanto os seus membros creem na eficácia da equipe em realizar tarefas, agir com qualidade, com responsabilidade, etc. (Guzzo
et al. 1993). Tais resultados evidenciam que a crença dos adolescentes na eficácia de sua
equipe é bastante acentuada, confirmando os resultados de algumas pesquisas (BORBA, 2007; GIBSON et al., 2000; PUENTES-PALACIOS, BORBA, 2009; SILVA, 2011). Para Guzzo et al. (1993), o sentimento de potência de equipes é relevante para o desempenho de uma determinada tarefa. Os estudos de Shea e Guzzo (1987a) demonstraram o forte potencial de desempenho das equipes e sua influência na efetividade. Uma vez que os adolescentes acreditam fortemente na eficácia de sua equipe, possivelmente o desempenho da mesma também tende a ser efetivo. O que reforça a noção de que o trabalho executado por uma equipe tida como eficaz proporciona resultados mais rápidos e eficientes do que aquele desenvolvido individualmente, conforme defendem os autores.
Outras informações relevantes contidas na Tabela 7 são os índices das correlações obtidos entre as variáveis deste estudo. Segundo Bisquerra, Sarriera e Martínez (2004), correlação refere-se à relação utilizada para medir a intensidade (força) existente entre duas variáveis aleatórias. Para as interpretações dos coeficientes (também conhecido como coeficiente de correlação momento ou r de Pearson), os autores sugerem os valores mostrados na Tabela 9.
Tabela 9 – Critérios para análise de força das correlações (r de Pearson).
Coeficiente Interpretação
r = 1 correlação perfeita
0,80 < r < 1 correlação muito alta
0,60 < r < 0,80 correlação alta
0,40 < r < 0,60 correlação moderada
0,20 < r < 0,40 correlação baixa
0,09 < r < 0,20 correlação muito baixa
r = 0 correlação nula
Fonte: Bisquerra et al. (2004, p.147)
Adotando-se os critérios para análise da força das correlações contidos na Tabela 9 (BISQUERRA et al. 2004), os resultados condizentes às cinco correlações computadas entre as variáveis do estudo no T1 e T2 assinalam relações significativas e altas para as duas avaliações de afetos positivos (r=0,75; p<0,01), afetos negativos (r=0,74; p<0,01), satisfação
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geral com a vida (r=0,77; p<0,01) e potência de equipes (r=0,77; p<0,01). Conforme os resultados, parece não ter havido alterações muito elevadas nas relações entre as medidas de cada uma das variáveis nos dois momentos do estudo. A percepção de suporte social teve suas médias correlacionadas positivamente com força muito alta (r=0,86; p<0,01) nos dois tempos. Consoante tais resultados parece-nos adequado afirmar que o bem-estar subjetivo, assim como a percepção de suporte social e a potência de equipes mantiveram padrão semelhante no tempo decorrido entre T1 e T2, revelando que o convívio em grupo no ambiente de escotismo mantém os adolescentes com níveis significativos de bem-estar subjetivo (nível mais alto de afetos positivos do que negativos e nível adequado de satisfação geral com a vida), bem como mantiveram, em patamares semelhantes, os níveis de percepção de suporte social e de crença na potência de suas equipes.
Sobre os índices de correlação computados entre as variáveis mensuradas no T1 (Tabela 7) somente um não se mostrou significativo – percepção de suporte social (PSS) e afetos negativos (r=-0,10; NS). O maior índice de correlação encontrado foi entre afetos positivos e afetos negativos (r=0,51; p<0,01). Já o menor índice de correlação foi entre potência de equipes (PE) e afetos negativos (r=-0,19; p<0,01) sendo, respectivamente, índices que refletem força de correlação moderada e muito baixa.
Os índices de correlação entre os escores das variáveis no T1 podem ser analisados como indícios de que alguns pressupostos para a realização de análises de regressão durante os testes de hipóteses foram respeitados. Conforme Pallant (2007), deve-se inspecionar a matriz de correlação e nela verificar se as variáveis independentes (ou moderadoras) se correlacionam com força mínima de 0,30 (positiva ou negativa) e se as variáveis independentes não excedem em 0,70 (positiva ou negativa) suas forças de correlação.
Conforme a Tabela 7, pode-se constatar a existência de correlação significativa de intensidade baixa entre a variável independente percepção de suporte social (PSS) e afetos positivos (r=0,26; p<0,01); não significativa e muito baixa com afetos negativos (r =-0,10; NS); e significativa e baixa com satisfação geral com a vida (r=0,36; p<0,01), acima do padrão preconizado por Pallant (2007). Portanto, existe apenas um indício de que PSS possa ter peso significativo no modelo para explicar a dimensão cognitiva de BES, qual seja, satisfação geral com a vida.
