3 O INÍCIO DA CAMINHADA: PESQUISA-AÇÃO
3.2 SEGUNDO MOMENTO: DESENVOLVIMENTO E EXECUÇÃO DA
Neste segundo momento da pesquisa, iniciando-se o período letivo, conforme o encaminhamento da agenda decidida para a dissertação, os envolvidos no projeto da escola participaram de freqüentes discussões sobre as atividades escolares, em reuniões agendadas com a coordenação pedagógica.
A rotina dos trabalhos da escola foi obedecendo às exigências das atividades diárias, com profissionais e alunos assumidos cada qual seu papel, sem revoluções ou mudanças drásticas, porém as exigidas pelo processo:
Execução dos projetos interdisciplinares, em integração com a coordenação pedagógica e com a comunidade, ao mesmo tempo em que eram acompanhados e avaliados nas ações sociais e pedagógicas deles resultantes;
Busca constante pela melhoria das atividades realizadas em sala de aula, dos processos de ensino e da avaliação, com novas idéias para melhoria do ensino e das formas de avaliação.
Acréscimo de atividades curriculares e extras escolares, com aulas de dança, de teatro, de canto abertas à comunidade.
Foi acompanhado o funcionamento da escola, pois o pesquisador já atuava na mesma como professor, sendo estabelecida uma relação de sinceridade e
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seriedade, angariando credibilidade e aceitação de todos, o que facilitou em muito os trabalhos da pesquisa. Sempre foi manifestada a intenção construir o melhor e o mais produtivo para o processo escolar e para os profissionais que lá atuam.
Constatou-se, no decorrer da pesquisa, como é importante ser parte da escola, conhecendo-a com profundidade, o que facilitou em muito o desenvolvimento da pesquisa, pois no dizer de Lima38
[...] é um desafio para o investigador da educação, conhecer a instituição escolar por dentro: as práticas organizativas, os padrões de gestão, as relações sociais dominantes, a relação centralização/descentralização, os mecanismos de planejamento, organização, direção e outros fatores que influem na identidade da escola, uma vez que afetam, diretamente, os processos e os resultados do ensino.
Durante esse momento de execução da proposta em função da demanda de matrícula, a escola reformulou-se, tanto na sua estrutura física, ampliada e modernizada, como na sua organização técnico-pedagógica, com o envolvimento valioso de todos.
O dia-a-dia da escola, nos dois anos programados para execução do projeto ocorreu da normalidade, com assuntos sendo decididos passo a passo, ao mesmo tempo em que as questões trabalhadas evoluíam e exigiam novas decisões.
A proposta da escola, embora não manuseada com freqüência, esteve, nos períodos letivos considerados como de execução, sendo cumprida nas suas diretrizes e orientações.
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Lima,Sueli Azevedo de S.Gestão da Escola: uma construção coletiva.In:Castro,Marta Luz Sisson(org) et.alii. Sistema e Instituições:repensando a teoria na prática.Porto Alegre:EDIPUCRS.p151-165,1997.
Com esse objetivo, foram trabalhadas pela escola, sob a orientação eficiente e segura da coordenação pedagógica, as atividades diárias voltadas para o cumprimento das metas e objetivos estabelecidos pelo grupo para o desenvolvimento do projeto da escola.
Os métodos e técnicas de ensino e da avaliação, definidos no momento da construção, foram meios adequados ao cumprimento das decisões gerais constantes também no projeto pedagógico da escola.
O segundo momento da pesquisa foi acompanhado com verificação dos passos caminhados pelo grupo e os resultados do trabalho da escola, utilizando como recurso à observação.
Para Demo (1996)39
observação e uma das técnicas de coleta de dados imprescindível em toda pesquisa cientifica. Observar significa aplicar atentamente todos os sentidos a um objeto para dele adquirir um conhecimento claro e preciso. Da observação do cotidiano formulam-se problemas que merecem estudo. A observação constitui-se, portanto, na base das investiga;ao cientificas.
