• Nenhum resultado encontrado

A SCHERING-PLOUGH FARMA, Lda pretende, nos termos do disposto no artigo 8º do Programa de Concurso, apresentar proposta ao “Concurso Público

para a Celebração de Contratos Públicos de Aprovisionamento para a área da saúde, com vista ao fornecimento de medicamentos diversos às instituições e serviços do Serviço Nacional de Saúde” (Concurso Público n.º 2008/14).

Ora, face à extensão e complexidade da documentação concursal subjacente ao mesmo, bem como ao igualmente extenso catálogo que o mesmo apresenta, impunha-se, primeiro, analisar e estudar, nos diversos domínios relevantes, o extenso, compacto e variado catálogo apresentado, para, depois, congregar e organizar os elementos suficientes para se promover a apresentação da proposta.

Sucede que, ao longo do processo de elaboração da referida proposta, só actualmente, passados alguns dias sob o termo do prazo para apresentação de pedidos de esclarecimentos, é que os técnicos que estão dedicados à sua elaboração e preparação se aperceberam de algumas incongruências da documentação concursal, tendo sentido a necessidade extrema de apresentar o presente Requerimento, no sentido de obter alguns esclarecimentos, sob pena de a possibilidade de apresentação de proposta ao referido concurso poder mesmo ficar comprometida.

É evidente, porém, que a circunstância de o presente pedido e os factos nele revelados serem apresentados para além do prazo de apresentação do pedido de esclarecimentos inicialmente concedido, não significa que o relatório final que venha a ser proferido e a subsequente decisão de adjudicação — se não os tomarem em consideração —, venham a ser considerados legais e válidos, com fundamento na extemporaneidade da apresentação destes mesmos elementos. Com efeito, as decisões administrativas são legais e válidas se forem exactos, de facto e de direito, os pressupostos e elementos em que assentam — independentemente, pelo menos em hipóteses como estas, de os factos (e o direito) verdadeiros terem chegado ao processo documental do procedimento antes ou depois do termo do prazo concedido para o efeito.

De resto, o próprio princípio da legalidade (artº 266º/2 do CRP e artº 3º do CPA) contribui também para a exigência de consideração por parte da Administração de todos os elementos decisivos que os interessados no procedimento lhe facultem, ainda que após o decurso do respectivo prazo — princípio esse reforçado ainda pelos princípios da prossecução do interesse público, (artº 266º/1 da CRP e artº 4º do CPA) da imparcialidade (artº 266º/2 da CRP e artº 6º do CPA), bem como pelos princípios da colaboração e da participação dos interessados (artº 267º/5 da CRP e artºs 7º e 8º do CPA) e pelo princípio da

eficiência administrativa (artº 10º do CPA).

Face ao exposto, ciente, como está, de que os membros do júri não desprezarão nenhuma oportunidade de aplicar os princípios acima referidos e assim honrarem a missão de serviço público que lhes está cometida, a SHERING-PLOUGH FARMA, Lda aproveitando até o facto de ainda não terem sido publicadas as respostas aos pedidos de esclarecimento entretanto deduzidos, apresenta em anexo o pedido de esclarecimentos que acima referiu.

A Schering-Plough Farma, Lda vem, nos termos do disposto no artigo 4º do Programa de Concurso, do “Concurso Público para a Celebração de Contratos Públicos de Aprovisionamento para a área da saúde, com vista ao fornecimento de medicamentos diversos às instituições e serviços do Serviço Nacional de Saúde” (Concurso Público n.º 2008/14), apresentar o seu pedido de esclarecimentos, o que faz nos termos e com os fundamentos seguintes:

1. No artigo 22º do Programa de Concurso dispõe-se que: “1. Após a

homologação dos CPA as instituições e serviços do Ministério da Saúde, individualmente ou agrupadas, podem ajustar as condições de fornecimento dos produtos que são objecto daqueles contratos.

