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SEGUNDA CATEGORIA: A PRIORIDADE COMO FORMA DE

CAPÍTULO 4 – DISCUSSÃO DOS DADOS

4.2 SEGUNDA CATEGORIA: A PRIORIDADE COMO FORMA DE

Esta categoria objetiva expor a forma como os docentes da área da saúde se organizam diante das inúmeras atividades em que estão envolvidos, bem como os maiores desafios elencados por eles na carreira. Para sua constituição, houve, portanto, a união entre duas subcategorias: a prioridade como forma de organização dentre a pluralidade de papéis desempenhados e conciliação das diversas atividades da docência. A Figura 8, exposta a seguir, objetiva ilustrar a categoria em questão.

Figura 8 – Representação ilustrativa da segunda categoria

Fonte: Elaborada pela autora.

Assis e Bonifácio (2011) afirmam que a Universidade deve ser um espaço de formação, assim como um local onde existam discussões e reflexões acerca da cidadania e da atuação profissional e consciência quanto às necessidades sociais, formando não só para o mundo do trabalho, mas também para a vida.

O professor precisa, assim, dominar o conteúdo, os conhecimentos pedagógicos, o currículo e o contexto em que seus alunos estão inseridos, sabendo pesquisar, escrever, discutir e articular-se com a comunidade em geral. Precisa, então, estar atento às demandas sociais, criando projetos de extensão que ofereçam suporte e possam beneficiar a comunidade. São atividades que demandam tempo e dedicação.

Nesse contexto, o docente passa a desempenhar papéis diversificados, não ficando restrito apenas à sala de aula, o que pode ser considerado um grande desafio, pois existe uma demanda imensa de trabalho, que precisa ser criteriosamente organizada para que possa ser desempenhada de forma qualificada.

Dessa maneira, as atividades desenvolvidas exigem habilidades variadas. Nessa mesma direção, o Plano Nacional de Educação, Lei n.º10.172, prevê que as funções da Universidade de acordo com a Constituição Federal são o ensino, a pesquisa e a extensão, tendo por obrigação reuni-las como requisito de relevância (BRASIL, 2001). Os resultados desta pesquisa apontam que os docentes estão cumprindo a legislação, envolvendo-se em diversas atividades concomitantemente, tais como o ensino, a pesquisa, a extensão, a gestão dos cursos ou departamentos e a participação em comissões próprias da instituição.

[...] hoje eu ministro 8horas de estágio em aula prática. Foi um pedido dos alunos, que eu ficasse com as práticas porque eles achavam que era mais importante e o substituto ficaria com a teoria. Mas aí, como ministro aulas na pós-graduação, eu dei duas aulas em disciplinas diferentes e me vi falando a mesma coisa: que saudades que eu estava da sala de aula, porque dei aulas em módulos [...] Sou do Conselho Departamental, colegiado, Núcleo Docente Estruturante, Comissão Científica do Hospital. A gente vai fazendo, não sei como concilio. [...] (P1).

Sou docente da graduação em clínica e em aulas teóricas, tenho alunos orientandos de TCC e na pós-graduação, mestrado e doutorado e orientandos do doutorado. Ensino, pesquisa e extensão com doze projetos (P3).

Conforme se pode observar, os docentes demonstram executar funções variadas previstas em lei e, além disso, envolvem-se em atividades extras como reuniões, grupos de estudo, comissões, colegiados, congressos e palestras. Dos sete docentes participantes, todos estão comprometidos com a pesquisa e envolvidos também com disciplinas na graduação, e quatro professores relatam estar atuando concomitantemente na pós-graduação. Para Assis e Bonifácio (2011), os três eixos norteadores da Universidade – o ensino, a pesquisa e a extensão – devem estar articulados ou irão prejudicar a formação acadêmica e profissional do aluno caso este não tenha contato com experiências científicas ou de extensão, tão relevantes para o futuro.

Seis dos sete participantes referiram ter projetos de extensão, três deles fazem parte da gestão dos cursos como coordenadores, e três estão envolvidos em comissões da instituição. Além disso, dois dos sete docentes estão em fase de qualificação, cursando disciplinas do doutorado. Esses números retratam um quadro de docentes com perfil engajado não só com o seu curso ou departamento, mas também com a comunidade e a instituição de forma geral.