Foi com base na observação participante que tornou-se possível caminhar com a escola, apresentando as conclusões e orientações ao grupo lá reunido, em diversos momentos da prática pedagógica, relatando as informações que fundamentam esta dissertação, e inclusive, apresentando uma posição sobre os progressos e dificuldades constatados durante todos os momentos da pesquisa.
Nas reuniões pedagógicas ou administrativas com estudos e debates sobre assuntos considerados problemáticos ou carecendo esclarecimentos, foram também debatidos textos de educadores apresentados por mim ou por palestrantes convidados pela escola.
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Foi um ir e vir, da teoria à prática, explorando novos enfoques teóricos ou experiências realizadas com sucesso em situações possíveis de acontecer.
Conforme os esclarecimentos encontrados em Thiollent40, foi possível entender que, muitas vezes, também pode acontecer de não haver uma informação teórica bem estruturada o que requer a reestruturação dos conhecimentos que embasam a pesquisa, e foi essa a preocupação deste trabalho.
O método escolhido permitiu o uso de recursos que possibilitaram a movimentação entre os passos da Pesquisa, ao mesmo tempo em que as atividades estavam sendo realizadas.
Thiollent ainda mais uma vez auxilia, definindo na pesquisa-ação “a argumentação e realizada ao vivo, sob forma de discussões e deliberações entre diferentes interlocutores reunidos em seminários ou reuniões e pesquisa-ação.”41
Com base nos relatos dos profissionais participantes atores da pesquisa, nas etapas de rediscussão de temas relativos às suas atividades em sala de aula e dos processos de avaliação, constatou-se o amadurecimento do grupo, o conhecimento do novo, a melhoria da integração interpessoal nas atividades rotineiras exercidas por todos.
Essas falas relatos, aqui consideradas como coleta de dados para a pesquisa, valorizaram os estudos e as mudanças propostas e foram analisadas pelo pesquisador, que sentiu a preocupação de todos com o fazer diferente, transformador e com o sucesso das ações planejadas e executadas.
Foram discutidos os temas selecionados pela coordenação pedagógica, considerados fundamentais para a continuidade do trabalho escolar diário.
Analisando os relatos pessoais e as participações nas discussões,
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naquelas reuniões percebeu-se que todos os participantes foram, na realidade, sujeitos da pesquisa e compromissados com o sucesso dos alunos e da escola como um todo.
A decisäo de ouvir não somente o maior, mas também o mais diversificado número de sujeitos, nos diversos momentos da pesquisa foi fundamentada ainda nas palavras de Perrenoud: A participação de todos, inclusive dos funcionários, em amplo debate na e sobre a escola certamente garantira o compromisso em executar as ações planejadas.42
Segundo a visão de Demo43, na pesquisa-ação, todos os envolvidos no processo (sistema escolar) são sujeitos. E será na ação-reflexão contínua e progressiva que esse compromisso se consolidará.
Analisando os relatórios ao final desse primeiro ano da pesquisa (12/2002), percebeu-se a preocupação e a angústia dos profissionais em relação à responsabilidade de atender às expectativas sobre o seu trabalho, como demonstram os depoimentos de cinco sujeitos:
1) A mudança é uma constante na vida de todos nós, podemos, ganhamos, rimos e choramos. Algumas vezes nos sentimos frustrados, outras por demais realizados. Aprendi, nas discussões e nas leituras, o que em anos de exercícios nunca soube. Sinto mais segurança agora, alertada sobre as minhas possibilidades de mudanças. Sei que também errei em alguns pontos e com isso também aprendi coisas valiosas. A maior delas foi ouvir. Percebi a importância da organização do projeto do desenvolvimento da escola para á
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Idem. p. 99
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Perrenoud,Philippe.Construir as Competências desde a escola.p.58.Porto Alegre:Artes Médicas,1999.
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prática do projeto pedagógico. Estarei sempre aprendendo com os erros e acertos, tentando melhorar como pessoa e profissional. E a caminhada dentro do Projeto da Escola será longa, mas necessária.
