CAPÍTULO 2 ACIDENTES E DOENÇAS OCUPACIONAIS
2.5 Prevenção de Acidentes e Doenças Ocupacionais
2.5.1 Segurança do trabalho e prevenção de acidentes
Segundo CARDELLA (1999), a segurança pode ser definida como o conjunto de ações exercidas com o intuito de reduzir danos e perdas provocados por agentes agressivos. Para o autor, ela é uma das cinco funções complementares que devem ser trabalhadas em conjunto com a missão de qualquer organização. Direcionar esforços para a função segurança sem considerar a produtividade, a qualidade de produtos, a preservação ambiental e o desenvolvimento de pessoas resulta em uma grave falha conceitual e estratégica.
SOUNIS (1991), define a segurança do trabalho como uma ciência que objetiva a prevenção dos acidentes do trabalho através das análises dos riscos do local e dos riscos de operação. Neste sentido, ela constitui-se de normas com a finalidade de proteger, física e mentalmente, o trabalhador e outras medidas que visam ao perfeito funcionamento e eficaz proteção das máquinas e ferramentas de trabalho.
Segundo HEMÉRITAS (1981), a segurança do trabalho, para ser entendida como prevenção de acidentes na indústria, deve preocupar-se com a preservação da integridade física do trabalhador e também precisa ser considerada como fator de produção. Os acidentes, provocando ou não lesão no trabalhador, influenciam negativamente na produção através da perda de tempo e de outras conseqüências que provocam, como: eventuais perdas materiais; diminuição da eficiência do trabalhador acidentado ao retornar ao trabalho e de seus companheiros, devido ao impacto provocado pelo acidente; aumento da renovação de mão-de-obra; elevação dos prêmios de seguro de acidente; moral dos trabalhadores afetada e qualidade dos produtos sacrificada.
Para ZOCCHIO (1996), a segurança do trabalho e prevenção de acidentes são duas expressões que se confundem. Para o autor, a segurança do trabalho é um conjunto de recursos empregados para prevenir acidentes e assim sendo, a segurança do trabalho são os meios preventivos enquanto que a prevenção dos acidentes é o fim a que se deseja chegar.
Assim, quanto melhor aplicadas as medidas de segurança do trabalho, maior a probabilidade de êxito na prevenção de acidentes e sendo aplicada racionalmente, resulta em:
a) estabilidade operacional em razão do equilíbio permanente da mão- de-obra;
b) melhor produtividade, devido ao bom estado de espírito de quem trabalha em lugar seguro;
c) menor número de reparos em maquinaria e instalações, por motivos de acidente;
d) mais estabilidade nos custos operacionais; e) melhor ambiente social na empresa;
f) melhor imagem da empresa na comunidade e diante das autoridades competentes.
Desta forma, na medida em que os acidentes são prevenidos diminui-se sua interferência nos componentes da qualidade, produtividade, quantidade, prazo e custo, logo, a prevenção de acidentes é um fator de produtividade para a empresa mais especificamente. Essa prevenção se consegue, na prática, corrigindo e não criando condições inseguras nas áreas de trabalho, evitando os atos inseguros da parte do trabalhador, uma vez que todo e qualquer acidente do trabalho, culmina com prejuízos sejam eles materiais e/ou humanos, onde o homem e o meio são os dois únicos elementos inseparáveis e inevitáveis. Então uma forma de prevenir acidentes seria controlá-los e evitá-los aperfeiçoando o ambiente de trabalho ao homem (ZOCCHIO,1996).
Para PORTO (2000), a prevenção constitui um conjunto de medidas objetivas que buscam evitar a ocorrência de danos à saúde dos trabalhadores, através da eliminação e do controle dos riscos nos processos e ambientes de trabalho. Estas medidas podem ocorrer tanto ao nível das empresas como da sociedade, através da elaboração de políticas públicas, de legislação, da atuação das instituições públicas e da ação organizada dos trabalhadores e outros grupos sociais interessados, antes que os trabalhadores tenham acidentes, doenças e outros sofrimentos. Para o autor, estas medidas preventivas não são estáticas e evoluem de acordo com o estado técnico da
arte sobre o reconhecimento e o controle dos riscos de cada tecnologia e processo produtivo. Esta evolução resulta tanto da luta dos trabalhadores como do maior conhecimento sobre os riscos e os efeitos à saúde e ao meio ambiente.
Desta forma, existem três fases básicas de atuação da prevenção, de acordo com o momento de evolução do próprio risco, assim estabelecidas: 1- Fase do projeto e do planejamento
Nesta fase da prevenção envolve o planejamento e o projeto no desenvolvimento de tecnologias e processos produtivos, através de suas organizações, tarefas, produtos, equipamentos, materiais, postos de trabalho, prédios e instalações que fazem parte de qualquer processo e ambiente de trabalho. A primeira fase se refere não apenas às novas tecnologias em empresas ou plantas industriais novas, mas também à instalação de novos setores, fábricas, equipamentos, materiais, ou ainda novas formas de organização, em empresas já existentes.
2- Fase das situações reais de trabalho e do gerenciamento de riscos
Esta fase ocorre com a empresa em funcionamento e os riscos que permanecem ou decorrem da primeira fase transformam-se em situações reais de risco vividas pelos trabalhadores. Esta fase envolve uma ampla legislação técnica e fiscalização por parte das autoridades responsáveis no cumprimento da legislação.
Desta forma, a prevenção dos acidentes do trabalho carece de uma fase de gerenciamento de riscos que consiste, além do reconhecimento e monitoramento permanente das situações de risco, no controle e melhoria contínua dos elementos do processo de trabalho relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores. Alguns dos principais objetivos do gerenciamento de riscos existentes são mencionados a seguir:
• a confiabilidade de máquinas, equipamentos, instalações e ambientes, o que inclui sua manutenção preventiva para manter ou melhorar as condições de funcionamento e segurança.
• uma organização do trabalho adequada que capacite e fortaleça os trabalhadores ao lidarem com as situações de risco.
• o monitoramento da exposição aos riscos sobre o ambiente ou sobre os próprios trabalhadores, quando estes estão sob riscos específicos em seus locais de trabalho.
• a análise de falhas, através do registro e análise de incidentes, quase- acidentes ou ocorrências anormais, além do registro e análise dos acidentes já ocorridos.
• a existência de espaços coletivos de discussão e decisão nas empresas, com a participação dos trabalhadores, sobre os temas de interesse para a sua saúde.
3- Fase da remediação ou atenuação dos riscos
Esta fase se refere a quando uma situação de risco se transforma num evento, como um acidente ou doença, que pode gerar um determinado efeito à saúde dos trabalhadores, e as medidas de prevenção têm o objetivo de evitar que um dano maior ocorra.
Segundo ZOCCHIO (1996), é sempre mais barato aplicar os dispositivos e meios de segurança no projeto original do que aplicá-los no futuro. Apesar de todos os cuidados, ainda podem aparecer riscos fora do controle na fase operacional. Neste caso, urge a necessidade de aplicação de medidas corretivas de segurança antes que um acidente venha indicar a existência de um perigo. Nesta fase, os perigos devem ser levantados por meio de inspeções de segurança ou de análise de riscos operacionais.
Neste sentido, no item seguinte, apresenta-se algumas ferramentas mais usuais utilizadas na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.
2.5.2. Ferramentas para a prevenção de acidentes e doenças