2. Em todos os casos referidos no número anterior devem ser salvaguardados os princípios e regras da contratação pública e nomeadamente os da transparência, concorrência, imparcialidade e fundamentação das decisões.

3. As condições de fornecimento ajustadas serão obrigatoriamente comunicadas à ACSS, IP apenas para efeitos de divulgação, por instituições e fornecedores através de aditamento previsto na alínea i) do art. 17º das Cláusulas Jurídicas Gerais.

4. Para a celebração dos contratos de fornecimento deve ser adoptado, preferencialmente, o critério do mais baixo preço.”

Face à redacção da disposição acima transcrita, pretende a Requerente obter os seguintes esclarecimentos:

a) O que se deve entender pelo que se dispõe no n.º 3 da disposição referida? Qual o impacto “[d]as condições de fornecimento ajustadas” no âmbito do Contrato Publico de aprovisionamento a celebrar? As condições de fornecimento serão comunicadas à ACSS apenas para efeitos de divulgação, não se estendendo de forma automática ao contrato público de aprovisionamento celebrado?

Sim, apenas para efeitos de divulgação, não se estendendo de forma automática ao catálogo.

b) Ou seja, será correcto o entendimento segundo o qual, na sequência de processos negociais especiais, estes se mantêm válidos e as demais condições se aplicam apenas aos contratos especificamente assinados, não se tornando, de forma automática, extensíveis a todas as Instituições do S.N.S., de forma parcial ou global?

Sim, é correcto o entendimento.

2. Com referência ao catálogo anexo à documentação concursal, a posição R91, referente à Ribavirina cáps/comp, é comum às duas Ribavirinas existentes no mercado, possibilitando que no futuro se proceda à adjudicação de apenas uma ribavirina, sem se conseguir averiguar, em termos práticos, se a respectiva aquisição e administração ao doente, irá ser feita com respeito pelo disposto na Portaria 1522/2003 e nos RCM’s do Rebetol e do Copegus, i.e., de forma conjunta com o respectivo interferão.

a) De que forma é que a ACSS pensa vir a controlar o efectivo respeito por parte da entidade adquirente da Ribavirina das condições estipuladas na Portaria 1522/2003, bem como nos RCMs do Rebetol e do Copegus, uma vez que tais documentos consagram a necessidade de conjugação, entre cada Ribavirina e o respectivo interferão?

Nem a administração nem o controlo da administração dos medicamentos objecto do presente concurso cabem à ACSS. Essa administração, obviamente, deve respeitar todas as indicações terapêuticas aplicáveis, o que não está

relacionado com a aquisição dos medicamentos. A portaria de homologação dos CPA poderá prever quaisquer aspectos necessários ou convenientes que

complementem as indicações constantes das peças concursais e que sejam aptas a contribuir para uma melhor articulação entre o processo de compra e o de administração dos medicamentos.

b) De que forma pretende a ACSS vir a permitir o mesmo controlo por parte do respectivo fornecedor de ribavirina?

Tal como não compete à ACSS realizar esse controlo, não lhe compete permitir ou não o controlo por parte dos fornecedores. Estes fornecerão às instituições os medicamentos com as indicações que considerem adequadas ao fim a que se destinam.

3. Nos termos do disposto no artigo 5º das Cláusulas Técnicas Especiais, prevê-se que: “[s]ó poderão ser fornecidos às entidades adquirentes os bens cuja

validade seja igual ou superior a 18 (dezoito) meses, a contar da data de fornecimento.”