Essa realidade está relacionada às cobranças atuais quanto à produção, incluindo publicações em revistas conceituadas e participação em eventos

científicos, que influenciam a carreira e progressão docente, bem como a maneira como o docente é reconhecido na instituição. A esse respeito, Borsoi (2012) atenta para um panorama das Universidades Federais que merece atenção: nos últimos anos, a demanda de trabalho aumentou consideravelmente, tendo por obrigatoriedade a produção científica, embora o acréscimo do corpo docente não tenha sido significativo. Ou seja, a produção é imposta como um dos parâmetros de produtividade e de progressão na carreira, sem levar em conta que, além disso, existem outras exigências que necessitam de investimento intelectual, como as aulas, a produção de relatórios e a publicação de livros.

Não basta ter conhecimento quanto às disciplinas: faz-se necessário ir além, isto é, participar de projetos junto à comunidade com responsabilidade social, realizar estudos científicos criteriosos que possam contribuir com a área, comprometerem-se com atividades de gestão em coordenações de cursos, em Núcleos Docentes Estruturantes-NDE, em Colegiados de curso e em chefias. Ainda, é preciso estar atualizado constantemente por meio de cursos de aperfeiçoamento, congressos e simpósios, como pode ser observado nas falas transcritas a seguir.

Eu tenho duas disciplinas e estágio na graduação, sou tutora da residência multiprofissional, pós-graduação. Envolvi-me nos programas PET e PRÓ saúde. Tenho uma DCG na graduação, mista: formação profissional para o SUS com todos os cursos da área da saúde. Sou da comissão de extensão do CCS. É complicado conciliar, porque temos mais os TCCs e os projetos da extensão. Os bolsistas, mais os grupos no município. É aquela coisa, a gente se ajuda. E, mesmo assim, temos banca e palestra, tudo ao mesmo tempo (P5).

Este ano estou com a disciplina de Saúde da Criança, só com a parte prática, a teórica foi passada para uma colega para que eu possa ajudar a coordenador, porque estou na vice coordenação. Estamos em plena implantação do projeto pedagógico, precisamos de empenho no departamento e realmente é grande o volume de trabalho e todas as disciplinas do doutorado [...] eu estava participando de projetos, mas deixei por causa da demanda de trabalho (P6).

Estou na gestão, na coordenação do curso, assumi o controle da reforma curricular. Nesses últimos quatro anos, fiz as disciplinas do doutorado, coletei os dados, mas não terminei. Tenho disciplina na graduação, mas na pós-graduação não tenho. Tenho um projeto de extensão de internato regional, com alunos em vários municípios fazendo práticas nos dois últimos anos (P4).

Para Arroyo (2013, p. 110), “as ações cotidianas dos mestres são respostas a estratégias perante os imperativos cotidianos, com frequência esmagadores em que têm de desenvolver seu trabalho”. No caso desta pesquisa, os docentes não referiram cansaço, desgaste físico ou mental, mas relatam sentirem-se

sobrecarregados em alguns momentos. As atividades desenvolvidas exigem esforço cognitivo em demasia, além de uma dedicação que em muitos momentos se estende para fora dos muros da Universidade, configurando um trabalho realizado nos lares dos docentes. A maior parte dos professores continua a jornada de trabalho na sua própria casa, respondendo a e-mails, escrevendo relatórios e memorandos, corrigindo trabalhos e artigos, entre outras funções.

“Ministrar aulas, pesquisar, participar de reuniões deliberativas, orientar estudantes - tudo isso faz parte de uma produção quase sempre invisível aos olhos da própria comunidade acadêmica” (BORSOI, 2012, p. 98). Todas essas atividades são comuns no cotidiano de um professor; porém, para muitas pessoas que desconhecem o dia a dia dessa profissão, é difícil perceber que o trabalho efetivado soma muito mais do que as 40 horas registradas.

No caso da área da saúde aqui investigada, é nítido o envolvimento dos docentes em atividades variadas, dedicando-se à pesquisa, extensão, administração, graduação e pós-graduação e demonstrando, assim, características de comprometimento e responsabilidade social junto à comunidade. A área desenvolve muitos projetos de pesquisa e extensão em locais com alto índice de vulnerabilidade, promovendo, ainda, estágios e práticas em Unidades Básicas de Saúde, Escolas e Centros Comunitários. Essas ações sociais e de saúde acabam por indicar traços desse grupo de professores e da área na qual estão inseridos, configurando parte da cultura profissional.

