Capítulo 3 Qualidade dos dados em SDWs
3.1 O SDW como sistema de suporte à decisão
Desde sempre que o processo de tomada de decisão se apresenta um exercício corrente nos diversos patamares da estrutura orgânica das organizações. Todavia, as dirigidas pelos principais gestores estão incumbidas, naturalmente, de um maior grau de responsabilidade, pois se o seu sucesso faz corresponder a concretização de proveitos ou benefícios para as organizações, o insucesso da prática decisória implica avultadas perdas ou mesmo o desmoronamento da organi- zação. Actualmente, a globalização económica, cultural e social impulsiona as organizações a maiores exigências ao nível da qualidade das decisões tomadas num mercado evoluindo em todas as suas vertentes. A abolição fronteiriça associada a grandes incrementos em meios tecnológicos não concede segundas oportunidades num teatro de operações concorrencial, autoritário e em constante mutação. A primeira função dos gestores consiste em tomar decisões e estas podem
ser separadas em três categorias distintas: estratégicas, de coordenação e operacionais. Enquan- to que as duas últimas categorias se reflectem a nível interno e restrito na organização, a primeira categoria consiste na interacção da organização com o meio envolvente (o mercado e a socieda- de) [Rascão, 2000]. O objectivo das decisões estratégicas resume-se ao cumprimento dos princi- pais objectivos e metas traçadas pela organização (e.g. a criação de vantagens competitivas face às suas congéneres). Logo, a qualidade destas decisões pode produzir um impacto global sobre toda a organização como seja pelo incremento da quota de mercado, pela melhoria da satisfação dos clientes ou pela diminuição dos custos. Ainda, na tomada de decisão podem ser percepciona- das três variáveis moderadoras capazes de influenciar a forma como os decisores usam a infor- mação: o excesso de informação, o nível de experiência dos decisores e as restrições temporais [Fischer & Kingma, 2001]. Em suma, as contingências quotidianas vividas pelas organizações conduzem a uma gestão eficaz e eficiente dos dados possuídos e ao tratamento e disponibilização dos dados de modo adequado aos anseios dos agentes de decisão.
Para que a tomada de decisão seja devidamente executada deve-se possuir o conhecimento so- bre quais os dados de suporte necessários [Rascão, 2000]. Por sua vez, os mesmos dados podem servir de suporte a diferentes decisões, o que exige uma correcta e adequada gestão dos dados disponíveis, como seja pela agregação ou detalhe dos dados, os níveis de acesso, a prontidão, entre outros [Ballou & Tayi, 1999]. Assim, a gestão dos dados deverá incluir igualmente a divulga- ção aos decisores dos níveis de qualidade dos dados fornecidos [Shankaranarayan et al., 2003]. No cumprimento das suas tarefas, os decisores necessitam de um quadro de indicadores informa- tivos que permita compreender a organização e o dinamismo do mercado; a possibilidade de ana- lisar tendências e padrões, a avaliação de alternativas e a utilização dos resultados no aproveita- mento de oportunidades. Por isso, é extremamente importante possuir um sistema de suporte à decisão que permita à organização permanecer competitiva [Brackett, 1996]. Sun Tzu, pai da es- tratégia, sobre a realidade militar de à 2000 anos, perspectivava:
“… eram atributos indispensáveis para a «vitória» a capacidade de previsão, de iniciativa, de ma- nobra e de adaptação a novas circunstâncias (…) a necessidade de fazer a escolha certa no mo- mento certo.” [Tzu, 1994].
A consciência desta realidade levou à emergência de iniciativas no campo das tecnologias da informação que sirvam de suporte à tomada de decisão. É o caso dos SDWs como meios tecnoló- gicos capazes de fornecerem as informações exactas e relevantes, no momento oportuno, com o nível de detalhe e em formato adequado para a tomada de decisão. Portanto, são ferramentas que servem de suporte para alcançar os objectivos estratégicos das organizações [Rascão, 2000]. Os
SDWs vieram assumir um papel de relevo no domínio dos processos de tomada de decisão, as- sumindo claramente a dianteira, relativamente aos sistemas de suporte à decisão anteriormente disponíveis, como uma plataforma tecnologicamente capaz de disponibilizar um conjunto de meios potenciadores de ir ao encontro das preocupações, necessidades e ambições mais essenciais reveladas pelas organizações, em particular pelos seus agentes de tomada de decisão. Os SDWs são uma ferramenta muito útil para suporte às actividades quotidianas dos agentes de decisão, essencialmente na condução táctica das organizações. Este auxílio revela-se importante, na me- dida em que torna o processo de tomada decisão mais rápido e efectivo, flexibilizando o acesso a mais dados, melhores e mais bem organizados, e garantindo uma maior confiança aos agentes sobre a credibilidade da informação que disponibiliza. Estes são alguns dos vectores basilares que justificam a integração e a exploração de SDWs no seio das organizações. Neste sentido, um SDW apresenta-se como um conjunto de componentes interrelacionados em vista a disponibiliza- ção de informações relevantes e indicadores de desempenho aos consumidores finais. Este con- junto de componentes é composto por recursos humanos e tecnológicos, apoiados em técnicas e meios, que actuam sobre as diferentes fases do DW e são capazes de atingir os objectivos finais a que o DW se propõe [Vassiliadis et al., 1999].
O interesse em implementar SDWs pelas organizações pode ser constatado pelo crescimento previsto para o período entre os anos 1996 e 2002. O grupo de gestão de Palo Alto perspectivou o crescimento do mercado de DWs de 10 biliões euros, em 1996, para 120 biliões euros, em 2002. Esta previsão configura uma taxa de crescimento na ordem dos 51% anuais durante os anos refe- ridos [Watson et al., 2002]. Os SDWs, pelas suas especificidades, funcionam como sistemas de sentido único, ou seja, a interacção deste tipo de sistemas com os seus utilizadores desenvolve-se apenas no fornecimento de informações vitais com os meios humanos norteadores da condução do negócio. Os utilizadores apresentam-se, assim, como meros consumidores de informação e conhecimento. Esta característica exige que os dados armazenados, nas suas mais variadas di- mensões, apresentem elevado grau de qualidade, pois de outro modo implicará a irrelevância do seu interesse e consequentemente resultará na falta de credibilidade do próprio sistema.