2) A qualidade do ensino se dá na totalidade de uma instituição e a escola conquistou esta qualidade. Durante o ano contamos com o apoio total da supervisão escolar, da orientadora escolar e que teve importância para todos. Auxiliaram em todas as horas buscando sempre resolver os problemas entre professores e alunos da maneira mais harmônica. Como educador procuro passar que a aprendizagem construída não é um saber pronto acabado, mas deve ser entendida como um conhecimento vivo, dinâmico que vem sendo historicamente produzido, atendendo as necessidades concretas do homem. 3) Domino o conteúdo muito bem. Tenho grande prazer em ensinar. Tenho
didática e procuro sempre pensar com carinho em cada situação, sem perder de vista também a ética, com colegas de trabalho e alunos. Elemento este fundamental para que se trabalhe com harmonia. Suspiro, para que possamos obter resultados ainda melhores, que os alunos sejam orientados por um outro profissional em alguns temas, como por exemplo: conscientização do uso de drogas;
4) Sinto que muitos dos meus colegas ainda não captaram o espírito da coisa, pois infelizmente alguns insistem em manter uma linha educativa que não corresponde com uma escola pública. Acredito que eles precisam se reciclar, e talvez, quem sabe, entender os objetivos previstos na organização e na execução do projeto do desenvolvimento da escola;
Durante este ano a grande maioria se empenhou, para o bom andamento das atividades escolares. Isto faz com que pensemos como Luck44 vendo a escola como um bebê, quando tentarão de alguma maneira criá-lo da melhor maneira possível.
É importante esclarecer que os relatórios acima exemplificados foram solicitados na reunião de final de ano, motivando respostas voltadas para a atuação do professor em sala de aula, para um trabalho mais especifico e não sobre o projeto em particular. Entende-se, no entanto, que serviram como ponto de referência no acompanhamento do trabalho do professor e das mudanças por eles relatadas, em função dos objetivos traçados na construção do projeto do desenvolvimento da escola.
As questões apresentadas pelos professores nos levaram a refletir, educador/professor e equipe da escola, pensando formas de auxiliar.
Com propostas de possíveis ajustes e correções, foi preparado o material de estudos para concretização no ano seguinte, revendo e/ou reforçando itens do projeto que possibilitassem tais mudanças.
No envolvimento com a pesquisa, havia a preocupação com essas idas e vindas do plano por vezes analisando e interpretando o que estava escrito para execução e que parecia estar sendo questionado por alguns profissionais.
Thiollent45 mais uma vez veio embasar este trabalho, esclarecendo sobre essas preocupações do pesquisador com o desenvolvimento da pesquisa:
Toda pesquisa é permeada pela perspectiva intelectual, pelas expectativas dos interessados nos seus resultados, etc. Porém, os pesquisadores não são neutros nem passivos. ... Trata-se
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Luck,Heloisa et al.A escola partiicpativa:o trabalho do gestor escolar.p.41.4 ed.Rio de Janeiro:DP&A,2000.
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de conhecer e agir para transformar, mas as possíveis transformações nem sempre são radicais ou aquelas que desejaríamos a priori.
Ainda nesse segundo momento, mais um período letivo iniciou-se em 2003, com o projeto da escola sendo executado já há um ano, com novas reuniões se sucedendo.
Não se tratava de reformular itens do projeto, mas de continuar a fase de execução, embora já surgissem conversas informais sobre a necessidade de revisão, especificamente na avaliação-recuperação de estudos.Nessa reunião de início de período letivo, dirigida pela coordenação pedagógica, foram discutidos aspectos pedagógicos referentes ao ensino e à avaliação; avisos administrativos da direção geral e o andamento dos projetos interdisciplinares.
Diretor:
* Apresentou suas boas vindas e agradeceu a colaboração dos antigos profissionais, relatando as condições de funcionamento da escola, e salientou a importância de uma reconstrução da escola devido à precária situação que o prédio se encontra. Solicitou de todos um cuidado muito especial com a qualidade dos serviços oferecidos à comunidade escolar, e que essa qualidade deve ser o diferencial.