Ressalta-se, também, que uma das ações que mais oferece reconhecimento ao trabalho docente é a pesquisa – produzir cientificamente e ser valorizado institucionalmente e/ou por meio de empresas de fomento à pesquisa são elementos considerados por muitos docentes como grandes propósitos da profissão. O que se observa na pesquisa de Bazzo (2007), por exemplo, é que, de maneira geral, os docentes enfatizam a importância da pesquisa em sua escolha pela docência. Ou seja, optaram por seguir carreira docente justamente pela possibilidade de se tornarem pesquisadores, acreditando que a docência poderia ser exercida somente por meio da realização desse tipo de atividade.

Além disso, no meio acadêmico e socialmente, o pesquisador é reconhecido como um profissional competente e detentor de maior conhecimento científico. Tal configuração indica que “Ser docente, muitas vezes, não se caracteriza por um

desejo, mas sim por circunstância. Sabe-se que, no Brasil, um dos caminhos que os pesquisadores em geral seguem para poder desenvolver pesquisa é por meio da docência” (CANEVER, 2014, p. 151).

Dessa forma, observa-se que os dados deste estudo apontam para uma realidade em que todos os docentes entrevistados estão envolvidos em atividades de pesquisa, mas também atuam no ensino. Essa característica é mais um elemento relevante da cultura da área da saúde, que difere dos achados de outros estudos já realizados, como o de Farias e Silva (2014), os quais indicam que, mesmo que o professor de Educação Superior compreenda a importância da tríade ensino, pesquisa e extensão, há uma falta de articulação entre as atividades, prevalecendo uma ou outra.

No caso desta pesquisa, percebe-se que a área da saúde da UFSM não supervaloriza as atividades científicas em detrimento das atividades de ensino apesar de, historicamente, alguns cursos apresentarem características bastante ligadas à pesquisa, como é o caso da Enfermagem, da Fonoaudiologia, da Fisioterapia, da Odontologia e da Farmácia. Diante desse cenário, Malusá, Pompeu e Reis (2014) relembram o que consta na Constituição Federal de 1988, indicando que o ensino e a pesquisa devem ser tratados com igual relevância no âmbito educacional.

Almeja-se, portanto, que o ensino e a pesquisa estejam articulados, com o intuito de oferecer ao acadêmico um conhecimento pleno e reflexivo, tanto dos conteúdos de sala de aula quanto do fazer científico. Ambos são fundamentais para a formação acadêmica e profissional dos alunos, motivo pelo qual se defende “[...] a necessária articulação entre ensino e pesquisa no desenvolvimento do currículo de formação em contextos da prática, se reconhecida os efeitos da ausência da pesquisa para formação docente” (FARIAS; SILVA, 2014, p. 71). Nas falas a seguir, é possível entrever essa articulação:

Coordeno o curso, tenho uma disciplina na graduação, duas no mestrado e comissões. Estamos implantando o currículo novo. Assumi a gestão ano passado e estamos trabalhando na reforma curricular. Além de projeto de pesquisa e extensão, represento o Centro no Comitê de Ensino e Pesquisa (P7).

[...] está servindo para me mostrar que o meu perfil é a sala de aula e a pesquisa, porque eu amo a pesquisa. Isso eu tenho um cuidado o tempo todo, para não me afastar do meu laboratório, para eu poder garantir e manter isso. Sou do conselho departamental, colegiado, NDE e comissão científica do hospital (P1).

A partir desses relatos, observa-se a participação docente em atividades variadas e, mesmo que de forma implícita, o acúmulo de atividades desses sujeitos, requer em certos momentos de abdicação do convívio familiar e social para cumprir prazos e exigências profissionais. Cruz et al. (2010) acreditam que as exigências por maior qualidade e produtividade, oriundas do acúmulo de trabalho e tarefas diversificadas, exigem dos docentes habilidade intelectuais e físicas que, quando em demasia, podem acarretar em adoecimento. Apesar disso, nenhum docente entrevistado mencionou ter adoecido em função do trabalho; pelo contrário, demonstraram motivação e empenho, impulsionados a se desafiarem cada vez mais na busca por superação e excelência.