Ora, o prazo de validade mínimo exigido de 18 meses a contar da data de fornecimento, inviabiliza a apresentação de proposta por parte da Schering- Plough Farma, Lda para muitas posições, algumas das quais, em que esta entidade é o seu fornecedor exclusivo, designadamente, para as posições seguintes:

a) I98 – Interferão Alfa 2B [18MUI; caneta/cartucho] b) I100 – Interferão Alfa 2B [30MUI; caneta/ cartucho] c) I102 – Interferão Alfa 2B [60MUI; caneta/cartucho] d) T306 – Temozolamida [250 MG; cáp/comp]

e) T304 – Temozolamida [100 MG; cáp/comp] f) T307 – Temozolamida [5 MG; cáp/comp] g) T305 – Temozolamida [20 MG; cáp/comp] h) R91 – Ribavirina [200 MG; cáp/comp]

Com efeito, os prazos de validade dos produtos da Schering-Plough Farma, Lda, aprovados pelo Infarmed, e constantes dos respectivos RCMs, variam entre 15

meses e 36 meses, o que permite concluir que, pelos menos os primeiros, estarão desde logo excluídos (Códigos: I 98, I 100, I 102, do Anexo 1 do Caderno de Encargos), não permitindo que a Schering-Plough Farma, Lda, venha a apresentar proposta para as respectivas posições.

Assumindo esta situação a maior relevância para todo o SNS, uma vez que, face à exclusividade do fornecimento por parte da Schering-Plough Farma, Lda, de determinadas posições (códigos: I98; I100; I102; T306; T304; T307; T305), a ACSS não os poderá englobar no contrato público de aprovisionamento que pretende celebrar.

Acresce, por outro lado, que não se vislumbra qual o fundamento que terá levado a ACSS a impor este prazo de validade, quando as boas práticas de gestão de stocks hospitalares exigem prazos bastante inferiores.

Ora, esta premissa, face à sua falta de fundamentação, poderá mesmo ser entendida como uma pré-selecção por parte da ACSS relativamente ao mercado ou, por outras palavras, como indiciadora de alguma parcialidade na elaboração das próprias peças concursais, uma vez que há muito poucas empresas que consigam cumprir com conforto os prazos impostos. Designadamente, no que se refere ao produto da Roche (Interferão Alfa 2A), esta entidade é a única que poderia cumprir o prazo de validade igual ou superior a 18 meses por este seu produto ter uma validade de 24 meses.

Refira-se ainda que esta mesma questão se coloca, não só para os medicamentos cujo prazo de validade seja inferior a 18 meses, mas mesmo para aqueles cuja validade seja superior. Com efeito, mesmo relativamente aos produtos, cujo prazo de validade seja de 24 de meses, designadamente no que se refere aos códigos R91; T 306; T304; T307; T305 (do mesmo anexo), tal prazo não garante a possibilidade da Schering-Plough Farma, Lda, apresentar proposta, atendendo à pouca maleabilidade com que fica para gerir o respectivo stock.

Esta questão assume especial importância no que se refere à Ribavirina – Rebetol, uma vez que a acrescer ao prazo de validade de 24 meses, a Schering- Plough Farma, Lda, ainda tem a seu desfavor o facto de não se garantir que a mesma venha a ser adquirida com o respectivo interferão, como acima já referido, o que mais uma vez indicia a existência de uma situação de pré- selecção violadora das boas regras concursais.

Termos em que se solicitam os seguintes esclarecimentos:

a) Considerando que as boas práticas de gestão hospitalar exigem prazos muito inferiores àquele que consta como limite mínimo, nos termos do disposto no artigo artigo 5º das Cláusulas Técnicas Especiais, será correcto o entendimento de que a imposição deste prazo resulta de um lapso que V. Exas.

irão corrigir atempadamente, em sede de esclarecimentos, substituindo o prazo de validade exigido por outro inferior?

Veja-se o ponto 3 dos presentes esclarecimentos.

b) Atendendo a que a Schering-Plough Farma, Lda, é fornecedora em regime de exclusividade de algumas posições acima referidas, e sob pena de as mesmas não virem a constar do contrato público de aprovisionamento a celebrar, poderá a Schering-Plough Farma, Lda, apresentar proposta para as mesmas, propondo os prazos de validade inferiores aos 18 meses exigidos, sem que a proposta seja considerada violadora do Caderno de Encargos e por isso excluída?

Respondido no ponto anterior.

Documentos relacionados