Ao se observar os índices de correlação na Tabela 7 entre a variável moderadora potência de equipes (PE) e as três dimensões de BES que irão ser posicionadas nos modelos
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de regressão como dependentes, verificou-se que apenas a correlação (r=0,33; p<0,01) com intensidade baixa entre PE e satisfação geral com a vida se posiciona acima do critério especificado por Pallant (2007), enquanto os índices de correlação de PE com afetos positivos (r=0,20; p<0,01) e com afetos negativos (r=-0,19; p<0,01) não atendem ao critério e representam associação com força muito baixa.
O índice de correlação entre a variável independente (PSS) e a moderadora (PE) no T1 foi de 0,37 (p<0,01) com força baixa, sinalizando a possibilidade de não haver multicolinearidade entre elas, uma vez que sua relação teve força inferior a 0,70. Mesmo assim, parece haver indícios nos números de correlação inferiores a 0,30 acerca da possibilidade de se calcular modelos de regressão cujos resultados possam não permitir decidir pela confirmação de todas as hipóteses concernentes ao objetivo 1 (submeter aos testes empíricos um conjunto de hipóteses acerca do impacto de potência de equipes e percepção de suporte social sobre o bem-estar subjetivo).
No T2 todas as variáveis se correlacionaram significativamente (Tabela 7), sendo que o maior índice de correlação encontrado foi entre satisfação geral com a vida (SGV) e afetos positivos (r=0,51; p<0,01) com força moderada. Já o menor índice de correlação foi entre percepção de suporte social e afetos negativos (r=-0,13; p<0,05) com força muito baixa. Observando-se os índices de correlação conforme Pallant (2007), pode-se reconhecer que no T2 há indícios presentes na força das correlações os quais podem favorecer ou fragilizar a execução de análises de regressão: índices de correlação de força baixa entre a variável independente percepção de suporte social (PSS) e afetos positivos (r=0,36; p<0,01) e satisfação geral com a vida (r=0,40; p<0,01) são promissores por possuírem valores superiores a 0,30. Já com afetos negativos (r=-0,13; p<0,5) representa valor inferior, de força muito baixa, o que pode comprometer a predição de afetos negativos.
Ainda durante o exame da Tabela 7 sobre os escores computados no T2, pode-se constatar a existência de correlações menores do que 0,30 e com forças baixa e muito baixa, respectivamente, entre a variável moderadora potência de equipes (PE) e afetos positivos (r=0,24; p<0,01) e afetos negativos (r= -0,18; p<0,01) tendo sido obtido, entretanto, valor superior ao critério e com força baixa entre PE e satisfação geral com a vida (r=0,40; p<0,01). No que concerne à correlação entre as duas variáveis independentes no T2 houve uma correlação de força baixa na ordem de 0,38 (p<0,01) entre PSS e PE, abaixo de 0,70,
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conforme estipula Pallant (2007), tranquilizando quanto à possibilidade de multicolinearidade entre elas.
Concluídas as inspeções na matriz de correlação contida na Tabela 7, parece adequado afirmar que as três dimensões de BES se mostraram significativamente correlacionadas entre si, tanto no T1 quanto no T2, bem como mantiveram alto nível de correlação com o passar do tempo. Pode-se ressaltar também que a percepção de suporte social, tanto no T1 quanto no T2, superou a potência de equipes no que se refere à sua força de correlação com as dimensões de BES. Ainda cabe destacar que satisfação geral com a vida parece ser a dimensão de BES mais acentuadamente associada à crença acerca da existência de suporte social na vida dos adolescentes escoteiros, bem como a faceta de BES mais passível de sofrer impactos da variável moderadora potência de equipes.
Na sequência estão apresentados, interpretados e discutidos os resultados dos modelos de regressão linear múltipla hierárquica, os quais permitiram testar as hipóteses do estudo e verificar se os seus dois objetivos foram atingidos.
Análises de regressão hierárquica moderadora
Pallant (2007) define regressão múltipla como um conjunto de técnicas que permitem investigar as relações entre uma variável dependente e outras independentes, usualmente de natureza contínua. Embora essa técnica seja baseada em correlações, ela explora de forma mais acurada as relações entre variáveis dependentes e independentes. Para lançar mão dessa técnica é necessário que o pesquisador disponha de um referencial teórico que lhe permita posicionar as variáveis dentro da equação a ser calculada. Portanto, ela não é uma análise exploratória, mas uma técnica de investigação útil para teste de hipóteses.
