Capítulo 3 – Parte Experimental
3.2 SClínico Hospitalar
O SClínico Hospitalar é um sistema de informação evolutivo, desenvolvido pela SPMS, que nasce da vasta experiência com duas anteriores aplicações usadas por milhares de médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde: o SAM (Sistema de Apoio ao Médico) e o SAPE
(Sistema de Apoio à Prática de Enfermagem). Tem crescido para ser uma aplicação única, comum a todos os prestadores de cuidados de saúde e centrada no doente.
Esta ferramenta está presente em mais de 50 Centros Hospitalares, Misericórdias e Institutos, e conta com cerca de 60 000 profissionais registados.
O SClínico insere-se na estratégia definida pelo Ministério da Saúde para a área de informatização clínica do SNS, que prevê a uniformização dos procedimentos dos registos clínicos, de forma a garantir a normalização da informação.
O acesso à informação clínica variada do utente, a utilização e partilha dos dados com profissionais de saúde de diversas áreas e a sistematização dos mesmos, permitirá homogeneizar as práticas e a informação recolhida a nível nacional, tornando a atuação dos profissionais de saúde mais eficaz e eficiente, fazendo com que desempenhem melhor o seu papel na equipa multidisciplinar, possibilitando, desta forma, um melhor apoio, assistência e acompanhamento ao utente.
O SClínico Hospitalar disponibiliza um conjunto de materiais de auxílio à utilização deste software. Organizado por perfil e funcionalidade, esta iniciativa pretende facilitar e dar a conhecer as utilizações das várias potencialidades do SClínico Hospitalar, nos perfis de médico e de enfermagem (SClínico, 2018).
É através desta ferramenta que os enfermeiros ou médicos acedem às informações dos pacientes, partilham dados com outros profissionais e ainda atualizam o estado clinico dos pacientes.
Conforme as alterações que os médicos ou os enfermeiros façam nesta ferramenta esses dados ficam todos registados nos Serviços de Gestão de Informação do hospital, neste caso no do CHTMAD, onde me dirigi para a obtenção dos dados de registo de queda dos pacientes. Na figura 4 é possível ver o ambiente do programa SClínico Hospitalar.
3.3 Escala de Morse e Avaliação da Queda
Janice Morse, autora da Escala de Quedas de Morse, iniciou a construção da escala num projeto piloto em 1985, tendo passado por várias fazes da construção desta até 1989, quando publica o artigo “Development of a Scale to Identify the Fall-Prone Patient”. A escala encontra-se a ser aplicada a nível internacional. Em Portugal é utilizada em vários centros hospitalares e a Direção-Geral da Saúde indica a necessidade de se avaliar o risco de queda como uma intervenção adequada e personalizada para a prevenção. A mesma encontra-se incorporada no programa SClínico Hospitalar como ferramenta para os profissionais de saúde registarem os riscos de queda dos pacientes.
É constituída por seis itens com duas ou três possibilidades de resposta para cada um. A cada uma das respostas corresponde uma pontuação. De acordo com a avaliação efetuada a soma das pontuações obtidas em cada um dos seis itens resulta num score que indica o risco de queda. Essa pontuação varia de 0 a 125 pontos (Escala de Quedas de Morse ).
De acordo com a pontuação obtida, o doente é classificado num nível de risco para a ocorrência de quedas, que pode ser: sem risco (0-24 pontos), baixo risco (25-50 pontos) e alto risco (superior a 50 pontos).
A figura 5 resume a escala de Morse que é utilizada pelo hospital em estudo. De uma forma geral, esta escala é aplicada na admissão de um doente ou quando ocorrerem alterações do seu estado de saúde, ou alterações durante o internamento que justifiquem uma nova avaliação do risco de queda daquele doente.
A
MFS é particularmente importante no momento da admissão dos doentes, sobretudo nas pessoas com 65 anos ou mais anos de idade, nos doentes confusos ou com agitação psicomotora, nos doentes no pós-operatório, em doentes medicados com fármacos associados ao risco de queda, como psicofármacos, analgésicos estupefacientes ou anti-hipertensores, entre outros, contribuindo para um adequado plano de intervenção a nível da prevenção das quedas dos doentes em ambiente hospitalar (Costa-Dias, Martins, & Araújo, 2014).
É também importante referir que as escalas estão desenhadas para predizerem o risco, o que não é o mesmo que prevenir eficazmente as quedas. O score avaliado pelas escalas, por si só, não define intervenções. O objetivo das escalas de avaliação do risco de queda é triar de forma rápida as pessoas com risco de forma a se implementarem estratégias que previnam lesões no doente.
Como referido anteriormente a escala de morse é muito importante na admissão dos doentes, pois através dela pode-se prever qual o risco do doente cair.
Ao ocorrer uma queda de um paciente o enfermeiro tem de a registar no SClinico e avalia-la. Esta avaliação da queda é constituída por seis itens: tipo de queda, localização/contexto da queda, lesões resultantes da queda, uso de auxiliares de marcha, gravidade do dano e visualização da queda. No item tipo de queda o enfermeiro pode registar se a queda ocorreu pelo paciente tropeçar, escorregar, desmaio, perda de equilíbrio ou outro. Na localização/contexto da queda, podem ser selecionadas as opções, da cama/berço, ao sair do cadeirão/cadeira, no quarto, no WC, no chuveiro, no corredor, nas escadas/degraus, enquanto transportado/apoiado por outra pessoa, ou outro local. Em lesões resultantes da queda as opções são, sem qualquer lesão aparente, fratura, escoriação, contusão, laceração cutânea, perda de consciência ou outros. No uso de auxiliares de marcha pode ser selecionado ou não, canadianas, muletas, bengala, tripé, andarilho ou outro. Na gravidade do dano o enfermeiro pode registar que não houve nenhum dano, fraco, moderado, severo/grave ou morte. E finalmente na visualização da queda as opções a serem selecionadas são, não visualizada, enfermeiro, assistente operacional, médico, outro profissional de saúde ou familiar/visita.
Com isto, estes dados ficam registados na ficha do paciente do SClinico, a fim de os enfermeiros ou médicos puderem ver se esse paciente tem baixo, alto ou sem risco de queda, e se já teve ou não um fenómeno de queda.