Tudo isso provavelmente tenha relação com o fato de relatarem estar organizados para a realização de uma demanda grande de trabalho. Estima-se que esse seja o diferencial: a organização. No momento em que os docentes conseguem planejar suas atividades de forma a contemplar todas as tarefas exigidas, evitam-se problemas como atraso, falta de comprometimento, ansiedade, depressão e estresse. A utilização de métodos de organização das atividades do cotidiano representa a maneira como os docentes concebem suas ações, demonstrando o envolvimento e a responsabilidade desse grupo junto à instituição e à sociedade de forma geral.

A maneira como os docentes se organizam para potencializar a execução dessas atividades com certeza é um dos fatores que influenciam na saúde física e mental. Manter uma estratégia de organização e de controle de prazos faz com que as atividades, mesmo que em grande quantidade, sejam realizadas da melhor maneira possível. Embora existam diversas formas de organização – agendas, cronogramas, planilhas e aplicativos no celular, os docentes entrevistados, em sua maioria, relataram optar por uma lista de atividades, elencada a partir de prioridades e não de datas:

Tudo vai para a fila de prioridades, ordem de fila, prazos. Aí, semana que vem tem banca: prioridade da agenda. Infelizmente não tenho tempo para fazer um planejamento porque estou com bastante coisa; às vezes a coisa embola. Não consigo fazer tudo aqui, levo coisas para casa. No final de semana, tu queres fazer tudo: descansar, caminhar, ficar com a família, estudar. Mas eu procuro equilibrar e, apesar das cobranças, não abusar muito (P5).

Eu tenho um momento de pensar cronologicamente as atividades que virão naquele mês em uma planilha para organizar meu tempo (P3).

De maneira geral, o grupo pesquisado tem optado por essa estratégia de organização devido ao envolvimento em diferentes contextos e salientam certa a preocupação com relação à sua saúde e o cuidado para não haver sobrecarga. É justamente no local de trabalho que se constitui o processo de saúde-doença, pois o espaço predispõe o estímulo de habilidades, reforça a auto-estima e favorece a expressão de sentimentos, sendo, portanto, caracterizado como um espaço de construção de histórias e de identidades (DEJOURS, 1987).

Para Araújo et al. (2005), a docência no ensino superior não tem sido foco de investigação quanto à saúde e ao trabalho. Contudo, esse aspecto merece atenção, principalmente em virtude das transformações que a educação vem sofrendo nas últimas décadas, como a imagem do professor diante da sociedade e a forma como a educação é percebida, fatores que podem interferir na saúde física e mental dos professores.

Outra questão fortemente relatada nas entrevistas diz respeito à forma como os docentes utilizam seu tempo dentro da universidade. Grande parte do grupo salientou que projeta o tempo ocupando todos os turnos da semana na instituição, a fim de evitar levar trabalho para casa. Contudo, devido à grande demanda de atividades, em muitos momentos, necessitam abrir mão de estar com a família e os amigos para cumprir prazos.

Não vivo sem agenda e prioridade. Tenho pouca hora de aula, então consigo conciliar as reuniões, grupos, orientandos e coordenação. Marco coisas no final da manhã e da tarde, para ajudar. Eu fico a semana inteira aqui, 40horas. Não paro nunca e mais a noite e no final de semana, porque não dou conta (P7).

A gente vai fazendo, não sei como concilio. Meu filho não reclama, ele acostumou, sempre fui assim. Mas eu faço questão, aprendi a fazer, apesar de gostar de trabalhar, eu separo. Eu tento resolver tudo aqui, deixar o necessário para fazer em casa. Porque quando estou em casa, quero estar em casa. Cuido isso (P1).

Tendo em vista tais questões, Borsoi (2012) realizou um estudo com o objetivo de discutir a intensificação do trabalho e suas implicações no modo de vida e na saúde dos docentes, tomando como base uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Os resultados apontam um crescimento na oferta de cursos e de matrículas, bem como um acréscimo significativo de trabalho, visto que o corpo docente efetivo não sofreu alterações, o que indica que a sobrecarga e as exigências por produção científica se tornaram

maiores. Esse fato, de certa forma, representa um risco à saúde física e emocional dos docentes, podendo gerar adoecimento.