Segundo Pallant (2007), podem ser executados três tipos de análises de regressão múltipla: a regressão padrão, a regressão hierárquica e a stepwise. No presente estudo foi escolhido o método de regressão múltipla hierárquica visto que ele permite testar a capacidade preditiva das variáveis independentes ao se posicionar cada uma em blocos específicos. Adicionalmente, essa técnica permite ao pesquisador controlar o efeito de uma variável independente para melhor identificar o efeito de outra variável independente, bem como identificar o efeito interativo de duas variáveis independentes na predição de uma dependente.
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As análises preliminares que permitem averiguar se os pressupostos acerca dos dados foram atendidos, conforme Pallant (2007) são:
Tamanho da amostra: para atender a este critério, há uma fórmula oferecida por Tabachnick e Fidel (2007) em que se considera o número de variáveis independentes para o cálculo da amostra: N>50+8m (onde m = número de variáveis independentes). O n deste estudo igual a 249, tanto no T1 quanto no T2, atendeu ao critério visto que o n mínimo seria de 66, dada à existência de apenas duas variáveis independentes (PSS e PE).
Multicolinearidade: trata-se dos índices de correlação entre as variáveis independentes, os quais devem ser menores ou iguais a 0,90, embora Pallant (2007) sugira a não inclusão nos modelos de regressão de variáveis no papel de independentes que detenham índices iguais ou superiores a 0,70. Conforme apresentação contida na Tabela 7, relativas aos tempos T1 e T2 do estudo, não foram observados, respectivamente, índices de correlação entre PSS e PE que comprometessem as análises de regressão.
Outliers: são definidos como casos que possuem resíduos padronizados maiores do
que 3,3 ou menores do que -3,3. Eles podem ser checados na coluna de Mah-1 no banco de dados como uma variável extra. Segundo Pallant (2007), um valor de Mah-1 igual ou maior do que 13,82 representa outliers (valores extremos) para pesquisas com duas variáveis independentes como esta em que PSS e PE foram utilizadas como preditores. Apenas cinco casos, representando 2% da amostra de 249 indivíduos, apresentaram valores acima de 13,82, os quais foram mantidos por se considerar um número pequeno.
Dando-se início às análises de regressão hierárquica moderadora (ARHM), primeiramente foram calculados modelos com vistas a testar as hipóteses condizentes ao objetivo 1 (submeter aos testes empíricos hipóteses acerca do papel moderador de potência de equipes sobre as relações entre percepção de suporte social e bem-estar subjetivo). Seguindo Cohen e Cohen (1983, apud RODRÍGUEZ 2011), entrou no primeiro bloco duas variáveis controle (idade e tempo de escotismo), as quais não foram previamente consideradas independentes mas que poderiam deter algum valor explicativo das três dimensões de BES referidas como variáveis dependentes deste estudo. Os autores recomendam ser introduzidos na regressão termos interativos compostos pela multiplicação da variável independente pela variável moderadora.
Antes de se calcular os termos interativos da variável independente versus variável moderadora, Aguinis (1995) sugere que sejam calculados os escores centrados das variáveis
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independente e moderadora. Os escores centrados foram obtidos, conforme recomendação do autor, pela subtração da média da variável independente (escore médio do grupo em PSS) de cada escore médio de PSS dos 249 participantes. O mesmo procedimento foi aplicado para o cálculo dos escores centrais da variável moderadora potência de equipe (PE).
Diante de tais recomendações, foram calculados três modelos de ARHM no T1, cada
um estruturado em três blocos para cada uma das três variáveis dependentes relativas ao objetivo 1. No bloco 1 entraram duas variáveis de controle (idade e tempo de escotismo); no bloco 2 entrou a variável independente (PSS) e a variável moderadora (PE) e no bloco 3 os termos interativos (PSSxPE), neste caso usando-se os escores centrados.
Tabela 10 – Modelos de análise de regressão hierárquica moderadora (ARHM) para afetos positivos, afetos negativos e satisfação geral com a vida no T1 (n=249)
Variáveis Modelo 1 Afetos positivos β Modelo 2 Afetos negativos β Modelo 3 Satisfação geral com a vida β Bloco 1: variáveis de controle
Idade -0,174* 0,074 -0,150*
Tempo de escotismo 0,063 -0,029 0,126*