* Solicitou também maior atenção e cuidado com a utilização dos mobiliários e equipamentos da escola; relatou que já trabalhou nesta escola e que gosta muito do seu retorno, que gostaria que todos participassem ativamente deste estudo.
Professor e Pesquisador
* A fala como Professor/Pesquisador: foi de estímulo e boas vindas; de alerta aos profissionais para a avaliação de estudos, levando-os a repensar a relação entre a nota e a capacidade do aluno; aproveitar a bagagem que o aluno traz para a escola; lembrar que o projeto político pedagógico está inserido no projeto em vigor e todos precisam estar empenhados em cumprir suas diretrizes.
* Foi esclarecido, no entanto, que isto não quer dizer que não se possa encontrar um fazer diferente e eficiente. Esta é a fase de execução do Projeto, assim, todos são chamados a apresentar suas sugestões de alteração para aplicação ainda neste período, se as mesmas forem consideradas fundamentais para o sucesso das atividades com o aluno.
* Foi reafirmada a lealdade à escola e o compromisso do pesquisador com o sucesso da mesma. Alertei também sobre a necessidade de oferecer ao aluno um ambiente alegre, um local onde todos aprendam juntos e com alegria. Que é preciso programar as aulas com atividades escolares dinâmicas, diferentes e agradáveis, aproveitando os ambientes e os recursos modernos de que a escola dispõe.
Professores:
* Tenho todos no coração, sou quieto, sou exigente, cresci para me soltar; e achei válido a organização do PDE como um meio para praticar o PP;
* Estou atuando pela primeira vez numa escola pública; e a organização da escola para á pratica do PP inserindo nele o PDE penso que este processo é fundamental para que a escola cumpra sua função social e política;
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* Sou uma professora experiente, gosto da escola, porque a escola organiza seu projeto através do PDE.
* Sinto a escola como segunda casa, trabalhar com o PDE como sendo um instrumento de renovação que torna o projeto uma prática.
* Sou um professor de ciências e estou preparado para aprender de novo, com este objetivo de trabalhar o projeto através do projeto do desenvolvimento da escola. Supervisor pedagógico:
* Apresentaram dois textos para a leitura e discussão: (1) avaliação dialógica: levou a pensar sobre nota e a capacidade do aluno, como aproveitar a bagagem que o aluno traz da família para ajuda-lo a superar suas dificuldades; (2) dicas para melhorar suas aulas, alertando para o fato de que os alunos vêm com muitas informações, mais atuais do que o professor. As aulas devem ser alegres, fazendo do que o aluno tenha prazer em vir para a escola. O professor deve ser humilde e mostrar o que é real, que tem também duvidas e problemas. Por outro lado precisa estar sempre estudando e assim, aprofundando seus conhecimentos.
Comunicou a realização na escola de uma palestras sobre comunicação, aberta também à comunidade:
Solicitou o empenho de todos no cumprimento das suas atividades e no atendimento aos alunos e pais, dever este da escola.
Comunicou os dias e horários de planejamento e colocou o projeto do desenvolvimento da escola como um instrumento de observação e avaliação contínua, este processo é uma tentativa do PP alcançar seu objetivo.
Apresentou relatório sobre os projetos interdisciplinares, alguns concluídos enquanto outros estão sendo programados para o corrente ano letivo. O
do conto de mistério, parou sua execução, por exemplo, necessita de revisão e complementação para a sua continuidade.
Na seqüência, os professores coordenadores dois projetos interdisciplinares apresentaram os resultados alcançados na execução, destacando a participação/envolvimento, de alunos, pais e comunidade em geral, numa integração considerada excelente.
Os novos projetos foram apresentados com seu detalhamento, tendo sido solicitado apoio para a sua execução, a exemplo do que aconteceu com os outros, já concluídos com sucesso.
3.3 O TERCEIRO MOMENTO: RESULTADOS QUE FLUEM NO CONTEXTO DA