Conforme Torres et al. (2011), as transformações sociais, as inovações tecnológicas e a intensificação do trabalho levam a agravos na saúde, tais como envelhecimento, doenças cardiovasculares e lesões por esforços repetitivos, que podem interferir de forma temporária ou permanente na capacidade laboral. Em sua pesquisa, os autores reforçam a necessidade de oferecer suporte aos trabalhadores, que, quando adoecidos, comprometem também as relações com seu núcleo familiar. As falas dos entrevistados na presente pesquisa ressaltam que, apesar das inúmeras atividades desenvolvidas, os docentes não se sentem cansados ou adoecidos, conforme outras pesquisas salientam. A profissão exige do professor paciência, concentração, atenção, raciocínio, criatividade, dinamicidade e capacidade de interagir com os colegas e alunos. De acordo com a Lei n.º9394, de 20 de dezembro de 1996, são funções do professor:

[...] participar da elaboração do projeto pedagógico, elaborar e cumprir o plano de trabalho, zelar pela aprendizagem dos alunos, estabelecer estratégias de recuperação para alunos com menor rendimento, ministrar os dias letivos e horas aula estabelecidos, participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1996, s.p).

Nesse sentido, ressalta-se, que a organização do tempo pode interferir positivamente ou negativamente no cotidiano, principalmente de pessoas que atendem a uma demanda grande de ações. Dessa forma, em muitos momentos, dar-se conta de que a organização do tempo é essencial e colocar em prática essa premissa torna-se fundamental para preservação e promoção da saúde.

[...] uma coisa atrai outra, daqui a pouco estou envolvida em muita coisa. Eu gostaria de estar mais envolvida em muita coisa, mas não tem como (P5).

Sou uma pessoa organizada, mas me sinto sobrecarregado por causa desse período de reforma curricular. Ficamos com mil horas na coordenação e não temos professor [...] (P4).

Não me sinto cansada, estressada, me sinto valorizada. As pessoas confiam em mim, tenho uma devolutiva das coisas que fiz, acho que minha presença faz diferença e isso me gratifica. Esses dias comentei que fazia dois finais de semana que não conseguia trabalhar em casa porque minha agenda familiar estava cheia. Aí me responderam: mas isso é o normal, não é? É o ritmo, a família entende, a mãe é assim (P7).

Contudo, os docentes participantes deste estudo relataram que essa organização nem sempre pode ser reconhecida como uma tarefa fácil e simples. Pelo contrário, no momento em que foram questionados quanto aos principais desafios da docência, a maior parte dos participantes relatou que conciliar as atividades e o tempo com a carga horária semanal e o número de docentes, constatando-se, portanto, uma fragilidade nesse quesito, além de ser um grande desafio:

Equacionar o tempo com as atividades, muita coisa para pouca gente. Tem coisas que ninguém quer fazer, sempre os mesmos se dispõem (P5).

Dar conta de tantas atividades, por exemplo: se eu estivesse fazendo a especialização sem estar na coordenação seria diferente, eu faria de outra forma e aí vejo que não dou conta. O curso tem um currículo novo para ser implantado e um desafio de fazer com que ele seja acompanhado e avaliado o tempo todo, para não ser uma repetição. Então essa é a grande preocupação, colocar na agenda e fazer acontecer, é difícil (P7).

Vai coincidir TCC com a pós-graduação, então vai ficar pesado. Agora está coincidindo estágio com TCC, porque uma professora foi demitida, então é complicado porque eu sou uma só no mesmo espaço. Eu lia os TCCs à noite, não tem como ler em casa, porque eu lia meia-noite, eu não faço mais isso, faço tudo na UFSM. Eu sou co-orientadora de um mestrado, mas não tenho tempo. Por isso estou limitando o número de orientandos. Estou aprendendo na terapia a dizer não. E eu não sei. Fico com pena, mas... (P2).

Apesar de sentirem-se satisfeitos com a profissão e seus papéis diários, os docentes estão de fato envolvidos em muitas atividades concomitantemente e, mesmo sem expor qualquer descontentamento, percebem essa questão como um desafio. Observa-se, ainda, que, em momento algum, houve qualquer tipo de